3 de mar de 2015

Cap 49 - O Cego de Jericó (2ª edição) - Parte 1

JERICÓ

“E, TENDO JESUS ENTRADO EM JERICÓ, IA PASSANDO.” LUCAS 19:1  

“E, RESPONDENDO JESUS, DISSE: DESCIA UM HOMEM DE JERUSALÉM PARA JERICÓ, E CAIU NAS MÃO DOS SALTEADORES, OS QUAIS O DESPOJARAM, E ESPANCANDO-O, SE RETIRARAM, DEIXANDO-O MEIO MORTO.” LUCAS 10:30  

A cidade de Jericó, na província da Judéia, ao tempo de Jesus era bem importante. Ao lado oriental do Jordão, situava-se a 23 quilômetros de Jerusalém, perto do mar Morto. 

Era próspera por sua economia e agricultura. Produzia palmeiras, árvores balsâmicas e figueiras. Sempre mereceu a atenção dos viajantes por ter um dos maiores oásis da região, pelas suas fontes de águas medicinais, pelos palácios construídos e pela beleza e luxo das suas moradias, erguidas pelas famílias ricas de Jerusalém.

E como a mensagem do evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito em sua essencialidade, a Jericó que nos interessa não é essa do passado, física, literal, erguida de pedras, mas a de hoje, para muito além do seu aspecto físico. A Jericó que realmente nos interessa é a Jericó em seu sentido puramente espiritual.

A gente sabe, e temos batido continuamente nessa tecla: vida é um processo de eleição pessoal. O que quer dizer? Que os valores e os interesses que nós elegemos, a nível mental, nos situam em territórios diversificados que o evangelho apresenta. Afinal de contas, toda a Palestina está onde? Dentro de nós mesmos. O resultado é que cada cidade nos apresenta um ponto interessante, está presente no âmago do nosso piso vibracional, está no nosso território íntimo.

Conhecida como via de intensa movimentação comercial, a cidade de Jericó simboliza o campo dos nossos interesses materiais e transitórios. Vamos explicar?

Jericó era cidade preferida dos comerciantes em busca do cobiçado lucro material. 

Apresentava comércio bastante desenvolvido, inclusive com a sua população habituada à circulação de dinheiro. À partir desse ponto, nós podemos concluir o quê? Que em se tratando de vida mental ela é a província psíquica vinculada aos interesses materiais. Ficou claro? É a região mental baseada no apego aos valores de natureza imediatista. Aquela faixa vinculada aos interesses de natureza transitória, onde os valores espirituais são deixados de lado em favor dos transitórios.

Nós a identificamos mediante a eleição de vida nos parâmetros de natureza tangível, onde elegemos como prioritários uma soma de valores relacionados aos aspectos da vida efêmera. De forma que aqueles que estão em Jericó estão vibrando com o sistema materialista reinante.

Nós precisamos das questões materiais. Elas são imprescindíveis, e disso não se discute. Agora, a questão é que muitas pessoas estruturam suas vidas em Jericó. Nela fixam as suas residências mentais, por vibrarem exclusivamente com as faixas de padrões efêmeros, e não abrem mão de jeito nenhum. Não abandonam esse terreno de forma alguma, faça sol ou faça chuva. Porque esse ambiente, em razão dos seus habitantes elegerem como prioritários os interesses passageiros, proporciona-lhes a segurança e a razão de ser. Mas vamos ver daqui a pouco o que acontece com quem não se predispõe a sair de lá.

Em se tratando de altitude, é uma das cidades mais baixas da Terra, a 272 metros abaixo do nível do mar. Isso mesmo. Enquanto Jerusalém, que simboliza as conquistas do espírito e o direcionamento da mente aos padrões superiores da vida fica a 760 metros acima, Jericó está a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo.

Agora, pense comigo. Como o nosso campo psíquico engloba todo o ambiente da Palestina, você acha que Jericó está mais para o superconsciente ou para o subconsciente? 

A parábola do bom samaritano, e você se lembra dela, nos ajuda a responder, quando nos diz que "descia um homem de Jerusalém para Jericó". Daí nós podemos concluir que em Jericó eu tenho o meu pensamento vibrando com as faixas inferiores, com a parte baixa da minha vida mental. Situada a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, nos aspectos mais íntimos Jericó está mais para o subconsciente. 

Segundo a parábola do bom samaritano, descer para Jericó é descer das faixas superiores da vida mental mediante a queda no subconsciente, onde se cai na mão de salteadores. Em suma, essa descida revela o estado de queda moral do ser humano que vive à cata de aventuras em planos vibratórios inferiores, e que em razão disso que se submete aos ataques das trevas por conta e risco próprios.

A cidade de Jericó retrata o plano de sensações imediatistas que nós devemos abandonar.

A bem da verdade, ela nos mantém reclusos à retaguarda da evolução em razão do nosso cultivo aos aspectos da vida transitória, onde aprisionamos os melhores valores importantes ao progresso. Isso é algo para ser analisado com muito carinho. Jericó é ambiente psíquico que nos prende à retaguarda.

Outra narrativa do evangelho, a que descreve o encontro de Jesus com Zaqueu, o chefe dos publicanos, é objetiva nesse ponto. Ela menciona que Jesus não fica em Jericó, passa por Jericó. 

E, para ser mais preciso, a forma verbal usada nem é passa, é passando: "E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando." (Lucas 19:1) Você já pensou no porquê disso? É muito simples, a felicidade legítima não pode ser encontrada nesse território, nos valores tangíveis que ele nos proporciona. 

Essa passagem (porque gerúndio transmite essa ideia de continuidade) busca atrair a nossa atenção, despertando-nos a necessidade de deixarmos o ambiente menos feliz onde insistimos em nos manter inseridos por muito tempo. Jesus vem passando pela Jericó de nossa intimidade para atrair a nossa atenção para novas faixas de vibração. E tudo quanto que é capaz de movimentar o espelho de nossa mente na direção dos valores elevados consubstancia essa passagem. Mas a questão é que permanecemos ainda desinteressados, não damos o devido valor, desconsideramos de pronto o chamado. E perdemos com isso oportunidades pela cristalização em que nos mantemos.

Agora, preste atenção no detalhe: Jesus passa para nos convidar a sair pela espontaneidade.

Ficou claro? Somos todos convocados a deixar a Jericó de nossas almas, porque esse ambiente é um terreno transitório. Eu digo transitório porque essa cidade vai ser destruída. Deu para entender? A cidade de Jericó é destruída, e em razão disso nossa permanência nela é temporária. Ensina para nós que os valores materiais onde fixamos a nossa confiança serão derrubados para propiciar uma edificação efetiva de natureza espiritual. Porque a segurança real não vem de fora, a segurança verdadeira a encontramos dentro de nós mesmos pela nossa capacidade de operar.

E o desejo de sair desse terreno surge quando os benefícios que ele nos oferece deixam de atender os nossos anseios e passamos a buscar identificar algo novo que nos felicite mais amplamente.

Jericó era cidade antiga, cercada por muralhas praticamente intransponíveis. Inclusive trombetas foram usadas em grande número, e de forma uníssona, para derrubar essas muralhas. E que muralhas são essas hoje? Bem, são as barreiras. Definem os valores que trazemos conosco e que cerceiam a nossa afirmação no bem.

Um comentário:

  1. muito bom ,relata um estudo bem informado que nos prende em um mundo onde o espiritual fica de lado . Dando um exemplo claro que muitas vezes esquecemos o foco que em primeiro o reino de Deus e a sua justiça......

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