28 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 10 (Final)

OS ANJOS

"E ELE ENVIARÁ OS SEUS ANJOS COM RIJO CLAMOR DE TROMBETA, OS QUAIS AJUNTARÃO OS SEUS ESCOLHIDOS DESDE OS QUATRO VENTOS, DE UMA À OUTRA EXTREMIDADE DOS CÉUS.” MATEUS 24:31

"ASSIM SERÁ NA CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS: VIRÃO OS ANJOS, E SEPARARÃO OS MAUS DE ENTRE OS JUSTOS.” MATEUS 13:49

O anjo é uma expressão que vem sendo usada em todas as igrejas, e a gente tem uma conotação um pouco distorcida dele. Isto é, a gente acha que o anjo é aquela criatura bonitinha, com asas, toda perfeita, mas a palavra significa mensageiro.

Vamos entender que anjo é o componente portador de padrões. Ele pode ser tanto de fundamentação positiva, quanto de fundamentação negativa. É interessante ter em conta que ele traz a mensagem que mantém o equilíbrio do universo, podendo ser portador de padrões positivos ou negativos. Porém, a compreensão humana é que generalizou a definição, ou seja, por uma questão de tradição nós criamos unicamente a imagem do anjo positivo.

Em sua acepção essencialmente positiva, anjo define aquele ser que já está avocando para si as condições de crescimento com responsabilidade. Diz respeito àquelas entidades redimidas, que já se elevaram ao plano superior. Não significa apenas aquele que comanda, mas o que aprende e também ensina. Deu uma ideia? Anjo quer dizer aquele que já se coloca em condições de trabalhar em termos de grupo. Opera na auto sustentação e distribui parte do trabalho em favor de uma coletividade. Em suma, é aquele que trabalha por amor ao trabalho.

A  gente lê os versículos referenciados acima e pensa, à primeira vista, que todos nós estamos, sem exceção, destinados a aguardar o momento de consumação ou julgamento final. Aliás, sempre de sentido punitivo. E a coisa não é assim. A expressão "consumação dos séculos" é fator de natureza evolutiva.

Indica, nada mais nada menos, o fim de um período e o início de outro, em que sabemos que toda mudança de estado tem as suas transições inevitáveis. Os quatro ventos englobam a terra inteira. Seja do norte, do sul, do leste ou do oeste nada fica de fora. Todas as áreas serão visitadas. Quatro anjos dizem respeito a missões específicas que objetivam definir o pensamento divino. Eles tocam em todas as regiões e arregimentam todas as criaturas, afinal é sob esse piso terrestre que nós vamos emergir para as maiores alturas. E a chegada desses anjos define acontecimentos vindos com uma função didática.

Outra questão da maior importância é que os anjos não chegam depois das dores.

Muito pelo contrário, os acontecimentos tristes são os santos anjos. Os anjos são os acontecimentos, vamos dizer, mais difíceis que nos visitam. Aqueles que fazem o papel de despertador da criatura. Para sermos mais enfáticos, os anjos são aqueles instrumentos que vão ter um alarido de trombeta para marcar a nossa acústica quanto as responsabilidades que efetivamente precisamos assumir.

Deu para entender? Então, o tropeço é um anjo. Os acontecimentos tristes, as circunstâncias mais difíceis que nos acometem são anjos. Uma doença, uma oportunidade de trabalho que recebemos, são anjos positiva ou negativamente conceituados.

Nós podemos ter um anjo, por exemplo, que é uma doença que visita alguém. Mas que vai derrubar as resistências íntimas. E numa doença existem algumas trombetas que tocam que é a dor. Assim, a dor toma o papel de um anjo. Chega visando detonar certas áreas e despertar a luz que não está clareando e que precisa se expressar.

Porque cada enfermidade que eclode, cada dificuldade na esfera profissional, cada problema no campo social, na família, cada um desses elementos que marcam os aspectos da nossa evolução traz dentro de si uma indicação de que o problema existe para projetar a individualidade em novas concepções. Não vamos esquecer isso. É naquela base: se não vai pelo amor vai pela dor, mas que vai ter que ir, mais cedo ou mais tarde, vai! A gente precisa avançar. Faz parte do determinismo divino, cuja lei determina que o progresso é inestancável.

Todavia, embora os chamamentos estejam por todo lado, o que nós fazemos? Continuamos ainda indiferentes, brincamos muito com a vida e negligenciamos deveres.

Nós estamos aqui buscando aprender a administrar cada acontecimento menos feliz, procurando entender que atrás das dificuldades tem sempre algo novo que nós não estamos conseguindo visualizar. E para nos ajudar nesse progresso acontece o quê? O anjo chega. Porque o anjo tem que atuar. Do contrário, a gente fica naquela: "eu preciso fazer, eu preciso começar." Fica só a ideia. E não fazemos. E não começamos.

Pensando bem, desde quando a gente está precisando fazer ou começar algo? O tempo passa e a gente continua precisando. Resultado: os anjos vem para ajudar Jesus na implementação de uma nova fase. O anjo vem e toca a trombeta.

Não tem outra, Jesus trabalha com os anjos. Estes anjos fazem o papel dos toques, o papel desses chamamentos mais diretos. E isso não é de agora, sempre foi assim. Nós analisamos que na área das religiões, nos núcleos religiosos diversificados, o número de pessoas que neles aportam, na busca de solução dos seus problemas, é muito maior que o número daqueles que chegam espontaneamente. Não é? Tem muitos que chegam depois da saturação. Não chegam? "Ah, eu vim porque essa vida está muito difícil." Se alguns chegam sem muitas complicações, um número maior chega depois de longo tempo de dificuldades, depois de anos de terapia, de tratamentos vários que não deram certo, depois de muito cansaço. E quase sempre chegam para começar a entender que o problema que os trouxe foi uma faceta da própria intimidade.

23 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 9

O RELÂMPAGO E AS NUVENS

“29E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ, E AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU, E AS POTÊNCIAS DOS CÉUS SERÃO ABALADAS. 30ENTÃO APARECERÁ NO CÉU O SINAL DO FILHO DO HOMEM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO, E VERÃO O FILHO DO HOMEM, VINDO SOBRE AS NUVENS DO CÉU, COM PODER E GRANDE GLÓRIA.” MATEUS 24:29-30

“PORQUE, ASSIM COMO O RELÂMPAGO SAI DO ORIENTE E SE MOSTRA ATÉ AO OCIDENTE, ASSIM SERÁ TAMBÉM A VINDA DO FILHO DO HOMEM.” MATEUS 24:27  

“E VIRÃO DO ORIENTE, E DO OCIDENTE, E DO NORTE, E DO SUL, E ASSENTAR-SE-ÃO À MESA NO REINO DE DEUS.” LUCAS 13:29

“EIS QUE VEM COM AS NUVENS, E TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO SOBRE ELE. SIM. AMÉM.” APOCALIPSE 1:7

Como sol, que nasce no oriente e põe-se no ocidente, esse é o sentido da marcha ascensional do homem. Do oriente ao ocidente, ou do leste para o oeste, temos dois pontos: o oriente de um lado, definindo o campo do surgimento ou o aparecimento, e o ocidente do outro, caracterizando a fixação ou a chegada, consolidando o conhecimento.

Eis aí a ordem natural de encaminhamento da evolução a qual todos nós estamos inseridos.

O relâmpago surge assim. Chega e mostra que o caminho é outro, que a situação é outra. Chega para nós que estamos modelando um sistema novo de vida. E quem vem do oriente vem da linha normal de evolução. Quanto ao sul e norte, nós temos o sentido de aproveitamento, a faixa no âmbito qualitativo das informações, os lances que definem como cada um de nós tem reagido diante dos valores aprendidos. Como temos operado.

E estamos sonhando com o reino dos céus. Cada qual, sem exceção, sonhando com a entrada nele.

Se por enquanto não conseguimos o acesso amplo e definitivo, esse reino do céus vem sendo experimentado por cada um de nós em momentos específicos, não é verdade? Nós temos esses momentos em nossa vida. Sem exceção, todos nós temos determinados momentos desses, em que sentimos um júbilo fantástico, uma paz tão extraordinária que parece que estamos flutuando. Assim, o filho do homem vem como relâmpago, como flashes, como centelhas, despertando vez por outra a consciência do ser, com lances fugidios, de forma rápida, que se abrem e se apagam, gerando certas experiências dessa natureza.

Não raro, notamos que o campo da escolha, no plano das opções, se dá através de um relance.

O relâmpago, que parte de um ponto ao outro, faz assim: clareia. É a mesma coisa que um flash de máquina fotográfica. Aliás, a nossa mente tem disso. Fotografa muita coisa. 

Muita coisa que a gente vê fica gravada. Como fotografia. Ou você não sabe disso? Se eu abrir uma página de um livro e olhar, está fotografado. Em um transe hipnótico, sou capaz de dizer as vírgulas, conforme a capacidade de retirada desses componentes marcados no meu psiquismo.

É por isso que na nossa observação dos fatos da vida, dos acontecimentos de cada instante, nós temos que deixar circular a vibração positiva. Porque é essa vibração que marca uma interiorização mais nítida, e que vai interferir amplamente na esteira do destino. São lances do qual não se pode fugir. 

O relâmpago trabalha como um toque e a linha básica do toque é o campo interior. 

O que chega de fora para dentro, toda a instrumentalidade e recursos da misericórdia divina objetivam antes de tudo emitir componentes de sensibilização.

Muitas circunstâncias trabalham para que o toque se dê. Mas na hora que acontece, quando se dá esse lance, que é lance para a germinação no plano íntimo, que a semente foi acolhida, o crescimento e a fortificação da raiz vai depender de quê? Da própria criatura que se despertou, que recebeu e que tem que valorizar. É preciso uma iniciativa por parte da individualidade para que possa haver o contato como resposta real.

O filho do homem surge como objetivo da nossa vida, sabe como? De três formas. Ou ele se origina em meio às dificuldades mais contundentes que estamos vivendo, ou vai decorrer do reflexo de ações anteriores, ou surge de forma mais tranquila pela revelação. E, cá pra nós, geralmente ficamos com qual opção?

Dificilmente nós buscamos evoluir de forma espontânea, e você sabe disso. Geralmente instauramos o processo consciente de evolução quando empurrados pelas situações menos felizes, embora já temos conhecimento suficiente para discernir que não precisamos tanto aprender pela dor. Mas fazer o quê? Quando ficamos saturados de evoluir debaixo das pancadas da vida, quando dizemos de maneira decidida "chega, cansei, desse jeito não dá", é que nós costumamos identificar na consciência o sinal do filho do homem. 

Deu para entender? O sinal do filho do homem aparece para nos indicar o novo caminho. 

Mas calma lá, não é o filho do homem que aparece, embora muitos esperam o filho do homem por inteiro, completo, prontinho, só pegar e levar. É o sinal que aparece, porque o filho do homem vai ser elaboração de cada um, de forma individual. Esse sinal é a semente germinando na esteira do coração. É o princípio do despertar da consciência, para que a gente se ajuste à mensagem que está toda dentro de nós. Em nosso planeta e em muitas regiões do plano espiritual, para se ter ideia, existem milhões de espíritos endividados, transitando pela vida e dotados desse sinal do filho do homem.

O sol irradia lá do alto, sem nuvem. E nuvem define alguma coisa que pode acobertar, dentro da sua relatividade, o próprio brilho solar, se a analisarmos apenas no sentido objetivo ou literal. Então, nuvem diz respeito a cobertura. É um componente que pode, de alguma forma, obliterar a ação do sol.

Agora, sabemos que atrás das nuvens tem o sol. E se a nuvem pode ter uma função acalentadora, de reduzir a intensidade do raio solar num dia de calor, por exemplo, ela também pode representar uma ameaça, representar a soma de valores suscetíveis de desabarem sobre nós a qualquer momento. Por isso, quando as circunstâncias estão mais pesadas, quando estão carreando valores mais densos, esses valores ou circunstâncias são como nuvens carregadas e ameaçadoras no céu das nossas esperanças e da nossa proposta.

O sinal do filho do homem está representado em inúmeras ocorrências. Está chegando para nós numa filosofia nova. Se falamos em nuvens elas estão relacionadas com o céu. 

É referência ao que está acima, observação aos componentes superiores da personalidade, aos padrões renovadores. Por exemplo, perdoar, compreender, entre outros, vem de cima, não vem de baixo. Porque de baixo vem instintos, o plano de baixo fala acerca das conquistas já operadas.

E o filho do homem vem com as nuvens. Surge com os impactos e as lutas. Está surgindo nas nuvens das dificuldades. 

E essas nuvens representam as dificuldades, os momentos de tumulto, os envolvimentos que chegam propondo chamado ou ressonância das ações pretéritas. Representam as dificuldades, as situações difíceis, mais nebulosas. É por aí que o filho do homem está chegando.

Todavia, quem sabe se depois de tantas lutas começamos a nos encaixar numa proposta mais segura?!

Olhe para o seu céu. O tempo fechou? Se sim, é hora de refletir, orar e manter a paciência.

É preciso calma e tranquilidade para diligenciar a vida dentro dessas nuvens, que trazem um grande sobrepeso para nós. Nós temos dois aspectos a serem analisados nessa questão. Em primeiro lugar, a nossa necessidade constrói a nuvem no campo operacional de cada instante, analisando o fato no campo cármico. Deu para acompanhar? Nuvens são aquelas indicativas que propõe o ressarcimento ante a lei de causa e efeito. Tranquilo até aí? E em segundo lugar, elas vão propor momentos peculiares de mudanças, sinais novos, novos fatos na aprendizagem, de transformação. A nuvem traz a chuva. A chuva às vezes propicia danos, mas também limpa a atmosfera. E o amor é o componente capaz de diluir as nuvens. Razão pela qual vamos manter a esperança de que atrás das nuvens vigora o sol, e que toda a chuva, por mais longa que seja, passa.

O sol irradia lá do alto, sem nuvens, mandando toda sua estrutura vitalícia para os planetas que compõem o sistema. E as nuvens vão se formando. Repare que nuvem lembra aglomerado. E somos nós mesmos quem formamos as nuvens irradiadoras da nossa consciência. Elas vão se formando lentamente e daí a pouco, quando se menos espera, dá um trovão.

A chuva complica, mas também ensina. E eu não sei se você já notou, mas temos aprendido muito pelo retorno das nossas próprias complicações. E temos também, por outro lado, pelo aprendizado novo, que passar a agir com mais equilíbrio e prudência.

Vale a pena ter em conta o seguinte: a nossa necessidade constrói a nuvem, seja no campo da aprendizagem, no plano operacional de cada instante ou no campo cármico da nossa vida. E para nós o que é nuvem, para outro indivíduo pode não ser. E o amor dilui a nuvem. Sem dúvida, amor é o grande elemento capaz de diluir as nuvens. E mais, na medida em que vamos nos integrando em uma nova posição, vamos notando que essas nuvens vão se tornando rarefeitas.

18 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 8

QUANDO SE PERDE A REFERÊNCIA II

“14E O CÉU RETIROU-SE COMO UM LIVRO QUE SE ENROLA; E TODOS OS MONTES E ILHAS FORAM REMOVIDOS DOS SEUS LUGARES. 15E OS REIS DA TERRA, E OS GRANDES, E OS RICOS, E OS TRIBUNOS, E OS PODEROSOS, E TODO O SERVO, E TODO O LIVRE, SE ESCONDERAM NAS CAVERNAS E NAS ROCHAS DAS MONTANHAS.” APOCALIPSE 6:14-15

“21ENTÃO, OS QUE ESTIVEREM NA JUDÉIA, FUJAM PARA OS MONTES; OS QUE ESTIVEREM NO MEIO DA CIDADE, SAIAM; E OS QUE NOS CAMPOS NÃO ENTREM NELA.” LUCAS 21:21

A fé, a esperança, o grau maior de determinação, a fibra interior, é importante nós lembrarmos isto, são pontos que necessitam ser alimentados e realimentados a cada instante.

Porque vai ter momento na vida de cada um de nós em que o sol vai se por e nós vamos ter que usar desses valores, no plano de aplicabilidade, em pleno momento de treva.

Porque o sol escurecendo, a lua se esquivando e as estrelas caindo do céu, são os momentos de aferição, são os momentos em que tudo está cerceado. Agora, imaginemos nesta hora em que a treva surge, e que nós temos que recorrer aos nossos recursos, ainda pequenos, e esses recursos estão diluídos ou inoperantes.

Percebeu? Infelizmente, é o que acontece em grande parte dos momentos críticos em que nós somos aferidos. Às vezes, em face da tribulação, em face do envolvimento cruel e irreverente, que são marcas para a nossa aferição, nós deixamos apagar as próprias lâmpadas dos padrões que realmente podem nos elevar. 

Ante a pressão vivida por Jesus, nos momentos cruciais de seu martírio e crucificação, tudo se apagava, mas ele não se deixou intimidar. Agora, a gente não, a gente se entrega a avalanche de problemas. O que temos que fazer? Não deixar que a dificuldade, seja qual for a sua extensão, que ela empalideça o direito que nós temos, lá na profundidade da alma, de manter a nossa luzinha irradiando e vibrando com todo o carinho. Esse aí é o grande segredo da harmonia.

O grande objetivo dos obstáculos e dos desafios que nos visitam, se nós pensarmos bem, é fazer com que aprendamos a buscar na intimidade o próprio recurso.

Isso é importante demais da gente entender. Portanto, por favor, não vamos nos esquecer disso. A finalidade maior dessas situações menos felizes de fora é nos ensinar e definir para nós condições a que busquemos, no plano de ajuda, valores dentro de nós mesmos. 

O escurecimento do sol e a modificação no painel da lua e das estrelas representam o momento em que nós temos que buscar a luz interior.

Você e eu temos que buscar a segurança dentro da nossa própria intimidade, na linha de gestação de novos padrões. Então, na hora em que esse sol se escurecer, porque ele não se apaga, e a lua e as estrelas se modificarem, nós vamos ter que buscar na intimidade novos focos, que vão ter uma luminosidade muito maior do que parece. As criaturas, às vezes, se esquecem que é na própria intimidade que estão as fontes geratrizes da claridade, das ideias legítimas do direcionamento e das soluções que poderão, devidamente analisadas e implementadas, resolver os problemas. E tanto é assim que Jesus define no evangelho de Mateus 5:16: "resplandeça a vossa luz diante dos homens."

Ante o escurecimento do sol é preciso buscar a luz íntima. Ante o tremor e a avalanche de acontecimentos, que querem empalidecer os nossos melhores valores, é preciso ter a serenidade necessária, manter a harmonia. É preciso que a gente pelo menos saiba utilizar isso: emitir um pensamento de gratidão, um pensamento afetivo, um pensamento de equilíbrio. Quando a escuridão é imensa um palito de fósforo faz um verdadeiro sucesso, não faz? Esse palito de fósforo, numa escuridão maior, pode representar o atestado nosso de visão, de observação, de equilíbrio e de segurança.

É evidente que nós não vamos querer comparar o nosso palito de fósforo ou a nossa lanterninha simples ou pouco expressiva com o fulgor do sol. Não somos loucos pra isso, mas nos momentos complicados um ponto que seja de claridade serena o coração.

E tem criaturas que não sabem fazer isso. Quanto mais elas buscam a luz exterior, querendo equacionar muita coisa numa hora só, mais escuro o ambiente se torna.

Então, vamos utilizar esses lances positivos. E iremos notar que quando voltar o caos é como se o tremor tivesse passado, como se o sufoco tivesse reduzido. Porque todo tremor, e já dissemos isso, é para nos colocar em ângulos de crescimento.

Os tremores de terra quando surgem vão jogando tudo para baixo. E essas questões que estamos estudando estão relacionadas com uma dinâmica que nós temos que aprender a operar, porque no momento da transição, que propõe uma mudança de postura, outros montes irão se apresentar para nós, mas à partir do momento em que nós quebrarmos os pontos antigos de cristalização.

Todas essas situações menos felizes que nós estamos enfatizando não chegam por um capricho divino. Não é um capricho divino ver lá de cima o indivíduo chorar aqui embaixo, naufragando nas dificuldades e desesperado porque não tem aonde segurar. Não, nada disto. Isso não existe. Existem, sim, providências, recursos e instrumentalidades didáticas para que a criatura aprenda que ela pode refugiar-se em si própria, com segurança, sem abatimento e traumas psicológicos. Porque quando ela descobre isso ela sai da situação com uma resistência fora de série, com uma força que nós não podemos imaginar.

Infelizmente, a grande massa de pessoas precisa das escoras exteriores. A grande massa precisa das muletas e dos muros para se protegerem, o que não é defeito nenhum. Afinal, quem é que não precisa? E a retirada dessas escoras se inicia com a descoberta que nós fazemos da ineficiência dos nossos pontos antigos de apoio.

Observe estes dois textos: "14E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. 15E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas." (Apocalipse 6:14-15) "21Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela." (Lucas 21:21)

Repare que no primeiro texto nós temos a presença do verbo esconder, que corresponde a um tipo de fuga. Para as cavernas ou para as rochas. Não é isso?

E no segundo, o verbo usado é fugir. Ou seja, os que estiverem na Judéia fujam pra onde? Para os montes.

E o que significa isso? Que no momento em que a barra aperta, o nosso primeiro passo é fugir para eles. É sair da nossa faixa mental e nos refugiar onde? Nos montes. E quem foge para os montes? Todo mundo? Não, os que se encontram na Judéia.

Ora, nós temos tido a oportunidade de entender que os ambientes dizem respeito a terrenos específicos do nosso campo mental. E que povo é este que está na Judéia? São judeus ou não? Dentro da acepção espiritual, que é o que efetivamente nos interessa, são os mais amadurecidos. Na Judéia pode-se ter indivíduos de todos as localidades e de todos os países também. Em tese, nós aqui estamos na Judéia do conhecimento, não estamos? Ou será que nós não temos conhecimento das leis da vida? Deu para entender isso? Nós aqui somos os judeus, e vindos de inúmeras reencarnações na Judéia do conhecimento. Então, o que ocorre? Os que estiverem situados no momento das dificuldades, não devem se esquecer, fujam para os montes.

E o segundo texto ainda vai além. Sugere que os que estiverem no meio da cidade saiam, e os que estiverem nos campos não entrem na cidade. Então, quem estiver na Judéia fuja para os montes, quem estiver na cidade saia, e quem estiver nos campos não entre nela, na cidade.

Vamos clarear isso? O que é cidade? Vamos pensar juntos? É o nosso terreno de impactos, é quando nós nos situamos na crista da onda dos interesses humanos.

Está dando para perceber? O texto fala nos que estiverem no "meio" da cidade. E no meio quer dizer a essencialidade, o centro dos nossos interesses. Ok? Não é na periferia não, é no meio da cidade. A cidade mencionada aqui não é cidade em si, literalmente falando, é no sentido de estado de alma. É a cidade daquele burburinho dos interesses. 

O que nós fazemos quando estudamos o evangelho? Fazemos um trabalho de sair da cidade, do redemoinho dos conceitos e dos padrões puramente humanos. Ficou claro? Vamos imaginar a cidade de Belo Horizonte, por exemplo, que é a cidade onde eu moro. No centro da cidade tem muito carro circulando, trânsito complicado, muito comércio, barulho, tem toda aquela confusão que a gente conhece.

E o campo passa a imagem de calmaria. Além do que, enquanto a cidade consome o campo produz. Certo? Quem está no campo não entra nele para consumir. Campo é o local propício para produzir. Se pensarmos bem, a nossa tranquilidade íntima de estar operando na semeadura da colheita não é característica do campo? No campo nós estamos semeando, estamos trabalhando.

Logo, eu posso morar no edifício mais alto da cidade, e no meio da cidade, e posso estar dentro de um campo espiritualmente falando. Não posso? E a cidade passa a ser o local de realização dos meus padrões. E, na hora que a barra apertar, que a gente não vá para a cidade para ser o consumidor tradicional da cidade. Que a gente vá, mas sabendo administrar com tranquilidade o que arregimentou.

11 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 7

QUANDO SE PERDE A REFERÊNCIA I

“E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ, E AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU, E AS POTÊNCIAS DOS CÉUS SERÃO ABALADAS.” MATEUS 24:29

“14E O CÉU RETIROU-SE COMO UM LIVRO QUE SE ENROLA; E TODOS OS MONTES E ILHAS FORAM REMOVIDOS DOS SEUS LUGARES. 15E OS REIS DA TERRA, E OS GRANDES, E OS RICOS, E OS TRIBUNOS, E OS PODEROSOS, E TODO O SERVO, E TODO O LIVRE, SE ESCONDERAM NAS CAVERNAS E NAS ROCHAS DAS MONTANHAS.” APOCALIPSE 6:14-15

Os textos referenciados dizem respeito às conturbações que nós estamos vivendo neste mundo ainda em transição, tanto na sua natureza social, no aspecto literal, como também na ordem íntima espiritual.

E é interessante notar, de princípio, que quando passamos pelas dificuldades, e quem já tem algum conhecimento já notou isso, um acontecimento nunca vem sozinho. Então, vão vindo os acontecimentos.

A terra abalada por um tremor de terra, significa o quê? É como se nos faltasse o piso. O sol, que é o centro do sistema, se enegrece. A lua, como sendo o amparo que vamos ter de modo indireto para clarear a noite em razão do sol que está tamponado, também não reflete, o que impede a manifestação da luz. A escuridão abrange a nossa caminhada e nem mesmo as estrelas, com os seus pontos capazes de pelo menos cortar essa condição de negrume, conseguem auxiliar. Por fim, a queda das potências se evidencia, o que corresponde à perda de orientação pelo amplo declínio dos valores tidos como elementos de orientação geográfica. E o nosso céu, que precisa ser um céu cada vez mais clarificado e destituído de nuvens, se encontra cada vem mais turvo.

O sol e a lua são dois elementos de caráter luminoso. E o que a gente nota é que em função do tremor de terra e das alterações de foro íntimo, na vida mental, no campo do sentimento e nas estruturas de ótica racional, ambos os elementos podem desativar as suas expressões ou empalidecer ou se enegrecerem.

Então, nós temos hoje muita gente se aproximando dos centros religiosos em busca de quê? De refúgio.

Muitos companheiros, nos mais diversos ambientes e situações, se encontram totalmente no escuro. Sentem como se vida tivesse fechado para eles as comportas de sustentação. Sentem desalento: "Ah, eu não vou viver não, porque acabou tudo para mim." E quando falamos em céu, sabemos bem que é céu íntimo, e diz respeito à soma de nossa esperança, de nossas perspectivas e ideais.

E quando esse escurecimento se dá é como se a criatura ficasse entregue à própria sorte, enquanto perdurar determinadas condições que marcam o balanço nos terrenos do destino. Quando isso acontece os valores do nosso céu se modificam e, às vezes, mudamos toda a nossa hegemonia de vida, sem que ocorra necessariamente uma mudança de caráter temporal. A gente perde o piso realmente. Muitas pessoas procuram nos ajudar, mas não conseguem acesso e também não oferecem o componente de segurança que estamos precisando. Nem mesmo os bons espíritos conseguem. Sentimos como se tivéssemos perdido o rumo. Pegamos um livro para ler, tentando encontrar uma saída, e nada. Podemos até ler todos os livros da biblioteca e não encontramos nada.

É como se a gente olhasse as nossas conquistas, as nossas obras realizadas, que representam nosso piso e segurança, e as víssemos de forma distorcida. Parece que perderam um pouco do sentido. Já não expressam tanta segurança para nós como antes. Você já passou por isso? É como diz o apocalipse: "E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares." (Apocalipse 6:14)

Os montes e as ilhas, como referencial de orientação para nós, deixam de fazer parte do painel e da paisagem da nossa vida. O que aconteceu? Os montes e as ilhas em que nós buscávamos refúgio e estruturávamos o plano de segurança simplesmente foram tirados do lugar, foram removidos dos seus lugares. Tudo o que representa segurança, independente das condições de cada qual, vai sendo removido. E por ser ilhas e montes não significa necessariamente que estamos sozinhos. Não, às vezes eles são tirados e removidos quando estamos no meio de pessoas.

Mas para quem acha que acabou em uma situação dessa, fica um recado: Não acabou nada!

Ante o tremor que chega, e objetiva empalidecer os nossos valores, é preciso buscarmos a luz e a harmonia íntimas, para que em meio aos problemas nós não venhamos perder a alegria futura. Conseguiu entender? Vamos por uma coisa na cabeça: aquele que deixar ofuscar a luz de amar em função dos problemas que enfrenta vai se defrontar com problemas muito maiores na frente.

Quando a nossa esperança está reduzida é óbvio que o nosso senso de alegria fica como que tamponado. E ficamos querendo tirar de qualquer jeito aquele momento de angústia e queda do nosso coração, mas também temos que trabalhar com os padrões que necessitam crescer, que precisam ser operados e que irão nos auxiliar a desativar a presença dessas formas de reação negativas que trazemos.

Por enquanto a gente reclama muito das dificuldades, fica chateado por ter perdido a acomodação, e esquecemos que o que a gente acha que acabou pode apenas estar se recompondo nas faixas do destino, e com muito mais confiança e muito mais esperança do que antes. Deu uma ideia? Temos que nos lembrar disto.

Na medida em que desativamos os lamentos pelas mudanças a que somos levados a efeito, nós vamos começando a encontrar um apoio sólido na nossa própria intimidade.

Analise comigo o seguinte: Se os montes e as ilhas são deslocados de seus respectivos lugares, vai acontecer o quê? Eles vão para outros lugares, certo? Afinal, o texto não diz que eles foram destruídos, diz que foram removidos de seus lugares.

Logo, eles vão partir para outros lugares, vão para outros pisos, para outras concepções.

E o que é mais importante, eles podem ser removidos, mas a faixa de aprendizagem permanece, fica o substrato. E isto é bonito demais de entender. O que sugere que o momento que nós estamos vivendo propõe a substituição desses referenciais bem ostensivos, bem claros, para um plano de referência novo, onde o sutil é que passa a definir as nossas buscas. Sai o concreto, fica o sutil. O prédio é derrubado, a ilha desaparece, mas fica o quê? Fica toda a mensagem gravada.

Muitas vezes, para a mudança de uma paisagem, para o surgimento de uma estrutura nova, o referencial de orientação anterior tem que deixar de ser ostensivo para entrar no terreno sutil. A própria queda, o próprio tremor de terra que nos abala, não sugerem necessariamente uma destruição, sugerem atrás de tudo isso uma recomposição e um redirecionamento na elaboração de reerguimentos em novos ângulos.

Repare para que todas as vezes que uma luz nova vai surgir, nós vamos notando que ela virá com muito mais intensidade, com muito mais expressão de claridade e iluminação do que a que nós tínhamos antes. A gente sai fortalecido.

8 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 6

O SOL ESCURECERÁ

“E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ, E AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU, E AS POTÊNCIAS DOS CÉUS SERÃO ABALADAS. MATEUS 24:29

“E, HAVENDO ABERTO O SEXTO SELO, OLHEI, E EIS QUE HOUVE UM GRANDE TREMOR DE TERRA; E O SOL TORNOU-SE NEGRO COMO SACO DE CILÍCIO, E A LUA TORNOU-SE COMO SANGUE;” APOCALIPSE 6:12

“E AS ESTRELAS DO CÉU CAÍRAM SOBRE A TERRA, COMO QUANDO A FIGUEIRA LANÇA DE SI OS SEUS FIGOS VERDES, ABALADA POR UM VENTO FORTE.” APOCALIPSE 6:13

Sol é o fulcro irradiador de toda uma expressão de vida. Centro irradiador, ele é encarregado da vitalidade, do suprimento e da canalização de componentes. Instrumento da misericórdia divina, irradia lá do alto, mandando toda a sua estrutura vitalícia para os planetas que compõem o sistema. No entanto, ele apresenta potenciais que ainda não descobrimos, porque por enquanto a percepção que temos dele se resume às impressões de luz e calor, e pronto. Mas um dia vai chegar em que iremos notar que os seus raios portam valores inestimáveis, capazes não apenas de garantir a vida no seu sentido puramente biológico, mas também em ângulos outros das expressões de nossos veículos de manifestação.

Em sentido espiritual podemos entender que o sol, dentro do nosso plano mental, dentro da nossa intimidade, constitui a soma dos componentes clarificados, dos componentes de vida que nós elegemos como sendo o ponto de segurança para a nossa caminhada. De forma que o sol pode ser a soma da nossa inteligência, da nossa experiência, da nossa família, da nossa saúde, entre outros. Em suma, a soma de todos aqueles componentes que, arregimentados, formam o sol que embala, acalenta e vivifica o nosso sistema de caminhada.

Pelos textos referenciados acima é possível perceber que o sol não se apaga. Ele pode escurecer, pode tornar-se negro, agora não quer dizer que ele desaparece. E nem tampouco fica negro em sentido literal. Daí a gente nota que a luz, que tem um processo dinâmico de crescimento, pode eventualmente perder claridade.

O nosso sol, nosso campo de sustentação, pode se enegrecer, ficar negro, a mostrar que para o atendimento de novas propostas ele simplesmente não vai atender mais.

Todavia, vamos observar com tranquilidade que quando esse sol se torna negro ou empalidece não é para a espiritualidade maior ou as forças superiores da vida tripudiarem em cima dos nossos sofrimentos. Não. De forma alguma. Porque atrás desse escurecimento do sol é que nós temos o surgimento de uma nova estrutura, de um novo conjunto de valores, que passam a ser de algum modo elaborados dentro da conturbação das dificuldades. Vamos ter em conta isto.

A gente tem o sol e a lua como dois componentes que penetram terreno adentro das expressões de luminosidade e clareamento dos nossos espíritos. A lua, por sua vez, define o ponto de convergência dos nossos padrões ao nível operacional. 

É o ponto gerenciador de tudo o que podemos operar, define tudo que, de algum modo, é criado em nossa órbita, está em nossa volta, está em nosso circuito operacional. Está consubstanciada em todos esses padrões, sintetiza o ponto alimentador, o ponto gestor e gerenciador de tudo o que nós criamos, de tudo o que nós podemos operar. É o componente que nos ajuda a formalizar, a dar forma aos padrões que temos operado. A lua é o nosso trabalho, a nossa família, a nossa saúde, a parte dentro da qual orbitamos sob a luz solar ou a luz de Deus.

A lua, para se ter ideia, não apresenta luz própria. Certo? Ela irradia a luz solar por tabela, reflete a luz do sol de forma diferente conforme a posição onde se encontra, em variações denominadas de fases. Então, a gente fala da lua e ela refere-se a quê? Aos reflexos. Percebeu? Porque o sol brilha, o sol irradia, e a lua reflete. Enquanto o sol é fonte irradiadora, a lua constitui um ponto de reflexão.

O sol nos manda princípios operacionais e a lua encaminha valores para a gestação, correspondendo aos níveis de esperança, de confiabilidade e resignação.

No fundo, é pela lua que nós criamos os contingentes somáticos para que a vida se expresse no plano de evolução. Está dando para acompanhar ou será que está um pouco complicado? A lua trabalha a fecundação dos aspectos de reflexo do sol.

E não adianta a luz sem a existência de anteparo estabelecido para promover o reflexo. 

Sem refletir não há claridade. Assim, a lua promove por tabela e revela o plano de nosso investimento. É o amparo indireto para nos trazer a luz, clareando a nossa noite em razão do escurecimento do sol. Representa os níveis de esperança e confiabilidade, expressões de resignação e segurança que nós vamos adquirindo ante o negrume dos acontecimentos na vida. Não tem outra, quando o sol se põe nós temos que recorrer aos nossos recursos pequenos, e diante das dificuldades não perdermos a chance de florir e manter o sorriso no rosto, confiantes no amparo divino.

Quando alguém fala que perdeu a esperança, que está tendo a sua fé combalida, é como se a lua, além do sol, também estivesse sendo amargada e detonada na sua estrutura e capacidade de refletir. A lua, que representa o plano de nosso investimento, passa nessa situação a apresentar-se de modo nebuloso.

Em uma situação dessa a gente entra numa faixa muito grande de desgosto, em que praticamente nada nos agrada, e sentimos uma tristeza danada em tudo.

Esse é o sentido que nós temos quando a lua deixa de dar a sua luz. É quando tudo em nossa volta parece estar complicado, tudo identificamos cheirando a sofrimento, desgosto e tristeza. É o tempo que nos desagrada, é o amigo, o companheiro, é o sócio que está nos desagradando. É o familiar que nos preocupa ou aborrece, é o trabalho que está nos onerando e dificultando. Sentimos como se tivesse sido cortada toda a nossa linha de sustentação. Sentimo-nos órfãos desse amparo e, ao mesmo tempo, vemos tudo muito ruim à nossa volta.

As estrelas são espécies de fulcros em torno dos quais orbitam os planetas, onde orbitam os outros elementos que estão vinculados a esses centros de verdadeiros sistemas.

Elas são astros luminosos que mantém praticamente a mesma posição relativa na esfera celeste, que emitem ou refletem a luz irradiada. Podemos dizer que representam os reflexos menores que constituem o nosso plano de vida, e a queda delas simboliza a desativação deles. Daí a gente nota que em todo o universo o fulcro de uma expressão menor tem órbita definida e laborada de centros mais ampliados. 

Cada um de nós, sem exceção alguma, faz o papel de estrela e a estrela, seja ela de maior ou menor luminosidade, tem sempre um ajuste a uma estrela maior. Todos nós situamo-nos numa escala gradativa, vinculados a centros maiores.

Se buscamos ser discípulos no campo moral temos que nos esforçar para nos ajustar às indicativas e iluminações dimanadas daqueles que são os apóstolos. Estes, por sua vez, recebem a luz de mais alto, do Cristo. E a luz infinita, o componente irradiador do amor em todo o universo, é Deus. De nossa parte compete aprender a eleger um sistema e seguir a órbita que esse sistema indica.

E quando ocorrer o desaparecimento de valores, então ostensivos em nossa paisagem, como veremos na parte a seguir, vamos precisar entender que eles se transformam em valores mais sutis, que visam deixar em nosso íntimo o substrato.

4 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 5

REFORMA ÍNTIMA

Reforma íntima não é criar. É reformar. É tornar a dar forma, mudar, e mudança com a finalidade de melhoria, dando nova concretude a um estado de alma.

É a mudança psíquica, porque a gente sabe que a mudança mental precede a mudança espiritual.

É interessante, pois quando começamos a abrir nosso campo mental nós passamos a observar, com maturidade, que realmente toda a nossa estrutura íntima necessita ser reformulada. Precisamos aceitar a nós próprios com as nossas imperfeições e, ao mesmo tempo, também nos manter atentos à oportunidade de melhorar. O que não pode é ficar naquela apatia: "Ah, você sabe, eu estou levando. Estou como Deus quer." Não é por aí. A grande luta que se trava, e que a princípio costuma nos causar abatimento, é aquela em que trabalhamos os componentes re-educacionais. Mas depois do abatimento ela nos propicia uma faceta nova de reconforto e esperança. Pois nada se conquista sem luta, e a luta tem dificuldades. Quanto mais a força re-educativa prepondera menores passam a ser naturalmente os processos reacionários no campo dos acontecimentos. E a gente nota que não tem outra, somos convocados a um redirecionamento. A conhecermos a nós mesmos e cuidarmos de nós mesmos.

No chamamento recebido por Francisco de Assis, você sabe qual foi o convite que ele recebeu? De erguer uma igreja. E o que ele fez? Foi erguer uma igreja física, até que depois ele entendeu que erguer igreja era erguer a igreja que cada um de nós somos. É trabalhar a intimidade dos corações de cada ser, edificando o templo vivo.

Se exercitarmos a razão e o bom senso e trabalharmos dentro de uma fé raciocinada, vamos verificar que os ensinamentos de Jesus nos conduzem sobre o nosso próprio comportamento. Você concorda? A nossa faixa mental é a área geratriz da nossa felicidade ou da nossa tristeza, do nosso bem estar ou da nossa dor, da nossa instabilidade ou da nossa harmonia interior. O que estamos aprendendo aqui, toda a nossa aprendizagem, não traz apenas uma soma informativa, mas traz também valiosos apontamentos indutivos, motivadores e incentivadores das nossas propostas re-educacionais, que só competem naturalmente a cada um de nós isoladamente aplicar. A palavra chave é conhecer.

Cada qual precisa conhecer a si próprio para sentir os pontos frágeis da personalidade que necessitam ser sedimentados, como aqueles pontos equivocados que precisam ser desativados e também os potenciais não cultivados e adormecidos que terão que ser trabalhados a fim de ganharem corpo.

Não tem outra, aquele que não aprender a se auto-observar daqui para a frente vai passar aos poucos a ser levado pelas correntezas e pelas circunstâncias da vida.

Precisamos desse entendimento, até para avançar com segurança, sem constrangimento e dor. Para avançar no plano das percepções que estão pela frente nós temos que enfrentar os registros que fazem parte das nossas experiências anteriores. Estamos diante de reações que são inerentes às próprias estruturas que estão arquivadas dentro de nós, e até mesmo para tentar ajudar as pessoas que vão chegar à nossa órbita de ação nós temos antes que encontrar com nós mesmos.

Você já reparou que as leituras hoje estão exigindo de nós muito mais levantamento do conteúdo, com paciência, do que propriamente uma leitura linear direta?

O que era evolução conquistada na base do impacto, pelas ações insistentes dos fatos exteriores, solidificando na nossa intimidade caracteres novos pelo sofrimento e constrangimento, hoje, por outro lado, virou uma abertura em que vão falar o quê? As estruturas interiores. Ou seja, o que era conquistado pelo impacto hoje é conquistado pela luta interior, mediante a observação, o levantamento, o estudo em que nós decompomos elementos estruturais de modo profundo.

Nós estamos aqui buscando ingerir parcelas substanciais do evangelho e um ponto fundamental do processo renovador é estudar o evangelho penetrando em nós próprios. Penetrando dentro de nós mesmos. É por isso que estamos sendo levados a um processo reflexivo de meditação diferente de como era no passado.

Você sabe, no passado nós ficávamos em estado de lótus quase uma semana inteira exercitando o sistema re-educacional de auto controle. E acabou isto? Não necessariamente. Muita gente ainda o faz, mas a nossa didática como é que tem sido? Nós pegamos uma mensagem do evangelho, entramos nela e achamos que estamos procurando explicações, mas no fundo nós estamos é trabalhando em nosso painel interior, que nem sempre está revelado com aquela claridade que a gente gostaria ou que nós gostaríamos. Percebeu? Nós estamos trabalhando é a nossa intimidade. Isso é que é interessante. O estudo do evangelho é uma imersão em nós mesmos, ele chega para trabalhar a nossa intimidade.  

"Eu venci o mundo", disse o cordeiro. Trata-se de preceito trabalhado por um pequeno número de pessoas.

E o que significa? A necessidade de termos um ponto que define o roteiro da nossa vida. E que, acima de tudo, é preciso vencer o mundo exterior à partir do nosso mundo íntimo.

Afinal, a grande massa luta para vencer no mundo. Não é isso mesmo? Não é assim que tem funcionado para a grande multidão? E uma pequena parcela, por outro lado, já luta para vencer o mundo. Então, repare bem, o Cristo não venceu no mundo, venceu o mundo. E o que é vencer o mundo? Já pensou nisso?

É passar por todas as vicissitudes e não se deixar envolver pelo que o mundo aponta; é saber administrar os recursos em volta, seguir a jornada sem sucumbir às influências do mundo; pisar com tranquilidade e serenidade numa trajetória com mais harmonia e paz. Vencer o mundo íntimo, que pede reconforto, que pede vida fácil, que pede uma série de coisas que nós nos habituamos na busca até da própria felicidade, dentro de uma plano de absoluta expressão transitória, não é fácil. E quem disse que é? No entanto, se o mestre venceu o mundo nós também, como discípulos, podemos e devemos fazer o mesmo.

Vencer! Pense comigo, quem diz vencer diz lutar. E como ele venceu, cumpre a nós imitá-lo, vencendo também. A reeducação íntima não tem ligação com a derrota.

Esse vencer é pelo estado de homologação consciencial. E todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão no planeta para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

Agora, o importante é que qualquer iniciativa, por mais ampliada que seja a proposta, tem que começar do mínimo. Porque é a soma do mínimo, em cada instante, que formam os componentes condicionados dentro de nós. É isso que forma o componente condicionado, não é um lance amplo, solto em nosso contexto de vida.

Não é a adoção de uma postura corriqueira, isolada, é o dia a dia, as menores atitudes que merecem a nossa maior atenção. A obra da redenção humana é a obra de educação.

O seguidor do evangelho se faz pelos seus passos de cada instante. Reforma íntima é coisa do dia a dia. É a humildade de reconhecer-se, de reconhecer os próprios erros, de pedir desculpas quando erra, é como a gente se alimenta, como se porta na mesa, como tratamos colegas que nem são simpáticos a nós, como reagimos diante de alguém, como atendemos uma solicitação, e por aí vai.

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