4 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 5

REFORMA ÍNTIMA

Reforma íntima não é criar. É reformar. É tornar a dar forma, mudar, e mudança com a finalidade de melhoria, dando nova concretude a um estado de alma.

É a mudança psíquica, porque a gente sabe que a mudança mental precede a mudança espiritual.

É interessante, pois quando começamos a abrir nosso campo mental nós passamos a observar, com maturidade, que realmente toda a nossa estrutura íntima necessita ser reformulada. Precisamos aceitar a nós próprios com as nossas imperfeições e, ao mesmo tempo, também nos manter atentos à oportunidade de melhorar. O que não pode é ficar naquela apatia: "Ah, você sabe, eu estou levando. Estou como Deus quer." Não é por aí. A grande luta que se trava, e que a princípio costuma nos causar abatimento, é aquela em que trabalhamos os componentes re-educacionais. Mas depois do abatimento ela nos propicia uma faceta nova de reconforto e esperança. Pois nada se conquista sem luta, e a luta tem dificuldades. Quanto mais a força re-educativa prepondera menores passam a ser naturalmente os processos reacionários no campo dos acontecimentos. E a gente nota que não tem outra, somos convocados a um redirecionamento. A conhecermos a nós mesmos e cuidarmos de nós mesmos.

No chamamento recebido por Francisco de Assis, você sabe qual foi o convite que ele recebeu? De erguer uma igreja. E o que ele fez? Foi erguer uma igreja física, até que depois ele entendeu que erguer igreja era erguer a igreja que cada um de nós somos. É trabalhar a intimidade dos corações de cada ser, edificando o templo vivo.

Se exercitarmos a razão e o bom senso e trabalharmos dentro de uma fé raciocinada, vamos verificar que os ensinamentos de Jesus nos conduzem sobre o nosso próprio comportamento. Você concorda? A nossa faixa mental é a área geratriz da nossa felicidade ou da nossa tristeza, do nosso bem estar ou da nossa dor, da nossa instabilidade ou da nossa harmonia interior. O que estamos aprendendo aqui, toda a nossa aprendizagem, não traz apenas uma soma informativa, mas traz também valiosos apontamentos indutivos, motivadores e incentivadores das nossas propostas re-educacionais, que só competem naturalmente a cada um de nós isoladamente aplicar. A palavra chave é conhecer.

Cada qual precisa conhecer a si próprio para sentir os pontos frágeis da personalidade que necessitam ser sedimentados, como aqueles pontos equivocados que precisam ser desativados e também os potenciais não cultivados e adormecidos que terão que ser trabalhados a fim de ganharem corpo.

Não tem outra, aquele que não aprender a se auto-observar daqui para a frente vai passar aos poucos a ser levado pelas correntezas e pelas circunstâncias da vida.

Precisamos desse entendimento, até para avançar com segurança, sem constrangimento e dor. Para avançar no plano das percepções que estão pela frente nós temos que enfrentar os registros que fazem parte das nossas experiências anteriores. Estamos diante de reações que são inerentes às próprias estruturas que estão arquivadas dentro de nós, e até mesmo para tentar ajudar as pessoas que vão chegar à nossa órbita de ação nós temos antes que encontrar com nós mesmos.

Você já reparou que as leituras hoje estão exigindo de nós muito mais levantamento do conteúdo, com paciência, do que propriamente uma leitura linear direta?

O que era evolução conquistada na base do impacto, pelas ações insistentes dos fatos exteriores, solidificando na nossa intimidade caracteres novos pelo sofrimento e constrangimento, hoje, por outro lado, virou uma abertura em que vão falar o quê? As estruturas interiores. Ou seja, o que era conquistado pelo impacto hoje é conquistado pela luta interior, mediante a observação, o levantamento, o estudo em que nós decompomos elementos estruturais de modo profundo.

Nós estamos aqui buscando ingerir parcelas substanciais do evangelho e um ponto fundamental do processo renovador é estudar o evangelho penetrando em nós próprios. Penetrando dentro de nós mesmos. É por isso que estamos sendo levados a um processo reflexivo de meditação diferente de como era no passado.

Você sabe, no passado nós ficávamos em estado de lótus quase uma semana inteira exercitando o sistema re-educacional de auto controle. E acabou isto? Não necessariamente. Muita gente ainda o faz, mas a nossa didática como é que tem sido? Nós pegamos uma mensagem do evangelho, entramos nela e achamos que estamos procurando explicações, mas no fundo nós estamos é trabalhando em nosso painel interior, que nem sempre está revelado com aquela claridade que a gente gostaria ou que nós gostaríamos. Percebeu? Nós estamos trabalhando é a nossa intimidade. Isso é que é interessante. O estudo do evangelho é uma imersão em nós mesmos, ele chega para trabalhar a nossa intimidade.  

"Eu venci o mundo", disse o cordeiro. Trata-se de preceito trabalhado por um pequeno número de pessoas.

E o que significa? A necessidade de termos um ponto que define o roteiro da nossa vida. E que, acima de tudo, é preciso vencer o mundo exterior à partir do nosso mundo íntimo.

Afinal, a grande massa luta para vencer no mundo. Não é isso mesmo? Não é assim que tem funcionado para a grande multidão? E uma pequena parcela, por outro lado, já luta para vencer o mundo. Então, repare bem, o Cristo não venceu no mundo, venceu o mundo. E o que é vencer o mundo? Já pensou nisso?

É passar por todas as vicissitudes e não se deixar envolver pelo que o mundo aponta; é saber administrar os recursos em volta, seguir a jornada sem sucumbir às influências do mundo; pisar com tranquilidade e serenidade numa trajetória com mais harmonia e paz. Vencer o mundo íntimo, que pede reconforto, que pede vida fácil, que pede uma série de coisas que nós nos habituamos na busca até da própria felicidade, dentro de uma plano de absoluta expressão transitória, não é fácil. E quem disse que é? No entanto, se o mestre venceu o mundo nós também, como discípulos, podemos e devemos fazer o mesmo.

Vencer! Pense comigo, quem diz vencer diz lutar. E como ele venceu, cumpre a nós imitá-lo, vencendo também. A reeducação íntima não tem ligação com a derrota.

Esse vencer é pelo estado de homologação consciencial. E todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão no planeta para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

Agora, o importante é que qualquer iniciativa, por mais ampliada que seja a proposta, tem que começar do mínimo. Porque é a soma do mínimo, em cada instante, que formam os componentes condicionados dentro de nós. É isso que forma o componente condicionado, não é um lance amplo, solto em nosso contexto de vida.

Não é a adoção de uma postura corriqueira, isolada, é o dia a dia, as menores atitudes que merecem a nossa maior atenção. A obra da redenção humana é a obra de educação.

O seguidor do evangelho se faz pelos seus passos de cada instante. Reforma íntima é coisa do dia a dia. É a humildade de reconhecer-se, de reconhecer os próprios erros, de pedir desculpas quando erra, é como a gente se alimenta, como se porta na mesa, como tratamos colegas que nem são simpáticos a nós, como reagimos diante de alguém, como atendemos uma solicitação, e por aí vai.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...