8 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 7

O QUE É CONVERSÃO

“E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3  

O assunto que nós vamos tratar é muito profundo e de grande relevância.

Conversão não significa apenas abraçar esse ou aquele credo religioso, nem tão pouco filiar-se a essa ou aquela igreja aceitando determinado corpo de doutrina. Porque vamos ser sinceros, de gente convertida para Jesus o planeta está cheio. É o que não falta em lugar algum. Muitos acham que estão convertidos e no fundo não estão.

Para ser ter ideia, muitos indivíduos podem pegar o evangelho, fazer um discurso maravilhoso, eloquente, inclusive provando que o evangelho concorda com o que eles estão querendo. E pessoas há que até fazem de Jesus um trampolim para realizarem o que bem entendem. Não é verdade? Então, essa ideia de conversão no sentido exterior já estamos cansados de fazer isso. Já estamos tarimbados, e não tem dado certo. Não tem mudado a nossa vida de forma efetiva. O resultado é que a conversão não representa apenas a adesão a uma norma.

Essa coisa de falar "declaro que vou seguir essa regra", isso já era. Está ultrapassado. 

Pela simples simpatia a determinado plano filosófico muitos dizem "eu creio". Não é algo comum de se ouvir? Esta frase é dita em todas as partes, e quantos não enchem os pulmões para dizerem?! De fato, muitos dizem "eu creio", mas poucos podem declarar "eu estou realmente transformado". O incrédulo pode tornar-se crente na acepção comum que a gente conhece sem que se verifique com isso um caso efetivo de conversão. Nós estamos aqui buscando estudar o evangelho aplicado ao nível operacional do amor, logo, temos que entender a conversão no seu sentido operacional de amor.

Eu não sei se você é motorista, se você dirige, mas você conhece aquela placa sinalizadora de trânsito chamada conversão? Eu estou me referindo a ela porque é um ensinamento oportuno para nós. A legislação de trânsito é de uma beleza extraordinária e qualquer pessoa que dirige um automóvel vez por outra dá de frente com ela. Então, que vem a ser o sinal de conversão? Qual o significado e a representatividade dele? O sinal de conversão, vamos reparar que ele determina uma alteração no sentido da direção, isto é, ele propõe uma mudança de sentido, que por sua vez não é aquele sentido em que você está. Deu para entender? Você está indo em frente e a placa determina que você ou mude para a esquerda ou para a direita. É isso que ela faz. Porque se for para continuar no sentido e na direção em que você está não precisa fazer conversão.

A conversão é algo mais complexo do que a princípio se imagina. Converter é mudança de postura, significa transformar, indica uma elaboração íntima do ser e demanda alteração nas estruturas de redirecionamento do espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso. Assim, fique atento, onde não há transformação não existe conversão, e quanto mais acentuada a transformação maior o sinal de conversão.

Quando o assunto é realidade espiritual a gente nota que mais de dois mil anos se passaram desde a chegada do amigo de Nazaré. E mais interessante, que essa conversão permanece constante até hoje para nós mediante um chamado para a elaboração de propostas de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. A sinalização do evangelho é aquela que mostra alterações fundamentais no psiquismo do ser com vista a uma dinâmica diferente de vida. É neste sentido. O sinal para o espírito no evangelho, sabe qual é? É a direção do bem, o sentido do amor ao próximo, o caminho da reeducação, o percurso da caridade, a trajetória incansável da disciplina. Placas essas que, dentre outras, nos indicam a direção para uma vida mais segura e feliz, sem atropelos, sem acidentes. E no momento em que se entra no sentido direcional que essas placas indicam já não é mais preciso fazer conversão, não tem que alterar a rota, porque já se está seguindo a pista certa.

O que Jesus falou acerca da conversão e que está presente no evangelho de Mateus: "E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." (Mateus 18:3) 

Estas são palavras do mestre e amigo. Repare que no "se não vos converterdes e não vos fizerdes" nós temos a presença de dois verbos. Ao utilizar a expressão "converter-se" associada à expressão "fazer-se", ou tornar-se, ele nos ensina que a conversão tem um sentido muito mais ligado à aplicação do que propriamente à predisposição mental. E se analisarmos bem, o primeiro lance da conversão já foi conquistado. 

"Se não vos converterdes" é referência à conversão mental, não é? Indica uma alteração na linha mental, é mudança mental. Fazemos referência ao plano informativo. 

Agora, não basta só conhecer ou aceitar determinados ensinamentos, é preciso praticá-los. O "se não fizerdes", ou tornardes, por sua vez, é alusão ao plano operacional. Indica o fazer, a linha de aplicação, a faixa operacional, a necessidade do realizar.

No evangelho, converter-se, para além da simples aceitação a uma forma ideológica, para além da mera simpatia a uma proposta filosófica e de natureza mental, significa a criatura sair dos planos da eleição pessoal, do campo restrito da eleição mental, sair do terreno das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que aprovou, elegeu e vem trabalhando. Ficou claro? Conversão para nós, acompanhada do verbo "fizerdes", é o caminho adequado, sustentado e clarificado pela capacidade operacional do ser para se poder efetivamente crescer.

A gente não tem mais que falar em conversão propriamente dita, mas sim no processo do fazer ou do tornar-se. Pense comigo, não temos mais como correr da raia. Somos companheiros inscritos e admitidos de princípio num terreno de auxílio e cooperação para poder definir e fundamentar a nossa mudança de vida.

Estamos diante de um processo de tornar-se. Se conversão é uma atitude íntima na esfera mental, o tornar-se pela mudança é o desafio maior. Concorda?

Com utilização de certo esforço próprio e uma dose de interesse, mudar a linha mental é algo passível de ser conseguido. Todavia, é no fazer que está o problema. Nossa grande dificuldade está no tornar-se. É aí que a coisa complica.

É por esta razão que estamos envoltos em tantas dificuldades na vida nos dias de hoje. É por isto que todo mundo está passando por momentos bem aflitivos. Nossa dificuldade maior está centralizada no tornar-se. Não estamos sabendo viver adequadamente hoje o tornar-se. Tem faltado persistência. Basta alguém falar conosco uma frase inoportuna pelo telefone e, se bobear, a gente bate o aparelho no ouvido dela. Não é assim? Quantas vezes a gente não tem vontade de fazer isso? Quantas vezes não perdemos a paciência por causa de coisa tão pequena? E porquê isto? Porque ficamos presos a uma convenção fechada de auto-valorização pessoal. Tem faltado continuidade na linha do tornar-se, e tornar-se é sair da vibração que nos prende ao lodo, àquela areia movediça que nos segura e prende ao passado, para tentarmos subir.

Tem gente que assim que se associa a determinada filosofia religiosa, já quer partir logo para a realização de tarefas. Não que isto seja algo errado, mas faz uma vez, duas vezes, três vezes, e para. Cadê fulano? Ah, resolveu dar um tempo. Alegou isto, alegou aquilo, mas não está fazendo mais. É comum de acontecer.

Considerável número de pessoas das mais diversas linhas religiosas tem conhecimento substancial do evangelho. São pessoas íntegras, estudiosas, interessadas e resolutas, todavia estão fazendo antes de se converterem. Em tantas situações estão querendo ir à frente antes de colocarem o exercício pleno que define a conquista informativa, querem ir à frente no campo da percepção antes de sedimentarem o conhecimento recebido. Tudo bem, é ótimo isto, mas é preciso se converter antes do fazer. Do contrário, a pessoa pode se cansar por não ter uma meta fixada. Antes do fazer é imprescindível laborar o plano de conversão. Tem muitos que operam sem conhecer e, às vezes, caem em determinadas enrascadas. Sem contar que de vez em quando nós buscamos entrar na horizontal aplicativa do conhecimento e criamos verdadeira miscelânea na nossa cabeça. Vamos com calma. Tem tempo pra tudo e tudo tem seu tempo.

O pensamento precede a manifestação do verbo e fazer sem converter pode gerar cansaço.

A questão é mais grave porque não pressupõe apenas sentimento de entusiasmo e euforia e, sim, um esforço persistente no qual não podemos dispensar as soluções vagarosas e constantes. Para ser mais preciso, a conversão não é tão fácil quanto afirmam inúmeros portadores de convicções apressadas.

Não será por se maravilhar a alma, ante as revelações espirituais, que alguém estará convertido e transformado para Jesus. Não é simples e mecânico assim. Aliás, o converter, que Jesus define para nós, ainda não é uma expressão nítida e definitiva. Não é algo finalístico, pronto e acabou. É um processo muito mais ligado ao caminho do que à verdade. Algo para a gente analisar mais a fundo, pois quando entendida da forma correta a conversão passa a ser ponto importante de referência para nós, passa a constituir um sinal indicativo de como vamos, de como está a nossa evolução.

O que ocorre é que nós oscilamos demais no plano das ações diárias, justamente porque nos falta essa linha clara e definida de conversão. Vamos pensar com carinho nisso. Raros companheiros conseguem guardar uniformidade de emoção e de idealismo nas edificações espirituais. Quer um exemplo simples? O funcionário chega ao seu posto de serviço e logo na entrada um colega já o interpela: "Ih, não fala com o chefe hoje não. O homem está uma fera. Hoje ele está naqueles dias." Até que eu não criei um exemplo difícil, não. Coisas desse tipo acontecem demais. Num dia o chefe está desse jeito: cara fechada, de poucos amigos, nervoso, calado, mal humorado, mal educado. No outro ele chega sorrindo. Cumprimenta todo mundo. Até quem ele não tem costume de conversar. Canta, assovia, conta caso, ri bastante, conta piada, fala demais.

E o que isso traz de lição para nós? Que nós temos que manter uma linha evolucional adequada, trabalhando sempre o campo positivo do amor, do entendimento, da cooperação, da vigilância e do estudo. Porque se nós não mantivermos essa linha direcional para o bem nós vamos notar que em muitas situações podemos dar e apresentar lances extraordinários na vida, lances, por sinal, da maior expressão e da maior validade, no entanto, ficamos sempre sujeitos às quedas, operando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante.

Não é exagero algum dizer que de todas as aquisições na vida a de valores religiosos é a mais importante. Sabe por quê? Muito simples, porque constitui movimento de iluminação real e definitiva da alma para Deus.

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