17 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 9

O TESTEMUNHO

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO”. APOCALIPSE 1:3

Nós estamos abordando o assunto, e para início de conversa, o que é testemunha? Testemunha é referência à criatura que é chamada a depor, chamada a dar prova, atestar a verdade de um fato que ela, em tese, viu ou ouviu.

Testemunhar equivale a confirmar, comprovar, demonstrar. Na acepção mais profunda da palavra, apresenta aquela posição nossa que não tem sentido puramente oral, mas sim um sentido de vida. Isto é algo que precisa ficar bem claro.

Veja bem, não dá para esquivar do testemunho, a individualidade não é apenas convidada, ela é muito mais do que isso, é convocada a testemunhar algo.

O testemunho é mesmo no sentido de afirmar, de declarar e certificar, dentro do contingente de informações e de segurança aplicativa, o esclarecimento que essa individualidade já possui, que já conquistou. Sendo assim, não podemos ficar desatentos, cada vez que as circunstâncias nos induzem a ouvir as verdades do evangelho não dá para a gente ficar achando que o acaso está por trás dessas situações. Isto ocorre para que nós nos informemos quanto ao próprio caminho a seguir, porque em breve espaço de tempo nós seremos naturalmente chamados pela vida para dar o testemunho.

O testemunho para nós é alguma coisa de extrema relevância, da maior transcendência. Alguém pode perguntar porque nós temos que testemunhar, não pode? Aliás, uma pergunta interessante, tendo em vista que nós estamos vivendo em plena época dos porquês. Não podemos aceitar um conhecimento que chega de fora sem questionamento. E a resposta, por sua vez, é simples e objetiva: nós não temos como nos projetar conscientemente para as conquistas maiores do nosso crescimento espiritual sem o testemunho. Somente o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar. E como diz o apocalipse: "Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo". (Apocalipse 1:3) 

Ou seja, somente depois que gente ouve e que a gente vê é que nós vamos encontrar a segurança através do testemunho.

Repare o seguinte, a legítima interpretação do evangelho se faz pela dinâmica prática, e fim de conversa. Porque quando a gente conhece intelectivamente a gente visualiza.

Pelo conhecimento nós visualizamos a porta e pela vivência nós entramos, nós damos o nosso testemunho. Quando a gente vive determinada coisa a gente testemunha essa coisa. Sem a vivência dos valores não se tem conhecimento, têm-se pseudo-conhecimento, e o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação dos caracteres novos. Aquilo que nós estamos vendo e não estamos praticando é aquilo que o outro faz e nós não fazemos ainda. Percebeu? Porque nos mantemos apenas teorizados. E se nós não testemunhamos nós ficamos retidos naquela faixa teorizada, nós permanecemos restritos naquela linha periférica de necessidade operacional, e não avançamos.

Aquele que, de algum modo, não se empenha a benefício dos companheiros à sua volta apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra. E isso acontece demais da conta.

Vamos entender: todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em um plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, por meio de uma linha dinâmica e operacional de aplicabilidade diária. Somente o testemunho é capaz de criar um processo de fixação entre aquilo que a individualidade ouviu e aquilo que, no campo intrínseco, ela está vendo, está percebendo com clareza. Deu para você acompanhar?

Ninguém aqui está dizendo que é fácil. A bem da verdade, o testemunho tem nos intimidado. O testemunho tem nos desencorajado na caminhada, tem nos amedrontado.

Sem contar que tantas vezes o progresso aparente dos ímpios tem desencorajado o fervor da almas tíbias. É preciso coragem e ousadia. Toda mudança de vida que propomos materializar exige certo percentual de testemunho.

Não podemos esquecer que se o Senhor nos chamou, se a circunstância apareceu, é porque já nos considera dignos de testemunhar. E testemunhar o Cristo é ter coragem de viver dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõe. Como diz o apocalipse, nós temos que fazê-lo: "Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." (Apocalipse 1:3) Deu para perceber o final do versículo? "O tempo está próximo". Todavia, é a postura de cada criatura que constitui o fator que determina a maior ou a menor proximidade desse tempo.

Outro detalhe fundamental: nesse instante da aferição nós sempre nos achamos aparentemente sozinhos com as nossas aquisições íntimas. Entendeu bem isso?

Não tem como ser diferente, o testemunho apresenta para nós um exercício de capacidade aferidora e ele é feito isoladamente, ele é feito na intimidade da nossa alma. Vou repetir: em grande parte das vezes os nossos testemunhos são feitos de forma isolada. O testemunho é dado pela postura pessoal e não por uma declaração pública. Ele tem que ser dado sempre sob uma postura puramente pessoal, íntima. Sendo assim, nem tudo são flores na caminhada, toda criatura tem que dar o seu testemunho individual no caminho da vida. Sabendo disto, Jesus foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.

E acabamos de falar a palavra chave que define tudo: sacrifício!

Normalmente, a testemunha tem um espírito de sacrifício. Sacrifício tanto de ordem externa quanto de ordem interna. Se a gente reparar bem, na própria luta reeducacional nós temos que exercer um grau de sacrifício. E esse testemunho não quer dizer que tudo que a gente vai fazer na vida tem uma cruz, não, mas se nós repararmos bem vamos notar que ao longo da jornada sempre tem alguém que vai se sacrificar por nós. Já pensou nisso? Sempre tem.

E nós temos aprendido com tranquilidade que passamos a obter êxito no testemunho quando aprendemos a renunciar. A renúncia entra aí como um componente preponderante. O testemunho é o momento dos apertos, dos constrangimentos, é o momento das aferições e das tentações. Pode surgir em algumas ocasiões com o objetivo de solidificar uma conquista e em outras vezes para definir uma quitação, um respaldo. Constitui aquele momento em que os passos foram todos ajustados para que haja a possibilidade de êxito, seja na conquista efetiva de novo patamar ou na quitação e respaldo com os débitos criados no destino.

Esse testemunho, então, é algo vivenciado em cima dos próprios movimentos da consciência do ser.

Está dando para acompanhar? Em tantas ocasiões ele é feito sem estardalhaço, de forma discreta, silenciosa, velada. E materializa-se de forma isolada na intimidade. É por isso que o sacrifício praticamente é capaz de nos redimir na essencialidade. Isso é algo que nós precisamos compreender. Normalmente, a testemunha tem um espírito de sofrimento, de certo sobrepeso, de sacrifício mesmo, mas nem sempre em cima do corpo físico, e sim em cima de uma estruturação de vida íntima, representando aquela soma de contingentes que marcam a individualidade no plano mais profundo da alma.

O que precisamos, acima de tudo, a despeito das várias lutas que nos visitam no plano da realidade terrestre, é aprender a manter no rosto um sorriso constante.

Aprender a incorporar a serenidade na nossa postura de testemunhar. Paz de espírito é serviço renovador com proveito constante, é o serviço do bem em uma permanente ascensão. Logo, embora todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue adiante atendendo aos deveres que a vida te preceitua, conforme o testemunho da sua consciência, em convicção clara de que a felicidade verdadeira significa paz em nós.

E lembre-se: estamos trabalhando na aferição da conquista, não no despertar do conhecimento. 

E uma das maiores virtudes do discípulo, você sabe qual é? A de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e nem como seja o testemunho dessa fé.

O essencial, sempre, é revelarmos nossa união com Deus em todas as circunstâncias. Fixarmos em nós os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles indivíduos que nos são caros.

Preste muita atenção nisto agora: é necessário fazermos calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos e lembrarmos da nossa condição de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou nas horas de sofrimento. Afinal, qual a função de um servo? Existe outra a não ser servir? Como resultado, saibamos sofrer na hora dolorosa.

Acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho.

Pois é fácil demais provar fidelidade e confiança na misericórdia divina nos dias de calma. Ou eu falei alguma coisa errada? O difícil, porém, e fundamental, é mantermos a dedicação verdadeira nas horas difíceis, nos momentos em que tudo parece contrariar e perecer. Meu amigo, minha amiga, Deus é grande. Tenhamos fé.

E saibamos usar a fé. As preocupações superficiais, e o mundo está cheio delas, chegam, educam e passam. Nada é definitivo. A experiência religiosa, porém, permanece.

E a vitória do seguidor de Jesus quase sempre se alicerça no lado inverso dos triunfos humanos. Já pensou nisso? Ela é o lado oculto e anônimo. E essa vitória do evangelho é tão grande que o mundo não a proporciona, e nem pode subtraí-la. É o testemunho do própria consciência, transformada em templo do Cristo.

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