8 de jan de 2015

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 8

O PROCESSO

Sabe como se inicia o nosso crescimento espiritual? Por uma fecundação psíquica.

A renovação, esse nascer do espírito a que temos nos referido, se faz dentro do mecanismo de concepção. Inicialmente, ocorre um processo conceptivo, uma fecundação entre os componentes fertilizantes de fora quem chegam e os nossos padrões íntimos de recepção. Essa concepção se faz entre os valores fecundantes que nos visitam e a nossa expressão fecundável. O processo se dá pela inspiração que vem de cima e a necessidade nossa de crescer que está embaixo.

Vamos clarear mais: os espermatozoides são os componentes lançados para o crescimento e o óvulo constitui o nosso sentimento. Isto é, nós temos o valor revelado associado à nossa proposta de abertura para novos momentos. Assim, se a criatura está grávida é porque a gravidez se instaurou em um determinado momento, em um certo dia, em uma certa hora, e vai haver um processo de gestação, um processo de fecundação que tem por finalidade culminar com o nascimento.

Em nosso crescimento, a princípio desce uma chuva de recursos que nos penetram de forma sutil, de forma suave, e que podem, inclusive, desaparecer quando em contato com as pirâmides de sombra da nossa personalidade milenar.

Isto é interessante de se ter em conta: pela informação desce do alto uma chuva de recursos. Valores chegam para nós delineando uma espécie de esboço. Se ao nos elevarmos somos quase que arrebatados para faixas mais altas, ao retornarmos estamos imantados, parece que voltamos com a fecundação efetivada. Aí, o que vai acontecer como passo seguinte é que nós vamos gestar ou não esse padrão recebido, de acordo com o acolhimento que dermos àquilo que foi mostrado. Percebeu? Ao lermos uma obra, por exemplo, nós estamos recebendo caracteres informativos novos, certo? Sementes estão caindo no solo do nosso coração.

E o sentimento, o terreno íntimo, é exatamente um ponto acolhedor, é um vaso receptivo. Podemos dizer que o sentimento prepara o terreno. Quanto mais puro o sentimento, melhor o fruto. Aliás, basta a gente lembrar que o Cristo em nós, em nossa intimidade, tem que nascer de uma virgem, de um sentimento novo, puro, sem mácula.

O filho do homem é o que está querendo nascer, é o que está gritando dentro da gente. E no plano operacional, pela mudança, o estamos gerando. Após a fecundação outra etapa se faz necessária, é preciso que haja a formação do embrião.

Então, veja bem, se houve a fecundação é preciso que haja a formação do corpo.

É preciso dar corpo a essa criação nova, é preciso tentar corporificar os elementos que introjetamos, senão os padrões antigos que ainda nos governam emergem do subconsciente e liquidam com ele e estiolam-se os primeiros movimentos do pensamento, que chegou para alterar o padrão da nossa vida mental. Ok? Temos que ir trabalhando os valores novos com persistência até que eles tomem corpo, temos que ir trabalhando na linha prática dando corpo a isso. 

Em certo momento vem o testemunho que efetiva o nascimento da nova postura pessoal, que solidifica a nova postura de vida. 

O dar corpo é como se nós estivéssemos gestando na intimidade da nossa forma mental esses novos elementos. O processo consiste em recolher a informação e operacionalizar a informação. Isto é, vamos alimentando esses novos valores, essa nova postura de vida que elegemos, até que ela tome corpo.

Essa gestação dos padrões que vão dando corpo a nova estrutura psicológica e espiritual para nós é a que Jesus se referiu por ocasião da ceia. É o que acontece. Alimentamo-nos da forma como estamos fazendo aqui, ou alguém tem dúvida de que estamos ingerindo parcelas do corpo doutrinário, fazendo isso em memória dele? A cada dia nós buscamos ingerir parcelas de conhecimento, e um a um criamos condições, formando uma personalidade para além do corpo. Passamos a usar a encarnação num sistema de crescimento natural.

Daí deixamos de ter aquela semi-autoridade por conceber e passamos a ter uma autoridade efetiva por nascer, por revelar, por surgir. Deu para entender essa mecânica da gestação? Você se lembra da expressão fé, esperança e caridade? Pois então, a fé nós podemos dizer que é a fecundação, a esperança é a gestação e a caridade, que consiste no ponto máximo, na culminância, é o nascimento.

E nada como um exemplo acerca da gestação desses caracteres dentro de nós. Vamos imaginar que eu sou uma pessoa muito irritadiça. Sou daquele tipo nervoso, estourado. Não ouço algo que me contraria sem dar uma má resposta. Como se diz na linguagem popular, não levo desaforo para casa. Só que eu cansei de ser assim. Eu quero mudar. Meu nervosismo e minha impaciência estão me incomodando. O que eu faço? Começo a ler. Começo a ler, de maneira ampla e profunda, acerca da paciência. Isso se torna um grande desafio para mim. Também passo a ouvir inúmeras palestras acerca da paciência e da serenidade.

No supermercado, na hora que uma criatura me fala uma palavra meio atravessada na fila do caixa eu quase explodo. Já estava na ponta da língua aquele palavrão cabeludo, quando eu me lembro da página que li. "Calma, calma!" A voz íntima fala suave na minha consciência e eu seguro a onda. Nessa situação eu acrescentei naquele valorzinho que estou tentando trabalhar um pontinho a mais a meu favor. Um pontinho com mais tônica em cima daquela sombra de padrões antigos que ainda me dominam. Não demora, e mais à frente surge outra circunstância. Dessa vez alguém me esbarrou na esquina. Mais uma vez a tendência impensada é mandar aquele palavrão, xingar, mas não. "Marco Antônio, lembra da página!" Fico na minha. E dessa vez foi diferente, eu até agradeci a experiência. E vou em frente. Chego ao serviço quatro minutos atrasado. O chefe vem em cima na hora: "Atrasa de novo que eu te mando embora!" Manda logo, penso eu. Manda agora de uma vez, penso bravo. "Marco, calma". Vem aquela voz doce de novo na consciência. Fecho os olhos, respiro fundo e não falo nada que possa me prejudicar. Assim, o que acontece? Pela sequência das minhas ações felizes vou dando corpo ao que assimilei. Da informação eu passo a caminhar para a formação de caracteres novos.

A gente tem o hábito de dizer que rapadura é doce, mas não é mole. E porque estou dizendo isso? É que como todo parto é difícil, em todo parto tem dores, no nascimento do filho do homem não é diferente. Não há renascimento de qualquer natureza sem ser doloroso. Isso é fato. Todo nascimento gera a dor do parto, gera sacrifício.

As próprias convulsões físicas que assistimos e presenciamos na atualidade do planeta também representam as dores do parto. Nós todos temos observado isto, e dos conflitos estamos observando e vendo surgir a aurora de um novo tempo, de um novo estado de coisas, de um planeta que caminha a passos largos para o ingresso em uma nova escala hierárquica universal. Não fica dúvida, a dor do parto é uma mensagem que permanece presente para todos nós como ponto de referência para nosso crescimento. E ela pode perfeitamente ser uma dor que não apresenta dor nenhuma, senão as oscilações e apreensões normais. Mas de qualquer forma fica um recado interessante: sempre nesse nascimento haverá alguma coisa que vai exigir de nossa parte uma devoção maior, um testemunho, uma postura de superação, um sacrifício mais exacerbado.

E qualquer um de nós, sem exceção, está matriculado na escola de filho do homem.

O conhecimento chega e passamos a dar corpo a esse elemento fecundado. Esse é o sentido. A informação chega e de cara entra em choque, entra em desacordo com os valores íntimos que temos. Abre-se uma luta entre o velho e o novo que quer nascer. Os valores apreendidos entram em choque com os vivenciados.

Instaura-se a grande luta íntima quando padrões novos chegam. Tanto que os novos valores, que chegam de forma sutil, podem desaparecer em contato com a soma da repetição que já temos dentro de nós de inúmeros reflexos trazidos de experiências passadas. Por outro lado, se conseguimos corporificar esses padrões implementados nós tomamos posse, com todas as honras, da nova personalidade. É pela linha operacional que nós estamos gestando o filho do homem.

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