31 de mar de 2015

Cap 49 - O Cego de Jericó (2ª edição) - Parte 6 (Final)

QUE QUERES QUE EU TE FAÇA

“51E JESUS, FALANDO, DISSE-LHE: QUE QUERES QUE EU TE FAÇA? E O CEGO LHE DISSE: MESTRE,  QUE EU TENHA VISTA. 52E JESUS LHE DISSE: VAI, A TUA FÉ TE SALVOU. E LOGO VIU, E SEGUIU A JESUS PELO CAMINHO.” MARCOS 10:51-52

Não há o que duvidar, o cego de Jericó define um cidadão novo no campo do espírito.

O próprio mestre fez questão de frisar a grandeza da sua fé. Aliás, fé essencial para alcançar o que ele tanto queria. Fé perseverante. Fé constante. Fé para acreditar naqueles que haviam lhe falado antes em Jesus (afinal, ele queria ver Jesus por ter ouvido falar antes em Jesus); fé para perseverar em seu propósito, mesmo diante das dificuldades exteriores que se interpuseram diante de seu caminho; fé para nutrir uma confiança crescente, apesar da repreensão da multidão; fé para lançar sua capa, levantar e apresentar-se em sua indigência ao divino amigo; e fé para obedecer suas instruções.

E nós? Até onde estamos dispostos a ir? Também precisamos aprender a movimentar nossas mínimas reservas de energia colocando-as a serviço de nossa cura e melhoria.

Temos aprendido, e eu também me incluo nisso, óbvio, que não se promove a reeducação e não se implementa progresso, sem um objetivo. Não há como promover um processo de encaminhamento para uma nova etapa, e desenvolver o caminho dessa nova etapa, sem que se tenha uma meta delineada.

Então, nós temos que saber o que queremos. Precisamos fixar o objetivo e ir em busca. Porque estamos aqui? O que nos faz acessar este blog? Estamos apenas como deleite para entretecer nosso campo mental, para sofisticar nossa mente no campo intelectivo, ou estamos aqui com uma proposta real de crescer?

Jesus inquiriu o cego acerca do que ele queria. Ao fazer a pergunta aguardava a manifestação pessoal dele, respeitando o seu livre-arbítrio. É imperativo saber o que queremos de uma determinada situação. Deus sabe o que precisamos, mas ele fica aguardando sabe o quê? A manifestação nossa, a postura para formar a linha de fechamento do circuito. O cego, por exemplo, podia querer várias coisas, não podia? Podia querer um pedaço de pão, uma moeda. Afinal de contas, ele não era mendigo? Não tinha várias necessidades? Ele gritava utilizando a sua voz porque não enxergava, mas no fundo o que queria de verdade era ver.

E ele soube responder, solicitando visão. O desejo de ver sintetiza a estrutura da personalidade dele. E foi diretamente à fonte certa. Se Jesus é a luz do mundo, logo, a luz é com ele. Ver, no sentido essencial, é alcançar com a vista, é conhecer, enxergar, saber, identificar a luz. E repare em uma coisa, todo aquele que tem bons olhos não vê nem o bom nem o ruim, compreende. Concorda? A capacidade de ver representa não apenas detectar, afinal, quem sabe ver detecta, sabe porque vê, e mais, para que vê. Por isso, não basta só ver, é preciso mais que isso, é preciso saber ver. A visão, sob o aspecto da compreensão, abre para nós uma perspectiva nova, objetivando novo período, nova etapa.

Em muitas situações ver define percepção e aprofundamento das causas. Muitas vezes, para entendermos as situações do presente nós temos que saber enxergar o passado com os olhos do espírito. Ir para além do que os olhos físicos apresentam. E mais felizes nos sentimos quando passamos a entrar no terreno das causas.

Resultado: você passa por problemas de vulto? Paciência com as dificuldades e as provas, porque tudo o que os nossos olhos nos mostram é passageiro, é transitório.

E quer saber mesmo? O propósito desse cego honesto e humilde deveria ser o nosso em todas as circunstâncias. Já nos identificamos com esse personagem extraordinário. Sentimos que em certos momentos estamos estudando a nossa própria realidade. No plano físico ou fora dele, em diversas ocasiões somos esse mendigo de Jericó esmolando às margens da estrada comum. A vida nos chama, o trabalho nos solicita a colaboração ao irmão que tantas vezes nem conhecemos, a luz do conhecimento nos visita o entendimento, o evangelho clareia paulatinamente o campo das nossas ideias, mas mesmo assim permanecemos indecisos. Apegados ao plano material e tangível das coisas, ficamos assentados e sem coragem para marchar rumo à realização elevada que nos compete.

E quando surge a oportunidade do encontro espiritual com Jesus, e ele pergunta o que queremos, simplesmente não sabemos responder. Perdemos a oportunidade.

Gastamos o tempo precioso do contato com queixas inúteis. Manifestamos inconformação, mencionamos que o mundo se volta contra nós, que o peso sobre as nossas costas é muito grande, e por aí afora. E quando pedimos, o fazemos de maneira indevida. Sem a devida sensatez, limitamo-nos a fazer solicitações descabidas, que visam exclusivamente nossos caprichos pessoais ou nos mantemos inertes e indiferentes à sua augusta presença. Por isso, do fundo do coração, vamos recordar o pobrezinho de Jericó. Diante do mestre não é preciso volumosa bagagem de rogativas. Também não vamos ficar nessa de fazer exigências e alegações desmedidas. Peçamos forças para mudarmos o que puder ser mudado e o dom sublime de ver. O que precisamos é o dom de ver com a exata compreensão as particularidades do caminho evolutivo. Que o senhor nos faça enxergar os fenômenos e situações, as pessoas e as coisas, com amor e com justiça. E possuiremos o necessário para a nossa alegria imortal.

E Jesus lhe disse: Vai! Imperativo. Não tem outra, o importante é ir, prosseguir, avançar, continuar, pondo em prática o que se aprende. Com dor ou sem dor, feliz ou aborrecido, é preciso seguir em frente. A cura do cego veio e resultou de uma série de fatores. E nós, já pensou? Ocasionalmente, com à solução à porta, desistimos. 

Com Jesus somos capazes de ver. E quem deseja livrar-se de suas limitações pode e deve fazê-lo. Mas para chegarmos ao objetivo somos convocados a persistir. Não dá para entregar os pontos no meio do caminho, ficar sentado, lamentando ou se esquivando.

A gente estuda e percebe que à medida em que nos aproximamos da verdade vamos, ao mesmo tempo, nos afastando dos erros. O cego de Jericó passou a ver com propriedade, não foi? Tanto que ele seguiu Jesus. Porque a primeira coisa que ocorre quando se começa a ver é o processo aplicativo. Sabia disso? O primeiro fator que importa quando se passa a ver é a aplicabilidade. E, de fato, nós temos que aplicar corretamente. Ora, quantos benefícios nós temos recolhido ao longo da caminhada e não apropriamos adequadamente? Perdemos a chance. No fundo, muitos passam a ver e acabam não aproveitando.

Ficou definido que o cego à beira do caminho se achava saturado da vida que levava, e queria ver. Sabe porquê? Porque ele podia continuar lá, não é? Ou podia ter ido embora. Mas não. O evangelho define que ele seguiu Jesus pelo caminho. E seguir Jesus no caminho é resposta de quem se despertou espiritualmente.

Seguiu Jesus porque viu com propriedade. Modificado, não permaneceu mais à margem, como mendigo da evolução, apenas pedindo e esperando receber e, sim, integrado à dinâmica da própria vida. Seguiu como cooperador na distribuição de recursos e pronto a viver as lições que obteve, onde e como quer que estivesse.

Uma pergunta paira sobre a nossa mente: o que fazer da nossa cura? o que fazer da nossa crença? o que fazer depois de termos pago parte da nossa dívida? Porque, se bobear, a criatura ao melhorar nem chega em casa e já está propensa a novos erros, aos mesmos vícios, às mesmas falhas. Porque ela recebeu e não apropriou. Porque recebeu e não trabalhou o aspecto íntimo da mudança. Porque não se reeducou. Porque não fez luz no íntimo. Passou pela luz e não se iluminou.

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