21 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 4

SUBIR AO CÉU

“ORA, NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM, QUE ESTÁ NO CÉU.” JOÃO 3:13

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

O evangelho diz: "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o filho do homem, que está no céu." (João 3:13) Vamos pensar em uma coisa: o conhecimento que nós já temos assimilado, a luz que já conseguimos elaborar na intimidade da alma, durante um bom tempo foi suficiente para atender a inúmeras questões da nossa vida, e até nos propiciar realizações em muitos ângulos.

Podemos mesmo dizer que muitos pontos que visamos, com a luz que possuímos, foram compatíveis, ou seja, houve compatibilidade da luz que tínhamos com os objetivos que buscamos.

Agora, o interessante é que para novos alcances, para alcançarmos outros tipos de trabalho, outras espécies de objetivos, nós precisamos, sem dúvida alguma, de outro tipo de claridade. Será que está dando para entender? Se a evolução despertou em nós o plano intelectivo, se ela despertou em nós a necessidade de mudarmos intimamente, seja esse despertamento oriundo de impactos recebidos numa linha de fora para dentro ou pelas linhas sensoriais, nós precisamos entender que isso não é matéria de baixo para cima, mas que tem que vir de cima. Daí nós vamos precisar de uma linha diferenciada de componentes.

É como se passássemos a sentir a necessidade de nova luz, de nova claridade, de outros fótons, de componentes diversos na profundidade do raio de luz, para que essa luz seja capaz não apenas de nos auxiliar na melhoria da nossa personalidade, mas também nos garantir a realização em novas bases e maior estado de euforia de vida.

"Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te ei as coisas que depois destas devem acontecer." (Apocalipse 4:1) Notou a expressão "sobe aqui"? Ninguém, em sã consciência, precisa esperar a solução dos seus problemas na horizontal de sua ótica. O conteúdo que vai nos assegurar felicidade, redenção, renovação, libertação, vem de cima, não é produto do que vem de baixo. O processo de direcionamento da estrutura moral, que é o que efetivamente liberta, não vem de baixo, vem de cima. É em cima que vigoram os componentes perceptivos, os elementos direcionados, e determinamos estratégias.

Então, nós temos que subir, porque se a gente não subir não vai ver o que vai ser mostrado. Estamos hoje tentando encontrar caminhos para as nossas dificuldades, para a melhoria dos terrenos nebulosos do nosso dia no contexto em que nos movemos.

Temos que subir na busca de valores operacionais no bem para formalizar a proposta reeducacional.

E subir, às vezes, não significa necessariamente movimentar o corpo. Subir propõe você se deslocar do piso em que está. Subir o ânimo, subir o campo mental.

Você está deprimido? anda triste? problemas de peso te acrescem o fardo e limitam os passos? Sobe! Se você não sair dessa depressão e elevar o campo mental, com otimismo e tranquilidade, não vai conseguir enxergar novas áreas.

A linha em que realizamos as nossas tarefas constitui o nosso piso terráqueo. No entanto, ao contrário da grande multidão de pessoas que está chumbada ao plano dos valores exclusivamente tangível, precisamos estender a área das percepções das nossas atividades mentais. Embora chumbados aqui, podemos estar vibrando para alto. Ao participarmos de uma reunião de estudo, por exemplo, nós saímos daqui, vamos lá em cima e retornamos. Embora presos aqui, damos o lance.

A linha do subir é identificar padrões novos. Subir é processo de adesão na busca da visualização de novas bases. Define a proposta do superconsciente. Podemos dizer que a subida tem a capacidade de entrar em perfeita relação com aquilo que captamos do superconsciente. Na medida em que nós investimos em determinada área, mais a intuição se abre nessa área por uma questão de ressonância. Para se ter ideia, no momento em que estudamos nós subimos, recebemos valores racionais de aplicação, porque a subida faz o papel de captação. Na subida clareamos todo nosso contexto informativo. É o que tem acontecido.

A orientação superior chega para nós dentro de uma sistemática mais concreta da proposta realizadora. Subindo nós buscamos instrumento de discernimento e encontramos a fé.

Nessa subida nós estamos tentando entender Deus. Assim, quando subimos nós vamos longe, vamos lá longe, vamos para o infinito e, em seguida, voltamos para a nossa relatividade. E tudo isso pode representar sabe o quê? A restauração da nossa faculdade de amar, porque instaura amor dentro da gente. E por mais acanhado que possa ser no campo vibracional, esse amor pode nos fazer entender, pode nos fazer discernir, melhorando acentuadamente o percurso.

Subir representa o acesso ao plano informativo. A informação nos coloca no alto, nos prepara, nos possibilita a visualização. Mas para o acesso efetivo a essas novas bases é preciso descer. De cima ficamos amparados e recebemos, no entanto temos que espalhar, pois o manto do amor irradia induções para um trabalho efetivo.

A subida depende de um respaldo operacional nosso.

É fato que recebemos de cima, que de cima ocorre a irrigação de componentes fertilizantes no território do nosso sentimento e, assim, nós recebemos. Porém, para podermos ter acesso efetivo ao plano de onde dimanam as orientações de segurança e paz nós temos que refletir esses valores para a frente, fazendo. Ficou claro? Ao subir nós passamos a trabalhar informativamente com os valores novos, mas a nossa fixação num ponto acima implica no exercício de descer.

A subida só vai se concretizar mediante a capacidade de acionar esse lances, esses arroubos de identidade com as faixas superiores, em uma identidade plena, em vibração operacional com ressonância no campo prático da vida. Se quisermos viver em cima, fixar piso em cima sem descer, num patamar exclusivamente etéreo, nós sofremos e fazemos outras pessoas à nossa volta sofrerem também.

Descer é referência ao plano operacional. Subimos captando valores, mas não podemos operar em cima. Nós pesquisamos as faixas mais elevadas, porém, ficar lá não tem jeito.

As obras precisam ser consolidadas embaixo, o plano de ação que nos recebe é o que está de nossa faixa para baixo. Se no alto, na faixa superior, vemos os planos de percepção e recebemos influxos orientadores, o plano operacional está embaixo. Visualizamos o céu, sim, mas estamos em contato direto com a terra.

Subimos para encontrar a fé, como foi dito, e temos que descer para realizar as obras.

Lembra de Zaqueu, o cobrador de impostos que subiu na figueira? Pois é, vamos ver Jesus de cima e estar com ele embaixo. Não dá para estar com ele subindo e ficando lá em cima. Até costumamos dizer que na área de cima, na parte superior, é possível que não tenha lugar para nós lá. Não tem lá uma atividade que a gente possa desempenhar, não tem o que operacionalizar lá. Em cima não há serviço para nós, em cima não tem cargo para secretário de anjo.

Nós temos que descer e ser funcionários aqui embaixo, daqui de onde estamos para baixo. O importante é idealizar junto ao céu, no plano das ideias, e realizar na terra em um plano prático concreto. Fitar o céu, continuamente, buscando novos lances e diretrizes, mas fazendo o que nos é solicitado aqui na terra.

Vale lembrar que podemos ter uma linha informativa abrangente, mas a efetiva conquista informativa corresponde àquelas linhas que nós operamos. Enquanto não operamos os valores lá de cima eles ainda podem estar nebulosos para nós. É como se a gente entrasse na porta aberta e não soubesse distinguir no ambiente que entrou o que tem lá dentro. O assunto é amplo para a reflexão nossa.

Se ficarmos verticalizando demais, só subindo, nós não percorremos a horizontal.

Além do que, cada qual possui, de verdade, aquilo que já catalogou na intimidade como componente adquirido.

Veja que interessante: em certo ponto nós começamos a ler o evangelho e outras obras que ajudam a entendê-lo. A gente lê, lê, lê e até passa a ser um filósofo do evangelho, só que não nos tornamos operadores do evangelho. Deu para perceber? A gente cria uma espécie de extravagância. Quantos autores tem escrito e ninguém entende nada do que escrevem? Eles ficam presos em um ponto. Para poder progredir e transpor as fronteiras que temos é preciso trabalhar o padrão assimilado.

Por isso, subir no céu e não descer do céu cria para nós um pseudo-céu, um céu fictício, que incomoda.

Subir no céu e não descer do céu é manter-se num pseudo-céu, num céu que incomoda, que frustra e desagrada. Não tem outra, se eu subo em demasia, eu entro nessa linha de extravagância, num pseudo-conhecimento, porque eu permaneço querendo trabalhar na área informativa, e a área informativa tem que ser trabalhada embaixo, no campo concreto das circunstâncias da vida. Então, o recado é o seguinte: suba, sim. Suba buscando patamares esclarecedores cada vez mais altos. Só não se esqueça que a elevação é pela descida.

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