9 de out de 2014

Cap 45 - Seja Feliz Hoje - Parte 15 (Final)

A ESPADA DA JUSTIÇA

A espada, como já vimos, tem a finalidade de propiciar a morte, não é? Até aí, creio que não existe dúvida.

O fato é que de certa forma podemos escolher a maneira dessa morte, ou melhor, dessa desativação ser operada. Não podemos escolher? Não temos o livre-arbítrio ao nosso dispor? Como toda sistemática de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, podemos enfatizar essa mudança sob dois parâmetros, podemos evoluir escolhendo a espada que melhor nos agrada: ou escolhemos o caminho do amor, avocando a espada do cristo de dentro para fora, mudando por meio dela a nossa conduta de vida; ou então avançamos mediante os constrangimentos da dor, recebendo a espada da justiça de fora para dentro, que visa aparar a nossa linha de ação para melhor.

Em outras palavras, ou avançamos pelo plano do amor ou pelo plano de justiça.

Ou aprendemos pelo impacto dos acontecimentos ou de modo suave pela capacidade de assimilar, a nível informativo, e apropriar o conteúdo pela prática, dentro do mecanismo de formação de caracteres. Tanto a regeneração quanto a evolução não se verificam sem preço e o mecanismo reeducacional exige um processo de planejamento, estudo e elaboração. A questão é saber qual aspecto vamos privilegiar. Mas o que precisamos entender, de forma clara, é que se soubermos suar no trabalho honesto não precisaremos chorar depois no resgate justo.

A lei básica para quem quer evoluir conscientemente é projetar o caminho ou percorrer os degraus pela elaboração segura de dentro para fora. É imperioso reconhecer que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor na posição em que nos encontramos. Sempre a revelação, sob a fisionomia do amor, precede o impacto da justiça, e a espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna, uma paz que é saúde e alegria do espírito.

Na medida que buscamos adentrar em uma nova postura nós avocamos essa espada, mediante a mudança de dentro para fora, e passamos a cuidar da solução dos nossos problemas sem os lances do sofrimento periférico de fora para dentro.

Isso é interessante de saber, essa espada só pode ser avocada por um processo de dentro para fora, pela utilização da iniciativa e da espontaneidade. Nós sempre a empunhamos de forma consciente e a morte decorre dessa luta, ocorre pela aplicação dessa espada numa postura pessoal de testemunho. Não sendo assim, ao invés de paz teremos sempre uma guerra renovada dentro do coração.

A questão é saber se vivemos no Cristo Jesus tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real sem a sua presença no íntimo, sem a adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do mestre divino.

E quando não agimos no sentido de acionar a luta interior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta interna com a espada seletiva, mecanismos externos passam a atuar sobre nós. A espada da lei chega e passa a agir de fora para dentro.

A vida tem continuadamente nos ensinado que todas as vezes que a faixa interior não foi capaz de remodelar, reestruturar e reajustar ficamos sujeitos à reforma imperiosa oriunda do plano exterior. O aprendizado chega sob as expressões menos felizes das lágrimas, da frustração, da desilusão e do sofrimento. Os ângulos que propõe um crescimento se manifestam, não em função de uma eleição, de uma conduta adequada, mas o ensinamento vem em cima da dor criada pela própria criatura. No primeiro ponto chega ao nível da educação, surge sob a tutela áurea do amor, de dentro para fora, todavia quando o tempo está determinado para o crescimento, se não for de dentro para fora vai de fora para dentro, ao nível da imposição de mudança, sob a tutela da justiça.

E, não raras vezes, a luta de fora para dentro pode criar frustração, desilusão, impactos dolorosos, sensação de perda, inconformação, tristeza e uma certa revolta.

Ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmar o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias, passa a agir de fora para dentro exercendo uma pressão na linha da individualidade. A dor chega sem anúncio prévio. O acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura. A realidade muitas vezes chega e esfacela a ilusão, ou melhor, o exército da realidade maior chega para convidar ao redirecionamento, colocando os valores em ordem para a devida reparação, para o adequado recomeço, a submissão e a aprendizagem.

Não podemos desconsiderar esse ensinamento de forma nenhuma. A espada do cristo, e só ela, vem e orienta. E é ela quem vai realizar o trabalho no campo psíquico.

Agora, em razão da nossa teimosia e da nossa fragilidade, no que diz respeito à aplicação da lei divina, se nós não nos ajustamos essa espada passa a fazer o papel cortante no âmbito da lei de causa e efeito. Ficou claro? Aí dá-se o sofrimento imposto de fora para dentro. Olhando à nossa volta, nós vamos notar inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento.

Quando não aceitamos o espírito para vivificar chega a espada, na sua feição literal, e mata de fora para dentro, tentando, pela retirada de um estado de conforto e de segurança, nos chamar a uma nova postura. Esses elementos menos felizes de fora para dentro cortam a nossa pseudo ou legítima posição no contexto.

Em suma, as circunstâncias externas visam agir sobre aquele que não edificou a si próprio. E não são poucas as ocasiões em que se dá uma proposta de fora para dentro a fim de podermos ativar, de dentro para fora, uma nova posição diante da vida.

Toda disciplina imposta externamente é caminho, até a individualidade encontrar a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora sob o parâmetro do amor. O ensinamento é profundo e todo aquele que ainda não se despertou está caminhando com certeza para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã.

Mas não fique triste com o que estamos dizendo. Isso faz parte da vida. Nós precisamos entender que a resposta da lei tem também o caráter de espada. Tem muita gente mudando porque a espada cortou de fora para dentro. Deu para entender? A espada da lei busca direcionar o ser para a empunhadura da espada de Jesus.

A dor faz um papel extraordinário chamando a gente. E muitos irmãos de humanidade precisam naturalmente ser trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. É preciso certa calma nos momentos de dificuldade, porque existem muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores que estão sob a tutela da lei, estão debaixo da necessidade de se despertarem para determinados ângulos.

Estamos todos, cada qual a seu modo, tentando recompor e reestruturar as nossas vidas. E se estamos trabalhando a questão da morte dos padrões menos felizes sabemos que ela se expressa no sentido da desativação dos mesmos. Ou seja, a morte visa desativar o que tinha expressão viva dentro da gente e que já não nos atende mais, face ao imperativo de progresso. Agora, vamos ter em conta que essa desativação pode se processar de duas formas: por meio da justiça ou por meio do evangelho. Desativação por justiça consiste no bloqueio da manifestação indesejada. É a postura do refreamento, do não fazer. Ocorre pela pressão no sentido de evitar a exteriorização do padrão que se quer desativar. Trabalha-se só cerceando ou evitando a manifestação dos reflexos inferiores, o que, aliás, é uma maneira mais dolorida, cuja desativação pode levar o indivíduo a um processo místico e fanatizante. Pense comigo, o pensamento represado é uma carga inestancável e se você apenas bloqueia a manifestação, ela pode ir se acumulando. E quando essa carga expande, sai de baixo.

O evangelho nos propõe a melhor maneira de sanear. Uma mais suave e, além de tudo, duradoura.

Se objetivamos a redenção espiritual somos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno. A desativação, pela lição sublime de Jesus, é decorrente da ativação de novos padrões, é a desativação decorrente da ativação de outros componentes. Está acompanhando? Pois uma terapia eficiente não se dá apenas pelo cerceamento, mas pela laboração simultânea de padrões positivos. 

Você ativa outras frentes e acaba sendo mais feliz no que respeita a vitória sobre os chamamentos que eram comuns. Essa reestruturação se dá pela mudança de postura mental e também pela sedimentação de novas posições por meio da prática de valores positivos. É a forma correta e acertada, pois o que sedimenta a morte é o nascimento em novo ângulo. O processo é recolher a informação e operar a informação, aprender e fazer. Trabalhar a abertura de potenciais para reduzir a intensidade daqueles ângulos ou caracteres que podem nos levar a sofrimentos e desequilíbrios. Isso mata a antiga postura da criatura e a revivifica em outra posição.

Para concluir, vamos dizer o seguinte. A espada não é a palavra? Então, no fundo do coração vamos avaliar como a temos utilizado no cotidiano, especialmente no trato com os semelhantes. Qual a natureza do que temos verbalizado e lançado no terreno do destino? Porque em qualquer tempo e ambiente nós sempre recebemos segundo o que exteriorizamos. E como instrumento que avocamos, a espada é também algo que pode nos machucar consideravelmente no campo cármico das responsabilidades evolutivas. Às vezes, uma palavra nossa direcionada para alguém machuca esse alguém, e nem notamos o peso dela.

No momento em que a nossa fala sai de forma coercitiva para com o semelhante, nós estamos ferindo ou maltratando. Quantas ocasiões falamos bobagem, maltratamos, acusamos, ironizamos, criticamos e tiramos o bem estar dos outros pela nossa voz? Usamos indevidamente a palavra para ferir, menosprezar e constranger o semelhante. A gente machuca os outros até em nome da verdade. Como, também, inúmeras expressões verbalizadas podem representar manifestações do nosso plano inferior, das nossas fraquezas, dificuldades e imperfeições.

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