26 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 5

DESCER DO CÉU 

“ORA, NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM, QUE ESTÁ NO CÉU.” JOÃO 3:13

Se falamos que o céu é um horizonte infinito que se abre para nós e que nos aponta os valores que idealizamos, que almejamos, mas ainda não tocamos, que não temos acesso pleno e não fazem parte da nossa objetividade concreta, quando a gente pensa, por outro lado, em terra, a gente pensa nos homens e nos aspectos da natureza.

E o importante entender acerca da terra é que sucedendo ao céu ela é onde realizamos as obras. Define o plano operacional. Como a característica básica da terra é a solidez e a concretude, ela constitui a soma dos elementos já consolidados, aqueles caracteres solidificados em nossa personalidade e que temos domínio sobre eles.

O plano espiritual nos indica e aprimora, todavia, no campo da aprendizagem concreta o berço da evolução é o plano físico. Isto é, o plano espiritual indica componentes para o encaminhamento amplo. O plano espiritual informa, define, aponta, e o plano físico forma os caracteres pela sua capacidade aplicativa.

De nossa faixa para cima temos sintonia e de nossa faixa para baixo vigora a afinidade.

O que tem que ficar claro é que sempre existe uma linha entre o território que estamos ocupando e aquele que pretendemos ocupar. Inicialmente, nós sintonizamos com o patamar superior e depois descemos operando para termos a conquista desse novo padrão. Temos batido muito nessa tecla, a conquista real depende da obra, da ação, do movimento, da dinâmica: "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu". Não queremos e nem somos loucos para mudar o evangelho, mas podemos com tranquilidade colocar um advérbio nesse versículo por nossa conta, isto é, ninguém subiu, efetivamente, senão aquele que desceu. A gente sobe captando valores e desce operando. Na subida a gente aprende, na descida a gente faz o que aprendeu.

Inicialmente a busca, e depois uma linha extensora para além dos aspectos de retaguarda.

Quem pretende estar no piso de cima, no piso que idealizou, vai ter que descer, mas descer operando. Em cima é o que a gente aprende e embaixo o que temos que operar, que temos que fazer, que temos que realizar. Temos que descer operando, pois o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação de novos padrões. Temos que solidificar aqui os elementos que visualizamos lá.

O conhecimento vem de cima para baixo e a assimilação do conhecimento se faz de baixo para cima.

Vamos guardar o seguinte: o que garante a subida é a ação. Não adianta encher a cabeça de leitura, de informações filosóficas, encher a cabeça de bons ideais e permanecer esperando o milagre para nos levar lá para cima. Isso não existe. Pode ser coisa daquele que está preso nas convenções puramente religiosas, que diz: "Eu acredito em Deus, acredito em Jesus". Tudo bem, isso é bonitinho, mas não trabalha não pra você ver se leva, pra você ver se sobe. Percebeu o que eu quero dizer? Nós temos que adotar um processo de ir alçando esses degraus com paciência.

Toda divulgação, toda renovação, toda orientação que nos visita, vem de patamar superior e a gente aplica para conquistar o piso desse terreno original de emissão.

A aplicação desses valores é que vai criar o novo homem, só que o novo homem não tem o nome de homem, porque homem é o ponto de baixo. O novo homem é chamado filho do homem. O processo evolutivo se dá pela subida, caracterizada pela apreensão de conhecimento e também pela descida aos núcleos de necessidade e dor, a fim de que sejam operacionalizadas as propostas de amor que já visitam o nosso entendimento. Agora, se nós não temos a capacidade de vivenciar, de testemunhar e de se entregar, a gente não alcança o ponto de cima, que é o ponto de sublimação. Se nós não operamos com esses valores novos, dentro do plano prático, vamos tentar subir apenas teoricamente, e não dá.

Eu só vou entender o que dimana do plano de cima na medida em que sinto o anseio de penetrar efetivamente nessa área, quando as informações filosóficas são transformadas em ciência objetiva e clara com vista a projetar para o alto, não para a horizontal dos acontecimentos. Está percebendo? Tudo começa com a revolução interior. A partir daí, você, pelo discernimento na sua área mental, associando sentimento com razão, passa a aplicar esse padrão recebido, investe nesse padrão e com o decorrer do investimento pode alcançar o piso superior de onde foi emitida, vamos assim dizer, a orientação que acabou de assimilar.

A descida, no tempo e no espaço, é que gera a subida na estrutura íntima do ser.

O desafio é descer para subir. Não te esqueças do mestre que desceu até nós, revelando-nos como sublimar a existência. Por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a refulgência de altura, é que se fez o caminho de nossa ascensão espiritual, a verdade de nosso gradativo aprimoramento e a vida de nossas vidas. Logo, desce elevando aqueles que te comungam a convivência para que a vida em torno suba igualmente de nível. Operando como agentes do bem nós entramos na posse de expressões mais avançadas. Na experiência de descer de Jesus aos necessitados estamos experimentando a elevação.

Quer subir? Desça!

O bom lavrador é aquele que obedece as linhas básicas fundamentais da semeadura, que se ajusta dentro do contexto com humildade e simplicidade e nunca diz não ou é omisso ante aquilo que é de sua competência. Qualquer trabalho digno precisa ser conduzido dentro de um plano em que oferecemos o melhor na elaboração da obra e trabalhamos com fidelidade e equilíbrio em função da fonte a que estamos ajustados. 

Para que possamos atuar com tranquilidade em determinado campo, em determinado terreno de manifestação positiva, em função daquelas criaturas que se acham em nossa gravitação, nós precisamos ser criaturas serenas, tranquilas e submissas, positivamente falando, ao centro em que estamos posicionados. Isso tem que ficar claro.

O bom discípulo é aquele que atua com discrição e equilíbrio na hora em que é convocado a operar ativamente. E só pode exercer de forma plena a sua linha operacional aquele que sabe cumprir o que dimana das autoridades que encaminham para ele as linhas básicas ou fundamentais de encaminhamento de vida ou de ação no dia a dia. Entendeu? Para termos autoridade, e sermos discípulos dentro das linhas básicas que norteiam a nossa atitude, precisamos ser criaturas ajustadas a um contexto em que nós necessariamente devemos nos ajustar.

Não há de nossa parte nenhuma autoridade nítida e clara se nós não tivermos um exercício obediente e lúcido de realizarmos um trabalho com equilíbrio junto à fonte a que nós estejamos ajustados. Para que eu seja feliz em minha possibilidade de operar eu tenho que ser um elemento submisso à vontade superior.

Jesus, para nos levar aos maiores alcances, se fez homem entre nós. Todavia, ao se fazer homem não perdeu a condição de filho do homem. Ele fez um ajuste nas suas emissões mentais com os seus diversos padrões sem se desestabilizar. Isso é algo bonito. Note que um anjo desce, mas não se desestabiliza.

E o que fica de lição para nós? A compreensão de que temos de descer operando, sim, mas descer sem perder altura, ou seja, descer com a mesma frequência de onda. Descer sob os padrões de sustentação vibracional de cima. Descer, para auxiliar os que se encontram em planos vibracionais inferiores, é medida de auxílio ao próximo, desde que essa descida se concretize num plano harmônico e de entendimento. Ficou claro? Hoje nós somos convocados a ter que descer sem complicar algo em nossa volta, sem complicar ninguém do nosso lado.

Eu outras palavras, não dá para descer sem freio, descer sem disciplina. Nessa descida tem que haver normas, porque descer para complicar é preferível nem descer.

Repare que antes a gente descia de qualquer jeito, descia pela invigilância, e a descida de um padrão vibratório de forma invigilante sempre ocasiona prejuízos. Descendo sem vigilância nós acabamos entrando na sintonia de nossa própria complicação interior, que é o nosso subconsciente, que exerce uma carga de pressão violenta sob nós próprios. Por outro lado, descendo com segurança a gente passa a penetrar nas áreas mais altas. Passa a se redimir. Sai dos impactos externos, porque passamos a trabalhar na dinâmica positiva da própria vida.

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