5 de ago de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 11 (Final)

O SUAVE CHEIRO

“20E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR. 21E O SENHOR SENTIU O SUAVE CHEIRO, E O SENHOR DISSE EM SEU CORAÇÃO: NÃO TORNAREI MAIS A AMALDIÇOAR A TERRA POR CAUSA DO HOMEM; PORQUE A IMAGINAÇÃO DO HOMEM É MÁ DESDE A SUA MENINICE, NEM TORNAREI MAIS A FERIR TODO O VIVENTE, COMO FIZ.” GÊNESIS 8:20-21

Noé ofereceu um holocausto sobre o altar e não debaixo do altar. O que a gente pode concluir daí? Que o holocausto que nos cabe realizar, aquele testemunho pessoal que nos compete com base no que temos aprendido, deve ser sobre o altar.

Se almejamos felicidade e harmonia não temos como começar um trabalho novo de crescimento em cima dos mesmos vícios e erros de comportamento. Está dando para entender? Não adianta imolar-se e sacrificar-se na gravitação do interesse pessoal.

Pense comigo, a criatura imolar-se no seu interesse próprio equivale a uma reconstrução em cima do escombro. Desativou algo para edificar algo maior, desmanchou uma casa para construir um edifício, só que é tudo visando o interesse pessoal dela. E se você analisar bem, toda a nossa vida vem sendo feita e refeita assim, em cima dos escombros, e a construção em cima de escombro é o mesmo que construção sobre o cadáver. E construção sobre o cadáver resulta em quê? Ela cheira mal.

Acontece, às vezes, da gente ter uma doença grave ou um problema mais sério, mais contundente, que nos alcança, que nos infelicita, e a gente diz: "Ai, meu Deus, eu tenho que mudar, eu tenho que fazer algo porque eu não estou aguentando!"

Não é assim? E o que estamos buscando fazer no dia de hoje é exatamente isso, estamos planejando, estamos buscando novas diretrizes. É até possível que a doença ou aquele acontecimento menos feliz que nos machucou e nos trouxe ao estudo do evangelho tenha sanado, mas o que estamos fazendo agora? Estamos sequenciando a caminhada, arregimentando valores para edificar um processo novo. Isso é que é interessante de se ter em conta. E esse processo edificado sobre um novo ângulo resulta em quê? Faz com que o Senhor sinta o "suave cheiro", um cheiro mais agradável. É claro que não vamos eliminar por completo os cadáveres. Não tem como, afinal de contas existem os abutres, as aves de limpeza que vivem disso, mas Ele sente o suave cheiro.

Agora, não é o cheiro no seu sentido físico não. É em outra conotação, esse cheiro é um instrumento didático utilizado dentro da simbologia presente nas escrituras.

Esse cheiro tem o sentido da expressão da presença, em que às vezes a criatura passa e deixa o cheiro. Define a percepção e a homologação do plano superior em relação aos nosso propósitos. Deu para ficar claro? Simboliza a natureza da nossa irradiação, quando ela tem exatamente esse sentido de clareamento e de autenticidade pessoal. O cheiro é suave porque existe fidelidade na emissão, porque existe um sentido ampliado vigorando dentro do contexto.

Porque se essa emissão não for assim, se ela for uma emissão essencialmente conspurcada, trabalhada em termos de profundo egoísmo pessoal, esse cheiro suave com certeza não vai ser exalado, é possível até que sai outro tipo de odor.

Nós sabemos que o homem que pratica verdadeiramente o bem vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade e da alegria, e à medida que há uma dinâmica adequada dos potenciais, por meio de uma valorização ampla, esse praticante vai tornando-se usufrutuário de todos os recursos e de todas as benesses que dimanam de modo continuado dessas realizações.

Outro ponto fundamental é que esse cheiro trazido em exame passa a se expressar no natural da gente. Isto é, ele é resultante natural do encaminhado positivo e vai expressar o estágio evolutivo em que a criatura está. Vamos explicar melhor porque isso tem que ficar bem claro. Esse cheiro não é aquele momento em que a criatura toma banho e passa desodorante ou perfume.

Ele não se expressa tanto pela eventualidade de manifestação de alguém, que pode acontecer em determinados momentos. Por exemplo, o indivíduo faz uma prece com todo carinho e toda manifestação de sentimento. Durante alguns momentos essa prece pode irradiar luzes e odores suaves, nem sempre perceptíveis à natureza humana, e que podem felicitar muita gente, não pode?

Mas na hora em que a prece acaba, e que foi um momento diferenciado no padrão vibracional desse indivíduo, o que acontece? Ele volta ao seu padrão normal, para o seu trivial, não volta? E esse trivial é o que caracteriza o grau de seu avanço concreto e efetivo. Percebeu? Logo, quando eu entro em prece ou irradio algo elevado e diferente do meu comum, do meu padrão normal, eu estou trabalhando com a ave, que deu um vôo e está voltando, ao passo que o meu natural, o meu comum de toda hora, é o animal, onde eu trabalho a cada instante.

"E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz." (Gênesis 8:21) A meninice já sugere uma criança mais grandinha, o que nos mostra que desde os primeiros movimentos da vida mental desperta começam a se expressar os padrões de ressonância cármica na individualidade.

E vamos analisar esse amaldiçoar. O sufixo dessa palavra está no dizer, na dicção, na expressão, na verbalização, isto é, ou você maldiz ou bendiz. O criador não amaldiçoa ninguém, o maldizer e o bendizer estão incrustados na base fundamental da ação. A verbalização, seja ao nível de palavras, pensamentos e ação, na tarefa que levamos a efeito, traz a moldura vibratória a expressar a natureza intrínseca dela. Essa natureza é que pode ter sentido positivo ou negativo.

De forma que nós somos incriminados, absolvidos ou exaltados positivamente no ato operado. O amaldiçoar passa, com muito mais propriedade, a estar encravado na nossa própria ação de cada momento, que já define na base, positiva ou negativamente, o resultado. Não tem mais que amaldiçoar a terra, essa terra como sendo a soma de valores no campo coletivo ou no plano íntimo da personalidade, porque é como se vigorasse um sistema novo em que o grau de sensibilidade e percepção segue no sentido positivo da lei, ou seja, dentro da lei de causa e efeito os padrões positivos não geram resposta de dor.

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