24 de jan de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 3

MERCADORES DO TEMPLO

“13E ESTAVA PRÓXIMA A PÁSCOA DOS JUDEUS, E JESUS SUBIU A JERUSALÉM. 14E ACHOU NO TEMPLO OS QUE VENDIAM BOIS, E OVELHAS, E POMBOS, E OS CAMBIADORES ASSENTADOS. 15E TENDO FEITO UM AZORRAGUE DE CORDÉIS, LANÇOU TODOS FORA DO TEMPLO, TAMBÉM OS BOIS E OVELHAS; E ESPALHOU O DINHEIRO DOS CAMBIADORES, E DERRIBOU AS MESAS; 16E DISSE AOS QUE VENDIAM POMBOS: TIRAI DAQUI ESTES, E NÃO FAÇAIS DA CASA DE MEU PAI CASA DE VENDA.” JOÃO 2:13-16

Tem muita coisa se realizando hoje em termos de dinâmica espiritual que no fundo ainda tem acentuada dose de circuitos materialistas.

É comum haver uma atividade por parte de alguém, e que de algum modo visa o interesse maior, um interesse que abranja outras pessoas, mas que a própria criatura traz motivos escusos em sua própria intimidade. É importante ter isso em conta porque sem dúvida milhões de pessoas encontram-se de algum modo vinculadas a determinadas propostas nas quais elas aparentam sensibilidade para com terceiros, todavia no fundo a tônica da personalidade delas é o processo de hegemonia, o desejo de mando, o exercício do controle e da autoridade.

Às vezes, a pessoa acha que está fazendo um trabalho lindo de divulgação de certa doutrina, de orientação, onde ela está ótima, se saindo otimamente bem, está à vista de todos, mas que vigora na sua intimidade o orgulho, a vaidade, a presunção, dentre outros valores. Às vezes, nós estamos fazendo, mas na intimidade não estamos vibrando com aquilo ou podemos estar desinformados ou inadaptados.

É assunto pra pensar. Porquê estamos falando isto? Porque esses cambiadores a que o evangelho se refere é a troca que nós fazemos. Não é natural a pessoa pensar assim: "Vou atender direitinho aqui porque Deus tem me ajudado. Então, eu vou fazer isso, vou fazer aquilo, vou ajudar os pobres." De certa forma, é um certo comércio que nós fazemos com os padrões de natureza espiritual.

Embora a essência não deva ser esta, já é alguma coisa. Quem sabe o início da caminhada rumo ao amor legítimo tenha que ser pelo comércio mesmo? Até a individualidade poder chegar, mais à frente, no ponto de amar sem esperar ser amado.

O que é que tem nos movido? Esta pergunta tem que existir. Tem que aparecer de vez em quando na análise periódica das nossas ações. É fundamental avaliarmos sempre a nossa postura. Saber como estamos agindo, se está vigorando boas vibrações nos nossos propósitos ou se nós estamos sendo movidos por um processo de ostentação, de orgulho ou vaidade. Isso nós temos que fazer sempre. Pelo menos se nós quisermos crescer de forma sólida e consciente.

Conhecer a nossa intimidade, saber o que se passa conosco, é uma questão da maior importância para se obter crescimento seguro, para um crescimento consciente, para a elevação. Cada um de nós tem áreas de trevas no coração, e olha que não são poucas.

Uma grande dose de personalismo ainda gerencia as nossas atitudes, e nós temos que reconhecer isso. Agora, quando nós temos dentro de nós o desejo de crescer, sabendo nos olhar com humildade, sabendo definir as nossas próprias libertações, nós temos o caminho aberto, não apenas para ganhar espaço operacional no bem, como para ganhar espaço para ter autoridade nas próprias soluções das nossas dificuldade que nos acompanham de longo tempo.

Nós temos caracteres dentro da nossa intimidade que nos acompanham por muitas e muitas encarnações, e a gente não desconfia. Adotamos e vivemos determinados caracteres como sendo uma verdade e aquilo está nos amarrando, aquilo às vezes cria todo um sistema que gerencia a nossa vida automaticamente por inúmeras vezes, por inúmeras experiências. São questão que a gente precisa ter maturidade para trabalhar. Muitos de nós que estamos lendo aqui, despertados pelo interesse ao evangelho, estamos nos candidatando a uma posição de cooperação, embora podemos estar atraídos e ligados aos interesses puramente transitórios ainda, o que não diminui o mérito nem a iniciativa.

Na passagem que trata da purificação do templo a gente tem uma mensagem que é o nosso espírito esclarecido pelos valores que temos arregimentado no campo da aprendizagem falando ao nosso próprio coração. Como se ele dissesse acabe com isto enquanto é tempo, não dê corpo a isto, não alimente isto. É preciso estarmos atentos a esse ponto, afinal a permanência em determinadas posições pode nos fazer perder o acesso à linha de harmonia. "Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu pai casa de venda" (João 2:16). Conselho prudente, pois se alimentarmos esses componentes vamos alimentar a lei de causa e efeito a nível negativo e aí nós entramos em situação bastante complicada.

Precisamos ter atenção. Ao entrarmos na nossa realidade profunda começamos a descobrir, em tantas ocasiões, que temos que reformular o nosso campo íntimo, que temos que retificar a nossa base, porque pode haver uma certa negociata na atitude.

Naquela situação do templo, Jesus pode ter falado com firmeza com quem estava assentado lá nas mesas. Mas pense bem, houve alguma violência? Ele botou alguém pra fora? Espancou alguém? Jesus, expulsando os vendilhões do templo, não bateu em ninguém, não espancou ninguém. Derrubou mesas, não derrubou pessoas. Nem lutou MMA com ninguém lá. Não consta nada disso no evangelho. Ele usou os recursos que precisava, usou de austeridade, usou de certa firmeza. Eu não tenho dúvida de que ele fez azorrague para expulsar os bois, porque ele não iria pedir licença para os bois. Mas também não consta nos registros que ele sequer machucou os bois. A manifestação máxima do amor não faria isso.

Aliás, essa é uma parte interessante. Para expulsar do templo os vendilhões ele fez um azorrague de cordéis. Então, repare o seguinte, para nutrir ele multiplicou pães e para reeducar ele fez um azorrague de cordéis. E como é que este funciona?

Você não está conseguindo resolver o seu problema, anda desanimado, está fraco, tem encontrado dificuldades de reanimar-se, você faz azorrague para tirar o desânimo, para tirar o pessimismo, para obter uma injeção nova de ânimo. Você usa um fiozinho de boa vontade, um fiozinho de conhecimento que já alcançou, um fiozinho da prece que você faz, um fiozinho do amor à família que você tem, junta tudo isso, cada parcela dessas correspondendo a um cordel, porque o cordel é o fiozinho, é a parcela, e faz com a soma disso um azorrague. Percebeu? Tem determinados momentos que nós temos que dar um impacto sobre nós mesmos, porque senão ficamos presos nas faixas que não nos levam a nada e não saímos, não nos desvencilhamos. O tempo passa, e ficamos parados...

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