16 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 3

ANDARES MENTAIS

À luz do evangelho entendido com clareza, temos aprendido que subconsciente (ou id), consciente (ou supraconsciente ou ego) e superconsciente (ou superego) constituem expressões diversificadas de uma mesma coisa, representam andares da nossa estrutura psíquica.

O subconsciente, zona oculta da esfera mental, constitui o reservatório profundo das experiências do passado arregimentadas em múltiplas existências. Ou seja, nele trazemos o infinito da nossa retaguarda, padrões arregimentados em incontáveis reencarnações. Cada qual traz isso dentro de si. Temos nele a essencialidade daquilo que tivemos o ensejo de vivenciar em vidas anteriores.

E simplesmente nós não podemos desativar os conteúdos dessa parte de baixo da casa mental. Eles são de uma certa forma o nosso alicerce. Essa parte inferior da nossa estrutura não pode ser desautorizada ou eliminada. Não tem como, corresponde ao fogo que não se apaga.

Nosso subconsciente apresenta uma soma imensa de caracteres. Arquivo maravilhoso, onde todas as conquistas do pretérito são depositadas em energias potenciais. Traz o que foi conquistado na experiências das reencarnações. É construção de cada um de nós, é de domínio nosso, é nosso território conquistado.

Os meus registros, por exemplo, são meus. Ninguém tira, tenho até escritura e registro em cartório. Isto é preciso ter em conta, o que vem de baixo foi conquistado nas vidas anteriores. Dele vem os instintos e as conquistas já operadas, os elementos consolidados, onde os valores arregimentados fazem emergir ideias para ressurgirem no momento oportuno. Outra coisa interessante é que se o plano de percepção está no consciente (parte mais acima, no andar intermediário), o plano operacional é para baixo, a força está impulsionada embaixo.

O potencial de mudança, a gente sabe muito bem, está no superconsciente, mas para colocarmos esses potenciais idealizados em ação e movimentá-los a nosso favor nós temos que o usar o material armazenado dentro de nós nas faixas mais profundas. E nosso subconsciente ainda exerce um peso muito grande e uma carga de pressão violenta sob nós próprios, tanto é que ele está embaixo.

E se temos uma linha que sugere um plano tríplice, nós nos situamos no ponto intermediário.

Nos situamos exatamente no segundo andar. No supraconsciente ou ego, região mediana de percepção de onde estamos para cima e que intercede com os outros dois andares.

Deu uma ideia? Em relação aos andares de baixo (subconsciente) e de cima (superconsciente) é que Jesus definiu a necessidade imperiosa do vigiai e orai. Ou seja, vigiar o subconsciente para evitar a emersão de padrões menos felizes e, ao mesmo tempo, orar abrindo a percepção para receber por meio do superconsciente.

O fato é que somos nós, nesse supraconsciente, que permitimos o acesso dos valores de baixo que emergem ou dos padrões vindos de cima que derrama sementes novas. Agora, preste atenção no seguinte, os registros do subconsciente a gente viu que eles não podem ser alterados. E a área de cima, do superconsciente, consiste na zona dos ideais, no plano das propostas e da visualização. Nele a gente pode até ter alguma coisa no sentido de reformulação de conceitos e ideias, mas o plano que vai ser todo misturado e alterado é o do nosso dia a dia. Deu para acompanhar ou será que eu andei falando grego aqui? Nossa faixa psíquica é interativa na parte do meio, nesse andar do meio, onde a nossa mente consegue sintonizar valores de cima e selecionar o que possa emergir de baixo.

É nela que nós podemos alterar completamente a linha diária no campo da atitude, fazendo o nosso campo mental ser trabalhado de forma consciente com novos padrões. É no supraconsciente, esse território do meio, que essa linha interior tem quer mudada. O nosso alimento a cada instante, o plano informativo e de análise, tem que ser trabalhado e metabolizado exatamente aqui.

O terceiro andar, por sua vez, é a consciência plena ou razão. É o superconsciente, região denominada também pela psicologia como superego. Nesse alto está a faixa das concepções positivas, a área dos ideais, a linha de onde recebemos todas as orientações e influxos orientadores. Constitui um terço do nosso campo mental.

É a área dos valores idealísticos, dos nossos terrenos de percepção. Falam de lastros ainda não trabalhados. Os valores nela veiculados correspondem às nossas propostas de realização. É a área de proposta, o plano idealístico, onde alcançamos potencialidades amplas que precisaremos desenvolver no campo prático das nossas experiências. Em relação a esse patamar Jesus sugere o "orai", no sentido de abrirmos as portas da nossa casa mental de cima para baixo.

Essa faixa psíquica é igual para todas as criaturas no universo. O superconsciente é área do campo mental que se relaciona com o infinito, com as fontes inesgotáveis da nossa realidade evolucional. Sua linha nos vincula ao todo abrangente que nós, no campo consciente, não somos ainda capazes de abranger.

Corresponde ao nosso céu íntimo. Define o conjunto de componentes que cada um de nós visualiza, mas que ainda não alcança. Deu uma ideia? Céu é aquilo que está acima.

São nossos planos de idealização. A faixa dos ideais, a área de visualização, de criatividade, onde identificamos os padrões de renovação, os componentes superiores da personalidade. É no superconsciente que temos os padrões idealizados por informação e dedução tirada, os valores não consolidados em nós, que não fazem parte da concretude da nossa vida (porque concretude é terra), mas que objetivamos conquistar.

Repare que quando nós pensamos em céu nós pensamos em Deus, criador e pai. 

E o conteúdo capaz de nos assegurar felicidade, redenção, renovação e libertação vem de cima, não é produto do que vem de baixo. Ficou claro? Isso tem que ser entendido. É muito importante. Todo processo evolucional vem de cima. A evolução não se assenta em cima dos padrões conquistados. Sendo assim, compreender, perdoar, entender, entre outros, não vem de baixo, vem de cima. 

Se falamos de céu, sabemos que céu precede a terra, como a fé precede as obras.

No céu alcançamos a fé. No plano captador das áreas superiores identificamos os valores positivos que nós temos que implementar no plano prático da vida. Por isso, temos que subir para aprender e, depois, descer para fazer. Por isso, não bastou Zaqueu subir. Lembra? Ele teve que descer para operar o que aprendeu.

Céu representa o plano de elevação nosso. Nele nós temos o interesse de conquista. 

É como se o superconsciente pudesse perceber, sob o auxílio e as emanações da fé, toda uma extensão que vai demorar muito para que o nosso consciente domine esses padrões. Cada um de nós tem um céu e se movimenta dentro dessa expressão, e esse céu tem que ser sempre, cada vez mais, clareado, cada vez mais destituído de nuvens. Necessita ser cada vez mais clarificado, e é o que estamos fazendo aqui, no campo de nossa expressão dinâmica ao nível psíquico.

Um estudo como este que estamos levando a efeito visa fazer um trabalho de namoro a outros ângulos da vida. Repare que vamos, aos poucos, tirando o véu, olhando e criando um processo de imantação, de formação magnética, criando uma linha de atração que, pela soma dos caracteres aprendidos desses novos ângulos, começa a mostrar que nos mantermos no patamar em que a gente está, que ficar na posição em que estamos, não é tão interessante para nós como a gente pensava que era. Um estudo como este está trabalhando a polarização do nosso campo mental, está abrindo um véu, mostrando novos ângulos.

Em razão disso, nós temos que subir para aprender (e sintonizar com os valores de elevação) e descer para operar. Afinal, é a operação que propicia a conquista. Não podemos nos esquecer que cada um receberá conforme suas obras. 

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