29 de jan de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 4

ENERGIA SUBLIMADA

Os nossos desejos, bem lá no comecinho, lá na base mesmo, você sabe como é que eles começam a ser expressos? Nós temos tentado crescer de que maneira? Sabe como? Usando os nossos padrões inferiores.

Não precisa ficar contrariado(a) ou desanimado(a) com a resposta, é a grande verdade.

Até para optarmos por buscar aprendizado de natureza espiritual nós temos lá na base os valores de retaguarda que nos projetam. Atrás da linha de afirmação vigoram expressões magnéticas de ordem inferior. É só pensar com carinho no assunto. O que nos faz buscar padrões de conhecimento do evangelho, no início, é porque nos achamos inconformados. No fundo, é uma inconformação. Algo dentro da gente começa a gritar querendo encontrar caminhos melhores, querendo sair do sufoco. 

Tudo começa à medida em que vamos entrando em relação de sintonia com outras mentes. É quando uma pessoa vê alguém fazendo uma coisa e ela sente inveja dela, por exemplo.

Você pode estar aqui porque viu determinadas criaturas que devem estar melhor do que você, que devem estar mais bem situadas e mais felizes do que você, e isso te tocou lá no fundo. Não é para ficar triste não, mas a capacidade nossa de desenvolver a solidariedade, a cooperação, dentre outros, emerge de dento dos detritos da nossa própria imperfeição. Estamos evoluindo sabe em função de quê? Da inveja, do egoísmo, da cobiça. Nós estamos buscando evoluir em função da vaidade, do orgulho, do egoísmo, de todos esses valores que trazemos lá de trás.

No ponto de contato com outras individualidades, que se faz por sintonia, é que disparamos as forças íntimas. Esses padrões que mencionamos funcionam como componentes despertadores dos nossos recursos interiores. A questão é esta, nós estamos aqui debaixo de uma pressão velada. A gente trabalha, às vezes, com uma inveja disfarçada, porque no fundo são padrões dessa ordem que nos lançam.

É assim que nós temos aprendido. Depois, com o passar do tempo, nós vamos desativando a parte relacionada com a ordem negativa desses caracteres e vamos alterando-as. O que era, a princípio, de feição negativa passa a ter feição positiva. Para clarear o que estamos falando, o amor fraternal que objetivamos tem o seu começo rústico onde mesmo? No campo restrito e limitado do egoísmo.

A energia, na essência, é a mesma, o que muda é a direção. A energia usada, a fé que levava Saulo a perseguir os cristãos para defender os ideias e propostas que ele acreditava, era a mesma que ele adotava quando passou a ser Paulo e mudou o seu contexto. Não mudou nada. Vale a pena repetir, o que mudou foi a direção.

Se a gente analisar bem, a nossa redenção se dá ao nível das mesmas energias que nos levaram ao problema. O que muda é o sentido. Com a mesma energia que nós construímos um ambiente negativo nós vamos, com essa mesma energia, construir um novo ambiente positivo. O tijolo que nós vamos colocar nessa construção talvez seja até o mesmo. Já pensou nisso? A energia que nos leva ao vício de jogar é a mesma que vai nos levar para práticas mais saudáveis.

Apenas vamos direcioná-la para o outro lado. A força que nos move para a vaidade ou para o orgulho é a mesma que vai nos motivar a começar a operar em favor da nossa educação, do amor ao próximo, da cooperação. Vamos observar que tudo passa a se desenvolver dentro de nós mediante um plano inicial de escolha pessoal. O mecanismo é o mesmo. O que aconteceu com Eva, lembra, a questão da sintonia? Pois é, o fenômeno de certa forma é o mesmo que aconteceu com Maria. Então, é preciso avaliar em que pólo nós estamos plugados.  

A questão básica é a paixão. E paixão é o excesso, acrescido da vontade nem sempre educada.

Pois o caráter negativo não surge da natureza intrínseca de um componente, surge pelo excesso. Deu para acompanhar? Cada componente de paixão na nossa intimidade é na essência um caráter positivo, e não negativo. Mas nós deixamos a paixão nos envolver.

Nós estamos de alguma forma buscando incorporar padrões novos para descobrirmos onde termina o necessário e onde começa o supérfluo, que é outro desafio. Já entendemos que a paixão é o excesso e a transformação de uma paixão vai depender de quê? Da nossa capacidade de se adaptar, de se ajustar a um equilíbrio.

Vamos pensar no seguinte: o problema não está relacionado com o fato em si, com o componente em si, mas sim com o plano aplicativo desse componente. Está dando para acompanhar? Preste muita atenção nisso: todos os valores, como por exemplo o poder, as riquezas, a sabedoria, são componentes neutros.

O que significa isso? Que a instrumentalidade opera no plano positivo ou no plano negativo de acordo com a linha de comando. Ficou claro? Você pode com a aplicação de determinado valor, que é neutro, projetar-se como também pode naufragar. Os valores são positivos, os fatores em si são veículos de progresso.

A alimentação desses fatores é que é algo complicado. O valor, em si, é neutro. 

Pode ser excelentemente aplicado se houver discernimento e pode ser tristemente aplicado se não houver equilíbrio. A complicação se encontra na forma irreverente de se usar determinados valores. Vamos citar como exemplo o dinheiro. Tem gente que diz assim: "O dinheiro é um perigo. Eu não quero ter dinheiro. Peço a Deus para não me dar dinheiro, porque o dinheiro não tem nada a ver." Ora, cá pra nós, o problema não tem nada a ver com o dinheiro. Vamos repetir, o problema é a nossa intimidade no campo administrativo dele. Se nós tivermos o cuidado de administrá-lo com segurança ele é positivo na essência, agora se nós não soubermos ele pode criar grandes fantasmas dentro de nós.

Vamos citar a inveja como outro fator. Se ela for uma paixão eu posso prejudicar vibracionalmente a criatura a quem eu invejo, não posso? Mas se ela servir pra mim como um toque, como um ponto para o meu despertamento e interesse pessoal, ela pode ter um sentido bem positivo, não pode também? Eu posso, à partir daí, usá-la de forma positiva: "Sabe de uma coisa, também quero fazer aquilo". Espero que você tenha conseguido entender o que quis dizer.

Em outras palavras, tudo aquilo que está embutido no plano da vaidade e do orgulho, dentre outros, está esperando sabe o quê? Ser transubstanciado numa expressão de simplicidade, numa expressão positiva, de modo a que tudo o que se inicia de forma negativa adquira, com redirecionamento adequado, uma feição positiva.

Que aquela energia que a gente usava para agredir a gente passe a usar para amar.

O egocentrismo surge para sublimar-se um dia no altruísmo. Afinal, a energia que movimenta as forças negativas não são neutralizadas, o que acontece é que a energia retorna de modo mais sutil e sublimado. Para se ter ideia, o dia em que a força do nosso orgulho se redirecionar, você pode ter certeza que ninguém segura a gente. Não segura mesmo. Porque ela faz tudo, a questão é nós sabermos dar um novo direcionamento. Uma direção implementada pela força superior da individualidade com base nos padrões de cima, não nos de baixo.

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