10 de set de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 8

CONTENTE-SE COM O QUE TEM

“DE SORTE QUE FOMOS SEPULTADOS COM ELE PELO BATISMO NA MORTE; PARA QUE, COMO CRISTO FOI RESSUSCITADO DENTRE OS MORTOS, PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM ANDEMOS NÓS TAMBÉM EM NOVIDADE DE VIDA.” ROMANOS 6:4

“11NÃO DIGO ISTO COMO POR NECESSIDADE, PORQUE JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME COM O QUE TENHO. 12SEI ESTAR ABATIDO, E SEI TAMBÉM TER ABUNDÂNCIA; EM TODA A MANEIRA, E EM TODAS AS COISAS ESTOU INSTRUÍDO, TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME; TANTO A TER ABUNDÂNCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE.” FILIPENSES 4:11-12

“12ALEGRAI-VOS NA ESPERANÇA, SEDE PACIENTES NA TRIBULAÇÃO, PERSEVERAI NA ORAÇÃO; 13COMUNICAI COM OS SANTOS NAS SUAS NECESSIDADES, SEGUI A HOSPITALIDADE; 14ABENÇOAI AOS QUE VOS PERSEGUEM, ABENÇOAI, E NÃO AMALDIÇOEIS. 15ALEGRAI-VOS COM OS QUE SE ALEGRAM; E CHORAI COM OS QUE CHORAM;” ROMANOS 12:12-15

A evolução é meta e pede incessantemente renovação. Só que tem um detalhe interessante, a renovação não significa necessariamente uma alteração do caminho.

Sabe porquê? Porque todos nós, embora não nos lembremos do passado em razão do esquecimento temporário, nos encontramos sob as consequências de ajustes e de decisões abraçadas por nós mesmos lá atrás, com vistas à melhoria espiritual. 

Logo, renovação é muito mais que uma simples mudança de rumo. Seu alcance é muito mais abrangente. Representa transformação permanente e contínua na intimidade da alma. Metamorfose que encerra consigo bastante poder para transfigurar a dificuldade em lição, o medo em coragem e a sombra em luz. Renovar-se é aprender a ver, é aceitar as ocorrências diversas e os golpes da estrada tais como se apresentam. É aceitar os desafios da prova e as crises da existência, procurando, independente das adversidades, servir mais e melhor no plano do crescimento e trabalho. É cultivar a humildade e ampliar os limites da gratidão.

É contentar com os aspectos da vida que às vezes não são tão favoráveis e expressivos como gostaríamos que fossem. A moral da história é que a gente tem que aprender a sorrir ante os padrões que a vida oferece. Quando formos visitados pela queda vibracional da tristeza, da inconformação e da depressão, vamos abrir o coração. Abrir com todo o carinho para entender que essas atitudes não justificam. E vamos saber usufruir dos valores que nos são concedidos. É nessa valorização que nos tornamos merecedores de novos recebimentos.

Por acaso, você anda ansioso? Está preocupado? Dúvidas e dívidas pairam sobre a tua fronte? Refugia-te na cidadela interior do dever cumprido, porque novos direitos só nos são direcionados mediante o cumprimento do dever, e entrega à sabedoria divina a ansiedade que te procura. Não se esqueça de elevar o teu grau de entusiasmo e ânimo. 

Quando fazemos as coisas com amor e boa vontade não fica pesado. Se alguma circunstância te contraria asserena tua alma. Respira, ora e espera que novos acontecimentos te favoreçam.

É fundamental aprender a contentar-se com o que tem. E alguém faz uma colocação interessante: "Espera aí, Marco Antônio, você está dizendo que a gente precisa contentar-se com o que tem, mas lá atrás você disse que a vida é para os inconformados, que a inconformação é que projeta o ser. E aí, como é que você explica isso?" Bom, vamos lá, então. Você está lembrado daquela passagem do evangelho em que João Batista, interrogado por soldados, responde: "A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo"? (Lucas 3:14)

Não quer dizer que a criatura não tenha o direito de ter e buscar alguma coisa que não tem. João não quis dizer que o soldado não possa almejar ser um general. Nada disso. Isso ele pode até fazer. Ele mostra é a necessidade de sabermos nos ajustar ao campo da justiça para podermos usufruir de direitos que a própria vida oferece. No caso específico ele quis dizer que no momento operacional da vida dele, o soldado tinha que se contentar com o quê? Com soldo dele.

Essa questão da posse tem nuances interessantes. Note, por exemplo, que nessa busca de querer alguma coisa que não tem é que muitos indivíduos conseguem ter, e o que é melhor, não se vêem possuídos por esses bens. Percebeu? Ao passo que muitos desencarnam frustrados por não conseguirem ter aquilo que queriam. Desencarnam apegados àquilo que não tiveram, levando com eles mesmos marcas profundas ao nível da inconformação, do desespero, da revolta e da tristeza. É algo que a gente precisa levar em conta.

É isso aí. Se, por um lado, nos lembramos de Paulo na colocação da aceitação plena ("já aprendi a contentar-me com o que tenho" Filipenses 4:11), por outro existe o desafio da evolução.

Ou seja, simultaneamente ao contentamento do que se tem há o imperativo da evolução, força de oposição para gerar o crescimento, que é um desafio para nós.

Afinal de contas, a inconformação é que está nos trazendo ao estudo do evangelho. 

Agora, o que essa inconformação não pode, de forma alguma, é transformar-se em uma tônica na nossa vida, porque se ela se transformar em tônica nós vamos começar a trabalhar de modo negativo na intimidade, querendo dar o passo além daquele que nos é competente e podemos até mesmo entrar na linha do desajuste. E pela lei de causa e efeito sabemos que quedas virão ao seu tempo.

De forma que vamos cultivar sonhos e propostas, nutrir objetivos e ir atrás, mas também saber nos contentar com aquilo que temos. Inconformados nós estamos, no entanto, temos que estar coerentes, ajustados com aquilo que o mecanismo da vida está nos nos oferecendo na atualidade. 

O que tem que ficar para nós como lição não é o contentamento naquela acepção que normalmente a gente considera. Está dando para acompanhar? Contentar é estar satisfeito com aquilo que se tem, só que não significa que tenhamos que ficar enquadrados na acomodação, fazendo a mesmice de sempre, sem o cultivo de sonhos, estagnados na mesma posição, sem qualquer meta de projeção. 

Não, não é por aí. Já que falamos no apóstolo Paulo, quem conhece a história dele sabe que ele era exatamente o contrário dessa acomodação. Era uma pessoa que não via obstáculos, que caminhou sem cansaço por estradas incontáveis. Viajou demais, enfrentou barreiras e venceu muitas dificuldades. Mostrando para nós que ele não estava satisfeito com o que já tinha feito. Percebeu? Além de nutrir uma proposta, no sentido de ir, de fazer, ensinar e instituir novas igrejas, ele tinha uma pretensão, resultado da condição de não estar acomodado.

Tinha um desejo e um entusiasmo grande, que até conseguiu sensibilizar Lucas para fazer aquilo que ele gostaria que fizesse. Então, a gente nota que ele sentia uma necessidade de fazer mais, mas ao mesmo tempo observamos que ele vivia satisfeito com o que tinha, vivia contente com aquilo que a vida apresentava para ele, nutria um contentamento amplo com a providência superior. 

Sendo assim, devemos manter conosco sonhos e aspirações, todavia, nós temos que nos contentar com o que temos no momento. Para evitarmos a precipitação e a incoerência, evitarmos os atropelos na jornada. Porque tudo vem a seu tempo.

E há uma maneira formidável de medirmos o grau de nossa felicidade, saber se nós somos efetivamente felizes. Não chega a ser necessariamente um teste, mas é uma forma simples e interessantíssima. Sabe como? Avaliando o quanto somos capazes de nos alegrar com a alegria dos outros, o quanto somos capazes de vibrar com a conquista daqueles que se aproximam de nós.

Só que eu estou falando de uma alegria sincera, não aquela alegria mascarada, que traz embutida uma ponta de inveja ou despeito. Sabe aquela situação em que uma moça chega na casa da amiga para lhe mostrar o carro zero quilômetro que ela acabou de comprar ou ganhar, e esta, por sua vez, sorri, elogia, fica feliz superficialmente, mas por dentro pensa "puxa, eu é que merecia ter um carro assim"? Pois é. Isso acontece demais da conta. As pessoas riem por fora com a alegria do outro, mas nutrem no íntimo o despeito, a inveja.

Para conseguir sentir a alegria legítima com o regozijo alheio é preciso trazer suficiente amor puro no coração. Vamos pensar com certa atenção no assunto. Afinal, para darmos um pouco de pão que nos sobra ao faminto que esmola, ou um sorriso da nossa alegria ao que transita sem esperança, é algo fácil que podemos fazer sem grande dificuldade. Claro. É fácil chorar com os que choram. Difícil é alegar-se com os que se alegram. Por isso, não desanimemos. Vamos continuar estudando e assimilando. Quando aprendermos a sorrir naturalmente com a alegria alheia é porque já encontramos em nós próprios a feição da alegria genuína.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...