29 de jan de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 4

ENERGIA SUBLIMADA

Os nossos desejos, bem lá no comecinho, lá na base mesmo, você sabe como é que eles começam a ser expressos? Nós temos tentado crescer de que maneira? Sabe como? Usando os nossos padrões inferiores.

Não precisa ficar contrariado(a) ou desanimado(a) com a resposta, é a grande verdade.

Até para optarmos por buscar aprendizado de natureza espiritual nós temos lá na base os valores de retaguarda que nos projetam. Atrás da linha de afirmação vigoram expressões magnéticas de ordem inferior. É só pensar com carinho no assunto. O que nos faz buscar padrões de conhecimento do evangelho, no início, é porque nos achamos inconformados. No fundo, é uma inconformação. Algo dentro da gente começa a gritar querendo encontrar caminhos melhores, querendo sair do sufoco. 

Tudo começa à medida em que vamos entrando em relação de sintonia com outras mentes. É quando uma pessoa vê alguém fazendo uma coisa e ela sente inveja dela, por exemplo.

Você pode estar aqui porque viu determinadas criaturas que devem estar melhor do que você, que devem estar mais bem situadas e mais felizes do que você, e isso te tocou lá no fundo. Não é para ficar triste não, mas a capacidade nossa de desenvolver a solidariedade, a cooperação, dentre outros, emerge de dento dos detritos da nossa própria imperfeição. Estamos evoluindo sabe em função de quê? Da inveja, do egoísmo, da cobiça. Nós estamos buscando evoluir em função da vaidade, do orgulho, do egoísmo, de todos esses valores que trazemos lá de trás.

No ponto de contato com outras individualidades, que se faz por sintonia, é que disparamos as forças íntimas. Esses padrões que mencionamos funcionam como componentes despertadores dos nossos recursos interiores. A questão é esta, nós estamos aqui debaixo de uma pressão velada. A gente trabalha, às vezes, com uma inveja disfarçada, porque no fundo são padrões dessa ordem que nos lançam.

É assim que nós temos aprendido. Depois, com o passar do tempo, nós vamos desativando a parte relacionada com a ordem negativa desses caracteres e vamos alterando-as. O que era, a princípio, de feição negativa passa a ter feição positiva. Para clarear o que estamos falando, o amor fraternal que objetivamos tem o seu começo rústico onde mesmo? No campo restrito e limitado do egoísmo.

A energia, na essência, é a mesma, o que muda é a direção. A energia usada, a fé que levava Saulo a perseguir os cristãos para defender os ideias e propostas que ele acreditava, era a mesma que ele adotava quando passou a ser Paulo e mudou o seu contexto. Não mudou nada. Vale a pena repetir, o que mudou foi a direção.

Se a gente analisar bem, a nossa redenção se dá ao nível das mesmas energias que nos levaram ao problema. O que muda é o sentido. Com a mesma energia que nós construímos um ambiente negativo nós vamos, com essa mesma energia, construir um novo ambiente positivo. O tijolo que nós vamos colocar nessa construção talvez seja até o mesmo. Já pensou nisso? A energia que nos leva ao vício de jogar é a mesma que vai nos levar para práticas mais saudáveis.

Apenas vamos direcioná-la para o outro lado. A força que nos move para a vaidade ou para o orgulho é a mesma que vai nos motivar a começar a operar em favor da nossa educação, do amor ao próximo, da cooperação. Vamos observar que tudo passa a se desenvolver dentro de nós mediante um plano inicial de escolha pessoal. O mecanismo é o mesmo. O que aconteceu com Eva, lembra, a questão da sintonia? Pois é, o fenômeno de certa forma é o mesmo que aconteceu com Maria. Então, é preciso avaliar em que pólo nós estamos plugados.  

A questão básica é a paixão. E paixão é o excesso, acrescido da vontade nem sempre educada.

Pois o caráter negativo não surge da natureza intrínseca de um componente, surge pelo excesso. Deu para acompanhar? Cada componente de paixão na nossa intimidade é na essência um caráter positivo, e não negativo. Mas nós deixamos a paixão nos envolver.

Nós estamos de alguma forma buscando incorporar padrões novos para descobrirmos onde termina o necessário e onde começa o supérfluo, que é outro desafio. Já entendemos que a paixão é o excesso e a transformação de uma paixão vai depender de quê? Da nossa capacidade de se adaptar, de se ajustar a um equilíbrio.

Vamos pensar no seguinte: o problema não está relacionado com o fato em si, com o componente em si, mas sim com o plano aplicativo desse componente. Está dando para acompanhar? Preste muita atenção nisso: todos os valores, como por exemplo o poder, as riquezas, a sabedoria, são componentes neutros.

O que significa isso? Que a instrumentalidade opera no plano positivo ou no plano negativo de acordo com a linha de comando. Ficou claro? Você pode com a aplicação de determinado valor, que é neutro, projetar-se como também pode naufragar. Os valores são positivos, os fatores em si são veículos de progresso.

A alimentação desses fatores é que é algo complicado. O valor, em si, é neutro. 

Pode ser excelentemente aplicado se houver discernimento e pode ser tristemente aplicado se não houver equilíbrio. A complicação se encontra na forma irreverente de se usar determinados valores. Vamos citar como exemplo o dinheiro. Tem gente que diz assim: "O dinheiro é um perigo. Eu não quero ter dinheiro. Peço a Deus para não me dar dinheiro, porque o dinheiro não tem nada a ver." Ora, cá pra nós, o problema não tem nada a ver com o dinheiro. Vamos repetir, o problema é a nossa intimidade no campo administrativo dele. Se nós tivermos o cuidado de administrá-lo com segurança ele é positivo na essência, agora se nós não soubermos ele pode criar grandes fantasmas dentro de nós.

Vamos citar a inveja como outro fator. Se ela for uma paixão eu posso prejudicar vibracionalmente a criatura a quem eu invejo, não posso? Mas se ela servir pra mim como um toque, como um ponto para o meu despertamento e interesse pessoal, ela pode ter um sentido bem positivo, não pode também? Eu posso, à partir daí, usá-la de forma positiva: "Sabe de uma coisa, também quero fazer aquilo". Espero que você tenha conseguido entender o que quis dizer.

Em outras palavras, tudo aquilo que está embutido no plano da vaidade e do orgulho, dentre outros, está esperando sabe o quê? Ser transubstanciado numa expressão de simplicidade, numa expressão positiva, de modo a que tudo o que se inicia de forma negativa adquira, com redirecionamento adequado, uma feição positiva.

Que aquela energia que a gente usava para agredir a gente passe a usar para amar.

O egocentrismo surge para sublimar-se um dia no altruísmo. Afinal, a energia que movimenta as forças negativas não são neutralizadas, o que acontece é que a energia retorna de modo mais sutil e sublimado. Para se ter ideia, o dia em que a força do nosso orgulho se redirecionar, você pode ter certeza que ninguém segura a gente. Não segura mesmo. Porque ela faz tudo, a questão é nós sabermos dar um novo direcionamento. Uma direção implementada pela força superior da individualidade com base nos padrões de cima, não nos de baixo.

24 de jan de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 3

MERCADORES DO TEMPLO

“13E ESTAVA PRÓXIMA A PÁSCOA DOS JUDEUS, E JESUS SUBIU A JERUSALÉM. 14E ACHOU NO TEMPLO OS QUE VENDIAM BOIS, E OVELHAS, E POMBOS, E OS CAMBIADORES ASSENTADOS. 15E TENDO FEITO UM AZORRAGUE DE CORDÉIS, LANÇOU TODOS FORA DO TEMPLO, TAMBÉM OS BOIS E OVELHAS; E ESPALHOU O DINHEIRO DOS CAMBIADORES, E DERRIBOU AS MESAS; 16E DISSE AOS QUE VENDIAM POMBOS: TIRAI DAQUI ESTES, E NÃO FAÇAIS DA CASA DE MEU PAI CASA DE VENDA.” JOÃO 2:13-16

Tem muita coisa se realizando hoje em termos de dinâmica espiritual que no fundo ainda tem acentuada dose de circuitos materialistas.

É comum haver uma atividade por parte de alguém, e que de algum modo visa o interesse maior, um interesse que abranja outras pessoas, mas que a própria criatura traz motivos escusos em sua própria intimidade. É importante ter isso em conta porque sem dúvida milhões de pessoas encontram-se de algum modo vinculadas a determinadas propostas nas quais elas aparentam sensibilidade para com terceiros, todavia no fundo a tônica da personalidade delas é o processo de hegemonia, o desejo de mando, o exercício do controle e da autoridade.

Às vezes, a pessoa acha que está fazendo um trabalho lindo de divulgação de certa doutrina, de orientação, onde ela está ótima, se saindo otimamente bem, está à vista de todos, mas que vigora na sua intimidade o orgulho, a vaidade, a presunção, dentre outros valores. Às vezes, nós estamos fazendo, mas na intimidade não estamos vibrando com aquilo ou podemos estar desinformados ou inadaptados.

É assunto pra pensar. Porquê estamos falando isto? Porque esses cambiadores a que o evangelho se refere é a troca que nós fazemos. Não é natural a pessoa pensar assim: "Vou atender direitinho aqui porque Deus tem me ajudado. Então, eu vou fazer isso, vou fazer aquilo, vou ajudar os pobres." De certa forma, é um certo comércio que nós fazemos com os padrões de natureza espiritual.

Embora a essência não deva ser esta, já é alguma coisa. Quem sabe o início da caminhada rumo ao amor legítimo tenha que ser pelo comércio mesmo? Até a individualidade poder chegar, mais à frente, no ponto de amar sem esperar ser amado.

O que é que tem nos movido? Esta pergunta tem que existir. Tem que aparecer de vez em quando na análise periódica das nossas ações. É fundamental avaliarmos sempre a nossa postura. Saber como estamos agindo, se está vigorando boas vibrações nos nossos propósitos ou se nós estamos sendo movidos por um processo de ostentação, de orgulho ou vaidade. Isso nós temos que fazer sempre. Pelo menos se nós quisermos crescer de forma sólida e consciente.

Conhecer a nossa intimidade, saber o que se passa conosco, é uma questão da maior importância para se obter crescimento seguro, para um crescimento consciente, para a elevação. Cada um de nós tem áreas de trevas no coração, e olha que não são poucas.

Uma grande dose de personalismo ainda gerencia as nossas atitudes, e nós temos que reconhecer isso. Agora, quando nós temos dentro de nós o desejo de crescer, sabendo nos olhar com humildade, sabendo definir as nossas próprias libertações, nós temos o caminho aberto, não apenas para ganhar espaço operacional no bem, como para ganhar espaço para ter autoridade nas próprias soluções das nossas dificuldade que nos acompanham de longo tempo.

Nós temos caracteres dentro da nossa intimidade que nos acompanham por muitas e muitas encarnações, e a gente não desconfia. Adotamos e vivemos determinados caracteres como sendo uma verdade e aquilo está nos amarrando, aquilo às vezes cria todo um sistema que gerencia a nossa vida automaticamente por inúmeras vezes, por inúmeras experiências. São questão que a gente precisa ter maturidade para trabalhar. Muitos de nós que estamos lendo aqui, despertados pelo interesse ao evangelho, estamos nos candidatando a uma posição de cooperação, embora podemos estar atraídos e ligados aos interesses puramente transitórios ainda, o que não diminui o mérito nem a iniciativa.

Na passagem que trata da purificação do templo a gente tem uma mensagem que é o nosso espírito esclarecido pelos valores que temos arregimentado no campo da aprendizagem falando ao nosso próprio coração. Como se ele dissesse acabe com isto enquanto é tempo, não dê corpo a isto, não alimente isto. É preciso estarmos atentos a esse ponto, afinal a permanência em determinadas posições pode nos fazer perder o acesso à linha de harmonia. "Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu pai casa de venda" (João 2:16). Conselho prudente, pois se alimentarmos esses componentes vamos alimentar a lei de causa e efeito a nível negativo e aí nós entramos em situação bastante complicada.

Precisamos ter atenção. Ao entrarmos na nossa realidade profunda começamos a descobrir, em tantas ocasiões, que temos que reformular o nosso campo íntimo, que temos que retificar a nossa base, porque pode haver uma certa negociata na atitude.

Naquela situação do templo, Jesus pode ter falado com firmeza com quem estava assentado lá nas mesas. Mas pense bem, houve alguma violência? Ele botou alguém pra fora? Espancou alguém? Jesus, expulsando os vendilhões do templo, não bateu em ninguém, não espancou ninguém. Derrubou mesas, não derrubou pessoas. Nem lutou MMA com ninguém lá. Não consta nada disso no evangelho. Ele usou os recursos que precisava, usou de austeridade, usou de certa firmeza. Eu não tenho dúvida de que ele fez azorrague para expulsar os bois, porque ele não iria pedir licença para os bois. Mas também não consta nos registros que ele sequer machucou os bois. A manifestação máxima do amor não faria isso.

Aliás, essa é uma parte interessante. Para expulsar do templo os vendilhões ele fez um azorrague de cordéis. Então, repare o seguinte, para nutrir ele multiplicou pães e para reeducar ele fez um azorrague de cordéis. E como é que este funciona?

Você não está conseguindo resolver o seu problema, anda desanimado, está fraco, tem encontrado dificuldades de reanimar-se, você faz azorrague para tirar o desânimo, para tirar o pessimismo, para obter uma injeção nova de ânimo. Você usa um fiozinho de boa vontade, um fiozinho de conhecimento que já alcançou, um fiozinho da prece que você faz, um fiozinho do amor à família que você tem, junta tudo isso, cada parcela dessas correspondendo a um cordel, porque o cordel é o fiozinho, é a parcela, e faz com a soma disso um azorrague. Percebeu? Tem determinados momentos que nós temos que dar um impacto sobre nós mesmos, porque senão ficamos presos nas faixas que não nos levam a nada e não saímos, não nos desvencilhamos. O tempo passa, e ficamos parados...

20 de jan de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 2

O TREMOR DE TERRA

“E, HAVENDO ABERTO O SEXTO SELO, OLHEI, E EIS QUE HOUVE UM GRANDE TREMOR DE TERRA; E O SOL TORNOU-SE NEGRO COMO SACO DE CILÍCIO, E A LUA TORNOU-SE COMO SANGUE;” APOCALIPSE  6:12

Tremor é abalo. Tremor de terra vamos entender como sendo alterações no contexto geológico do planeta. E terremoto é movimento do interior da terra, que conforme o local de origem pode produzir ondas mais ou menos intensas, capazes de se propagarem pelo globo.

Quando um tremor de terra alcança áreas populosas com maior intensidade, por exemplo, quando atinge áreas habitadas, nós temos a ocorrência daqueles lances difíceis que vez por outra costumamos assistir nos jornais televisivos, e que culminam com um número considerável de criaturas envolvidas em aspectos menos felizes. Porque o que acontece é que com o aumento demográfico existem possibilidades de atingirem números cada vez maior de pessoas.

E terremoto o mundo sempre teve, a diferença é que antes não acontecia em certos lugares como está acontecendo hoje. Agora, vamos entender que por mais intempestivo que ele seja sempre se dá em âmbito relativo. Isso é que nós precisamos entender. Os acontecimentos acontecem sempre no relativo, nunca no absoluto. É algo que já assimilamos quando entendemos acerca da lei de destruição.

O grau de destruição é sempre relativo, jamais absoluto. E podemos dizer mais, destruição não passa de um sistema de transformação. Ainda que não pareça, sempre tem por objetivo propor uma melhoria. Quando se fala de destruição, um dos acontecimentos que mais nos marca é a desencarnação ou a morte, só que para quem já está estudado no assunto sabe que atrás da morte existe a vida por excelência. Porque a desencarnação, e nós estamos falando sem qualquer lance religioso, e sim científico, é componente projetor da verdadeira vida

O tremor acontece e altera a constituição física, no entanto a alteração física pode ser conhecida e compreendida por uma ótica mais positiva e mais oportuna com vista a uma semeadura diferente. Você está percebendo? Atrás de tudo o que acontece existe uma ampla dose de consolação, de esperança, de oportunidade e de redirecionamento do próprio destino em novas bases. Se nós estamos vivendo hoje momentos de muita dor e aflição, podemos observar que atrás de tudo isso vigora uma chamada à atenção e à responsabilidade. Se não balançasse a estrutura íntima a pessoa talvez continuaria levando uma vida inteira praticamente do mesmo jeito até o final, sem mudar, sem melhorar. Imagine uma criatura dizendo: "Perdi a minha encarnação. Porque me formei, tive uma profissão, tive minha família, ganhei dinheiro, mas o que eu vou levar de diferente do que trouxe quando encarnei?" Para isso, nós vamos precisar ajustar os balanços interiores da nossa terra íntima e também ter paciência no reajuste.

Os sistemas evolutivos não direcionam para nós toda hora a mesma coisa, chegando e fazendo continuamente a gente sofrer, tremer e chorar. Mas também precisamos, por outro lado, aprender a eleger um método que nos auxilie a perceber a chegada dos tremores, a chegada dos eclipses, dos escurecimentos, o início dos momentos de turvação da atmosfera. Quando vemos a ciência aperfeiçoando aparelhos mais diversos, criando e aprimorando instrumentos capazes de medirem a intensidade dos tremores, a gente nota que esse trabalho está sendo feito com o intuito de se prever certos fenômenos. Só não podemos esquecer que esses conquistas científicas, os passos que definem o processo de previsão, de antecipação dos fatos, está em linha direta com a conquista moral e as necessidades básicas ou fundamentais dos seres. Ficou claro? Porque quem tiver que passar pelo terremoto, e até sucumbir dentro dele, será.

Ninguém tem dúvida que um terremoto, no campo dos acontecimentos definidores da evolução, em tese é de natureza sofredora. Será que alguém duvida disso? Todavia, é atrás dos terremotos que nós temos os grandes avanços no plano tecnológico e da própria estrutura ambiente. Você já pensou nisso?

Quantas construções surgiram depois de determinados acontecimentos dessa ordem, e em situações de edificação melhoradas? Quantas construções mais sólidas, mais belas e inovadoras? Temos muitas edificações em nossa vida também.

É possível avaliar que o tremor é para nos colocar em um outro plano de crescimento. 

É um instrumento que, embora doloroso a princípio, chega para propiciar a abertura de outras possibilidades. É uma questão de analisar o assunto com mais profundidade. Para se ter ideia, atrás de um desastre, que resolve o problema de inúmeros elementos, existe a abertura de possibilidades novas, de recursos novos para muita gente. A danificação vem para tirar tudo o que é muleta, tudo o que é escora, no tempo certo. A própria expressão patológica física, a enfermidade, representa na alma mecanismo terapêutico de âmbito profundo.

Tremor de terra. Vamos analisar, o que significa isso para a gente? Essa é a grande pergunta que interessa. Porque se podemos ter os tremores de terra exteriores, que estão marcando a transição atual do planeta, nós também estamos vivendo essa transição. Os padrões interiores se refletem nas ocorrências exteriores. Tremor de terra é o tremor na intimidade do coração, porque o coração é a terra por excelência. A terra é o terreno onde são germinadas as sementes e onde vai haver produção. Na nossa caminhada, no encaminhamento da evolução, essa terra diz muito mais respeito às faixas do espírito no campo germinativo das ideias do que propriamente ao plano físico, ao campo de concretude dos acontecimentos. A terra nós já começamos a trabalhar para o plano íntimo, que é aquela linha de relação que nós nutrimos e mantemos para a nossa vida. O evangelho não diz que os justos herdarão a terra? É a terra harmônica do coração. A terra íntima é a que nos interessa agora.

Tremor de terra define as alterações e oscilações nos terrenos mais íntimos da alma. 

Não raras vezes vem abalar os valores sob os quais estruturamos as nossas concepções de vida e significam aqueles acontecimentos iniciais que propiciam uma derrocada em maior ou menor grau a incidirem sob certos ângulos da nossa personalidade.

A gente olha e observa que nossas bases estão em conflito, que nossas bases estão sofrendo alterações, que os fatores laborados dentro de nossas conceituações, dentro da nossa ótica costumeira, estão sendo balançados. O tremor constitui impactos instaurados no íntimo das almas e pode ter sua manifestação no plano físico também. Em suma, é um fator indicativo, circunstância ou acontecimento que abala o terreno íntimo ou antecede a queda do nosso templo.

Mas o que vem após a destruição, senão a reconstrução em patamares ainda melhores?!

17 de jan de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 1

A QUEDA DO TEMPLO

“1E, QUANDO JESUS IA SAINDO DO TEMPLO, APROXIMARAM-SE DELE OS SEUS DISCÍPULOS PARA LHE MOSTRAREM A ESTRUTURA DO TEMPLO. 2JESUS, PORÉM, LHES DISSE: NÃO VEDES TUDO ISTO? EM VERDADE VOS DIGO QUE NÃO FICARÁ AQUI PEDRA SOBRE PEDRA QUE NÃO SEJA DERRUBADA.” MATEUS 24:1-2

A fase conturbada que estamos vivendo inicia-se no versículo primeiro do capítulo 24 do evangelho de Mateus, que trata do sermão profético proferido por Jesus à porta do templo de Jerusalém. Ele aponta mudanças significativas a ocorrerem na estrutura macroscópica universal e nos fala também das alterações substanciais a se processarem na estrutura íntima das individualidades.

O mestre refere-se ao templo de Salomão, em Jerusalém, único na Palestina, já que outras cidades só tinham sinagogas. Nesse templo é que eram celebradas as grandes cerimônias do culto. Todos os anos, quando ocorriam as festas principais, como a páscoa por exemplo, os judeus se dirigiam para lá em peregrinação, quando Jesus costumava aparecer. O templo era o centro econômico, político e judiciário da vida do povo daquela época.

Na acepção espiritual, mais profunda, vamos tê-lo como sendo a expressão crística.

Vamos compreendê-lo como sendo o amor, não o amor na sua linha irradiadora teórica em Deus, mas o amor em sua dinâmica plena, naquela linha essencial recolhida do criador e expressa aplicativamente de acordo com a nossa capacidade decodificara dela. Em outras palavras, vamos entendê-lo como sendo a fonte pura onde o amor trabalha.

Jesus define: "não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada". Esta mensagem também é direcionada à imperiosa e inevitável destruição do nosso templo íntimo antigo.

Afinal de contas, toda manifestação no planeta é um processo de transformação permanente. E tem gente tentando calçar o seu templo a todo custo, querendo ficar na retaguarda. A vida é dinâmica, existem muitas coisas sendo germinadas em função de uma postura pessoal na antiga mentalidade, e a verdade é que no fundo não tem quem não muda. Todos nós mudamos, cedo ou tarde. Se não fizermos pela espontaneidade acabaremos fazendo motivados pelos constrangimentos mais difíceis da dor. Mas o importante é que nós sempre estaremos fazendo reformas na nossa casa mental com base na clareza da percepção à medida que avançamos. A cada momento padrões sugerem mudança e a expressão reforma é inerente ao crescimento do espírito na linha de evolução.

Em muitas ocasiões é preciso uma assepsia do nosso plano íntimo para que a nossa mente produza em outros níveis, em outras bases, com vistas a nova época. Quem conhece um pouco de roça sabe que é comum, no caso do preparo de uma lavoura nova, colocar fogo num terreno de modo a poder preparar nova semeadura.

A queda do templo, podemos analisar, nos mostra que a destruição é como se fosse uma destruição com vistas a uma reconstrução. Não fica pedra sobre pedra.

Jesus ensinava aos discípulos que o espírito é que é de importância fundamental, que toda a matéria é uma construção temporária. Toda edificação tem que ser derrubada para ser recomposta em linhas cada vez mais avançadas nas faixas à frente. 

Com um detalhe interessante: nenhuma destruição é finalística, pelo contrário, toda destruição é sempre relativa e não passa de um sistema de transformação que tem por fim a melhoria. O próprio corpo humano é um exemplo disso. Por mais íntegro e harmonioso que seja experimentará um dia a enfermidade ou a morte. Nós precisamos, sem dúvida alguma, fazer de tudo ao nosso alcance para o conservar em condições de operar, por isso nas criaturas foram implementadas as linhas básicas do instinto de conservação, todavia ele tem que se destruir para que o espírito se edifique. Toda evolução sempre preceitua uma remodelação, uma recomposição. Precisamos observar esse aspecto que faz parte do crescimento. E a reconstrução, na maioria dos casos, é efetuada com base nos próprios materiais que foram destruídos, embora sob outra expressão.

Por enquanto a derrubada das pedras tem se dado de forma externa, pelos impactos circunstanciais de fora para dentro, em razão das lei que descumprimos. 

Você sabe como é, o tempo é que vai armando as situações no coração de cada um, os acontecimentos exteriores simplesmente vão representando reflexos das necessidades íntimas. Quando um fato menos feliz acontece, e vem com a finalidade de propiciar o despertar da criatura, caracterizando a queda do templo, sem dúvida alguma ele já representa a ressonância da lei. A vida é assim, após a causa, o efeito. 

14 de jan de 2015

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 9 (Final)

A VINDA E O ABORTO

“PORQUE O FILHO DO HOMEM VEIO BUSCAR E SALVAR O QUE SE HAVIA PERDIDO.” LUCAS 19:10

“PORQUE O FILHO DO HOMEM VEIO SALVAR O QUE SE TINHA PERDIDO.” MATEUS 18:11

É preciso insistir para que os novos padrões ganhem corpo, é preciso assimilar para se poder implementar um sistema novo de vida. Vale ressaltar que os valores que eu capto de cima, somados aos meus padrões de sentimento, vão acabar por gerar um novo corpo. É algo natural. E se eu consigo operar no campo prático os valores recebidos vai ocorrer o nascimento do espírito pela mudança.

Acho que isso está claro. A gente sabe que não existe ressurreição sem morte, no entanto o problema não é ressurgir. O problema, sabe qual é? É que muitas vezes nós queremos o novo, mas não queremos abdicar do velho. Ficou Claro? A questão não é ressurgir, o problema é que não queremos abdicar. Se rejeitamos o novo é porque ainda estamos apaixonados, magnetizados pelas faixas inferiores, nós ainda somos inspirados pelas emanações que vem de baixo.

A proposta é objetiva para cada um de nós: trabalharmos para elaboração do filho do homem. Agora, verdade seja dita, nem sempre ele nasce, porque ele pode nascer como pode também abortar. Fecundado a gente sabe, toda hora ele é, porém, fecundação é uma coisa e nascimento é outra. E nem sempre ele nasce.

Muitas vezes falhamos nessa elaboração porque em vez de falar a vontade resoluta, firme, decidida, fala o automatismo milenar, que tem dominado a nossa vida em muitos pontos, que tem usado de todas as armas para evitar a nossa ascensão. Vou dizer uma coisa, mas não é para a gente ficar entristecido não. Nós abortamos o filho do homem porque somos frágeis na fixação das metas, não aproveitamos as chances que chegam para nos auxiliar na nossa projeção. O conhecimento chega, a nossa consciência aprova e até entende que o caminho é mesmo por aí, todavia o sentimento rejeita. Conseguiu acompanhar? Nesse caso, concepção psíquica tem, só não tem gestação e nascimento.

E em muitos casos nem chega a formar os primeiros movimentos celulares do novo homem e já o abortamos. Continuamos bem intencionados na conquista de padrões elevados, só que o homem velho dentro da gente, que está acostumado de longa data com o sistema automático de vida, não cede o terreno de forma fácil, não abandona o barco sem luta. Ele quer permanecer ali, dominando, mandando e desmandando na nossa vida. E na hora da experiência abortamos. Mas há uma notícia boa, consta no evangelho que o filho do homem vai voltar: "o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10).

O filho do homem, quando começa a ser trabalhado em nós, dentro de nossa intimidade, representa um processo de vir salvar o que nós conhecíamos lá atrás, às vezes de longa data, e que, não obstante o conhecimento, nos mantivemos perdidos através dos tempos. Percebeu a questão? Nós conhecemos lá atrás; o conhecimento, associado ao sentimento, gerou a fecundação, só que não houve a prática que propicia a formação e nós abortamos. Aí o filho do homem vem de novo. Vem salvar o que se tinha perdido.

Mas pense comigo, salvar para quê? Para dar um novo direcionamento, pois salvar tem um objetivo. Ninguém salva nada que não tenha finalidade. Nós temos a ideia de salvar para operar, o que mostra que o filho do homem vem dar uma dinâmica nova àqueles valores que nós perdemos, que nós esquecemos ou que simplesmente não valorizamos. Ficou claro? E como se dá essa salvação? Por meio de uma linha de gestação desse filho do homem em direção a uma nova posição. Vale a pena lembrar que somente incorporamos depois de testemunharmos. Para exemplificar, nós podemos sair de uma reunião de estudo do evangelho motivados a perdoar e simplesmente podemos não fazê-lo, ou seja, aprovamos consciencialmente a ideia só que não perdoamos ninguém, aprendemos, mas não fazemos. E não tem outra, a segurança pessoal está toda na solidificação que damos por meio do testemunho.

Preste atenção nisso. Jesus disse: "Como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do filho do homem" (Mateus 24:37). O que houve de significativo na época de Noé? Não foi o dilúvio? E qual a representação do dilúvio? Ele não simboliza o sofrimento que chega de forma mais imperativa, mais contundente? Jesus, ao nível do amor que exercitou, implementou em nós um caminho novo. Então, o caminho novo apontado é o plano informativo. E a vinda é o surgimento das experiências concretas que irão fazer o papel aferidor do legítimo conhecimento recolhido pela informação. A vinda significa o teste de aplicação.

Afinal, é pela aplicação que nós conseguimos operar a formação dos caracteres que definem a postura nova, íntima, pelas mudanças que podemos operar com a utilização da vontade. É por isso que cada acontecimento menos agradável em nossa vida necessita ser dimensionado com paciência, com visão de profundidade, porque às vezes ele chega e nós não conseguimos apropriar a oportunidade da chegada.

Cada um de nós tem a hora certa para o testemunho, a hora certa que corresponde ao surgimento da vinda. Aliás, essa vinda pode ter as mais variadas expressões na estrada evolutiva, não pode? Você tem alguma ideia acerca desta vinda, ideia de como é que ela acontece? A dor é uma vinda, não é? Sim, porque se a vinda para a instauração de um novo estado de vida (filho do homem) é semelhante ao que foi nos dias de Noé (dilúvio), a gente pode depreender que o negativo surge para a instauração do positivo. Uma doença, uma dificuldade no trabalho, no emprego, um problema no campo da família, tudo isso também é uma espécie de vinda. São todas esses valores. Eles vem assim, de forma inesperada. A pessoa nem imagina, nem cogita e eles simplesmente se aproximam. A situação chega de forma impactante. É igual picada da serpente.

O que acontece no caso da picada da serpente? Infelicita, mas logo a coisa começa a se transformar. Porque qual é o antídoto? O antídoto para a picada da serpente é o soro, que é feito com base no próprio veneno da serpente. Percebeu agora aonde eu quero chegar? Vamos ficar tranquilos, é exatamente essa agressividade dos acontecimentos do dia a dia conosco que está trazendo o componente, não apenas saneador da dificuldade (porque a dificuldade que surge no nosso dia de hoje está saneando o erro que praticamos ontem), como também está projetando uma nova faixa para nós, visando nos colocar em patamar melhor.

Se na subida tentamos entender Deus, na descida buscamos nos integrar com Deus, e nesse processo de integração é que entra a mensagem do Cristo quando diz: Eu e o Pai somos um. A unidade é a integração com os padrões crísticos.

Jesus está personificado nos seres necessitados, no familiar dentro de casa. Ele vem medir a nossa forma de atuar, se agimos com os valores superiores que aprendemos ou se utilizamos os valores inerentes ao homem velho. Se na circunstância aferidora conseguimos adotar os caracteres do homem novo, o que era esboço na primeira vinda se transforma sabe em quê? Em elemento sólido, tangível, claro, na segunda vinda dele. Se, ao contrário, nesse encontro usamos o homem velho, aí nós vamos ter que passar por uma outra experiência.

É importante entender que a vinda do filho do homem (porque ele diz que vai voltar), ao contrário do que muitos pensam, não é externa, mas interna. O filho do homem não volta com a aparência exterior porque a volta dele está relacionada com o que nós sentimos dentro. A chegada do filho do homem, a chegada dessa personalidade nova que objetivamos alcançar, que no plano prático da vida de qualquer um de nós não é uma personalidade, e sim um estado de alma, coincide com a postura nossa de cá para lá numa linha de afinidade.

Deu pra perceber? Não sei se complicou, e esclareceremos isso em capítulo oportuno, mas o filho do homem representa a instauração do Cristo na sua segunda vinda, não na primeira. Corresponde ao retorno de Jesus à nossa vida em equilíbrio e harmonia. A segunda vinda propõe uma afinidade com a linha formativa dos caracteres de transformação pessoal, vem definir a projeção de Jesus no nosso íntimo.

8 de jan de 2015

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 8

O PROCESSO

Sabe como se inicia o nosso crescimento espiritual? Por uma fecundação psíquica.

A renovação, esse nascer do espírito a que temos nos referido, se faz dentro do mecanismo de concepção. Inicialmente, ocorre um processo conceptivo, uma fecundação entre os componentes fertilizantes de fora quem chegam e os nossos padrões íntimos de recepção. Essa concepção se faz entre os valores fecundantes que nos visitam e a nossa expressão fecundável. O processo se dá pela inspiração que vem de cima e a necessidade nossa de crescer que está embaixo.

Vamos clarear mais: os espermatozoides são os componentes lançados para o crescimento e o óvulo constitui o nosso sentimento. Isto é, nós temos o valor revelado associado à nossa proposta de abertura para novos momentos. Assim, se a criatura está grávida é porque a gravidez se instaurou em um determinado momento, em um certo dia, em uma certa hora, e vai haver um processo de gestação, um processo de fecundação que tem por finalidade culminar com o nascimento.

Em nosso crescimento, a princípio desce uma chuva de recursos que nos penetram de forma sutil, de forma suave, e que podem, inclusive, desaparecer quando em contato com as pirâmides de sombra da nossa personalidade milenar.

Isto é interessante de se ter em conta: pela informação desce do alto uma chuva de recursos. Valores chegam para nós delineando uma espécie de esboço. Se ao nos elevarmos somos quase que arrebatados para faixas mais altas, ao retornarmos estamos imantados, parece que voltamos com a fecundação efetivada. Aí, o que vai acontecer como passo seguinte é que nós vamos gestar ou não esse padrão recebido, de acordo com o acolhimento que dermos àquilo que foi mostrado. Percebeu? Ao lermos uma obra, por exemplo, nós estamos recebendo caracteres informativos novos, certo? Sementes estão caindo no solo do nosso coração.

E o sentimento, o terreno íntimo, é exatamente um ponto acolhedor, é um vaso receptivo. Podemos dizer que o sentimento prepara o terreno. Quanto mais puro o sentimento, melhor o fruto. Aliás, basta a gente lembrar que o Cristo em nós, em nossa intimidade, tem que nascer de uma virgem, de um sentimento novo, puro, sem mácula.

O filho do homem é o que está querendo nascer, é o que está gritando dentro da gente. E no plano operacional, pela mudança, o estamos gerando. Após a fecundação outra etapa se faz necessária, é preciso que haja a formação do embrião.

Então, veja bem, se houve a fecundação é preciso que haja a formação do corpo.

É preciso dar corpo a essa criação nova, é preciso tentar corporificar os elementos que introjetamos, senão os padrões antigos que ainda nos governam emergem do subconsciente e liquidam com ele e estiolam-se os primeiros movimentos do pensamento, que chegou para alterar o padrão da nossa vida mental. Ok? Temos que ir trabalhando os valores novos com persistência até que eles tomem corpo, temos que ir trabalhando na linha prática dando corpo a isso. 

Em certo momento vem o testemunho que efetiva o nascimento da nova postura pessoal, que solidifica a nova postura de vida. 

O dar corpo é como se nós estivéssemos gestando na intimidade da nossa forma mental esses novos elementos. O processo consiste em recolher a informação e operacionalizar a informação. Isto é, vamos alimentando esses novos valores, essa nova postura de vida que elegemos, até que ela tome corpo.

Essa gestação dos padrões que vão dando corpo a nova estrutura psicológica e espiritual para nós é a que Jesus se referiu por ocasião da ceia. É o que acontece. Alimentamo-nos da forma como estamos fazendo aqui, ou alguém tem dúvida de que estamos ingerindo parcelas do corpo doutrinário, fazendo isso em memória dele? A cada dia nós buscamos ingerir parcelas de conhecimento, e um a um criamos condições, formando uma personalidade para além do corpo. Passamos a usar a encarnação num sistema de crescimento natural.

Daí deixamos de ter aquela semi-autoridade por conceber e passamos a ter uma autoridade efetiva por nascer, por revelar, por surgir. Deu para entender essa mecânica da gestação? Você se lembra da expressão fé, esperança e caridade? Pois então, a fé nós podemos dizer que é a fecundação, a esperança é a gestação e a caridade, que consiste no ponto máximo, na culminância, é o nascimento.

E nada como um exemplo acerca da gestação desses caracteres dentro de nós. Vamos imaginar que eu sou uma pessoa muito irritadiça. Sou daquele tipo nervoso, estourado. Não ouço algo que me contraria sem dar uma má resposta. Como se diz na linguagem popular, não levo desaforo para casa. Só que eu cansei de ser assim. Eu quero mudar. Meu nervosismo e minha impaciência estão me incomodando. O que eu faço? Começo a ler. Começo a ler, de maneira ampla e profunda, acerca da paciência. Isso se torna um grande desafio para mim. Também passo a ouvir inúmeras palestras acerca da paciência e da serenidade.

No supermercado, na hora que uma criatura me fala uma palavra meio atravessada na fila do caixa eu quase explodo. Já estava na ponta da língua aquele palavrão cabeludo, quando eu me lembro da página que li. "Calma, calma!" A voz íntima fala suave na minha consciência e eu seguro a onda. Nessa situação eu acrescentei naquele valorzinho que estou tentando trabalhar um pontinho a mais a meu favor. Um pontinho com mais tônica em cima daquela sombra de padrões antigos que ainda me dominam. Não demora, e mais à frente surge outra circunstância. Dessa vez alguém me esbarrou na esquina. Mais uma vez a tendência impensada é mandar aquele palavrão, xingar, mas não. "Marco Antônio, lembra da página!" Fico na minha. E dessa vez foi diferente, eu até agradeci a experiência. E vou em frente. Chego ao serviço quatro minutos atrasado. O chefe vem em cima na hora: "Atrasa de novo que eu te mando embora!" Manda logo, penso eu. Manda agora de uma vez, penso bravo. "Marco, calma". Vem aquela voz doce de novo na consciência. Fecho os olhos, respiro fundo e não falo nada que possa me prejudicar. Assim, o que acontece? Pela sequência das minhas ações felizes vou dando corpo ao que assimilei. Da informação eu passo a caminhar para a formação de caracteres novos.

A gente tem o hábito de dizer que rapadura é doce, mas não é mole. E porque estou dizendo isso? É que como todo parto é difícil, em todo parto tem dores, no nascimento do filho do homem não é diferente. Não há renascimento de qualquer natureza sem ser doloroso. Isso é fato. Todo nascimento gera a dor do parto, gera sacrifício.

As próprias convulsões físicas que assistimos e presenciamos na atualidade do planeta também representam as dores do parto. Nós todos temos observado isto, e dos conflitos estamos observando e vendo surgir a aurora de um novo tempo, de um novo estado de coisas, de um planeta que caminha a passos largos para o ingresso em uma nova escala hierárquica universal. Não fica dúvida, a dor do parto é uma mensagem que permanece presente para todos nós como ponto de referência para nosso crescimento. E ela pode perfeitamente ser uma dor que não apresenta dor nenhuma, senão as oscilações e apreensões normais. Mas de qualquer forma fica um recado interessante: sempre nesse nascimento haverá alguma coisa que vai exigir de nossa parte uma devoção maior, um testemunho, uma postura de superação, um sacrifício mais exacerbado.

E qualquer um de nós, sem exceção, está matriculado na escola de filho do homem.

O conhecimento chega e passamos a dar corpo a esse elemento fecundado. Esse é o sentido. A informação chega e de cara entra em choque, entra em desacordo com os valores íntimos que temos. Abre-se uma luta entre o velho e o novo que quer nascer. Os valores apreendidos entram em choque com os vivenciados.

Instaura-se a grande luta íntima quando padrões novos chegam. Tanto que os novos valores, que chegam de forma sutil, podem desaparecer em contato com a soma da repetição que já temos dentro de nós de inúmeros reflexos trazidos de experiências passadas. Por outro lado, se conseguimos corporificar esses padrões implementados nós tomamos posse, com todas as honras, da nova personalidade. É pela linha operacional que nós estamos gestando o filho do homem.

3 de jan de 2015

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 7

QUE ESTÁ NO CÉU

“ORA, NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM, QUE ESTÁ NO CÉU.”  JOÃO 3:13

É pelo terreno operacional que nós começamos a deixar fluir o nosso amor em consonância com a força básica do universo, que é amor. E tanto é assim que a nossa felicidade reside, pelo que temos aprendido, na capacidade de entrarmos no fluxo da vida. E o que é entrar no fluxo da vida? É saber colocar a nossa embarcação de modo a aproveitarmos as próprias forças que estão presentes no universo.

Na medida em que vamos expressando na prática o que aprendemos, mais se abre a perspectiva de melhor apreensão dos padrões superiores. Não é possível penetrar em novo terreno, com algum êxito, sem uma proposta de nossa parte de amar.

Ao subir nós aprendemos e ao descer nós fazemos, e aquele que faz passa a possuir com plenitude o que aprendeu. Em cima nós recebemos daqueles que nos amam e embaixo nós aplicamos aquilo que aprendemos. E entramos, assim, no fluxo do amor, no seu sentido amplo e absoluto. Na medida em que aplicamos aqui embaixo, sabe o que acontece? Abrimos a perspectiva de pegar mais lá de cima.

E não tem outra, nós temos mesmo que oferecer. Amar é oferecer de nós mesmos, oferecer o que nós temos. Se eu dou o que possuo, o que eu tenho, eu abro uma perspectiva de receber em multiplicação muito maior os padrões superiores.

E se eu não sou capaz de aplicar com amor o que eu tenho, como é que eu vou penetrar naquilo que eu não sei, que eu não tenho? É só pensar. Se você não amar, acionando o que tem, como é que você espera penetrar naquilo que você não tem?

Enquanto ficamos apenas aprendendo a ciência do infinito nós ficamos de certa forma dissociados, mas no momento em que os valores que explicam a ciência do infinito entram em um plano de dinamização começamos a entrar em ângulos de maior estabilidade e de maior felicidade. Inicialmente, arregimentamos caracteres, o que significa a fase do esboço, a fase do roteiro, e a partir daí a luta se firma, pois enquanto é esboço é sinal de que está no superconsciente. Aí nós passamos a trabalhar no consciente esses valores, e ao incluí-los na faixa do condicionamento é porque chegamos ao nível prático na esfera que emitiu esses padrões para nós. Aí nós vamos subir. Essa é a marcha ascensional, a dinamização das expressões superiores reinantes no universo para termos o direito de sermos felizes. Aplicamos o valor apreendido, investimos nele, e com decorrer do investimento podemos alcançar o piso superior de onde foi emitida, vamos dizer, a orientação que acabamos de assimilar. 

Situamo-nos embaixo, e de cima vem o fulcro emissor. Captamos os padrões elevados pelas faixas da mente. Só que para que isso aconteça nós temos que abrir uma linha de sintonia, temos que entrar em sintonia com essa fonte irradiadora dos padrões. É a sintonia que vai nos propiciar a captação da mensagem.

E a paz é o inverso, porque a sintonia gera a guerra. Como assim? Se a subida para captar é a sintonia, a paz vai depender da descida, e a descida é a afinidade. Está dando para acompanhar? Nós sintonizamos e entramos em guerra, e conquistamos o padrão adquirindo a paz. Afinidade significa a nossa saída de um piso e a chegada em outro piso. E você sobe em decorrência da aplicação. Com o tempo a intensidade dos padrões que até então vigoravam passam a se desativar e nós passamos a viver em função do novo que chegou, e que nós, por sinal, conquistamos pela afinidade. Agora, se essa linha de afinidade cessar sabe o que acontece no decorrer do tempo? A gente começa a estagnar.

O fato é que toda a divulgação, toda a renovação, toda a orientação que nos visita vem de patamar superior. Ficamos embaixo, no nosso piso, namorando o piso de cima.

Recebemos pela sintonia e passamos a refletir aquilo na faixa aplicativa em termos de conquista. Se adotamos o conteúdo proposto e seguimos em frente nós alcançamos o andar de cima. E o mais interessante, esse novo piso que nós conquistamos pelas experiências nos proporciona sabe o quê? Um estado de euforia.

A gente se sente ajustado, e esse sentir ajustado significa nos tornarmos criatura mais tranquila, mais segura. O filho do homem é que está no céu e esse estar no céu é a representação nítida da harmonia. Logo, a questão é simples, se na afinidade não houvesse o processo de euforia, de bem estar para nós, não haveria razão de crescer. Concorda comigo? Não teria razão de seguirmos um novo mecanismo de continuidade do crescimento. Ficaríamos parados onde estamos sem a mínima vontade de ascender. O filho do homem é, pois, o exemplo da perfeição que nós podemos aspirar. A gente fica num usufruto danado no sentido de bem estar e isso faz a vida deixar de ter aquele sentido de encarnação e desencarnação para ter o sentido de estado íntimo de harmonia e paz.

É da lei que a criatura sobe para aprender e descer para fazer. E se ela aprende de quem está no plano superior, e o que é melhor, opera segundo o que esse superior lhe apresenta, ela está em igualdade por afinidade com esse que a orienta. Isso não é nenhuma mágica, nada mais é do que a mecânica natural de evolução.

Então, veja bem, pelo dar nós entramos em relação sutil com a mesma linha de onde está dimanando a base informativa, o que é muito bonito e científico de aprender. Nós trabalhamos porque pela experiência exercida, pela prática, entramos em campo igualitário com aquele que nos ensinou, e passamos a ter linha de ressonância, abrindo uma porta e entrando nela. Resultado: o dar é que vai nos colocar nessa linha de ressonância com aquele de quem nós recebemos.

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