30 de ago de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 6

ADMINISTRE A SITUAÇÃO

É comum um acontecimento de fora nos machucar, constranger, marcar e a gente permitir que um fator relativamente isolado do processo tome conta de toda a nossa estrutura íntima de vida.

Você já passou por situação assim? Tudo passa a nortear em cima daquele ponto de vista fechado e cristalizado. E esse ponto de vista fechado e cristalizado é avocado por nós como um mecanismo automático de defesa. A bem da verdade, pode ser avocado por defesa, por medo ou até mesmo em razão das preocupações que nós cultivamos. Todavia, é importante fazermos um desbloqueio desses pontos, porque todas as vezes em que fechamos circuito em cima de um componente nós costumamos sofrer demais, pois ficamos querendo colocar o universo dentro da nossa pequenez informativa, e ainda insistimos a que outros indivíduos ajam da maneira como interpretamos as coisas.

O maior número de conflitos no campo do psiquismo não é tanto em função dos problemas lá de trás.

É comum pessoas dizerem: "Ah! Porque me falaram que eu fui isso lá atrás, que eu tive esse cargo assim,... Que será que eu fiz lá atrás? Eu vivo numa angústia muito grande, uma depressão tremenda. Oh, meu Deus, como está dura a luta, o meu carma é muito pesado!" Bom, para início de conversa, os carmas e os pontos obscuros na vida das pessoas são fatos, porém, muitas angústias, depressões e outras psicopatias reinantes por aí são problemas de agora, de instabilidade do ser, embora seja bem mais fácil dizer que é coisa do passado.

Em tantos casos o negócio não é de ontem coisa nenhuma, é de agora mesmo.

Muitas das dificuldades que nos visitam nos territórios da vida não são decorrentes de um carma lá de trás, mas sim de uma ressonância de hoje conflitante no campo da consciência. Está dando para acompanhar? No campo das distonias, dos transtornos, das chamadas psicopatias, muita dessas coisas nós não trazemos do passado em razão de termos errado nos caminhos pretéritos, elas são decorrentes mesmo é do nosso desconforto no dia de hoje. É o conflito do hoje entre aquilo que o indivíduo sabe que tem que fazer e não faz.

Percebeu? Muitos problemas se instauram com o choque entre o que a pessoa precisa fazer e o que ela está efetivamente fazendo. Pois essa luta instaurada é faixa geradora de muitas dificuldades para o espírito. Muitos de nós aqui, constituindo o grupo de leitores, estamos nessa luta com grandes conflitos que visitam o nosso campo mental. Conflito entre a nova mentalidade que já passamos a adotar, e sentimos que é o melhor caminho a seguir, e aquele processo irreverente que ainda soma em nosso mundo íntimo no que se refere a vida passada.

A felicidade se dá em muito pela capacidade de adequação e de administração dos recursos que temos.

Quando iniciamos um caminho de auto transformação, é lógico que vamos encontrar dificuldades, e elas serão maiores se, na realização de determinadas tarefas e diante dos obstáculos, a gente desanima e não procura adaptação. Por exemplo, se cada vez que surgir uma contrariedade você tiver que mudar de ambiente, mudar de tarefa, se fechar no seu mundo íntimo, você não vai ter acesso à felicidade.

O acesso a felicidade depende da nossa adaptabilidade ao contexto que a vida nos ofereceu para viver.

Surge um desafio e a gente tem que buscar se adaptar ao contexto, lutando para melhorar. Diante de expressões negativas, reconheça o tipo de sentimento que te faz penalizar e retorne ao trabalho com ânimo renovado. Volte ao ponto de partida, se necessário, mas recomece. Porque é assim que a gente cresce.

A gente está cansado de saber o que precisa fazer. Embora nem sempre possa parecer, cada pessoa tem todos recursos de que precisa para melhorar e crescer.

Todavia, as carências que nos dominam, as inconformações que nós ainda nutrimos, nos levam a certos estados que criam verdadeiros embaraços aos nossos passos. Em tantas ocasiões, a gente se acomoda naquele velho automatismo continuado e fica estacionado numa posição de considerável desconforto.

Muitos companheiros, por sua vez, estão empenhados no campo de aprendizagem, mas permanecem ainda numa vida dúbia, o que não deixa de representar de algum modo falta de segurança no campo da eleição daquilo que propuseram. O grande segredo é a manutenção da harmonia íntima, não apenas em alguns momentos, mas sempre. Coisa que depende da gente, que depende da determinação. Quantas vezes não vem dentro do nosso íntimo aquele sentimento de querer abandonar as coisas, de abandonar o projeto, o ideal, largar a proposta? Se não temos a devida perseverança, no início, a gente abandona mesmo. Então, é preciso não se deixar levar. Nós temos que ser fortes para não deixar a peteca cair. São tantos os conhecimentos que estamos recebendo, tantos valores positivos de sustentação, e não podemos abrir a porta da nossa fragilidade. É preciso um ponto de reação. Nada vem de graça.

Se mantivermos na marcha evolutiva uma postura apática, fragilizada, acanhada, amanhã com certeza seremos cobrados porque agimos de forma indiferente.

Se formos ousados em demasia, amanhã também poderemos receber os efeitos da nossa precipitação.

Existe um grande desafio lançado no sentido de aprendermos a administrar os componentes que nos circundam. Todos eles, tanto os mais favoráveis como os mais difíceis.

Essa é a base da conquista. Para realizarmos nossos propósitos é preciso capacidade administrativa dentro do contexto. Embora sempre visitados por obstáculos, sacrifícios e tribulações, precisamos saber administrar o grau amplo das circunstâncias que nos tocam a cada momento. Este aprendizado é algo que dá certo.

Não sei se você já observou, mas nos dias atuais o sucesso para muitas pessoas não está no fato delas manterem constantemente a cabeça cheia de soluções e buscá-las o tempo todo. Não. Sabe o que é o sucesso para muita gente hoje? É chegar ao final de cada dia, olhar para trás e notar que elas agiram de forma acertada e que não criaram confusão. Concorda? Aquele que está querendo montar a todo custo um processo ideal de equacionamento de vida tem vivido frustrado.

É engraçado, mas temos por norma achar que tudo o que é obstáculo na vida tem que ser retirado.

Crescemos assim e mantemos essa ótica por um bom período de tempo, até que alcançamos visão mais abrangente do próprio mecanismo evolutivo. No início nós temos mesmo essa preocupação de querer resolver, e o tempo de fato mostra que nós não podemos perder esse estímulo de querer resolver. Essa vontade tem que estar presente a cada momento. No entanto, analisando o assunto com maior profundidade, aprendemos que o processo nem sempre é resolver a dificuldade, tirar a dificuldade do caminho. Tem muito problema se realizando hoje que não tem necessariamente que ser eliminado fisicamente. 

A gente está custando aprender que o painel de problemas que nos visita, que os problemas diversos em nossa órbita, não vão desaparecer. A dificuldade, sabemos bem, é instrumento para crescer, é um instrumento didático de aperfeiçoamento.

Como esperar evoluir sem ela? Um aluno pode passar para o estágio seguinte sem o desafio da prova? Tem jeito? Pode ocorrer de ficarmos tentando resolver um problema durante longo tempo e, de repente, sabe o que acontece? Desencarnamos, reencarnamos e retornamos de novo com ele. Então, a questão não é só buscar ficar livre. O desafio não é tirar a dificuldade tão somente, é administrar o processo e tentar melhorar as coordenadas. Enquanto nós estivermos lutando contra a dificuldade nós vamos ficar frustrados. O lance é saber ter força e condições para administrá-la. Força e condições para a administração das situações, saber administrar a própria vida.

Vale a pena registrar que existem muitos fatores que merecem ser trabalhados com tranquilidade e calma para que o encaminhamento dos fatos se dê sem inquietação, desastres e atropelos. Infelizmente, achamos difícil administrar certos caminhos, mas vamos lembrar que muito do sofrimento não se dá pelo excesso de peso que carregamos, e sim pela incapacidade de saber administrar as dificuldades. É fundamental desativarmos essa preocupação de querer resolver de maneira violenta, com a cara fechada, porque dessa forma a gente não aguenta.

Nós podemos ingerir no organismo uma boa quantidade de energia, mas ela também pode desaparecer em poucos minutos em razão da nossa preocupação.

O encaminhamento feliz dos fatos pressupõe vigilância e observação. E duas outras coisas são importantes: sorria e defina objetivos claros. Esforce-se por sorrir que o trabalho fica alegre. Se fechar a cara fica bem pior. Aquela criatura que é capaz de administrar suas emoções ganha diversos pontos na caminhada.

E quando ela tem um objetivo definido consegue administrar com facilidade os percalços. E vai longe.

A gente dissimula em muitas situações que está bem, que está tudo sob controle. Ficamos sorrindo para fora, mas o rosto mostra que não está tão bem assim.

Se bobear, a depressão chega e somos atacados por um medo tremendo dentro da gente.

E isso é decorrente sabe de quê? Da falta de naturalidade de vida íntima com a realidade que a evolução tem proposta para nós. Por isso é que muitos de nós somos trazidos ao evangelho pelos impactos e pelas dores, muitas delas morais. Muitas dessas dores em função dos acontecimentos que marcaram nosso psiquismo. Logo, uma coisa a gente sente: não dá para dissimular mais.

Vamos ficar atentos e não viver por conta das aflições, dos dramas e das reclamações. É preciso saber como anda a nossa consciência, especialmente no que se refere à administração das situações. Já estamos em uma fase nova da evolução em que isso é exigência para a estabilidade. Nós temos que entender o porque dos acontecimentos. Não há como vencer um obstáculo da caminhada sem essa capacidade perceptiva de base dos acontecimentos e dos fatos. E temos que nos habituar a ficar feliz, seguro, natural, porque com a continuidade dessa serenidade nós passamos a viver embaixo de um fluxo de luz.

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