4 de out de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 14

A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6 

A letra do evangelho é material didático, não é a essência do conhecimento. A letra não é a essência, o espírito é que é.

E tudo bem que ela não é a essência, no entanto faz um papel importantíssimo. Ela aponta e direciona uma mensagem que está contida em seu interior. A letra é o elemento que traz as revelações, afinal não tem jeito de se levar qualquer essência sem um instrumento de natureza extrínseca que a encaminhe. A essência não pode ficar esparsa, precisa estar contida em algo. E esse algo é a letra.

A letra é a forma, a embalagem, o invólucro, o instrumento material que traz em seu íntimo o conteúdo. É o veículo, a expressão periférica, de natureza exterior. É o componente extrínseco, o canal, o elemento comunicador. O objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega. É a responsável pelo encaminhamento, pela veiculação, pelo direcionamento da essência que se encontra dentro de si mesma. Canaliza e direciona para uma essência contida em seu íntimo, pois não tem como obter uma essência sem a letra que a transporte e canalize. A letra faz o papel de síntese para abrir uma nova proposta de vida interior. Compõe-se e decompõe-se, pois na natureza tudo se transforma. Todo mecanismo de evolução visa a essência e todos os valores estruturais, que nos garantem e propiciam movimento, são suscetíveis de alteração.

A letra é o dispositivo legal. É o casulo que mantém guardada a essência dos ensinamentos.

De certa forma, é o instrumento didático. Agora, note o seguinte, se a parte de fora do evangelho é a letra, o que nós estamos buscando num estudo como este é tentar ver o que tem dentro da letra. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem dentro dela. É necessário realizar o trabalho de extrair o espírito da letra.

E o espírito, por sua vez, é a essência. É o conteúdo, o aprendizado, o componente vivificante.

Se a letra é a verbalização de lá para cá, o amor é a verbalização de cá para lá. Todas as lições bíblicas, nos seus diversos livros, tem tanto aspectos literais, que é a parte exterior, como tem também as partes de profundidade, de característica espiritual na intimidade delas. A letra não realiza o trabalho vivificante propriamente, o que faz é nos conduzir de forma aprofundada. Nos encaminha, qual enxada abrindo o solo a um tesouro que é de nossa iniciativa pessoal.

A letra é a proposta de justiça que nós ingerimos, e alguém pode perguntar como é ela mata, como ela consegue matar. Inicialmente, nós vamos observar que por meio da nossa busca, em decorrência daquilo que o nosso íntimo grita e deseja, a palavra que é irradiada passa a ser assimilada pelo nosso grau de percepção e passamos a apreender padrões novos. A letra começa a apontar situações que vivemos e que necessitam ser reexaminadas e recicladas. Por isso, quando trabalhamos a letra nós estamos trabalhando os instrumentos da morte. 

Nas faixas mais exteriores do evangelho nós temos a letra que faz um papel de morte, o papel de entregar à morte. E cada individualidade vai assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com as suas necessidades e os seus padrões. Assim, essa palavra recebida penetra o corpo. Não o corpo físico, óbvio. Penetra o corpo de concepções, de ideias, de conceituações e de valores do ser.

O detalhe é que a letra mata quando é percebida. Quando não é, não tem perigo nenhum de matar. Aliás, nós estamos cansados de ver coisas que não propiciam alteração nenhuma, que não muda nada. Alguém diz assim, após conversar com outro: "Falei algumas coisas pra ele, pra ver se ele acorda. Se ele pensar, vai ter que refletir." Mas quer saber? Não pensa. Às vezes, o que ouviu vai desencarnar sem ter pensado naquilo. Porque isso não é interessante na ótica perceptiva dele. Ele não está nem aí, ele está com a cabeça em outro lugar. Às vezes, também, um fio da espada tange apenas o plano perceptivo de entendimento do indivíduo e não tange o outro lado, que é a sua parte sentimental.

Quando a orientação espiritual elevada penetra a intimidade instaura-se, de imediato, uma luta íntima.

A letra, ao encontrar o plano de percepção dentro de gente, de forma instantânea cria um estado de luta íntima. Cria o conflito decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz,  pois já falamos que não existe paz sem luta. Atrás de toda proposta de luta vibra o anseio de se estabelecer a paz. 

Nós estamos estudando o evangelho e ele chega para indicar que temos uma luta para vencer dentro de nós mesmos, e é nessa hora que fica praticamente instaurada a grande luta de redenção ou renovação. E o objetivo dessa luta é matar a antiga criatura (o homem velho) e vivificar a nova expressão (o filho do homem). É exatamente isso, nem mais, nem menos. A letra, de fato, aponta uma mensagem e se ela nos atinge é porque nós estamos em um campo de reação. É por isto que a lição de Jesus, ainda e sempre, é conhecida como a espada renovadora, o instrumento de luta íntima e geratriz da paz, com o qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do seu coração. 

Agora, não se inquiete. Todo conhecimento gera conflito mesmo quando chega. E esse conflito instaurado, essa luta franca e aberta, representa sabe o quê? Um componente que integra o sistema educacional natural. Isso é normal, no mecanismo da evolução o conflito e a dúvida aparecem como um dos elementos que marcam de forma decisiva a metodologia da aprendizagem.

A cada momento nós estamos desativando alguma coisa, mas só teremos êxito na desativação se, ao mesmo tempo, estivermos edificando caracteres novos. A letra faz um papel de eliminação, de desativação, e a essência o papel de reedificação.

A letra mata. Ela fala para o homem velho, e a expressão vivificante fala para o homem novo que quer nascer (filho do homem). A instrução que chega (informação) gera a luta e a formação educacional (aplicação) produz a paz, porque a paz é decorrente da luta. Sem luta não há paz. A informação detona a luta e a aplicabilidade dessa instrução no campo prático da vida, ao nível de formação de novos padrões, garante a paz. O erguimento da espada reeducacional praticamente apara e corta elementos de natureza inferior que ainda cultivamos. Mata uma expressão de vida para fazer surgir uma outra feição de vivência.

Em outras palavras, transforma. Na medida em que se penetra em espírito e verdade, na intimidade da letra, nós começamos a transformar o que era decretação da morte em uma eleição de vida em nova posição. Porque não tem como retirar alguma coisa sem uma respectiva substituição. Apenas teremos êxito na desativação se nós, ao mesmo tempo, estivermos edificando aspectos novos.

Então, sempre a letra mata. No entanto, se não soubermos colocar um certo aprofundamento para que a vida surja dessa letra, ou desses padrões mantenedores da vida em novas bases, não conseguiremos dar aquele sentido dinâmico ao crescimento.

Estamos lidando com esse mecanismo. E para que a evolução aconteça a paciência tem que ser chamada.

E, na proporção em que formos operando com clareza em cima do novo valor recebido, nós vamos assinando os tratados de paz na própria vida consciencial. Vamos aprendendo a nos administrar.

A espada, no sentido literal, mata, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novas posições. Ela mata, sim. Tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior. Funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na estrutura do amor. A letra que chega de fora mata toda uma estrutura que selecionamos como suscetível de morrer e, por dentro, tem o componente de vivificação que nós estamos tentando trabalhar.

Essa espada penetra e altera, de forma fantástica, toda uma estrutura formada do ser.

Quando conseguimos nos ajustar ela faz um papel cortante ao nível do sofrimento, do desajuste e do desconforto. É por isso que o termo comumente usado na melhoria é reforma íntima, isto é, dar uma forma nova ao íntimo, reformar.

A cada momento estamos gerando uma morte que, atrás dela, vibra uma vida abundante e melhor.

A essencialidade contida na letra não vem para matar efetivamente, vem para dar vida a uma expressão nova. O valor vem trabalhar a intimidade da individualidade, projetando outra forma de viver. Logo, é preciso assimilar para implementar um sistema novo. O que é captado a nível informativo, como revelação, passa a ser componente de vida, de experiência, e essa experiência cria sabe o quê? Um sistema de morte para aquilo que representava a nossa forma de viver. 

O valor novo vai matando toda uma soma de conceitos e de concepções e vai, ao mesmo tempo, abrindo novo processo ao nível de vivência.

A gente vai vivendo o novo valor e isso vai reformulando os conceitos, vai mudando as concepções, vai alterando nossa estrutura. Com um detalhe que vale ressaltar: nem sempre essa morte é imediata, nem sempre ocorre logo após a assimilação.

A letra mata. E a letra corresponde ao componente exterior. Assim, o próprio sofrimento que nos alcança representa a letra. Já pensou nisso? E como a proposta da lei não é apenas respaldar o destino e fazer com que paguemos a nossa dívida, e a manifestação da misericórdia de Deus vai muito além disso, esse sofrimento busca nos direcionar para o amor. É algo para se pensar com carinho. Cada qual está recebendo hoje o resultado do que lançou ontem, e por maiores sejam as dificuldades elas não vem para a destruição, porque não existe essa proposta destruidora de lá para cá. Não chega destruição do plano superior para o nosso.

A parte periférica da letra mata o conceito anterior, só que essa espada da lei não tem o objetivo de matar. Ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte aparente que avoca. Pois o que tem dentro da lei, a essência, não vem para matar, vem para fazer ressurgir uma nova personalidade. Deu para perceber? O sofrimento, como letra, não chega para acabar com a vida de ninguém. Pelo contrário.

O que é preciso é saber entender a mensagem dos acontecimentos. Nada é sem sentido, nada acontece sem finalidade. Atrás de toda circunstância existe algo a ser transmitido.

A própria dor, que é uma mensagem, traz uma essencialidade contida dentro dela. Busca trazer para nós a vida num parâmetro melhor. Conclusão: tudo se torna bastante enriquecedor na caminhada quando nós conseguimos encontrar a mensagem que vigora atrás dos acontecimentos que nos visitam. Basta ter olhos de ver.

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