11 de fev de 2015

Cap 48 - O Sermão Profético - Parte 7

QUANDO SE PERDE A REFERÊNCIA I

“E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ, E AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU, E AS POTÊNCIAS DOS CÉUS SERÃO ABALADAS.” MATEUS 24:29

“14E O CÉU RETIROU-SE COMO UM LIVRO QUE SE ENROLA; E TODOS OS MONTES E ILHAS FORAM REMOVIDOS DOS SEUS LUGARES. 15E OS REIS DA TERRA, E OS GRANDES, E OS RICOS, E OS TRIBUNOS, E OS PODEROSOS, E TODO O SERVO, E TODO O LIVRE, SE ESCONDERAM NAS CAVERNAS E NAS ROCHAS DAS MONTANHAS.” APOCALIPSE 6:14-15

Os textos referenciados dizem respeito às conturbações que nós estamos vivendo neste mundo ainda em transição, tanto na sua natureza social, no aspecto literal, como também na ordem íntima espiritual.

E é interessante notar, de princípio, que quando passamos pelas dificuldades, e quem já tem algum conhecimento já notou isso, um acontecimento nunca vem sozinho. Então, vão vindo os acontecimentos.

A terra abalada por um tremor de terra, significa o quê? É como se nos faltasse o piso. O sol, que é o centro do sistema, se enegrece. A lua, como sendo o amparo que vamos ter de modo indireto para clarear a noite em razão do sol que está tamponado, também não reflete, o que impede a manifestação da luz. A escuridão abrange a nossa caminhada e nem mesmo as estrelas, com os seus pontos capazes de pelo menos cortar essa condição de negrume, conseguem auxiliar. Por fim, a queda das potências se evidencia, o que corresponde à perda de orientação pelo amplo declínio dos valores tidos como elementos de orientação geográfica. E o nosso céu, que precisa ser um céu cada vez mais clarificado e destituído de nuvens, se encontra cada vem mais turvo.

O sol e a lua são dois elementos de caráter luminoso. E o que a gente nota é que em função do tremor de terra e das alterações de foro íntimo, na vida mental, no campo do sentimento e nas estruturas de ótica racional, ambos os elementos podem desativar as suas expressões ou empalidecer ou se enegrecerem.

Então, nós temos hoje muita gente se aproximando dos centros religiosos em busca de quê? De refúgio.

Muitos companheiros, nos mais diversos ambientes e situações, se encontram totalmente no escuro. Sentem como se vida tivesse fechado para eles as comportas de sustentação. Sentem desalento: "Ah, eu não vou viver não, porque acabou tudo para mim." E quando falamos em céu, sabemos bem que é céu íntimo, e diz respeito à soma de nossa esperança, de nossas perspectivas e ideais.

E quando esse escurecimento se dá é como se a criatura ficasse entregue à própria sorte, enquanto perdurar determinadas condições que marcam o balanço nos terrenos do destino. Quando isso acontece os valores do nosso céu se modificam e, às vezes, mudamos toda a nossa hegemonia de vida, sem que ocorra necessariamente uma mudança de caráter temporal. A gente perde o piso realmente. Muitas pessoas procuram nos ajudar, mas não conseguem acesso e também não oferecem o componente de segurança que estamos precisando. Nem mesmo os bons espíritos conseguem. Sentimos como se tivéssemos perdido o rumo. Pegamos um livro para ler, tentando encontrar uma saída, e nada. Podemos até ler todos os livros da biblioteca e não encontramos nada.

É como se a gente olhasse as nossas conquistas, as nossas obras realizadas, que representam nosso piso e segurança, e as víssemos de forma distorcida. Parece que perderam um pouco do sentido. Já não expressam tanta segurança para nós como antes. Você já passou por isso? É como diz o apocalipse: "E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares." (Apocalipse 6:14)

Os montes e as ilhas, como referencial de orientação para nós, deixam de fazer parte do painel e da paisagem da nossa vida. O que aconteceu? Os montes e as ilhas em que nós buscávamos refúgio e estruturávamos o plano de segurança simplesmente foram tirados do lugar, foram removidos dos seus lugares. Tudo o que representa segurança, independente das condições de cada qual, vai sendo removido. E por ser ilhas e montes não significa necessariamente que estamos sozinhos. Não, às vezes eles são tirados e removidos quando estamos no meio de pessoas.

Mas para quem acha que acabou em uma situação dessa, fica um recado: Não acabou nada!

Ante o tremor que chega, e objetiva empalidecer os nossos valores, é preciso buscarmos a luz e a harmonia íntimas, para que em meio aos problemas nós não venhamos perder a alegria futura. Conseguiu entender? Vamos por uma coisa na cabeça: aquele que deixar ofuscar a luz de amar em função dos problemas que enfrenta vai se defrontar com problemas muito maiores na frente.

Quando a nossa esperança está reduzida é óbvio que o nosso senso de alegria fica como que tamponado. E ficamos querendo tirar de qualquer jeito aquele momento de angústia e queda do nosso coração, mas também temos que trabalhar com os padrões que necessitam crescer, que precisam ser operados e que irão nos auxiliar a desativar a presença dessas formas de reação negativas que trazemos.

Por enquanto a gente reclama muito das dificuldades, fica chateado por ter perdido a acomodação, e esquecemos que o que a gente acha que acabou pode apenas estar se recompondo nas faixas do destino, e com muito mais confiança e muito mais esperança do que antes. Deu uma ideia? Temos que nos lembrar disto.

Na medida em que desativamos os lamentos pelas mudanças a que somos levados a efeito, nós vamos começando a encontrar um apoio sólido na nossa própria intimidade.

Analise comigo o seguinte: Se os montes e as ilhas são deslocados de seus respectivos lugares, vai acontecer o quê? Eles vão para outros lugares, certo? Afinal, o texto não diz que eles foram destruídos, diz que foram removidos de seus lugares.

Logo, eles vão partir para outros lugares, vão para outros pisos, para outras concepções.

E o que é mais importante, eles podem ser removidos, mas a faixa de aprendizagem permanece, fica o substrato. E isto é bonito demais de entender. O que sugere que o momento que nós estamos vivendo propõe a substituição desses referenciais bem ostensivos, bem claros, para um plano de referência novo, onde o sutil é que passa a definir as nossas buscas. Sai o concreto, fica o sutil. O prédio é derrubado, a ilha desaparece, mas fica o quê? Fica toda a mensagem gravada.

Muitas vezes, para a mudança de uma paisagem, para o surgimento de uma estrutura nova, o referencial de orientação anterior tem que deixar de ser ostensivo para entrar no terreno sutil. A própria queda, o próprio tremor de terra que nos abala, não sugerem necessariamente uma destruição, sugerem atrás de tudo isso uma recomposição e um redirecionamento na elaboração de reerguimentos em novos ângulos.

Repare para que todas as vezes que uma luz nova vai surgir, nós vamos notando que ela virá com muito mais intensidade, com muito mais expressão de claridade e iluminação do que a que nós tínhamos antes. A gente sai fortalecido.

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