27 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 11 (Final)

CONFIRMA TEUS IRMÃOS!

“31DISSE TAMBÉM O SENHOR: SIMÃO, SIMÃO, EIS QUE SATANÁS VOS PEDIU PARA VOS CIRANDAR COMO TRIGO; 32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:31-32


Vamos analisar o seguinte: homem algum dos que passaram pelo planeta alcançou as culminâncias de Jesus. O vemos à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando o seu testemunho derradeiro entre ladrões.

Ele ensinou e viveu. Ensinando, orientava, e vivendo, confirmava. Aliás, ele disse a Simão Pedro a respeito da conversão: "E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos." (Lucas 22:32) É ensinamento da maior grandiosidade. É lindo demais, chega a arrepiar a gente. Jesus definiu para Pedro a necessidade de confirmação aos irmãos quando de sua conversão. Então, que é confirmar? Confirmar é aprovar, homologar, atestar pela conduta. Quer dizer, mostrar e viver. Afirmar de modo absoluto a exatidão de algo. É dar certeza, demonstrar. De que forma? Mediante uma ação pessoal equilibrada da nossa parte.

É fundamental lembrarmo-nos do impositivo da cooperação na estrada evolutiva.

O Cristo nos convoca a confirmarmos a situação nova para não repetirmos o erro antigo, de assimilar e não aplicar. Para que a gente não continue sequenciando o que vinha acontecendo.

O desafio hoje é promover de alguma forma todos aqueles que nos cercam. É só pensar um pouco, o cordeiro desceu para nos ajudar e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda. Não é isso? Essa é a pura verdade. Descer para ajudar é uma arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. Um sábio não pode esquecer que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto e quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale onde esteve e de onde saiu. Se a tua mente já pode alçar voo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho e na vida mais baixa da retaguarda.

Nós, que andamos errando tanto pelas estradas da vida ao longo de tanto tempo, podemos, por acaso, encontrar felicidade maior hoje que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles a quem mais amamos e que se acham perdidos tanto quanto nos achávamos ontem? Isso é coisa para a gente pensar a fundo. Compete a nós, que temos recebido ensinamentos novos, confirmar dando-lhes forças para que eles possam encarar uma nova linha de ascensão. Afinal, quanta gente se inspira em nós nas várias frentes em que nós operamos? Ou será que não tem isso?

A Terra é o campo onde aferimos a batalha evolutiva e é preciso guardar com muita atenção e carinho que ninguém dá passo algum ao nível de elevação pisando em quem quer que seja, desconsiderando quem quer que seja, diminuindo, ofendendo, ferindo, sufocando ou magoando quem quer que seja. Ficou claro? Ninguém. As pessoas com as quais nos interagimos, todas elas, constituem base para nossa evolução, e essa interação com os outros, para propiciar ganho e elevação ao espírito, tem que se efetivar no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação e de ajuda, nunca no sentido inverso de ferir, magoar, ofender, massacrar, menosprezar e contrapor.

Veja que interessante, diante de um paciente em estado grave, muitas pessoas podem dizer: - Ah, quem sabe já chegou a hora dele. Mas, por outro lado, o que a medicina faz? Ela não lança mão de todos os recursos disponíveis para poder salvá-lo? Isso acontece demais no campo da espiritualidade também. Quantas vezes os espíritos de luz não nos acodem e nos auxiliam em situações análogas, quando estamos na ante-sala da complicação? Ou, como se diz na linguagem popular, na tábua da beirada? Isso acontece muito. Quantas vezes nós somos ajudados na hora de sucumbir? E porque estamos dizendo isto? Porque esta é a imagem que temos que levar conosco relativamente ao nosso desejo de cooperar.

No campo íntimo da cooperação, a nível espiritual, o processo é o mesmo. Não é por acharmos que uma criatura está perdida que vamos começar a decidir em nome do criador.

Nós temos que investir o que pudermos em favor de quem está precisando. 

Temos que fazer por onde ajudar os que estão à nossa volta a não naufragarem, mas também não podemos ser tão perfeccionistas a ponto de querer que nenhum dos que transitam em nossa órbita venha escapar do nosso zelo.

Temos que ter esse cuidado de cooperar, dando nosso melhor, mas de forma alguma vamos entrar naquela sistemática complicada de avocar o problema do outro.

A conclusão é lógica: como alguém vai poder subir, evoluir, ascender, crescer, se não confirmar? Se não valorizar os outros? Se não aceitar os irmãos de humanidade? Se os repelir, se usar de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas? Se fizer discriminação? Como conciliar o conhecimento de Deus que nos visita a percepção com o menosprezo e a desconsideração aos nossos semelhantes? Tem jeito? Você acha que isso é possível? Vamos pensar.

Nós insistimos em brigar com a vida o dia inteiro. E como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, reclama o tempo inteiro de tudo e de quase todos, e ainda quer dar exemplo de renovação em determinadas faixas da nossa aprendizagem e do nosso progresso? Tem gente que não sabe viver sem reclamar. Não está satisfeita com nada. A pessoa mal chega ao local de trabalho e já diz: - Que calor! Ai, meu Deus, que calor. Não estou aguentando. Não passa muito tempo e a ladainha continua: - Nossa, que calor. O dia passou e ela falou umas quarenta vezes "que calor". Puxa, ou ela aprende a conviver, aprende a se relacionar com a questão ou procura algo que possa minorar todo esse calor.

22 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 10

SENTIDO VERTICAL

A gente, ao longo deste estudo, vem batendo na tecla de que vez por outra todos nós, sem exceção, somos chamados de alguma forma a cooperar com alguém.

E esse chamado tem um sentido prático. Porquê? Por uma questão simples, nós apenas nos elevamos espiritualmente tendo como ponto de sustentação para essa subida criaturas com as quais nos interagimos. Você só sobe aproveitando o ombro de quem está embaixo, sem sacrificar quem está embaixo, óbvio. Os outros, aqueles com quem interagimos, é que garantem a nossa evolução.

Os semelhantes são os componentes que vão nos oferecer o piso ou o plano de ascensão. Deu para perceber? Nós queremos ascender e podemos visualizar o degrau, no entanto, para atingirmos o degrau só os outros nos guiam até lá. Isso tem que ficar claro. Nós garantimos a elaboração e os outros garantem a ascensão.

E não dá para ser diferente, é fundamental sabermos nos relacionar com um mundo que tem de tudo.

A todo momento nos relacionamos com pessoas que se encontram nos níveis mais diversificados de evolução e entendimento e cada criatura está assentada em seu respectivo patamar. Por isso, se estamos fazendo luz em nós, e se queremos crescer em algum segmento da vida, seja ele qual for, preparemo-nos. Daqui para frente, se nós não aprendermos a lidar com as pessoas em desajuste, em sofrimento, em posição inadequada, nós simplesmente não vamos caminhar. Além do que, quando rejeitamos filosoficamente os complicados é sinal claro que de que nós estamos ainda travando a nossa luta reeducativa, estamos em fase de aprendizagem e adaptação. Quando nós os aceitamos, sem medo, já estamos, por sua vez, penetrando nos territórios da amor.

Agora, se eles são objetos do nosso crescimento, como acabamos de dizer, como é que vamos rejeitá-los?

O que Jesus, nosso mestre e amigo, fez, se nós não podíamos ir ter com ele em sua posição sublime? Fez o que a misericórdia faz, veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz para nos beneficiar, sem traço algum de sensacionalismo.

Isto é lição sublime para aprendermos: o testemunho se processa na linha vertical. Ele se processa de cima para baixo. Ficou claro? Jesus testemunhou de Deus a nosso favor e nós testemunhamos de Jesus junto aos homens, em favor dos homens. Aqueles que estão em um patamar são instrumentos dos semelhantes em outro patamar, sob a tutela de quem os dirige. Isso tem que ser notado com tranquilidade. O nosso trabalho é junto das escalas de nosso nível para baixo, ele é feito de onde estamos para baixo. Com quem se encontra, em tese, em situação de carência maior que a nossa, numa linha de adequação junto aos mais necessitados. Porque aí a nossa verdade e a nossa fidelidade é ampla.

Então, fique tranquilo, se você acha que tem pouca luz para ajudar alguém lembre-se que onde estamos é céu para quem está abaixo de nós. Um fósforo aceso pode passar despercebido em plena via pública num dia claro com céu de meio dia, mas altera todo o contexto num quarto escuro. Além do que, vez por outra nós conhecemos ângulos que aqueles a quem vamos auxiliar não conhecem.

Deus nos aguarda nos outros. E não dá para desconsiderar. Ele aguarda, e ponto final.

Só que a gente acha que os outros são os anjos, que está cheio de anjos pra todo lado esperando o nosso concurso. Anjos que não nos ofendem, que não fecham a cara para a gente, que não nos agridem, não nos aborrecem, e não é por aí. O testemunho tem nos intimidado e desencorajado tantos companheiros na caminhada, sabe porquê? Porque muitos querem exercer um testemunho sem contrariedade alguma, querem testemunhar junto dos anjos e se esquecem que ele se dá é junto daqueles indivíduos em necessidades maiores que as nossas.

É com os necessitados, com os complicados, que a gente tem que tentar, sem qualquer ideia de masoquismo e sofrimento, tentar trabalhar, desarmando o coração.

Não é fácil, isso fala fundo acerca da nossa parte operacional no bem. É com o faminto que nós temos que trabalhar. Não há como testemunharmos junto dos anjos. O necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente.

É diante da escuridão que a luz se engrandece, e o bem, diante da insinuação, embora relativa, do mau. É assim que a coisa funciona. A treva, pense bem, é a moldura que imprime destaque à luz, e para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa efetivamente operar.

Sem a existência de discípulos não haveriam bons mestres, sem os doentes não teríamos ótimos médicos. Enfim, não existiriam bons profissionais sem os territórios específicos para as operações correspondentes, ainda carecedores da ação deles. É preciso resplandecer a luz para que a luz brilhe, pois o caminho percorrido pelo homem que se ilumina está cheio de individualidades dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio divino o ignorante que recebe aprende e o sábio que dá cresce.

E para ilustrar, imagine um indivíduo nervoso. Do tipo que perde a paciência fácil, que se estressa com a mínima circunstância adversa. Qualquer contrariedade, por menor que seja, e já é motivo para ele ficar irritadiço. Ele é assim faz muito tempo e esse quadro não melhora, pelo contrário. Um dia ele se cansa disso. Custou a aprender que essas explosões temperamentais já o prejudicaram por demais. Perdeu ótimas oportunidades ao longo dos anos por causa disso.

E agora decidiu, quer mudar. Quer se tornar uma pessoa mais calma, mais agradável, mais simpática. O que ele faz, então? Começa a ler e a aprender a respeito da paciência, passa a assimilar conhecimentos para uma vida mais harmônica e serena e, por fim, vai ter que atestar isso futuramente na prática, certo?

Ou seja, para que o padrão novo, assimilado informativamente, se torne concreto em sua personalidade, ele vai ter que provar, não é? Vai ter que testemunhar. 

E diante de quem você acha que ele vai ter que provar a conquista da paciência? Convivendo ao lado de que tipo de pessoas? De monges acostumados à meditação e à reflexão? De pessoas altamente esclarecidas e espiritualizadas? Não, com certeza não. Provavelmente, ao lado de pessoas que são tanto ou mais impacientes do que ele era antes de querer mudar.

Ficou claro? Deu para acompanhar? Daí, a gente nota que esse mecanismo de testemunho é dificílimo, pois quando somos testados na capacidade de amar e de aplicar, nós costumamos reagir. Não aceitamos de bom agrado. Costumamos reclamar e entrar em um plano de profunda inconformação. Por isso, vamos com cautela. Buscamos fazer luz em nós, mas a luz é para ser direcionada para as faixas sombreadas, para os que se encontram em treva maior. Vamos aprimorar nossa compreensão ante os que se desviam do caminho reto e tropeçam nas estradas da vida. Só assim passamos a fazer com que nossa luz não seja treva.

17 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 9

O TESTEMUNHO

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO”. APOCALIPSE 1:3

Nós estamos abordando o assunto, e para início de conversa, o que é testemunha? Testemunha é referência à criatura que é chamada a depor, chamada a dar prova, atestar a verdade de um fato que ela, em tese, viu ou ouviu.

Testemunhar equivale a confirmar, comprovar, demonstrar. Na acepção mais profunda da palavra, apresenta aquela posição nossa que não tem sentido puramente oral, mas sim um sentido de vida. Isto é algo que precisa ficar bem claro.

Veja bem, não dá para esquivar do testemunho, a individualidade não é apenas convidada, ela é muito mais do que isso, é convocada a testemunhar algo.

O testemunho é mesmo no sentido de afirmar, de declarar e certificar, dentro do contingente de informações e de segurança aplicativa, o esclarecimento que essa individualidade já possui, que já conquistou. Sendo assim, não podemos ficar desatentos, cada vez que as circunstâncias nos induzem a ouvir as verdades do evangelho não dá para a gente ficar achando que o acaso está por trás dessas situações. Isto ocorre para que nós nos informemos quanto ao próprio caminho a seguir, porque em breve espaço de tempo nós seremos naturalmente chamados pela vida para dar o testemunho.

O testemunho para nós é alguma coisa de extrema relevância, da maior transcendência. Alguém pode perguntar porque nós temos que testemunhar, não pode? Aliás, uma pergunta interessante, tendo em vista que nós estamos vivendo em plena época dos porquês. Não podemos aceitar um conhecimento que chega de fora sem questionamento. E a resposta, por sua vez, é simples e objetiva: nós não temos como nos projetar conscientemente para as conquistas maiores do nosso crescimento espiritual sem o testemunho. Somente o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar. E como diz o apocalipse: "Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo". (Apocalipse 1:3) 

Ou seja, somente depois que gente ouve e que a gente vê é que nós vamos encontrar a segurança através do testemunho.

Repare o seguinte, a legítima interpretação do evangelho se faz pela dinâmica prática, e fim de conversa. Porque quando a gente conhece intelectivamente a gente visualiza.

Pelo conhecimento nós visualizamos a porta e pela vivência nós entramos, nós damos o nosso testemunho. Quando a gente vive determinada coisa a gente testemunha essa coisa. Sem a vivência dos valores não se tem conhecimento, têm-se pseudo-conhecimento, e o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação dos caracteres novos. Aquilo que nós estamos vendo e não estamos praticando é aquilo que o outro faz e nós não fazemos ainda. Percebeu? Porque nos mantemos apenas teorizados. E se nós não testemunhamos nós ficamos retidos naquela faixa teorizada, nós permanecemos restritos naquela linha periférica de necessidade operacional, e não avançamos.

Aquele que, de algum modo, não se empenha a benefício dos companheiros à sua volta apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra. E isso acontece demais da conta.

Vamos entender: todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em um plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, por meio de uma linha dinâmica e operacional de aplicabilidade diária. Somente o testemunho é capaz de criar um processo de fixação entre aquilo que a individualidade ouviu e aquilo que, no campo intrínseco, ela está vendo, está percebendo com clareza. Deu para você acompanhar?

Ninguém aqui está dizendo que é fácil. A bem da verdade, o testemunho tem nos intimidado. O testemunho tem nos desencorajado na caminhada, tem nos amedrontado.

Sem contar que tantas vezes o progresso aparente dos ímpios tem desencorajado o fervor da almas tíbias. É preciso coragem e ousadia. Toda mudança de vida que propomos materializar exige certo percentual de testemunho.

Não podemos esquecer que se o Senhor nos chamou, se a circunstância apareceu, é porque já nos considera dignos de testemunhar. E testemunhar o Cristo é ter coragem de viver dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõe. Como diz o apocalipse, nós temos que fazê-lo: "Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." (Apocalipse 1:3) Deu para perceber o final do versículo? "O tempo está próximo". Todavia, é a postura de cada criatura que constitui o fator que determina a maior ou a menor proximidade desse tempo.

Outro detalhe fundamental: nesse instante da aferição nós sempre nos achamos aparentemente sozinhos com as nossas aquisições íntimas. Entendeu bem isso?

Não tem como ser diferente, o testemunho apresenta para nós um exercício de capacidade aferidora e ele é feito isoladamente, ele é feito na intimidade da nossa alma. Vou repetir: em grande parte das vezes os nossos testemunhos são feitos de forma isolada. O testemunho é dado pela postura pessoal e não por uma declaração pública. Ele tem que ser dado sempre sob uma postura puramente pessoal, íntima. Sendo assim, nem tudo são flores na caminhada, toda criatura tem que dar o seu testemunho individual no caminho da vida. Sabendo disto, Jesus foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.

E acabamos de falar a palavra chave que define tudo: sacrifício!

Normalmente, a testemunha tem um espírito de sacrifício. Sacrifício tanto de ordem externa quanto de ordem interna. Se a gente reparar bem, na própria luta reeducacional nós temos que exercer um grau de sacrifício. E esse testemunho não quer dizer que tudo que a gente vai fazer na vida tem uma cruz, não, mas se nós repararmos bem vamos notar que ao longo da jornada sempre tem alguém que vai se sacrificar por nós. Já pensou nisso? Sempre tem.

E nós temos aprendido com tranquilidade que passamos a obter êxito no testemunho quando aprendemos a renunciar. A renúncia entra aí como um componente preponderante. O testemunho é o momento dos apertos, dos constrangimentos, é o momento das aferições e das tentações. Pode surgir em algumas ocasiões com o objetivo de solidificar uma conquista e em outras vezes para definir uma quitação, um respaldo. Constitui aquele momento em que os passos foram todos ajustados para que haja a possibilidade de êxito, seja na conquista efetiva de novo patamar ou na quitação e respaldo com os débitos criados no destino.

Esse testemunho, então, é algo vivenciado em cima dos próprios movimentos da consciência do ser.

Está dando para acompanhar? Em tantas ocasiões ele é feito sem estardalhaço, de forma discreta, silenciosa, velada. E materializa-se de forma isolada na intimidade. É por isso que o sacrifício praticamente é capaz de nos redimir na essencialidade. Isso é algo que nós precisamos compreender. Normalmente, a testemunha tem um espírito de sofrimento, de certo sobrepeso, de sacrifício mesmo, mas nem sempre em cima do corpo físico, e sim em cima de uma estruturação de vida íntima, representando aquela soma de contingentes que marcam a individualidade no plano mais profundo da alma.

O que precisamos, acima de tudo, a despeito das várias lutas que nos visitam no plano da realidade terrestre, é aprender a manter no rosto um sorriso constante.

Aprender a incorporar a serenidade na nossa postura de testemunhar. Paz de espírito é serviço renovador com proveito constante, é o serviço do bem em uma permanente ascensão. Logo, embora todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue adiante atendendo aos deveres que a vida te preceitua, conforme o testemunho da sua consciência, em convicção clara de que a felicidade verdadeira significa paz em nós.

E lembre-se: estamos trabalhando na aferição da conquista, não no despertar do conhecimento. 

E uma das maiores virtudes do discípulo, você sabe qual é? A de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e nem como seja o testemunho dessa fé.

O essencial, sempre, é revelarmos nossa união com Deus em todas as circunstâncias. Fixarmos em nós os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles indivíduos que nos são caros.

Preste muita atenção nisto agora: é necessário fazermos calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos e lembrarmos da nossa condição de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou nas horas de sofrimento. Afinal, qual a função de um servo? Existe outra a não ser servir? Como resultado, saibamos sofrer na hora dolorosa.

Acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho.

Pois é fácil demais provar fidelidade e confiança na misericórdia divina nos dias de calma. Ou eu falei alguma coisa errada? O difícil, porém, e fundamental, é mantermos a dedicação verdadeira nas horas difíceis, nos momentos em que tudo parece contrariar e perecer. Meu amigo, minha amiga, Deus é grande. Tenhamos fé.

E saibamos usar a fé. As preocupações superficiais, e o mundo está cheio delas, chegam, educam e passam. Nada é definitivo. A experiência religiosa, porém, permanece.

E a vitória do seguidor de Jesus quase sempre se alicerça no lado inverso dos triunfos humanos. Já pensou nisso? Ela é o lado oculto e anônimo. E essa vitória do evangelho é tão grande que o mundo não a proporciona, e nem pode subtraí-la. É o testemunho do própria consciência, transformada em templo do Cristo.

11 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 8

TESTEMUNHA FIEL

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5


A orientação dimana dos planos superiores em Deus e disso não há dúvida. Nós a assimilamos, e quando temos condições de operar na linha prática da vida uma realização segura nos terrenos do nosso próprio crescimento, com a utilização ampla da humildade, do espírito de trabalho, da disposição, da fraternidade e do respeito e reverência a Deus, sabe o que é que acontece? Nós, sem sombra de dúvida, nos tornamos testemunhas.

Toda a autoridade dos discípulos estava posicionada na capacidade deles em testemunhar o que recolheram de Jesus. Então, vamos repetir, a orientação provém dos planos superiores em Deus e a fidelidade significa a capacidade da individualidade em operar segundo a estrutura íntima e clara que a vida mental propõe.

A testemunha fiel e verdadeira mais autêntica que a humanidade conhece é Jesus.

Ele é a testemunha fiel e verdadeira. Aquele que implementou o sistema de amor e o vivenciou como testemunha viva. Atestou isso pela vivência. Ninguém no mundo foi mais fiel cultor do respeito e da ordem que Jesus. Deus e a imortalidade constituíam os temas fundamentais de seus ensinamentos. Tudo disse a respeito do Pai e da vida eterna que deve ser conquistada pela submissão consciente à soberana lei de evolução. Aliás, ele não apenas falava, falava e demonstrava.

Ao lado da teoria colocava a prova, à palavra fez seguir a ação. Não tinha só a linha de fidelidade ao pensamento divino, a experiência vivenciada por ele tinha também sentido de verdade. Como filho refletiu as qualidades, atributos e poderes do Pai. Veio com uma vivenciação acima de todas as nossas condições operacionais.

Em todas as circunstâncias o vemos interessado, acima de tudo, na lealdade a Deus e no serviço aos homens. 

Palavra alguma poderá superar a sua exemplificação, que os discípulos devem tomar como roteiro de vida. Como educador, posicionava-se como espelho. Testemunhava de Deus em nosso terreno, ensinava e confirmava pela vivência. Deu testemunho da imortalidade, morrendo, ressurgindo e apresentando-se, aos olhos e tato dos discípulos maravilhados, tal como era antes.

Essa expressão testemunha fiel e verdadeira, em tese, quer dizer testemunha legítima dos padrões superiores em Deus que se irradiam por todo o universo, os quais visam garantir a sustentação de todas as estruturas nos fundamentos do amor.

É pelo testemunho que esses padrões dimanados da misericórdia divina passam a ser concretizados. Em outras palavras, esses componentes se tornam palpáveis e concretos por parte daqueles que conseguem entrar em ressonância com o plano informativo que chega. O adjetivo fiel significa exato, verídico, verdadeiro. Diz-se daquele que age com observância rigorosa da verdade, que cumpre ao que se obriga, que é leal, honrado, íntegro, digno de fé, probo.

E fidelidade não é ser fiel a um componente de fora, não. Fidelidade é nós conseguirmos estar em paz com a consciência. É aquela postura pessoal em que existe de nossa parte um processo alimentado e realimentado de responsabilidades, em que vamos procurando manter coerência entre aquilo que fazemos e aquilo que sabemos, que conhecemos, que apropriamos informativamente. Cada um passa a trabalhar dentro da soma de caracteres que possui.

Em suma, a fidelidade se dá com aquilo que a nossa mente já sabe e sente que é uma realidade.

O tempo passa e nós também estamos sendo chamados a ser essas testemunhas fieis. Porque no momento em que a verdade nova chega nós temos que ser fieis a ela de modo a incorporarmos o valor assimilado no campo prático e obtermos vida em parcelas mais ampliadas. E é importante ter em conta que o chamado é sutil. Ele espera a nossa adesão, mas está sempre presente.

Em um estudo como este, pela profundidade e clareza das orientações, nós estamos sendo convocados a ir para muito além da fisionomia puramente religiosa. Estamos sendo convocados a testemunhar. Isso mesmo. Pois guardadas as distâncias entre nós e Simão Pedro ou Paulo, por exemplo, temos aprendido que se eles mudaram suas vidas nós também temos plenas condições de fazê-lo.

Compete-nos assimilar as informações recebidas no plano mental do superconsciente e operarmos na linha prática. E, assim, nos tornamos testemunhas fieis.

É esse o caminho. Fidelidade define a coerência entre o que se faz e o que se sabe intelectivamente. E quanto mais a nossa ação refletir a essencialidade irradiada do plano maior, de acordo com o campo de percepção ampla de nossa mente, maior fidelidade nós implementamos no trabalho que realizamos. 

Testemunhar Jesus é atestar no plano prático o que Ele nos ensinou, é submissão à vontade do Pai.

8 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 7

O QUE É CONVERSÃO

“E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3  

O assunto que nós vamos tratar é muito profundo e de grande relevância.

Conversão não significa apenas abraçar esse ou aquele credo religioso, nem tão pouco filiar-se a essa ou aquela igreja aceitando determinado corpo de doutrina. Porque vamos ser sinceros, de gente convertida para Jesus o planeta está cheio. É o que não falta em lugar algum. Muitos acham que estão convertidos e no fundo não estão.

Para ser ter ideia, muitos indivíduos podem pegar o evangelho, fazer um discurso maravilhoso, eloquente, inclusive provando que o evangelho concorda com o que eles estão querendo. E pessoas há que até fazem de Jesus um trampolim para realizarem o que bem entendem. Não é verdade? Então, essa ideia de conversão no sentido exterior já estamos cansados de fazer isso. Já estamos tarimbados, e não tem dado certo. Não tem mudado a nossa vida de forma efetiva. O resultado é que a conversão não representa apenas a adesão a uma norma.

Essa coisa de falar "declaro que vou seguir essa regra", isso já era. Está ultrapassado. 

Pela simples simpatia a determinado plano filosófico muitos dizem "eu creio". Não é algo comum de se ouvir? Esta frase é dita em todas as partes, e quantos não enchem os pulmões para dizerem?! De fato, muitos dizem "eu creio", mas poucos podem declarar "eu estou realmente transformado". O incrédulo pode tornar-se crente na acepção comum que a gente conhece sem que se verifique com isso um caso efetivo de conversão. Nós estamos aqui buscando estudar o evangelho aplicado ao nível operacional do amor, logo, temos que entender a conversão no seu sentido operacional de amor.

Eu não sei se você é motorista, se você dirige, mas você conhece aquela placa sinalizadora de trânsito chamada conversão? Eu estou me referindo a ela porque é um ensinamento oportuno para nós. A legislação de trânsito é de uma beleza extraordinária e qualquer pessoa que dirige um automóvel vez por outra dá de frente com ela. Então, que vem a ser o sinal de conversão? Qual o significado e a representatividade dele? O sinal de conversão, vamos reparar que ele determina uma alteração no sentido da direção, isto é, ele propõe uma mudança de sentido, que por sua vez não é aquele sentido em que você está. Deu para entender? Você está indo em frente e a placa determina que você ou mude para a esquerda ou para a direita. É isso que ela faz. Porque se for para continuar no sentido e na direção em que você está não precisa fazer conversão.

A conversão é algo mais complexo do que a princípio se imagina. Converter é mudança de postura, significa transformar, indica uma elaboração íntima do ser e demanda alteração nas estruturas de redirecionamento do espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso. Assim, fique atento, onde não há transformação não existe conversão, e quanto mais acentuada a transformação maior o sinal de conversão.

Quando o assunto é realidade espiritual a gente nota que mais de dois mil anos se passaram desde a chegada do amigo de Nazaré. E mais interessante, que essa conversão permanece constante até hoje para nós mediante um chamado para a elaboração de propostas de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. A sinalização do evangelho é aquela que mostra alterações fundamentais no psiquismo do ser com vista a uma dinâmica diferente de vida. É neste sentido. O sinal para o espírito no evangelho, sabe qual é? É a direção do bem, o sentido do amor ao próximo, o caminho da reeducação, o percurso da caridade, a trajetória incansável da disciplina. Placas essas que, dentre outras, nos indicam a direção para uma vida mais segura e feliz, sem atropelos, sem acidentes. E no momento em que se entra no sentido direcional que essas placas indicam já não é mais preciso fazer conversão, não tem que alterar a rota, porque já se está seguindo a pista certa.

O que Jesus falou acerca da conversão e que está presente no evangelho de Mateus: "E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." (Mateus 18:3) 

Estas são palavras do mestre e amigo. Repare que no "se não vos converterdes e não vos fizerdes" nós temos a presença de dois verbos. Ao utilizar a expressão "converter-se" associada à expressão "fazer-se", ou tornar-se, ele nos ensina que a conversão tem um sentido muito mais ligado à aplicação do que propriamente à predisposição mental. E se analisarmos bem, o primeiro lance da conversão já foi conquistado. 

"Se não vos converterdes" é referência à conversão mental, não é? Indica uma alteração na linha mental, é mudança mental. Fazemos referência ao plano informativo. 

Agora, não basta só conhecer ou aceitar determinados ensinamentos, é preciso praticá-los. O "se não fizerdes", ou tornardes, por sua vez, é alusão ao plano operacional. Indica o fazer, a linha de aplicação, a faixa operacional, a necessidade do realizar.

No evangelho, converter-se, para além da simples aceitação a uma forma ideológica, para além da mera simpatia a uma proposta filosófica e de natureza mental, significa a criatura sair dos planos da eleição pessoal, do campo restrito da eleição mental, sair do terreno das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que aprovou, elegeu e vem trabalhando. Ficou claro? Conversão para nós, acompanhada do verbo "fizerdes", é o caminho adequado, sustentado e clarificado pela capacidade operacional do ser para se poder efetivamente crescer.

A gente não tem mais que falar em conversão propriamente dita, mas sim no processo do fazer ou do tornar-se. Pense comigo, não temos mais como correr da raia. Somos companheiros inscritos e admitidos de princípio num terreno de auxílio e cooperação para poder definir e fundamentar a nossa mudança de vida.

Estamos diante de um processo de tornar-se. Se conversão é uma atitude íntima na esfera mental, o tornar-se pela mudança é o desafio maior. Concorda?

Com utilização de certo esforço próprio e uma dose de interesse, mudar a linha mental é algo passível de ser conseguido. Todavia, é no fazer que está o problema. Nossa grande dificuldade está no tornar-se. É aí que a coisa complica.

É por esta razão que estamos envoltos em tantas dificuldades na vida nos dias de hoje. É por isto que todo mundo está passando por momentos bem aflitivos. Nossa dificuldade maior está centralizada no tornar-se. Não estamos sabendo viver adequadamente hoje o tornar-se. Tem faltado persistência. Basta alguém falar conosco uma frase inoportuna pelo telefone e, se bobear, a gente bate o aparelho no ouvido dela. Não é assim? Quantas vezes a gente não tem vontade de fazer isso? Quantas vezes não perdemos a paciência por causa de coisa tão pequena? E porquê isto? Porque ficamos presos a uma convenção fechada de auto-valorização pessoal. Tem faltado continuidade na linha do tornar-se, e tornar-se é sair da vibração que nos prende ao lodo, àquela areia movediça que nos segura e prende ao passado, para tentarmos subir.

Tem gente que assim que se associa a determinada filosofia religiosa, já quer partir logo para a realização de tarefas. Não que isto seja algo errado, mas faz uma vez, duas vezes, três vezes, e para. Cadê fulano? Ah, resolveu dar um tempo. Alegou isto, alegou aquilo, mas não está fazendo mais. É comum de acontecer.

Considerável número de pessoas das mais diversas linhas religiosas tem conhecimento substancial do evangelho. São pessoas íntegras, estudiosas, interessadas e resolutas, todavia estão fazendo antes de se converterem. Em tantas situações estão querendo ir à frente antes de colocarem o exercício pleno que define a conquista informativa, querem ir à frente no campo da percepção antes de sedimentarem o conhecimento recebido. Tudo bem, é ótimo isto, mas é preciso se converter antes do fazer. Do contrário, a pessoa pode se cansar por não ter uma meta fixada. Antes do fazer é imprescindível laborar o plano de conversão. Tem muitos que operam sem conhecer e, às vezes, caem em determinadas enrascadas. Sem contar que de vez em quando nós buscamos entrar na horizontal aplicativa do conhecimento e criamos verdadeira miscelânea na nossa cabeça. Vamos com calma. Tem tempo pra tudo e tudo tem seu tempo.

O pensamento precede a manifestação do verbo e fazer sem converter pode gerar cansaço.

A questão é mais grave porque não pressupõe apenas sentimento de entusiasmo e euforia e, sim, um esforço persistente no qual não podemos dispensar as soluções vagarosas e constantes. Para ser mais preciso, a conversão não é tão fácil quanto afirmam inúmeros portadores de convicções apressadas.

Não será por se maravilhar a alma, ante as revelações espirituais, que alguém estará convertido e transformado para Jesus. Não é simples e mecânico assim. Aliás, o converter, que Jesus define para nós, ainda não é uma expressão nítida e definitiva. Não é algo finalístico, pronto e acabou. É um processo muito mais ligado ao caminho do que à verdade. Algo para a gente analisar mais a fundo, pois quando entendida da forma correta a conversão passa a ser ponto importante de referência para nós, passa a constituir um sinal indicativo de como vamos, de como está a nossa evolução.

O que ocorre é que nós oscilamos demais no plano das ações diárias, justamente porque nos falta essa linha clara e definida de conversão. Vamos pensar com carinho nisso. Raros companheiros conseguem guardar uniformidade de emoção e de idealismo nas edificações espirituais. Quer um exemplo simples? O funcionário chega ao seu posto de serviço e logo na entrada um colega já o interpela: "Ih, não fala com o chefe hoje não. O homem está uma fera. Hoje ele está naqueles dias." Até que eu não criei um exemplo difícil, não. Coisas desse tipo acontecem demais. Num dia o chefe está desse jeito: cara fechada, de poucos amigos, nervoso, calado, mal humorado, mal educado. No outro ele chega sorrindo. Cumprimenta todo mundo. Até quem ele não tem costume de conversar. Canta, assovia, conta caso, ri bastante, conta piada, fala demais.

E o que isso traz de lição para nós? Que nós temos que manter uma linha evolucional adequada, trabalhando sempre o campo positivo do amor, do entendimento, da cooperação, da vigilância e do estudo. Porque se nós não mantivermos essa linha direcional para o bem nós vamos notar que em muitas situações podemos dar e apresentar lances extraordinários na vida, lances, por sinal, da maior expressão e da maior validade, no entanto, ficamos sempre sujeitos às quedas, operando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante.

Não é exagero algum dizer que de todas as aquisições na vida a de valores religiosos é a mais importante. Sabe por quê? Muito simples, porque constitui movimento de iluminação real e definitiva da alma para Deus.

2 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 6

A PROVA AFERE II

Os diversos acontecimentos que surgem tem a finalidade de predispor nossa horizontal aplicativa no sentido de atentarmos para a abertura de atividades em várias frentes e, principalmente, nos preparar para quando formos incluídos numa proposta de cooperação mais evidente e mais ampliada.

A luta facilita a aquisição dos valores reais, sem a qual não conseguimos aprender onde é o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. É necessário readequarmos a nossa postura pessoal no mundo em transição que vivemos. Saber lidar com muitos fatores ao mesmo tempo.

Então, repare no seguinte, os fatos que nos colhem, de fora para dentro, nas ações ameaçadoras e tangíveis do nosso dia a dia, tudo isso pode ser resolvido pela linha íntima reeducacional. Se nós operarmos de modo consciente com as mudanças íntimas não ficamos sujeitos às mudanças de natureza exterior, ou melhor, às mudanças provocadas ou precipitadas pelos acontecimentos exteriores.

E guarde isto: sempre, atrás de uma pressão, tem alguma coisa reservada a curto ou médio prazo.

Às vezes, a pessoa estava lá, numa situação tranquila, e aconteceu um fato difícil. Para quê? Para poder alterar o sistema de vida dela. Porque se isso não acontecer ela não altera, não muda, não busca melhoria, não avança. Pense nisso. Ela continua achando que está num sistema de vida que é o melhor para ela, mas não é mais.

É muito gostoso a gente repetir as coisas que nos interessam, não é mesmo? Repetir aquela rotina que nos agrada, que nos acostumamos com ela. Acordar de manhã, fazer isso, fazer aquilo, realizar exatamente o que havíamos programado. Nos mínimos detalhes. Tudo certinho, tudo direitinho. Sem a mínima alteração. Do jeito que a gente queria, da forma como estava programado. 

As horas passam, o dia passa. É uma beleza. O dia seguinte chega, a mesma coisa. A semana passa, chega a próxima, de novo tudo direitinho, perfeito, como o previsto, calculado e recalculado. É ótimo, não é? Sem contrariedade nenhuma. É tudo muito bom, mas só tem um detalhe. Ficando nessa posição, que não é o caso, mas vamos imaginar, de ficarmos repetindo todo dia, as vinte e quatro horas, as mesmas coisas, dá pra gente evoluir? Deu para notar onde eu quero chegar? Se não houver algum acontecimento diverso, se não surgir desafios e propostas novas induzindo-nos a mudanças não tem evolução. E se nós não mudamos constantemente o nosso íntimo, se ficamos estacionados, na hora em que se altera algo externo nessa rotina pré-estabelecida e sistematizada, é um Deus nos acode. Ficamos perdidos e alterados interiormente.

Nós estamos falando em aferição, e uma coisa que não pode passar desapercebida é que na hora do teste é hora de aferir, não de aprender. A hora do teste é o momento em que vale o investimento nos valores recebidos. O momento do aprendizado é um, geralmente vem antes, com calma. Na hora do desafio é hora de trabalhar na aferição da conquista obtida, não no despertar do conhecimento.

Vamos a um exemplo para clarear? Imagine um prédio grande, alto, um edifício com suas dezenas de andares. É dia de semana, horário de expediente, todos os andares em plena atividade e o Corpo de Bombeiros chega para promover um exercício de evacuação rápida dos indivíduos que ali trabalham: "Pessoal, hoje vamos fazer com vocês um exercício de simulação de incêndio. Ou seja, vamos ensinar a vocês determinados procedimentos para a evacuação em caso de incêndio, ou em razão de algum problema que exija a saída rápida sem a utilização dos elevadores." Pronto, começa o treinamento. Eles ensinam e todo mundo aprende a forma correta de descer em uma situação de eventual anormalidade.

Treinamento feito, êxito absoluto, todos aprenderam e desceram as escadas devagar para assimilar.

Agora, no caso de um incêndio ou de um problema real, na hora em que o desafio aparece, na hora do problema instaurado, não é a hora de aprender a descer as escadas. Ficou claro? Na hora do desafio não é hora de aprender, é hora de aplicar.

Um dia antes de uma prova ou instantes antes da realização de algum exame não é hora de aprender, é hora de praticar. A hora de aprender foi antes. E a dificuldade de muitas pessoas é exatamente essa, saber implementar o valor recebido na devida faixa operacional, o ajuste prático à revelação. No momento de demonstrar a fé muitos fraquejam, retrocedem, hesitam, duvidam. Aí complica tudo. Não passa na prova. E se não passa tem que repetir tudo de novo.

Vamos notar que no momento da realização da prova nós estamos aparentemente sozinhos.

Eu disse aparentemente, porque os que estão próximos a nós e torcem por nós não podem interceder nesse momento próprio de aferição. Então, nós vivemos um momento de treva ocasional, razão pela qual quem não buscou sua iluminação com o Cristo pode ser o que for na vida. Pode estar no topo do sucesso no mundo, no ápice das conquistas transitórias, pode ser um gênio ou expoente de inteligência, um cientista ou filósofo com as mais elevadas aquisições intelectuais. No entanto, sem dúvida estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência. Por outro lado, quando descobrimos que nunca estamos desamparados tudo fica muito mais fácil. 

Até concluímos que a treva ocasional não é tão escura quanto a gente pensava que fosse, e ficamos numa alegria danada quando conseguimos vencer a etapa. Na prova, nós descobrimos que podemos viver só, mas que se queremos e buscamos a felicidade de forma alguma devemos viver só. Temos que nos integrar.

E vamos a uma notícia boa? Antes de começar o sufoco nós recebemos tudo que é possível em termos de esclarecimentos e informações. Quando o desafio chega nós estamos, em tese, preparados. O desafio não chega trazendo carga superior às nossas forças.

Entendeu isso? É como se enchêssemos as nossas reservas para termos energia, para na hora de mergulharmos na dificuldade não sucumbirmos. Se você não aprendeu isso, aprenda enquanto é tempo. O bonito é que em todo o sistema de aprendizado primeiro nós somos auxiliados por aqueles que nos tutelam.

Precisamos nos manter calmos e entender que o conflito é uma questão natural. Tem momentos em que nós trabalhamos no investir e tem momentos em que nós vamos ter que usar a determinação necessária para gastar o investimento.

É imperioso abrirmos o leque e apropriar o saber dentro de uma nova proposta.

Quanto mais nós abrirmos o coração num interesse aos padrões superiores da vida, mais essa prova vai se reduzindo na sua intimidade e vai criando aspectos novos. Vamos aprendendo, também, a externar um sorriso de maneira mais natural.

De maneira que temos que ter paciência. Faz parte do caminho. Não vamos ficar atribulados não. O importante é aproveitar o momento do investir, acima de tudo saber retirar a prioridade a cada instante. O problema não é o recurso ou a instrumentalidade de que dispomos para vencer. Se analisarmos com clareza, o recurso tem chegado para nós em larga escala, tem chegado de mãos cheias.

O desafio é o aproveitamento dele, o aproveitamento do recurso é que é o ponto desafiador. Não seremos aferidos pelo número de caracteres informativos recebidos, mas sim por aquilo que fizermos. Deu uma ideia? Agora, o fato é que nem sempre aproveitamos como deveríamos. Nós costumamos rejeitar o teste demais da conta. Ainda resistimos de tudo quanto é jeito. E quanto deixamos passar em brancas nuvens é sinal que não estamos preparados para esse passo.

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