18 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 10

A LUTA INTERIOR

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

Vamos pensar uma coisa: viver de qualquer modo é algo corriqueiro, comum. É normal, é para todos. Mas viver em paz consigo mesmo é diferente. É conquista para poucos.

Nosso grande desafio é a luta íntima. Quando o evangelho fala em terra, antes de tudo é a terra do coração. Então, quando você ler nação contra nação, reino contra reino, tudo isso faz parte da luta reeducacional do ser. Jesus não veio trazer paz, mas espada, e a espada está lutando é dentro da gente, é uma referência à luta interior.

O fundamental é que independente dos objetos das tuas dificuldades e aflições, guarda consigo que a paz é a segurança da vida. Precisamos aprender a não perder a paz. Mesmo diante dos conflitos, porque o conflito é fator estrutural da paz.

"Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra o seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra a sua sogra." (Mateus 10:35) O que é dissensão? É divergência.

Desde a vinda de Jesus ao mundo está implantada a luta de redenção dos seres, cujos combates mais acirrados se desenrolam no plano íntimo. Ele estabeleceu novos sistemas de vida e de relacionamentos entre as criaturas. O "homem contra o seu pai" evidencia a luta para a posse de novos conceitos. Porque quem vai lutar contra o pai é o filho, e filho é expressão que quer nascer para elaborar uma nova personalidade. O filho expressa por si uma nova mentalidade.

A gente nota que a luta é dos descendentes contra os ascendentes espirituais. Homem contra o seu pai é a primeira, pois quem vai envergar a espada inicialmente é o filho contra o homem velho. É a personalidade nova e clareada que quer crescer contra as ideias cristalizadas, a verdade nova buscando sobrepor-se aos hábitos inferiores que teimam em manter sua hegemonia. A luta, fundada nos padrões do evangelho, contra os elementos que insistem em manter o direcionamento da caminhada com base em estratégias já superadas.

"A filha contra a sua mãe" sugere dissensões nos campos mais profundos dos sentimentos que alimentamos.

Claro, afinal não basta vencermos unicamente nos terrenos dos conceitos e das informações. É preciso cultivarmos novos padrões de sensibilidade, afetividade e de entendimento, até que sejam estioladas as insinuações que afloram das profundezas do íntimo, ainda ligadas à indiferença, ao desamor e à incompreensão.

E "a nora contra a sua sogra" é contra a tradição, contra o preconceito arraigado e as relações estabelecidas pela posição momentânea do ser no contexto social.

Porque nora é a mulher do filho em relação aos pais dele e sogra é a mãe da esposa com relação ao marido. E se a nora, como esposa, está sujeita ao marido (note que nós estamos tratando da questão no sentido espiritual, onde o sentimento tem que estar subordinado à razão), temos um misto de razão e sentimento contra a sogra que simboliza tradição. Jesus sugere a instauração de padrões novos contras padrões ultrapassados das convenções humanas, conflito passível de guindar a criatura a novos pisos.

Há um anseio de paz íntima no coração das pessoas e nós temos que investir nessa grande luta que estamos travando. A luta íntima é o componente geratriz da paz. 

Ficou claro? A paz vem disso, dessa luta. Não tendo luta não tem paz.

Até parece uma certa contradição, todavia, aqueles que se fazem pacientes aos nossos olhos, eles estão em lutas profundas na intimidade deles. É a luta, com consciência de causa, que mantém o estado de harmonia deles. Olhando exteriormente, parece uma inércia, só que lá dentro tem um movimento amplo.

Então, entenda o seguinte, para você ter paz você tem que ter guerra, porque a paz é consequente da guerra. Se você não guerreira, você nunca terá paz. Porque tem gente querendo a paz para fugir de tudo que é luta. Tem muita gente querendo instaurar a paz sem guerra. Isso é paz acomodatícia. É paz que intoxica, que dilui a autoridade da criatura e traz sofrimento, sombra e dor.

Não tem outro jeito, nós temos que lutar para ter conquista à paz. Por mais que se busque, não existe salvação no seu sentido teórico. É preciso que se implemente a guerra. É por ela que apaziguamos o íntimo. Não existe paz sem guerra. 

A guerra é que precede a paz. Se não houvesse guerra nós não teríamos paz.

E sabe como essa grande luta no campo do equilíbrio se inicia? Exatamente no chamamento dos padrões superiores via superconsciente, com base na mente desperta.

O que estamos tentando adotar agora para o crescimento é o recolhimento de conteúdo didático, pela proposta de aprender e pelos valores intuitivos, para aplicabilidade na hora correta. Cada leitura edificante que fazemos, e cada conversa edificante que participamos, por exemplo, propicia à nossa mente abrir-se para valores novos que nós não tínhamos pensado antes. É certo que por enquanto a nossa vontade é frágil e falam os caracteres de fora, os atropelos da vida e os chamamentos que a vida opera. Mas no momento em que começamos a investir na faixa interior de nossa personalidade, com base na vontade e no espírito de sacrifício pessoal, aí mudamos a configuração toda. E o padrão novo chega porque ele é avocado pela inteligência, razão e sentimento, e sentimos segurança nele. 

Tanto sentimos, que nós investimos. E passamos a laborar o nascimento do espírito. Agora, esse nascimento é difícil. Sabe porquê? Por causa da soma ampla dos caracteres que trazemos.

São nuances que não nos podem passar desapercebidas. Na hora em que nós entramos no plano natural de realização reeducacional com essa espada instauramos a guerra de mudança dentro de nós. A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra entre o componente novo que chega, oriundo da informação, e os caracteres formativos condicionados que já possuímos no íntimo.

Esse componente novo que chega, nós o jogamos em cima do território interior da nossa casa mental, todo ele já ocupado, e isso vai criar naturalmente um conflito entre a nova norma que aprendemos e os padrões nos quais até então nos situávamos, os quais trabalhávamos em cima deles ao nível de conhecimento.

Os novos conceitos se chocam com as concepções caducas ali existentes, filhas de uma mentalidade que não produz a paz e tampouco ameniza a nossa cota de sofrimento.

Daí surge o choque inevitável entre aquilo que se tem e aquilo que se quer ter, entre aquilo que se faz e aquilo que se precisa fazer. É bonito demais entender esse mecanismo.

Cada componente novo que recebemos, cada valor recolhido informativamente no campo didático da aprendizagem, instaura a luta que nós vamos travar, cria uma guerra íntima.

Porque a gente não tem como, simplesmente, pegar uma borracha ou uma esponja com um líquido de limpeza e tirar todos os reflexos que trazemos do passado. Não é assim. O processo exige elaboração. Está dando para acompanhar?

Padrões novos chegam para propor uma situação diferente de vida e quando buscamos aplicá-los é que se instaura o conflito interior. Aí é que a luta de fato começa.

Quando buscamos aplicar o valor novo assimilado, que objetiva criar uma nova claridade em nós, entramos em guerra entre este conceito que chegou, e que entendemos que é válido, e o conceito antigo que trazemos condicionado dentro de nós pelos reflexos. 

Dificuldades na elaboração da nova personalidade dimanam quando acionamos esses valores apreendidos pela informação e os colocamos em relação direta ou em choque com os padrões que estamos vivenciando, e que de forma alguma querem abrir mão do espaço conquistado. Entramos em luta com os reflexos ajustados no íntimo. Os valores repetitivos que somam o bloco de nossos reflexos milenares emergem da nossa individualidade numa luta árdua com os caracteres que buscamos laborar e que também estão dentro de nós.

E somente operando com o componente que instaurou essa guerra é que vamos encontrar a estabilidade em nova base. Vamos pensar nisso. No momento em que laboramos, instaurando a guerra, é que vamos nos apaziguar e conquistar a paz.

A paz se dá no momento em que começamos a aplicar os valores recolhidos ao nível prático. Mas até ela se manifestar, na fase inicial do processo, quando se assimila um conhecimento, é comum uma situação de certo desconforto interior. 

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