30 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 6

A DINÂMICA

A passagem da condição de homem que somos àquela de filho do homem que queremos pressupõe gradação. Isso se torna coisa de corações que sabem perfeitamente da importância da assimilação e da capacidade operacional das propostas.

Nós temos que ter essa ótica bem definida e manter a autenticidade pessoal, a identificação com objetivos bem situados, bem selecionados e sempre reciclados, re-observados. Afinal de contas, se ficássemos restritos às faixas do superconsciente nós seríamos apenas um castiçal revelador de nossas boas intenções, e esse castiçal tem que ter uma perfeita linha de circuito com o superconsciente, sim, mas igualmente um plano laboratorial dentro de nós próprios a ponto de emitir na horizontalidade dos nossos passos em todos os sentidos.

Não existe felicidade num campo estático. A felicidade somente opera num plano dinâmico.

Sempre assim. Ela é o resultado de um processo constante. Ou seja, é esse subir e descer, esse processo harmônico, que garante a nossa felicidade. A vida efetiva está na dinâmica disso, e não no plano estanque disso. "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu", dois verbos definindo o quê? Que não estagnou. Então, sobe e desce. Esta é definitivamente a mecânica do crescimento.

Subir e descer é o ponto de equilíbrio, pois aqui estamos numa dinâmica dentro de um plano aplicativo de didática viva, e isto é o evangelho. E cada vez que sobe procura um patamar mais alto na evolução. Cada vez que sobe, sobe mais alto.

E outro detalhe: a geração do filho do homem não acaba, é infinita. O filho do homem é sempre um componente dinâmico, ele nunca se elabora. O dia em que você deixar de laborar o filho do homem você se dissocia da condição de filho ou filha de Deus. 

O dia em que você disser "até que enfim eu elaborei o filho do homem, agora sou outra pessoa" você se estaciona. O filho do homem é um componente dinâmico, nunca finda. Ele tem que se tornar para nós um sistema de vida, uma linha de perspectiva de vida, porque estamos sempre laborando uma mentalidade nova. Estamos sempre laborando um conjunto de caracteres que, pela nossa infinidade, pela nossa capacidade dedutiva de lógica, aquilo deve ser bom para nós. A cada momento, a cada passo que damos na evolução, nós trabalhamos na geratriz de uma nova personalidade. Seguimos sempre em constante melhoria.

Então, vamos dizer que nós alcançamos um topo à frente. Ao chegarmos nesse topo nós visualizamos para baixo toda área vencida, não é mesmo? Mas visualizamos também, à frente, um infinito a vencer. Correto? Porque a estrada não acaba. A estrada sempre leva a outras estradas. Assim, nós vamos de patamar em patamar, sempre avançando na escalada. Na hora em que você alcança um patamar de cima, cada alcance representa para você a gestação de uma nova mentalidade. À partir daí você passa a gerar um outro filho do homem para patamares superiores. Será que deu para entender?

Nosso livre-arbítrio se sublima na compatibilização dele com o pensamento divino, no entanto o pensamento divino tem nuances várias de acordo com os filhos. Ele nunca é fixo, nunca tem determinação mecânica, é flexível até no plano do próprio aprimoramento. Jesus falou que nós faríamos muito mais do ele fez. Não falou? Isto está no evangelho. Mas ele também não falou que nós seríamos superiores a ele. É bem possível que quando estivermos fazendo o que ele fez ele já esteja em outra expressão. Ficou claro o aspecto evolucional? Quando essa época chegar, talvez ele já esteja fazendo coisas que nós nem pensamos ainda.

A gente tem aprendido que para ser feliz é preciso estar em constante alteração.

Subir e descer do céu define o plano do ser e o ser não é estático. Isto é, não podemos apenas estar feliz (eu estou feliz), temos que ser feliz. Nós não estamos aqui querendo criar uma filosofia nova, nós estamos é tentando trabalhar a filosofia íntima. E na nossa intimidade tem algo que nós projetamos e que, às vezes, é inobservável. Vamos pensar juntos. O ser é resultante do estar.

Vamos clarear isso? Pense comigo. Se nós depreendemos que o processo é dinâmico, daí a gente conclui que a sucessão de estar vai representar a formação do ser. Isto é, ser assim, ser de algum modo, de algum jeito (eu sou assim) é uma soma ampla do estar assim. Para nós chegarmos a ser (eu sou), esse sou ganha autenticidade quando ele é energizado por um constante estar (eu estou).

Para que eu possa ser feliz eu tenho que vivenciar uma enormidade de situações de estar feliz. E eu tenho que estar em constante busca dessa felicidade.

O ser é o resultado de muitos estar. Pense no seguinte, o ser, sem um constante vir a ser, é um nada, um vazio, porque ele não tem um ideal, não tem uma dinâmica.

Para alguém ser feliz esse alguém tem que estar em uma constante mudança, em uma constante alteração. Daí a gente conclui que o estar é a mola mestra e essencial para um legítimo ser. Porque ser, por ser, sem finalidade de melhoria, sem objetivo de progresso, pode nos manter coagulados e estagnados por muito tempo.

Não adianta eu ficar enclausurado no ser (eu sou) se não estou adotando um processo constante de estar (eu estou). O ser, que tem um acentuado sabor de denominador de vida, representa uma série de experiências nas mais variadas expressões. 

Não tem outra, o ser é a soma de muitos estar. Quem não aprender a estar (estar feliz, por exemplo) nunca será. Não sei se deu para entender, mas espero que sim. A definição constitui o ser e a elaboração se faz pelo estar. E tem aqueles indivíduos que nunca vão ser, sabe porquê? Porque o estar deles é um estar fraco, sem firmeza, sem determinação, sem uma definição clara de vida. Isso é coisa para a gente pensar. Pensar, pensar e, talvez, mudar o que for preciso.

Você já deve ter observado nas suas experiências que com a adoção dessa sistemática de subir e descer a nossa caída, a nossa queda, vai apresentando efeitos negativos cada vez menos contundentes em nossa vida. Ou seja, mesmo quando caímos passamos a ter mais êxito na recomposição dos nossas situações de desestrutura. Passamos a notar que as nossas quedas, que vez ou outra todos estamos suscetíveis, passam a ocorrer em intervalos cada vez maiores.

Vai demorando cada vez mais para a gente cair. E o que é mais importante, passamos a permanecer cada vez menos tempo dentro dessas regiões de queda. Porque com a didática do crescimento consciente aprendemos a nos conduzir melhor. E mais uma coisa a ser assimilada: essa linha de subir e de descer, toda essa sistemática de encadeamento, não tem como funcionar de maneira produtiva se nós não nos mantivermos sintonizados com a virtude da humildade.

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