17 de mar de 2015

Cap 49 - O Cego de Jericó (2ª edição) - Parte 3

O CEGO SOMOS NÓS

“DEPOIS, FORAM PARA JERICÓ. E, SAINDO ELE DE JERICÓ COM SEUS DISCÍPULOS E UMA GRANDE MULTIDÃO, BARTIMEU, O CEGO, FILHO DE TIMEU, ESTAVA ASSENTADO JUNTO DO CAMINHO, MENDIGANDO.” MARCOS 10:46  

Essa passagem do evangelho tem importância singular. Note que o evangelista Marcos fez questão de mencionar o nome do cego (Bartimeu) e do seu pai (Timeu). E para início de conversa, a cegueira do cego de Jericó era decorrente de quê? Porque nós sabemos que não existe efeito sem causa. A cegueira era decorrente da cristalização dele no ambiente, da sua permanência constante naquele campo vibracional de materialidade reinante que oblitera a capacidade visual.

A bem da verdade, o cego que vivia da esmola e da caridade dos transeuntes revela as nossas dificuldades de visão no campo da alma, e isso é interessante de se ter em conta.

Cabe a cada um de nós, individualmente, saber se a cegueira é uma cegueira resultante apenas do desconhecimento, ou se foi originada pelas nossas ações menos felizes, cultivada através dos tempos pela nossa condição egocêntrica ou egoística. Saber que tipo de cego somos no que reporta aos valores essenciais da vida.

É interessante observar, também, como se encontrava o cego antes de Jesus e como ele passa a estar depois desse contato. E por falar nisso, como ele estava inicialmente? O texto nos afirma que estava "assentado junto do caminho, mendigando". Três aspectos relevantes que não podem passar em branco.

É só a gente pensar que nos assentamos para quê? Para nos acomodar. E mais, quando a gente se acomoda a gente se aquieta, relaxa. Nós estamos nos referindo ao sentido intrínseco, claro. Assentado define aquela atitude mental de inoperância, em que a criatura se reveste de uma acomodação face aos imperativos de trabalho pela edificação da vida imortal. Percebeu? No mundo de correria em que vivemos encontramos pessoas de todas as idades, de todos os lugares, de todas as posições sociais, envoltas nas mais diversas atividades, que estão trabalhando muito, correndo para não chegarem atrasadas nos compromissos profissionais, que estão se movimentando de tudo quanto é jeito, fazendo aulas de dança, praticando esportes, mas que estão realmente assentadas no que reporta a ação de edificação para os aspectos da vida espiritual.

E ele não estava no caminho. Estava junto. É diferente. Estar junto é estar próximo, mas não estar efetivamente. Não é isso? Em primeiro lugar, ele estava assentado à beira do caminho e caminho a gente sabe, não comporta acomodação.

Caminho propõe movimento. E o caminho é Jesus, a definir que estava à margem da verdadeira estrada de edificação. Em outras palavras, estava próximo, mas ainda fora dos valores espirituais. De algum modo ele estava fora de foco.

Mas tem coisa positiva nisso aí. Por outro lado, junto do caminho ou à beira do caminho, embora assentado, significa próximo. Indica uma postura pessoal de querer se desvincular do ambiente menos feliz. Define a representação do deslumbramento ou a percepção de uma nova claridade. Concorda? O cego não estava enxergando, nós o temos preso aos planos de retaguarda, porém já se abrindo para o amor na sua grandiosidade. Essa postura de proximidade já o fazia sentir os primeiros raios do sol surgindo. Ele estava se abrindo para a vida mais abrangente.

Queria luz. Queria enxergar. E essas primeiras linhas perceptivas da personalidade dele foram o que lhe fez ir de encontro à luz plena. Para se atingir esse patamar novo a individualidade precisa sentir que o terreno em que ela está já não está mais dando para ela. Que esse terreno já está saturado, não atende mais. Agora, ao mesmo tempo em que ela se esforça para alcançar o novo piso, pela implementação de esforços novos, ela também precisa entender que nem todos à sua volta querem abandonar o patamar de origem.

Ou seja, muitos querem mudar, querem fazer. Alegam propósitos, definem planos, elegem estratégias, todavia ficam apenas em um querer da boca pra fora.

Mendigar é pedir esmolas. Não é? O mendigo oferece alguma coisa à vida? Pense bem.

Não, não é preciso nem pensar muito para responder. Mendigo é aquele que não oferece nada à vida. É mero recebedor de recursos, se posiciona como pedinte.

A gente estuda esse texto do evangelho e percebe que o cego não é o Bartimeu de ontem, somos nós agora. Nós estamos analisando é a nossa própria vida hoje. Se você pensar bem, os recursos materiais e os valores amoedados que o mundo oferece são verdadeiras esmolas diante das bênçãos incomensuráveis estendidas pela misericórdia na infinita dimensão do espírito, quando insistimos em nos manter fora do caminho, quando permanecemos assentados e dissociados da linha do amor. 

Mas a situação que o cego vivia não o agradava. Tanto não o agradava que os valores recebidos do mundo não se sobrepuseram ao interesse que ele nutriu por Jesus. E ele fez por onde mudar sua história.

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