30 de out de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 5

A PROVA AFERE I

Sem dúvida alguma, a lei das provas é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos. Podemos até desconsiderar esta questão a princípio, mas com o passar do tempo iremos aprender muita coisa acerca disso.

Não estamos aqui querendo sobrecarregar o coração de ninguém com uma ideia de que temos que sofrer para nos elevar, nem defender uma sistemática masoquista para o progresso individual, porém precisamos aprender de uma vez por todas que o mecanismo do crescimento se embasa, todo ele, na prova. A prova é que praticamente propicia nossa entrada numa perspectiva nova. Ela visualiza uma nova etapa que, naturalmente, vai se expressando com vistas a um período novo, a uma fase nova. Pode-se dizer que ela tem o objetivo de sedimentar um piso seguro para um novo processo, para a sedimentação em nova etapa.

E guarde o seguinte com atenção: na sequência de qualquer aprendizado, o tempo aguarda a oportunidade de podermos administrar de maneira efetiva o ensino.

Em outras palavras, sempre somos acentuadamente desafiados depois que o conhecimento nos visita.

Percebeu? Não estamos nos referindo a sermos desafiados uma vez ou outra, de forma ocasional apenas. Não, estamos falando de um desafio constante mesmo, estamos falando em sermos desafiados sempre. Todo professor e todo chefe de serviço, inicialmente, o que eles fazem? Ensinam os seus alunos e auxiliares novos com paciência e considerável dedicação, para depois exigir deles expressões de aprendizado e de trabalho próprio. Não é assim? Então, vamos notar que todas as vezes em que fazemos essa caminhada evolutiva consciente nós entramos num novo padrão de desafios. As lições preparam, os problemas propõem, as provas definem e as atitudes revelam. Esse é o programa.

O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus alunos. Pense comigo, um pai não pode satisfazer mecanicamente o quadro de felicidades de seus descendentes, correndo aí o risco de exterminar em cada um deles as faculdades mais brilhantes, tanto quanto um professor, por melhor que seja na arte educacional, e por mais interessado no processo, não pode chamar para si os deveres dos seus aprendizes, sob a pena de subtrair-lhes o mérito da lição.

E sabe porque precisamos da prova? Porque se apenas a teoria, na acepção informativa, nos projetasse na evolução, nenhum de nós estaria aqui. Isso mesmo, não precisaríamos mais estar. Para ser ter ideia, somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas ascensionais. A conquista efetiva não se dá pela assimilação didática de um conteúdo, mas por uma estrutura de vivência desse conteúdo.

O que adianta saber e não ter referências práticas que possam favorecer e auxiliar a engrenagem da própria vida? Ficou claro? Se aprendeu, então prova! Não tem como nos projetarmos para novos pisos se não passarmos pelo teste. Não tem jeito de forma nenhuma. Nós não progredimos sem os desafios. Viver dentro de um plano teórico pode talvez ser um ideal para muitos indivíduos, mas esses muitos com certeza vão acabar amanhã tristes e frustrados. É por este motivo que os discípulos do Cristo devem aguardar naturalmente oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar, mais extensa e intensivamente, os ensinos superiores, sem a qual se faz impossível a aferição dos valores. Nós temos que passar pelas dificuldades, pois elas estão nos dando autoridade de ação, autoridade de operação diante das circunstâncias que nos chegam.

A prova é a aferição, consiste em saber se estamos aptos a passar para a fase seguinte.

É aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente, representa aquele instrumento preciso de aferição dos recursos que já arregimentamos. É ela quem faz a verificação, a constatação, que bate o carimbo da aprovação, que nos coloca em nova etapa. Vem aferir aqueles valores já conquistados, mede o substrato de aplicabilidade concreta, o nosso grau de investimento. Define se aquilo é ou não é, se não passa de ilusão ou é componente concreto que interessa à nossa evolução. Afere em cada espírito os padrões que ele acumulou em si próprio. Significa o trabalho na aplicação desses padrões que, por sua vez, vai exigir parcelas de sacrifício e de paciência.

Então, ninguém, em sã consciência, pode negar que caminhamos debaixo da misericórdia divina, principalmente quando a buscamos e sabemos lhe dar o devido valor. No entanto, o amparo superior, por mais extenso que seja, não pode interferir no processo que nos cabe vivenciar e que constitui aferição indispensável. Cada um de nós, na medida em que cresce, vai tendo essas aferições.

Não tem outra, sempre somos desafiados pelo conhecimento que chega. Somos aferidos pelo grau de conhecimento que temos e não existe conquista sem o processo da aferição.

Não é para nos assustarmos, mas o momento de aferição é um momento difícil.

Note que estamos falando em prova, e se falamos em prova qual a primeira coisa que vem à nossa cabeça? Escola. E se existe prova é evidente que tem grau de dificuldade. Não é? Se a escola é fraca a exigência é menor, se a escola é forte e conceituada a exigência é maior. Mas o importante é que independente de ser fraca ou não sempre vai ter dificuldade. Daí a gente conclui que todo o nosso teste vem em meio a uma dificuldade. E praticamente todas as áreas estão visitadas por dificuldades hoje. Todas, sem exceção. O teste, ou o desafio, é alguma coisa que periodicamente tem que ser vivenciado.

Qualquer obstáculo é componente enriquecedor da mente. Por enquanto, na nossa jornada, os obstáculos são fatores que nos projetam na evolução, criam um processo de transição e aferição das nossas conquistas. As dificuldades fazem exatamente esse papel: aferir o nosso valor, as nossas conquistas. Agora, essa prova a que estamos nos referindo é no sentido abrangente. Não é a prova de um vestibular, de um exame escrito ou de múltipla escolha, ou algum concurso público que fazemos. Nada disto, nós estamos nos referindo a uma prova ante os próprios acontecimentos da vida. Normalmente, nós somos testados através de determinados acontecimentos, e todo teste vem em meio a uma dificuldade. Sabe qual é o resultado disto? Que não dá para a gente tirar a dificuldade da vida. Ficou claro? Muitas pessoas ficam querendo viver sem dificuldade alguma e a dificuldade é instrumento para crescer. Sendo assim, se você está passando por alguma crise ou desafio suavize seu coração. A crise é que determina o futuro. E para passar bem pelo tumulto nós temos que nos acalmar.

As circunstâncias geralmente são aqueles fatos que ocorrem conosco para medir a nossa capacidade de solução, ver o que é que a gente vai fazer. Quase sempre, dentro desses lances, é que a gente acaba dando um atestado do que vigora em nossa personalidade no campo prático do dia a dia. É igual vestibular, tem um punhado de opções lá para escolher. A prova dá a chance da criatura se manifestar, demonstrar o que efetivamente é. E, normalmente, nós somos testados em meio a determinados acontecimentos e o teste nem sempre vem de forma contundente, de forma imperiosa. De forma que, em muitas ocasiões nós estamos sendo aferidos sem perceber, e estamos até perdendo a oportunidade.

Mas o que precisa ficar claro é que certos acontecimentos tem a finalidade de projetar a criatura, despertar nela a necessidade de aplicação dos componentes novos.

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