28 de mar de 2015

Cap 49 - O Cego de Jericó (2ª edição) - Parte 5

LANÇAR A CAPA E LEVANTAR-SE

“49E JESUS, PARANDO, DISSE QUE O CHAMASSEM; E CHAMARAM O CEGO, DIZENDO-LHE: TEM BOM ÂNIMO; LEVANTA-TE, QUE ELE TE CHAMA. 50E ELE, LANÇANDO DE SI A SUA CAPA, LEVANTOU-SE, E FOI TER COM JESUS.” MARCOS 10:49-50

"E Jesus, parando, disse que o chamassem." (Marcos 10:49) De fato, Jesus não para. O texto não diz que ele parou. Parando é diminuição momentânea da marcha para atendimento a algum objetivo. Mais uma vez vale a pena repetir, a forma do gerúndio (terminação pelo sufixo ndo) denota ação continuada do verbo.

E ele disse para que chamassem o cego. E a multidão, que antes se mantinha egoísta, sem enxergar a necessidade alheia, sob a liderança do mestre maior adota outro procedimento.

O que temos que guardar é que o Cristo é quem realiza. A nós compete chamar. Vamos explicar. Na ressurreição de Lázaro, e você deve se lembrar, Jesus não retirou a pedra, certo? E porque ele não fez a pedra cair? Por acaso ele teria alguma dificuldade nisso? Não poderia fazer o menos quem fez o mais? Certamente poderia sim, no entanto determinou que os homens fizessem o que estava ao alcance deles fazer. Deu uma ideia? Jesus faz o que somente ele pode fazer. Nos acode no atendimento de nossas carências. No caso de Lázaro, os circunstantes tiraram a pedra que fechava o sepulcro e o desataram, e o Cristo operou a ressurreição. Agiu em seguida, no terreno em que os homens não podem intervir.

E o engraçado é que às vezes nós achamos que fazemos demais. Achamos que fazemos muito nos terrenos do amor operacionalizado, no campo da caridade, quando a nossa função primordial limita-se a chamar. Chamar o cego a multidão podia fazer.

Jesus sempre nos chama. Cabe a nós manter ouvidos para ouvir e captar sua mensagem.

Aproveitemos desse episódio a lição. Tiremos a pedra, chamemos o cego e depois aguardemos a intercessão superior. Esse é o papel desempenhado por pessoas que aparentemente surgem ao acaso diante da nossa vida, mas que nos impulsionam para a frente, realizando muitas vezes cooperação mínima, mas eficiente. No geral, são pessoas anônimas que nos indicam o momento propício para a nossa melhoria. Que sabem reconhecer Jesus passando perto de nós. E cada um pode dar o seu recado, desde os chamados mais simples aos mais complexos.

Em momento algum da caminhada, e independente dos problemas, nós não podemos nos curvar e nos deixar abater, especialmente diante do tanto que a misericórdia superior tem investido em nós. É fundamental cultivar o ânimo. Não desanime!

Reflita no que você tem de melhor. Pessoa alguma triunfa na vida sem um ânimo forte. Não é fugindo das dificuldades que se consegue vencê-las. É enfrentando-as.

Além do que, os grandes problemas da vida requerem ânimo forte e vontade irredutível para serem solucionados. Sem dúvida alguma, precisamos de um sacrifício maior para conquistar. O apóstolo Tiago é mais enfático. Ele fala em duplo ânimo ("Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações." Tiago 4:8) E sabe o que é interessante? É que sem essa postura a nossa vontade, em muitos casos, fica subordinada ao reflexo já condicionado dentro da gente. E para que ocorra sobreposição a esse bloco de registros íntimos, resultante de várias experiências lá de trás e dessa vida também, é preciso um duplo ânimo. Isso mesmo. É imperioso um ânimo dobrado, pois já existe impulsionado todo um sistema de vida que é o automatismo dos nossos reflexos, que se mantém engatilhado. Por isso, duplo ânimo é ânimo redobrado. Ante o automatismo irreverente que nos domina é preciso ânimo redobrado para que possamos enveredar por um processo diferenciado, laborando novos componentes para o nosso campo reeducacional. Será que deu para acompanhar? A primeira metade do ânimo neutraliza a insinuação do reflexo e a outra metade efetiva a conquista.

Para sair da condição de cego ele levantou-se. Porque é muito difícil ter uma parte no evangelho em que alguém dá a mão ou puxa outrem. Analisando melhor, puxar ou empurrar não tem. Vamos encontrar o "vem" de Jesus, que é uma espécie de estender a mão. E no versículo em questão nós temos o verbo levantar na voz ativa reflexiva (levantou-se), ou seja, a definir que o sujeito praticou a ação e recebeu a ação simultaneamente. Ele levantou ele mesmo. Repare que em várias ocasiões Jesus dá o comando e a individualidade realiza. O toque, não há dúvida, é vibracional, todavia o processo de aproximação é nosso.

Levantar-se é erguer-se, é dar-se mais altura, fator indispensável para se poder mudar de plano. É princípio de disposição íntima e confiabilidade. Uma atitude nascida dentro dele, sem a qual os objetivos não teriam como ser alcançados.

O que é capa? É aquilo que serve para cobrir. Em se tratando de vestuário, é a peça que usamos sobre a roupa para protegê-la ou para nos proteger contra a chuva.

Capa sugere exterioridade e proteção. Em sentido mais profundo, define a camada que nos envolve, envolvimento periférico resultante da marginalização e da acomodação a que nos ajustamos no decorrer dos séculos. Não é preciso ir longe para se constatar que as criaturas humanas exibem no mundo as capas mais diversas. Várias são as facetas do orgulho, da vaidade, da presunção, do egoísmo, das mágoas, da conveniência, dos interesses e dos desejos que formam pesada capa que impossibilita ver e estar com Jesus. Para justificá-las, muitos alegam que a luta humana segue repleta de variadas requisições e que é imprescindível atender à movimentação do século. Que é fundamental se adequar às conjunturas e manter posturas diversificadas em face de várias situações.

O que nos interessa, por agora, é que o cego de Jericó define um cidadão novo no campo do espírito.

Largando de vez a máscara que o fazia enfermo, destituindo-se das amarras que o prendiam, e usando da melhor forma o seu livre-arbítrio, levantou-se e foi ao encontro do mestre. Deixou a aparência, mostrou-se tal qual é e foi estar com o ele. E lançar a capa é algo essencial se buscamos saúde e paz no coração.

Lançar a capa é deixar os velhos envoltórios da ilusão. É despir-se dos valores que nos prendem à retaguarda.

Pense com carinho nessa questão. Se você deseja receber a bênção sagrada da divina aproximação identifica a necessidade de desvestir-se, aliviando a carga para buscar Jesus. Lança fora de ti tua capa correndo ao encontro do mestre, como fez o personagem do estudo, que agindo assim alcançou novamente a visão para seus olhos tristes e apagados. Se deseja sinceramente a aproximação com Jesus para receber benefícios duradouros, lança fora de ti a capa do mundo transitório. Deixa de lado a ilusão e os vários envolvimentos e apresenta-te ao senhor como realmente você é. Sem a preocupação de querer mostrar títulos efêmeros, fortuna material ou um exagerado grau de sofrimento.

Lembra que manter falsas aparências diante do Cristo ou de seus mensageiros de nada ajuda, pelo contrário, só complica a situação. Seja você mesmo. Apenas despe tua capa mundana e apresenta-te a ele como é. Por inteiro. Sem mais, nem menos.

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