29 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 13

A ESPADA E A MORTE

“17E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO; 18E O QUE VIVO E FUI MORTO, MAS EIS AQUI ESTOU VIVO PARA TODO O SEMPRE. AMÉM. E TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO INFERNO.” APOCALIPSE 1:17-18

“8E AO ANJO DA IGREJA QUE ESTÁ EM ESMIRNA, ESCREVE: ISTO DIZ O PRIMEIRO E ÚLTIMO, QUE FOI MORTO, E REVIVEU.” APOCALIPSE 2:8

“30PORQUE ESTAMOS NÓS TAMBÉM A TODA A HORA EM PERIGO? 31EU PROTESTO QUE CADA DIA MORRO, GLORIANDO-ME EM VÓS, IRMÃOS, POR CRISTO JESUS NOSSO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:30-31

“35MAS ALGUÉM DIRÁ: COMO RESSUSCITARÃO OS MORTOS? E COM QUE CORPO VIRÃO? 30INSENSATO! O QUE TU SEMEIAS NÃO É VIVIFICADO, SE PRIMEIRO NÃO MORRER.” I CORÍNTIOS 15:35-36

“42ASSIM TAMBÉM A RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS. SEMEIA-SE O CORPO EM CORRUPÇÃO; RESSUSCITARÁ EM INCORRUPÇÃO. 43SEMEIA-SE EM IGNOMÍNIA, RESSUSCITARÁ EM GLÓRIA. SEMEIA-SE EM FRAQUEZA, RESSUSCITARÁ COM VIGOR.” I CORÍNTIOS 15:42-43

A vida é o sistema de existência que cada individualidade elege. Agora, para se poder alcançar uma vida um pouco diferente, só mesmo a própria criatura se matando. Se ela não se matar ela não ressurge em outro patamar.

Estamos aqui falando de morte, e no entendimento das lições divinas as pessoas comumente conhecem apenas um gênero dela. É claro que nós não estamos falando de morte no seu sentido físico. Quando falamos em morte podemos abordá-la sob vários aspectos. Morte no evangelho não é para se tratar de forma literal, aliás, não existe morte finalisticamente falando. Não existe morte finalística porque a vida está tanto aqui, no plano físico, como está lá, no plano espiritual. Então, não é morte fisicamente falando, não é morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos ou do direito de respirar.

Nada disso. Isso já era, é questão que não atende mais. É morte de outra natureza. Estamos nos referindo à morte eleita por nós mesmos no plano reeducacional.

A morte das expressões que marcam a vida íntima da individualidade, morte em função da alteração e superação dos conceitos que a criatura nutre. Morte das concepções que o elemento trabalha com elas. É morrer com a metodologia de vida que a gente tem levado. O que nós estamos fazendo é um processo de mortificação do homem velho pela ação das novas orientações que nos chegam. É um processo de luta reeducacional, de mudança de caracteres de vida no dia a dia. Uma morte que se dá pelo conteúdo que nos visita e promove a morte.

"Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo sempre. Amém." (Apocalipse 1:18) "E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: isto diz o primeiro e último, que foi morto, e reviveu." (Apocalipse 2:8)

Veja bem, Jesus não morreu, foi morto. E "foi morto" indica que ele ficou suscetível às influências dos acontecimentos determinados pelo alto. Foi morto no sentido de retirado do contexto. Morto e reviveu. O que interessa neste ponto é que o Cristo opera com o padrão "ser morto". Não sei se eu falei grego, mas vamos explicar. Quando o verbo morrer está conjugado com a expressão "foi morto" ele representa uma ação de fora definindo alguma coisa que vai ressurgir.

É o que nós estamos buscando operar. É a morte dos padrões íntimos inferiores, e nós de fato somos mortos. Não que alguém de fora chega e nos elimina naquele sentido objetivo da crucificação de Jesus. Não é isso. Não é fisicamente falando. O que chega de fora e nos mata é o conteúdo que nos visita.

Esse conteúdo promove a morte, ou seja, promove a desativação de um reflexo que era expressão viva dentro de nós, para dar lugar a nova expressão que entra no plano de vivência de vida. Assim, todo fator que é visitado por uma luz mais radiante ele está sendo entregue à morte. Ele é entregue à morte e o plano operacional é que vai matá-lo. Porque só podemos ressurgir em uma nova concepção de vida quando o reflexo anterior se encontra praticamente neutralizado, morto, pela vivência do novo. Deu para clarear? O que é entregue à morte é o nosso conceito que, até então, era expressão viva. E a nossa maneira de viver, nos moldes desse novo valor assimilado, é que mata. Aí, sim, tomamos posse do novo componente.

E com o tempo, de forma gradativa, esses padrões velhos vão perdendo força, passam a ficar num plano secundário e acabam sendo desativados. Agora, uma coisa nós precisamos entender bem, essa morte a que estamos nos referindo não significa a eliminação deles. Ok? Não é uma morte definindo eliminação.

Não é morrer pelo fato de eliminar, de acabar, extinguir. Não é um morrer pela eliminação e pela violência. Não é por aí. Esses valores que estão em nossa intimidade vão permanecer. 

Essa morte é no sentido de desativação. Isso é que tem que ficar claro, o mecanismo é desativar, não é extinguir. A desativação não quer dizer a eliminação definitiva desses padrões, como a própria morte também, na sua essência, não existe. Pense comigo, se houver eliminação finda a evolução. Essa morte é por um processo de desativação, é fazer com que os elementos que dominavam e comandavam a nossa vida não o façam mais.

Eles deixam de assumir o posto de realização e operação. Estamos falando em uma morte no sentido de desativação de reflexos que eram expressão vida dentro de nós, morte que define a desvinculação daqueles padrões que vem nos prendendo à retaguarda. Nessa morte, esses reflexos se hibernam, reduzem, se encasulam em si próprios e são desativados. Então, repare bem, os reflexos que trazemos conosco não podem ser destruídos, eles podem, sim, ser desativados.

E na medida em que vamos sedimentando novos caracteres, novos padrões, esses reflexos tônicos que dominavam, que faziam e aconteciam na nossa estrutura íntima, vão ficando como que desativados. A morte é a desativação de componentes que vigoravam, para dar lugar a novas expressões que irão entrar em um plano de vivência.

Vamos raciocinar juntos. O que vem após a morte? Não é a ressurreição? Não existe uma morte e uma ressurreição? Veja bem, nós não estamos aqui nos referindo àquela ressurreição religiosa, tradicional, dogmática. Nada disso. Estamos falando da ressurreição como sendo a recomposição do nosso destino. Pois a morte, como perda de componentes intrínsecos de vivência e segurança, implica na descoberta de nova vida. Ou seja, a morte é o instrumento da ressurreição, é onde está um dos aspectos da chamada ressurreição. Se você pensar bem, sem morte não há ressurreição, não se origina uma nova vida. Não existe mudança sem morte. Não se dá a estruturação de nova vida sem a eliminação da anterior. Sem morte não há como herdar. Não há herança. É preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente. Logo, essa morte é que vai gerar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo.

"Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor." (I Coríntios 15:42-43)

Se nós não matarmos a vida anterior nós não conseguimos eleger a vida numa nova dimensão.

Cada morte corresponde a uma ressurreição. É o indivíduo que vai se levantar, como filho, em outra posição mental. O que nos mostra que a morte, no sentido moral, intrínseco, é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma dimensão diferente e melhor.

A cada morte surge uma ressurreição. A toda hora, se não tiver morte não tem a ressurreição, não tem nova vida. E a verdade é que nós nem sabemos direito o que é a vida. Estamos mal iniciando nela. A vida, como componente dinâmico da personalidade, começa a ter expressões diferenciadas. Está entendendo o que eu quero dizer? Ela começa a perder aquele sentido dinâmico de movimento, de ação dos órgãos, de respiração, de manutenção e euforia do sistema orgânico, para começar a trabalhar muito mais na intimidade da reflexão do ser.

Cada pessoa conhece as suas confusões, as suas ignomínias, a sua mentalidade corruptível, e nós passamos a semear nesse terreno, para que o que era fruto da ignomínia passe a ser adubo para a glorificação. E a nova vida, com a plenitude que o evangelho sugere, tem que ser implantada em função da ressurreição, porque não tem como a gente manter uma dualidade de vida. A dualidade de vida é algo indigesto, nos cria dramas, embora não tenhamos, às vezes, como evitar esse momento de transição que estamos vivendo.

E a vida nova só vai poder expressar-se mediante a desativação de caracteres antigos que já não atendem mais. Sem sepultarmos nossas convenções passadas, e fazermos surgir uma nova dimensão de vida, não existe progresso. E, na medida em que a morte opera o aniquilamento da forma de ser e de viver, a nova mensagem vivenciada promove a ressurreição em uma nova posição.

O processo se dá assim: recolhemos a informação e operamos essa informação.

Toda orientação que nos visita vem de patamar superior e a guerra é travada para se poder conquistar o piso desse terreno original de emissão. Está claro? Nós ficamos aqui embaixo, no nosso piso, namorando o piso de cima. Só que uma coisa é nós ficarmos visualizando o piso que queremos, e outra coisa é nos empenharmos na conquista desse terreno. Quando nós visualizamos o terreno nós nos entregamos à morte, e é a aplicação desses valores que vai criar o novo homem. 

Todavia, o novo homem não tem o nome de homem, pois homem é o ponto de baixo. Percebeu? O novo homem é chamado filho do homem.

É exatamente nessa aplicação, quando os componentes antigos se sentem em perigo, que surge a guerra. E ela cria dois componentes claros: mata a antiga postura e vivifica a nova posição. Na hora em que nós começamos a penetrar no terreno desejado nós passamos a matar as insinuações do homem velho, porque para viver no piso de cima nós temos que desativar o piso de baixo. Se nós adotamos o conteúdo proposto, e seguimos em frente, é aí que entra a morte em vida. Matamos a nossa maneira de ser e ressurgimos numa nova maneira de ser.

Ah, mas só tem mais um detalhe que não podemos esquecer de forma alguma: nem sempre essa morte acontece na hora. A vida vai dando as cutucadas, vai chamando a criatura de diversas maneiras para ela mudar, até que ela, mais cedo ou mais tarde, acaba tendo que ceder à necessidade de avançar.

24 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 12

A ESPADA II

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

É normal se questionar acerca do significado dos dois fios da espada. Inicialmente, podemos dizer que se fios são os componentes que vão originar pelos seus entrelaçamentos o tecido, e os tecidos formam vestimentas que agasalham, protegem e aquecem, o que, aliás, já tivemos a oportunidade de estudar no capítulo Os Vestidos e os Panos (2ª edição), esses dois fios dizem respeito às nossas vibrações.

Os fios indicam as nossas vibrações, conforme a natureza íntima que aciona e movimenta essa espada. A espada é portadora de dois gumes porque ela tanto pode atuar positiva quanto negativamente, pois da boca saem palavras que podem bendizer quanto podem maldizer. E no aspecto abrangente do símbolo, esses dois fios também sugerem o aspecto bipolar presente no contraste entre pólos de natureza contrária, tais como positivo e negativo, luz e treva, bem e mau, etc.

Caracterizam, ainda, os padrões dualísticos no que se refere a razão e sentimento e indicam planos de elasticidade, isto é, fazem referência a qualquer território ampliado e envolvem, por sua vez, um ponto situado entre dois extremos.

É bom lembrar que essa espada de dois gumes é utilizada, em tese, por todos aqueles que começam a abrir o campo dos valores intelectivos na busca de realizações espirituais.

Ela vem sendo trabalhada em várias partes do evangelho e também no apocalipse vamos notar a sua presença. Vem sendo trabalhada de maneira muito tranquila e no campo das concepções mentais, mais precisamente do pensamento, ela é suscetível de projetar uma vida mais segura, mais feliz, que é a vida que Jesus definiu como sendo abundante. E vamos notar que todas as vezes em que nós assimilamos a palavra, passamos a operar com dois valores ou dois instrumentos fundamentais: o instrumento da morte e o instrumento da vida.

Vamos clarear isso aí. É na terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos, certo? Até aí, não tem dúvida. E o sistema de refreamento é um dos gumes da espada, cerceando a linha que emerge do nosso subconsciente e objetiva levar-nos a situações tristes e às quedas. Deu para acompanhar?

Não tem outra, para levarmos a efeito a edificação sublime que tanto buscamos necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos. A espada, então, é um instrumento de progresso que corta as nossas más inclinações numa postura de intensa batalha íntima pela continência de nossos impulsos menos felizes. Eu espero estar sendo bastante claro nesta questão. Um lado da espada trabalha o não fazer. Desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que sentimos já são possíveis de serem superados. Aponta aquele ângulo em que a cada dia corta-se uma parcela da nossa complicação, corta praticamente as arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas e dos nossos vícios.

Afinal de contas, nós sabemos tranquilamente que em meios às nossas ações e reações do dia a dia nos é dado medir a paz que já conseguimos arregimentar, e nós não triunfaremos no mundo somente em função daquilo que fizermos, como também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de nossas falsas grandezas.

Agora, se de um lado a espada trabalha o aspecto cerceador, do não fazer, concomitantemente a essa linha de refreamento nós temos também que trabalhar o aspecto positivo, do fazer, do arregimentar novos caracteres na formação de uma nova personalidade. Pois se eu cerceio a manifestação de padrões negativos eu tenho que, gradativamente, incorporar outros padrões de natureza positiva. Ficou claro? É assim que o mecanismo evolutivo se desenvolve.

A evolução em favor da felicidade caracteriza-se pela luta com essa espada, numa sistemática de ação em que vamos tentando, pelo conhecimento, realizar dois pontos fundamentais: um lado desativa as nossas dificuldades, corta um pouco da complicação a cada dia, e o outro lado praticamente abre caminhos para uma nova proposta de realizações, implementa padrões novos pelo superconsciente.

O segundo gume da espada caracteriza-se pelo sentido operacional, aplicativo, abre um terreno de novos padrões no intuito de alcançarmos o crescimento consciente.

É muito bonito e interessante esse sistema e nele há uma sincronia extraordinária. Os dois lados apontam que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar pensamentos, palavras e ações que garantem a vitória sobre nós mesmos. Em suma, essa espada é o chamamento para fazer aquilo que já sabemos e não fazemos ainda.

21 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 11

A ESPADA I

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

“TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS.” EFÉSIOS 6:17

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

O evangelho, todo ele, é uma mensagem direcionada ao espírito na sua essencialidade.

A espada aludida por Jesus é um símbolo e o que nós precisamos é compreender a representatividade do símbolo. Entendê-lo, e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida. Este é o grande desafio. E para entendermos a espada no seu sentido essencial, que é o que efetivamente nos interessa, nós temos inicialmente que analisá-la sob o aspecto literal. Compreendendo o sentido literal, tudo fica mais fácil.

Então, vamos lá. O que é uma espada? Vamos pensar juntos. É uma arma, constituída de uma lâmina comprida e pontiaguda, que pode ter um ou dois gumes, lembrando que gume é o lado afiado dessa lâmina, o que corta. Bom, se ela tem uma lâmina comprida e pontiaguda ela tem uma ampla capacidade de penetração. Certo? E por ser uma arma, de curta distância aliás, é um instrumento para ser utilizado em confronto e pode, finalisticamente, produzir a morte.

Visto o sentido literal, podemos analisá-la sob o parâmetro espiritual. O apocalipse, bem no comecinho dele, antes de entrar nas cartas direcionadas às sete igrejas, quando o evangelista João visualizava o emissário do plano superior e o descrevia, diz assim: "E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios" (Apocalipse 1:16) Veja bem, o texto diz que da boca daquele representante divino saía uma espada de dois fios. É coisa para a gente analisar. Da boca sai espada? O que você acha? Cá prá nós, da boca não sai espada. Pelo que nós sabemos, o que sai da boca é palavra.

Ok, vamos para a frente. Paulo diz: "Tomai também o capacete da salvação, e a espada do espírito, que é a palavra de Deus". (Efésios 6;17) Percebeu? Aqui, de novo, nós temos que espada é palavra. Continuemos. "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito." (Hebreus 4:12) Deu para ficar claro? Daí, nós podemos concluir com tranquilidade que espada, de fato, é a palavra.

O cordeiro divino não veio trazer paz à terra. Pelo menos, não veio trazer a tranquilidade imediata para nós. Veio trazer a espada. O instrumento da luta, capaz de implementar o combate dentro de nós mesmos perante o amparo superior em Deus.

Ele veio trazer o componente essencial para enfrentarmos os inimigos da nossa harmonia, uma vez que a paz não é atributo de coletividade, e sim conquista individual.

Em contraposição ao falso princípio considerado no mundo, o Cristo não trouxe a paz pronta, trouxe os meios para cada um obtê-la no íntimo. Trouxe o mecanismo para a luta que aperfeiçoa, burila, regenera, pois até a paz tem o seu preço coberto pela luta, pelo esforço e pela reeducação. Essa espada, como nós a entendemos, continuamente está apontada para baixo. É algo interessante de se ter em conta. Apontada para baixo, tem sentido neutro contra o campo ambiente e visa trabalhar a nossa intimidade. Nessa linha verticalista, volta-se para a nossa individualidade, para a intimidade do coração, buscando as entranhas profundas do ser, onde está fixada. Agora, se nós soubermos aplicá-la convenientemente numa luta íntima nós passamos a ter acesso à instauração do filho do homem, no surgimento de uma nova expressão de vida.

Jesus é o príncipe da paz e podemos segui-lo à partir do momento em que dominarmos o campo de harmonia e equilíbrio, como ele domina o território que é dele, no que se refere ao plano íntimo.

A espada que nós avocamos, sempre de forma consciente, instaura a guerra íntima da aprendizagem. É a representação da palavra divina que chega até nós, integrante universal da nossa caminhada, afinal, sem a palavra fica praticamente impossível a distribuição do conhecimento. A espada de Jesus define o símbolo do conhecimento interior pela revelação divina para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento de si mesmo. Consubstanciada no conjunto de seus ensinamentos, é o conhecimento que nos visita o entendimento, elemento suscetível de promover, quando bem dirigido, a fortaleza interior.

É a extensão enorme do conhecimento, que realmente faz um papel de sensibilização.

Faz o papel de ajustar, de proporcionar faixas informativas aos seres em evolução. A espada está propondo mudanças. Nós a temos definindo aquela capacidade seletiva nossa. Quando nós estamos estudando, por exemplo, nós estamos trabalhando com a instrumentalidade da espada. E quando nos sensibilizamos com certo valor informativo, é sinal que ela funcionou. Essa espada tem o papel vinculado à palavra. Palavra que objetiva fazer refletir no nosso dia a dia os valores que apresentam o chamamento do crescimento. Ao oferecer ângulos que propõe o crescimento em função de uma eleição, visa projetar o ser para uma evolução segura. Em suma, ela se faz presente no momento que entramos em ressonância com a linha do amor, recolhendo as emissões.

18 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 10

A LUTA INTERIOR

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

Vamos pensar uma coisa: viver de qualquer modo é algo corriqueiro, comum. É normal, é para todos. Mas viver em paz consigo mesmo é diferente. É conquista para poucos.

Nosso grande desafio é a luta íntima. Quando o evangelho fala em terra, antes de tudo é a terra do coração. Então, quando você ler nação contra nação, reino contra reino, tudo isso faz parte da luta reeducacional do ser. Jesus não veio trazer paz, mas espada, e a espada está lutando é dentro da gente, é uma referência à luta interior.

O fundamental é que independente dos objetos das tuas dificuldades e aflições, guarda consigo que a paz é a segurança da vida. Precisamos aprender a não perder a paz. Mesmo diante dos conflitos, porque o conflito é fator estrutural da paz.

"Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra o seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra a sua sogra." (Mateus 10:35) O que é dissensão? É divergência.

Desde a vinda de Jesus ao mundo está implantada a luta de redenção dos seres, cujos combates mais acirrados se desenrolam no plano íntimo. Ele estabeleceu novos sistemas de vida e de relacionamentos entre as criaturas. O "homem contra o seu pai" evidencia a luta para a posse de novos conceitos. Porque quem vai lutar contra o pai é o filho, e filho é expressão que quer nascer para elaborar uma nova personalidade. O filho expressa por si uma nova mentalidade.

A gente nota que a luta é dos descendentes contra os ascendentes espirituais. Homem contra o seu pai é a primeira, pois quem vai envergar a espada inicialmente é o filho contra o homem velho. É a personalidade nova e clareada que quer crescer contra as ideias cristalizadas, a verdade nova buscando sobrepor-se aos hábitos inferiores que teimam em manter sua hegemonia. A luta, fundada nos padrões do evangelho, contra os elementos que insistem em manter o direcionamento da caminhada com base em estratégias já superadas.

"A filha contra a sua mãe" sugere dissensões nos campos mais profundos dos sentimentos que alimentamos.

Claro, afinal não basta vencermos unicamente nos terrenos dos conceitos e das informações. É preciso cultivarmos novos padrões de sensibilidade, afetividade e de entendimento, até que sejam estioladas as insinuações que afloram das profundezas do íntimo, ainda ligadas à indiferença, ao desamor e à incompreensão.

E "a nora contra a sua sogra" é contra a tradição, contra o preconceito arraigado e as relações estabelecidas pela posição momentânea do ser no contexto social.

Porque nora é a mulher do filho em relação aos pais dele e sogra é a mãe da esposa com relação ao marido. E se a nora, como esposa, está sujeita ao marido (note que nós estamos tratando da questão no sentido espiritual, onde o sentimento tem que estar subordinado à razão), temos um misto de razão e sentimento contra a sogra que simboliza tradição. Jesus sugere a instauração de padrões novos contras padrões ultrapassados das convenções humanas, conflito passível de guindar a criatura a novos pisos.

Há um anseio de paz íntima no coração das pessoas e nós temos que investir nessa grande luta que estamos travando. A luta íntima é o componente geratriz da paz. 

Ficou claro? A paz vem disso, dessa luta. Não tendo luta não tem paz.

Até parece uma certa contradição, todavia, aqueles que se fazem pacientes aos nossos olhos, eles estão em lutas profundas na intimidade deles. É a luta, com consciência de causa, que mantém o estado de harmonia deles. Olhando exteriormente, parece uma inércia, só que lá dentro tem um movimento amplo.

Então, entenda o seguinte, para você ter paz você tem que ter guerra, porque a paz é consequente da guerra. Se você não guerreira, você nunca terá paz. Porque tem gente querendo a paz para fugir de tudo que é luta. Tem muita gente querendo instaurar a paz sem guerra. Isso é paz acomodatícia. É paz que intoxica, que dilui a autoridade da criatura e traz sofrimento, sombra e dor.

Não tem outro jeito, nós temos que lutar para ter conquista à paz. Por mais que se busque, não existe salvação no seu sentido teórico. É preciso que se implemente a guerra. É por ela que apaziguamos o íntimo. Não existe paz sem guerra. 

A guerra é que precede a paz. Se não houvesse guerra nós não teríamos paz.

E sabe como essa grande luta no campo do equilíbrio se inicia? Exatamente no chamamento dos padrões superiores via superconsciente, com base na mente desperta.

O que estamos tentando adotar agora para o crescimento é o recolhimento de conteúdo didático, pela proposta de aprender e pelos valores intuitivos, para aplicabilidade na hora correta. Cada leitura edificante que fazemos, e cada conversa edificante que participamos, por exemplo, propicia à nossa mente abrir-se para valores novos que nós não tínhamos pensado antes. É certo que por enquanto a nossa vontade é frágil e falam os caracteres de fora, os atropelos da vida e os chamamentos que a vida opera. Mas no momento em que começamos a investir na faixa interior de nossa personalidade, com base na vontade e no espírito de sacrifício pessoal, aí mudamos a configuração toda. E o padrão novo chega porque ele é avocado pela inteligência, razão e sentimento, e sentimos segurança nele. 

Tanto sentimos, que nós investimos. E passamos a laborar o nascimento do espírito. Agora, esse nascimento é difícil. Sabe porquê? Por causa da soma ampla dos caracteres que trazemos.

São nuances que não nos podem passar desapercebidas. Na hora em que nós entramos no plano natural de realização reeducacional com essa espada instauramos a guerra de mudança dentro de nós. A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra entre o componente novo que chega, oriundo da informação, e os caracteres formativos condicionados que já possuímos no íntimo.

Esse componente novo que chega, nós o jogamos em cima do território interior da nossa casa mental, todo ele já ocupado, e isso vai criar naturalmente um conflito entre a nova norma que aprendemos e os padrões nos quais até então nos situávamos, os quais trabalhávamos em cima deles ao nível de conhecimento.

Os novos conceitos se chocam com as concepções caducas ali existentes, filhas de uma mentalidade que não produz a paz e tampouco ameniza a nossa cota de sofrimento.

Daí surge o choque inevitável entre aquilo que se tem e aquilo que se quer ter, entre aquilo que se faz e aquilo que se precisa fazer. É bonito demais entender esse mecanismo.

Cada componente novo que recebemos, cada valor recolhido informativamente no campo didático da aprendizagem, instaura a luta que nós vamos travar, cria uma guerra íntima.

Porque a gente não tem como, simplesmente, pegar uma borracha ou uma esponja com um líquido de limpeza e tirar todos os reflexos que trazemos do passado. Não é assim. O processo exige elaboração. Está dando para acompanhar?

Padrões novos chegam para propor uma situação diferente de vida e quando buscamos aplicá-los é que se instaura o conflito interior. Aí é que a luta de fato começa.

Quando buscamos aplicar o valor novo assimilado, que objetiva criar uma nova claridade em nós, entramos em guerra entre este conceito que chegou, e que entendemos que é válido, e o conceito antigo que trazemos condicionado dentro de nós pelos reflexos. 

Dificuldades na elaboração da nova personalidade dimanam quando acionamos esses valores apreendidos pela informação e os colocamos em relação direta ou em choque com os padrões que estamos vivenciando, e que de forma alguma querem abrir mão do espaço conquistado. Entramos em luta com os reflexos ajustados no íntimo. Os valores repetitivos que somam o bloco de nossos reflexos milenares emergem da nossa individualidade numa luta árdua com os caracteres que buscamos laborar e que também estão dentro de nós.

E somente operando com o componente que instaurou essa guerra é que vamos encontrar a estabilidade em nova base. Vamos pensar nisso. No momento em que laboramos, instaurando a guerra, é que vamos nos apaziguar e conquistar a paz.

A paz se dá no momento em que começamos a aplicar os valores recolhidos ao nível prático. Mas até ela se manifestar, na fase inicial do processo, quando se assimila um conhecimento, é comum uma situação de certo desconforto interior. 

14 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 9

NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA

“CHEGADA, POIS, A TARDE DAQUELE DIA, O PRIMEIRO DA SEMANA, E CERRADAS AS PORTAS ONDE OS DISCÍPULOS, COM MEDO DOS JUDEUS, SE TINHAM AJUNTADO, CHEGOU JESUS, E PÔS-SE NO MEIO, E DISSE-LHES: PAZ SEJA CONVOSCO.” JOÃO 20:19

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34

“COMBATI O BOM COMBATE, ACABEI A CARREIRA, GUARDEI A FÉ.” II TIMÓTEO 4:7

Qual é a grande busca de todos os seres humanos em todos os tempos? Não há dúvida alguma, nem é preciso pensar muito para responder. É a paz. O anseio por esse reconforto íntimo não tem tamanho e de século a século a procura se intensifica.

As aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte e a esperança de atingir a paz divina, com felicidade inalterável, vibra no íntimo das pessoas. A paz é algo fundamental em nossa caminhada, mas tão fundamental que por ocasião do nascimento de Jesus na manjedoura as vozes celestiais, após o louvor aos céus, expressaram votos de paz à Terra. E não é só isso, mesmo depois de ocorrida a ressurreição, ao voltar de forma gloriosa ao convívio das criaturas a quem tanto amara, antes de traçar qualquer plano de trabalho, disse o Cristo aos discípulos espantados, após pôr-se no meio deles: "paz seja convosco".

O fato é que em muitas ocasiões a paz não é encontrada em sua forma legítima com aquele preenchimento feliz na intimidade.

São muitos os indivíduos que comumente perguntam onde buscar esse espírito de alma. 

Questionam sobre onde encontrar a ambicionada paz espiritual que, às vezes, não conseguiram encontrar em décadas de existência na romagem terrestre. Não tem disso? Meditam sobre onde encontrar os supremos interesses da vida. O assunto é abrangente demais e não dá para entrar na cabeça das pessoas.

Quantos companheiros em idade madura não continuam trazendo nos corações os mesmos sonhos e as mesmas aspirações íntimas que mantinham quando eram mais jovens? Quantos deles não são detentores de cargos e títulos de prestígio nos círculos sociais e chegam, inclusive, no exercício de suas atividades, a tomar decisões importantes que influenciam a vida dos outros? Não acontece? Decidem o destino de muitos, todavia levam a vida sem entusiasmo e alegria, como se desertos lhes povoassem as almas. Muitos frequentam igrejas e núcleos espirituais diversos, mas continuam sentindo no íntimo aquela sede de fraternidade com os homens e uma intraduzível fome de conhecimento.

Circulam pelos diversos ambientes como se estivessem exaustos, dilacerados, oprimidos. Interpelados, dão ótimos conselhos acerca de normas elevadas de conduta pessoal, mas não conseguem esclarecer a si próprios. Ocupados demais no usufruto dos valores transitórios, passam a vida quase toda desapercebidos dos valores eternos. O tempo passa, e quando os primeiros sintomas da velhice chegam reagem magoados contra a extinção das energias orgânicas. Vez por outra, quando deitados na cama, nas meditações básicas que antecedem o sono, dúvidas lhes pairam na mente acerca dos enigmas que a morte sugere.

"Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada." (Mateus 10:34)

Essas palavras são do divino mestre e grande é o número de pessoas que se perturbam ante a essa afirmativa dele. Na visão delas, parece que o texto se apresenta contraditório. 

Afinal, Jesus não veio trazer a paz? Se ele não traz a paz, quem é que traz, então? Questionamentos assim ficam no ar. Não entendem como Jesus, o governador espiritual do planeta e príncipe da paz, pode oferecer uma proposta de paz fundamentada na violência. Sim, porque pelo que a gente sabe espada é instrumento de luta. 

Alguns chegam a dizer que nesse ponto há algo de errado nas escrituras, e aí o assunto vai longe. E isso ocorre, sabe porquê? Porque o conceito de paz entre os homens, desde muitos séculos, foi notadamente viciado. Na sua mentalidade acomodatícia, os homens costumam sonhar ainda com a felicidade conquistada sem esforço. Falam de uma paz que é ociosidade do espírito e de uma resignação que é vício do sentimento. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido certas garantias exteriores dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados.

A paz do mundo, sem exagero algum, consiste naquela sensação de bem estar do corpo sem dor alguma, e quase sempre culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia. Funda-se em circunstâncias exteriores e resulta do jogo de determinados fatores que existem fora de nós mesmos. Por sua natureza, é instável, efêmera e incerta. Quem a tem não se sente seguro de sua posse. Vive inquieto, sobressaltado e apreensivo por saber que se acha, quase sempre, na dependência de influências imprevisíveis. Em outras palavras, a desfruta em certo momento e se encontra sujeito a perdê-la num dado instante.

A paz do mundo nunca assegura tranquilidade real, pois fica a mercê de acontecimentos cujo desencadear não é dado prever nem tampouco prevenir. Como conclusão, buscar essa paz mentirosa, alicerçada na ociosidade, é desviar-se da luz.

Se os homens se baseiam numa paz que é ociosidade do espírito, o cordeiro divino de forma alguma poderia endossar uma tranquilidade dessa natureza. Enquanto a paz que o mundo acena não passa de ilusão, a que ele nos promete é uma realidade. 

A paz de Jesus decorre das condições íntimas de cada um. Tem suas raízes mergulhadas nas profundezas da alma, razão pela qual se mantém, independente das circunstâncias exteriores. Permanente, estrutura-se sobre a rocha inabalável de uma fé consciente e luminosa, que não permite jamais que o nosso coração se turbe nem se atemorize. Nos prepara para suportar os acontecimentos diversos com ânimo sereno e consciência tranquila.

É uma paz que não é indolência do corpo, mas saúde e alegria do espírito.

Os homens vivem continuadamente em busca dos prazeres e satisfações generalizadas e todos aguardavam a vinda do Cristo trazendo paz à terra. Sim, mas trazendo sabe que tipo de paz? Uma paz pronta, definida, pré-fabricada, sem ônus algum. Que não exigisse das pessoas nenhuma atitude para além da simples aceitação.

Está dando para perceber? O anseio desse sentimento íntimo por parte de todos nós é imensa, só que o filho de Maria define o quê prá nós: "Não vim trazer paz, mas espada." O que significa isso? Que ele não veio trazer a paz da forma com gostaríamos, não veio trazê-la da maneira como imaginamos, não a trouxe ao mundo sob o caráter esperado. Não veio trazer paz ao mundo exterior, não veio oferecer uma proposta de paz inerte, preguiçosa, de ordem parasitária ou beatífica. Por isso, é fundamental não confundirmos a paz do mundo com a sua paz. E nem há discussão, a paz que ele dá o mundo não dá! E ponto final.

Jesus não veio trazer a tranquilidade imediata para nós, veio trazer o componente que deflagra a guerra.

Pois não tem paz recebida de graça. A harmonia não é uma realização que se improvise. Isto tem que ficar claro. Até a paz precisa ser cultivada. Não vamos nos esquecer, de forma nenhuma, que tudo na vida tem seu preço e a paz é efeito.

Ela é por nossa conta. Não é outorgada de fora para dentro, é conquista de cada um.

Nosso desafio é a luta íntima e a paz se principia na luta interior. Não existe mudança sem luta. 

Só existe paz em cima da guerra. O evangelho vem e cria uma luta dentro da gente.

O próprio Cristo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos e a paz alcançada pela luta tem na sua essência a expressão irradiadora do amor.

Paulo disse: "combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé." Disse assim porque nas lutas da evolução existe combate e bom combate. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. No combate visamos os inimigos externos, erguemos armas, criamos emboscadas, usamos astúcias, idealizamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota dos adversários entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos. O combate mantém nosso coração preso ao pó da terra em aflitivos processos de reajuste na lei de causa e efeito, que a gente conhece bem.

Por outro lado, Jesus veio instalar o bom combate. Veio trazer o combate da ascensão numa batalha sem sangue. Destinada à iluminação do caminho humano, que liberta o espírito para elevação aos planos superiores. Para o sincero seguidor do evangelho, chega sempre o momento de se travar o combate da redenção espiritual.

Uma guerra travada na intimidade, sem o uso de fuzis, mísseis e bombas. Mas uma guerra tão necessária, que a paz interior só é capaz de surgir em decorrência dela.

10 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 8

CONTENTE-SE COM O QUE TEM

“DE SORTE QUE FOMOS SEPULTADOS COM ELE PELO BATISMO NA MORTE; PARA QUE, COMO CRISTO FOI RESSUSCITADO DENTRE OS MORTOS, PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM ANDEMOS NÓS TAMBÉM EM NOVIDADE DE VIDA.” ROMANOS 6:4

“11NÃO DIGO ISTO COMO POR NECESSIDADE, PORQUE JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME COM O QUE TENHO. 12SEI ESTAR ABATIDO, E SEI TAMBÉM TER ABUNDÂNCIA; EM TODA A MANEIRA, E EM TODAS AS COISAS ESTOU INSTRUÍDO, TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME; TANTO A TER ABUNDÂNCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE.” FILIPENSES 4:11-12

“12ALEGRAI-VOS NA ESPERANÇA, SEDE PACIENTES NA TRIBULAÇÃO, PERSEVERAI NA ORAÇÃO; 13COMUNICAI COM OS SANTOS NAS SUAS NECESSIDADES, SEGUI A HOSPITALIDADE; 14ABENÇOAI AOS QUE VOS PERSEGUEM, ABENÇOAI, E NÃO AMALDIÇOEIS. 15ALEGRAI-VOS COM OS QUE SE ALEGRAM; E CHORAI COM OS QUE CHORAM;” ROMANOS 12:12-15

A evolução é meta e pede incessantemente renovação. Só que tem um detalhe interessante, a renovação não significa necessariamente uma alteração do caminho.

Sabe porquê? Porque todos nós, embora não nos lembremos do passado em razão do esquecimento temporário, nos encontramos sob as consequências de ajustes e de decisões abraçadas por nós mesmos lá atrás, com vistas à melhoria espiritual. 

Logo, renovação é muito mais que uma simples mudança de rumo. Seu alcance é muito mais abrangente. Representa transformação permanente e contínua na intimidade da alma. Metamorfose que encerra consigo bastante poder para transfigurar a dificuldade em lição, o medo em coragem e a sombra em luz. Renovar-se é aprender a ver, é aceitar as ocorrências diversas e os golpes da estrada tais como se apresentam. É aceitar os desafios da prova e as crises da existência, procurando, independente das adversidades, servir mais e melhor no plano do crescimento e trabalho. É cultivar a humildade e ampliar os limites da gratidão.

É contentar com os aspectos da vida que às vezes não são tão favoráveis e expressivos como gostaríamos que fossem. A moral da história é que a gente tem que aprender a sorrir ante os padrões que a vida oferece. Quando formos visitados pela queda vibracional da tristeza, da inconformação e da depressão, vamos abrir o coração. Abrir com todo o carinho para entender que essas atitudes não justificam. E vamos saber usufruir dos valores que nos são concedidos. É nessa valorização que nos tornamos merecedores de novos recebimentos.

Por acaso, você anda ansioso? Está preocupado? Dúvidas e dívidas pairam sobre a tua fronte? Refugia-te na cidadela interior do dever cumprido, porque novos direitos só nos são direcionados mediante o cumprimento do dever, e entrega à sabedoria divina a ansiedade que te procura. Não se esqueça de elevar o teu grau de entusiasmo e ânimo. 

Quando fazemos as coisas com amor e boa vontade não fica pesado. Se alguma circunstância te contraria asserena tua alma. Respira, ora e espera que novos acontecimentos te favoreçam.

É fundamental aprender a contentar-se com o que tem. E alguém faz uma colocação interessante: "Espera aí, Marco Antônio, você está dizendo que a gente precisa contentar-se com o que tem, mas lá atrás você disse que a vida é para os inconformados, que a inconformação é que projeta o ser. E aí, como é que você explica isso?" Bom, vamos lá, então. Você está lembrado daquela passagem do evangelho em que João Batista, interrogado por soldados, responde: "A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo"? (Lucas 3:14)

Não quer dizer que a criatura não tenha o direito de ter e buscar alguma coisa que não tem. João não quis dizer que o soldado não possa almejar ser um general. Nada disso. Isso ele pode até fazer. Ele mostra é a necessidade de sabermos nos ajustar ao campo da justiça para podermos usufruir de direitos que a própria vida oferece. No caso específico ele quis dizer que no momento operacional da vida dele, o soldado tinha que se contentar com o quê? Com soldo dele.

Essa questão da posse tem nuances interessantes. Note, por exemplo, que nessa busca de querer alguma coisa que não tem é que muitos indivíduos conseguem ter, e o que é melhor, não se vêem possuídos por esses bens. Percebeu? Ao passo que muitos desencarnam frustrados por não conseguirem ter aquilo que queriam. Desencarnam apegados àquilo que não tiveram, levando com eles mesmos marcas profundas ao nível da inconformação, do desespero, da revolta e da tristeza. É algo que a gente precisa levar em conta.

É isso aí. Se, por um lado, nos lembramos de Paulo na colocação da aceitação plena ("já aprendi a contentar-me com o que tenho" Filipenses 4:11), por outro existe o desafio da evolução.

Ou seja, simultaneamente ao contentamento do que se tem há o imperativo da evolução, força de oposição para gerar o crescimento, que é um desafio para nós.

Afinal de contas, a inconformação é que está nos trazendo ao estudo do evangelho. 

Agora, o que essa inconformação não pode, de forma alguma, é transformar-se em uma tônica na nossa vida, porque se ela se transformar em tônica nós vamos começar a trabalhar de modo negativo na intimidade, querendo dar o passo além daquele que nos é competente e podemos até mesmo entrar na linha do desajuste. E pela lei de causa e efeito sabemos que quedas virão ao seu tempo.

De forma que vamos cultivar sonhos e propostas, nutrir objetivos e ir atrás, mas também saber nos contentar com aquilo que temos. Inconformados nós estamos, no entanto, temos que estar coerentes, ajustados com aquilo que o mecanismo da vida está nos nos oferecendo na atualidade. 

O que tem que ficar para nós como lição não é o contentamento naquela acepção que normalmente a gente considera. Está dando para acompanhar? Contentar é estar satisfeito com aquilo que se tem, só que não significa que tenhamos que ficar enquadrados na acomodação, fazendo a mesmice de sempre, sem o cultivo de sonhos, estagnados na mesma posição, sem qualquer meta de projeção. 

Não, não é por aí. Já que falamos no apóstolo Paulo, quem conhece a história dele sabe que ele era exatamente o contrário dessa acomodação. Era uma pessoa que não via obstáculos, que caminhou sem cansaço por estradas incontáveis. Viajou demais, enfrentou barreiras e venceu muitas dificuldades. Mostrando para nós que ele não estava satisfeito com o que já tinha feito. Percebeu? Além de nutrir uma proposta, no sentido de ir, de fazer, ensinar e instituir novas igrejas, ele tinha uma pretensão, resultado da condição de não estar acomodado.

Tinha um desejo e um entusiasmo grande, que até conseguiu sensibilizar Lucas para fazer aquilo que ele gostaria que fizesse. Então, a gente nota que ele sentia uma necessidade de fazer mais, mas ao mesmo tempo observamos que ele vivia satisfeito com o que tinha, vivia contente com aquilo que a vida apresentava para ele, nutria um contentamento amplo com a providência superior. 

Sendo assim, devemos manter conosco sonhos e aspirações, todavia, nós temos que nos contentar com o que temos no momento. Para evitarmos a precipitação e a incoerência, evitarmos os atropelos na jornada. Porque tudo vem a seu tempo.

E há uma maneira formidável de medirmos o grau de nossa felicidade, saber se nós somos efetivamente felizes. Não chega a ser necessariamente um teste, mas é uma forma simples e interessantíssima. Sabe como? Avaliando o quanto somos capazes de nos alegrar com a alegria dos outros, o quanto somos capazes de vibrar com a conquista daqueles que se aproximam de nós.

Só que eu estou falando de uma alegria sincera, não aquela alegria mascarada, que traz embutida uma ponta de inveja ou despeito. Sabe aquela situação em que uma moça chega na casa da amiga para lhe mostrar o carro zero quilômetro que ela acabou de comprar ou ganhar, e esta, por sua vez, sorri, elogia, fica feliz superficialmente, mas por dentro pensa "puxa, eu é que merecia ter um carro assim"? Pois é. Isso acontece demais da conta. As pessoas riem por fora com a alegria do outro, mas nutrem no íntimo o despeito, a inveja.

Para conseguir sentir a alegria legítima com o regozijo alheio é preciso trazer suficiente amor puro no coração. Vamos pensar com certa atenção no assunto. Afinal, para darmos um pouco de pão que nos sobra ao faminto que esmola, ou um sorriso da nossa alegria ao que transita sem esperança, é algo fácil que podemos fazer sem grande dificuldade. Claro. É fácil chorar com os que choram. Difícil é alegar-se com os que se alegram. Por isso, não desanimemos. Vamos continuar estudando e assimilando. Quando aprendermos a sorrir naturalmente com a alegria alheia é porque já encontramos em nós próprios a feição da alegria genuína.

3 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 7

PRATIQUE O QUE VOCÊ SABE

Se quisermos ser feliz temos que colocar na cabeça e coração uma série de estratégias.

Para alcançar a vida adequada nestes tempos agitados é preciso trabalhar com carinho cada episódio que nos visita. 

Não dá mais para ficar como expectadores da evolução, nem permitir que os valores de fora nos precipitem em determinadas faixas negativas no campo das emoções. Não adianta reclamar do mundo. Isso não melhora a situação de alguém em nada, até pelo contrário. Imperioso é que cada qual trabalhe seu próprio mundo íntimo.

Vamos entender a felicidade dentro da nossa condição, desde que nos situemos embasados em uma proposta nova, trocando a reclamação pela operacionalização. Cada qual operando na faixa em que é competente. Também não dá mais para ser feliz fazendo apenas o que é exigido, não há como ter a desejada estabilidade no cumprimento da lei apenas. E para isso não existe nenhuma fórmula mágica. Vida, na acepção que o evangelho sugere, é a nossa ação, a nossa atividade, o nosso dinamismo empregado no dia a dia.

O tempo passa, o relógio invisível não descansa e continuamos buscando um componente chamado felicidade, confiança, harmonia, equilíbrio e segurança. Existem momentos em que a gente tem que correr, dar os passos mais rápidos, agir de forma mais ativa, resoluta, apressada mesmo, e tem momentos em que temos que reduzir a marcha, manter um ritmo bem tranquilo e calmo. Mas tem gente que só anda correndo, ao passo que outros passam a vida inteira lentos. Temos que administrar a dinâmica das ações e agir conforme a proposta e as circunstâncias. A vida é assim, tem momento que chove, que faz sol, tem momento que tem calor, tem momento que tem frio.

Se antes acreditávamos que a harmonia se dava mediante a apropriação de componentes materiais, objetivos, tangíveis, hoje sabemos que esse estado reside principalmente na estabilidade interior do ser. E o mais importante, estabilidade obtida não apenas pelo conhecimento, mas também pela capacidade de operar.

A ingestão nossa das leis que regem o universo, por si só, não tem atendido mais. Aliás, na medida em que assimilamos conhecimentos o grito íntimo passa a ser de aplicabilidade desses padrões recebidos. Na medida em que vamos encontrando o grau informativo necessário nós começamos a compreender o quê? Que a mensagem arregimentada em nosso espírito instaura um desafio a mais, que é o desafio de implementar o conhecimento no coração.

Em todas as vezes que recebemos uma informação nova nós podemos ter a certeza que se abrem para nós possibilidades de aplicação, a fim de que a gente faça um sistema de ajuste à nova mensagem.

A felicidade só pode ser alcançada mediante a assimilação da verdade, e a verdade está com o Cristo. E aí? Como é que fica? A felicidade surge com a ingestão de valores novos e a concomitante ampliação de novos campos de ação. Em outras palavras, nós ingerimos a verdade e procuramos nos aperfeiçoar, e a felicidade surge como um resultado natural desse aperfeiçoamento.

A felicidade não resulta tanto do crescimento vertiginoso do conhecimento. O grau de felicidade e de equilíbrio está ajustado à capacidade de ajuste. Todo mundo pode transformar a existência em condições mais abertas, mais agradáveis, sem tantos atropelos, sem tantas nuvens carregadas sobre a cabeça, à partir do momento em que exercita de forma mais autêntica aquilo que se conhece.

Isto não é discurso em vão. O que realmente garante a felicidade é a vida que levamos ao nível mental e operacional.

Quanto mais você consegue realizar no campo prático aquilo que você sabe intelectivamente, quanto mais você alcança o exercício daquilo que arregimentou, quanto mais a compatibilidade do seu fazer com o seu saber, mais harmonia você tem, mais equilíbrio e mais segurança você sente.

Essa coisa de achar que temos que sair feito doidos correndo para cima das realizações é uma ideia distorcida. Temos que desativar isso. Nós estamos vivendo, cada um com a sua dificuldade, com o seu sofrimento, com as suas lágrimas, com a sua alegria, mas é a vida que nós temos. O imperioso é tentarmos melhorar a vida que estamos vivendo hoje. Inicialmente, traçando propostas de crescimento consciente e sabendo que é a dinâmica do crescer que realmente vai nos alegrando. Quanto mais a nossa vida reflete o que sabemos menos problemas nós temos, menos impactos recebemos e menos tristeza sentimos.

E tanto é assim, que os maiores dramas dos corações residem onde? Não é no desconhecimento da lei. Porque quem desconhece a lei, o que ele faz, ainda que não seja bem consoante com a realidade maior, não produz marcas profundas no seu psiquismo. Percebeu? Porque ele agiu de maneira desinformada.

Problemas transformam-se em sofrimento quando nós entramos numa luta entre o que sabemos e o que fazemos.

De forma que se a aplicabilidade do conhecimento não é acertada e tranquilamente levada a efeito, o próprio conhecimento recebido age de maneira coercitiva, nos levando ao descontrole e ao desconforto. Porquê? Porque a consciência já vê uma linha acertada e o plano operacional não se faz compatível.

Vamos observar que no mundo de hoje uma gama de desajustes no campo mental e psíquico se fazem presentes. Incontáveis tipos de psicopatias, das mais intrincadas, estão aumentando assustadoramente. Muitas delas, sabe decorrentes de quê? De um desajuste, entre o que o vir a ser aponta e o que é ou está domina. Ficou claro ou falei grego? Sabemos o que precisamos, mas ainda gostamos daquilo a que estamos ajustados. Existem muitos elementos que sabem o que precisam fazer, no entanto fogem daquilo que é necessário fazer.

Não é assim? Tem assuntos que nos abominam, não tem? Nós pulamos fora deles. Tem momentos em nossas conversações que a pessoa está falando alguma coisa que mexe com a nossa intimidade e nós tiramos o olho. Isso é comum. Para certas questões, nós ignoramos e não queremos enfrentar a realidade. Para resumir: é feliz quem sabe e aplica; infeliz, quem sabe muito e aplica pouco.

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