25 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 6

A PERSISTÊNCIA III

As soluções na nossa vida não virão a nível conceitual, mas no plano operacional.

Vamos explicar? Para mudar os rumos da caminhada nós lemos livros de auto-ajuda, livros de interpretação do evangelho, estudamos, frequentamos reuniões, idealizamos. Essa constitui a linha conceitual. Em um estudo com este, por exemplo, nós estamos aqui trabalhando as linhas estruturais do nosso campo mental, que é onde está a origem, onde está gênese de toda a iniciativa de crescimento. Agora, vamos entender que a mudança é operacional, não é conceitual, embora a linha conceitual seja a forma que vai modelar a mudança operacional e final.

Está dando para acompanhar? Se eu não mantiver uma base conceitual clara e segura, bem definida, firme, racional, e não nutri-la de valores seguros, na primeira oportunidade eu desisto de aplicar e volto para a antiga sistemática de ação.

Para se ter ideia, eu posso sair de uma reunião espiritual ou de um culto em alguma igreja motivado a colocar em prática os ensinamentos e simplesmente não fazer nada. 

Podemos sair de um estudo com muitos esboços dentro de nós, esboços que definem uma mentalidade mais equilibrada, mais harmônica, e esse esboço ser desmanchado logo na saída, no portão, brigando com alguém ou entrando em desajuste. A gente sai harmonizado, motivado a mudar, determinado a perdoar, e na primeira esquina ou ao chegar dentro de casa, como se diz na linguagem comum, a gente quebra o pau, discute, briga com o amigo ou familiar, desentende.

Entendemos e não fizemos, aprovamos consciencialmente e não perdoamos, podemos aprender e não fazer.

Aí não adiantou, vamos ter que fazer uma releitura, reciclar, reforçar o conhecimento.

Então, vamos ter em conta que o plano mental define o plano informativo dos caracteres, estabelece o esboço, e esse esboço vai ser fundamentado e sedimentado de uma única maneira, mediante o plano prático realizador do dia a dia.

É a aplicação dos padrões assimilados que pode produzir nova forma. O conhecimento intelectivo não forma, apenas informa. É a vivência que solidifica e incorpora a teoria.

Vamos apropriar uma carga de conteúdo, mas lembrando que a sedimentação do conteúdo, a conquista efetiva dele, é com base na aplicação, com base no que se faz. A conquista efetiva não se dá pela assimilação didática do conteúdo, mas pela estrutura vivencial desse conteúdo. À medida que as circunstâncias vão surgindo nós vamos nos esforçando para aplicá-los dentro dessa moldura nova, e assim fazendo nós vamos encontrar sabe o quê? Maior estabilidade, felicidade, equilíbrio, harmonia.

Nossa evolução não está na reunião que nós participamos hoje, nem na que participaremos em qualquer outro dia, como também não está no livro que estamos lendo.

Porque a formação de uma personalidade nova é inerente a um processo repetitivo que vai marcando a direção do curso da vida. Nós costumamos dizer e vamos repetir aqui: o crescimento se dá efetivamente em termos de constante repetição. Não há mistério nenhum, a metodologia da evolução implica em repetição. O sistema de aprendizado, todo ele, é embasado sob o ângulo da experiência e da repetição. É pela repetição que chegamos lá. Qualquer soma de reflexos, qualquer instauração de reflexos, para ser mais preciso, será decorrente do processo de repetições. A sedimentação e a fixação dos valores conquistados decorrem da repetição, e por isso o evangelho ensina que "aquele que perseverar será salvo" (Mateus 24:13).

É preciso a repetição continuada para que se dê a fixação. A conquista é por uma soma, não por um ato isolado. Aliás, se a gente pensar bem um ato isolado em certas situações pode ser até aflitivo na consciência de quem o praticou.

A experiência única não tem a mínima condição de sobrepor-se ao condicionamento da criatura e isso tem que ser compreendido. A resultante é de cada minuto que se vive. Por isso nós temos que bater muito nessa questão. E viver ativamente e adequadamente o minuto que passa, apropriando os valores e os componentes que se irradiam no momento. Vamos pensar nessa questão para que possamos realmente atingir os objetivos a que propomos.

E quando a questão é estudo a metodologia é a mesma. O estudo não tem como dar uma pincelada, acabou, estudei, já sei, pronto. A repetição é a base fundamental também da legítima assimilação de conhecimento. Sempre precisamos repetir. É lenta e gradativamente que vamos abrindo o campo da verticalidade informativa. É por isso que tantas vezes nós ficamos aqui repetindo coisas, batendo em vários ângulos já conhecidos nossos, batendo nas mesmas teclas conhecidas. Isso funciona não é para um ou para outro, funciona é para todo mundo. A gente repete. Vai repetindo, vai trabalhando em cima do mesmo assunto. E cada vez que trabalha vai incorporando algo novo.

É comum a gente avocar uma tarefa e com decorrer do tempo a perseverança transmutar o sentido da tarefa. Você já notou isso? A gente começa debaixo daquele jugo de necessidade, por uma imposição de fora para dentro, que tem que fazer, e com o decorrer do tempo vai se acostumando e passa a sentir um bem estar danado em virtude daquilo que está fazendo. A gratificação nos apanha lá no futuro. Se você não viveu esse tipo de situação é bem provável que ainda vá viver. Aí, depois você começa a analisar e fala assim: "Puxa vida, se eu não tivesse começado isso lá atrás, há vinte anos, dez anos, se eu não tivesse investido e persistido eu não teria chegado nessa posição ou nessa situação."

Daí nós podemos dizer com muita convicção: persista! Se pensar em desistir, persista!

Fundamental é começar e continuar, sem ficar preocupado com o que poderá vir em termos de prêmio amanhã. Vamos dar o nosso recado e perseverar. Vamos dar o nosso melhor, sabendo que o nosso melhor sempre pode ser melhorado.

Façamos a nossa parte, o resto não é com a gente. E porque eu estou falando muito nessa coisa de persistir? Porque por enquanto os nossos objetivos são largados pelo caminho. Nós não chegamos neles. Entre vários motivos que surgem, valores diversos nos entretecem e nós acabamos nos desviando da meta.

E enquanto isso estiver acontecendo é sinal de que não estamos tendo a  autoridade suficiente para produzir com consciência e equilíbrio. Repare para você ver. A gente começa e para. Com isso, eu estou dizendo que toda a ideia que nós tivermos, toda a meta que nós traçarmos vamos ter que chegar até ao final dela? Não. De forma alguma. Eu não estou falando isso. A estrutura vivencial pode produzir alterações. Você pode perfeitamente alterar o percurso, alterar a rota, caminhar para outro ângulo. No encaminhamento do próprio contexto você pode alterar e retificar o curso. Agora, cá pra nós, você retificar o rumo é uma coisa, se esquecer da meta a que propôs ou desconsiderar a meta é outra bem diferente, e isso é que gera dificuldade. Resultado: é imperioso perseverar.

Porque tem chances que a gente perde na vida, e você sabe disso, que vai ser muito difícil encontrar outra oportunidade igual. Então, vamos ter em conta essa questão porque é muito importante. Apesar do mundo regenerado já estar entrando na pauta das nossas vidas nós ainda adotamos um sistema de infantilidade. 

Continuamos igual criança, que está brincando com um brinquedo aparece outro e ela logo larga o primeiro. Ou quebra o brinquedo e pega outro. Ou seja, vamos analisar como temos agido diante dos nossos propósitos e objetivos, porque em termos de fixação de objetivo e meta nos mantemos pouco felizes ainda.

21 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 5

A PERSISTÊNCIA II

Milhões de criaturas ainda pensam: "Eu vou na igreja tal ou vou no grupo tal, uma vez por semana, e resolvo o meu problema espiritual." De fato, pensam que dessa maneira, só por essa atitude, solucionam toda a questão. Mas eu posso ser sincero? É duro escutar esse tipo de coisa. É uma falha lamentável esse tipo de pensamento, é uma frustração. O problema não é solucionado de forma simples assim.

O problema todo é o nosso campo íntimo. Em cada reunião espiritual que a gente vai é mais um peso para conscientizar. À medida que vamos assimilando os padrões novos que nos são canalizados passamos a observar que temos que aguardar a maturação deles em nosso íntimo. E vamos aprendendo que de algum modo nós temos que ter tranquilidade ao dar o passo.

Precisamos desativar o fulcro irradiador negativo com calma para que os valores positivos floresçam.

Basta reparar que o próprio livre-arbítrio começa a ser trabalhado dentro da gente de maneira sutil. Não é assim que funciona? A pessoa pensa: "Nossa, eu estou aqui analisando. Preciso fazer alguma coisa. Preciso mudar isso, preciso mudar aquilo. Tenho que aproveitar melhor o meu tempo. Tenho que utilizar melhor o meu conhecimento." Não é assim que acontece com você? A mudança se inicia dessa forma.

Mais cedo ou mais tarde cada qual acorda para as realidades maiores da vida. E, geralmente, não acordamos na hora boa não. Criaturas insubordinadas à vontade divina que somos, na maioria das ocasiões procuramos a luz quando cansados da solidão da treva. Acordamos no meio das dificuldades. E nessa hora, haja prece.

Tecemos as mais comovedoras orações. E haja pedido. É a nossa pura realidade.

Comumente somos apanhados na luta reeducacional dentro de um túnel. E porquê túnel? Porque na maioria da vezes em que uma luz nos toca e sensibiliza o nosso coração reconhecemos que no momento do despertar nós estamos no escuro.

Nos localizamos dentro de um túnel. E mais, que toda a sombra em volta, toda a complicação dentro dele foi criada por nós mesmos lá atrás, mediante escolhas menos felizes que efetivamos. Escolhemos indevidamente e agora a vida nos colocou nesse ponto até mesmo para refletirmos. E aí, o que fazer? Não podemos simplesmente explodir o túnel. Se assim fizermos fechamos a eventual saída e corremos o risco de ficar por mais algumas reencarnações envolvidos na confusão toda. A solução é sair do túnel, usar de discernimento para desonerar desse sistema difícil. É um túnel escuro e a gente tem que caminhar dentro dele até achar uma abertura com uma claridade na ponta. Concorda? Tem outra saída? Temos que percorrer atrás dela com paciência para sair.

Aí redimensionamos conceitos, pensamos em melhorar posturas, mas ainda ficamos sujeitos ao trânsito dentro do túnel em que estamos vivendo. É o que tem acontecido com muitos de nós. Estamos pensando na luz, nossa semente está vibrando de forma diferente, está produzindo luz, porém anda estamos em meio às trevas.

E como desativar a dificuldade que permanece através do espaço e do tempo? Só tem uma forma de conseguir desativar caracteres menos felizes. Não há como cercear esses componentes que nos complicam dentro da nossa casa mental sem a elaboração de um ideal novo do qual temos plena convicção. Não dá para desconsiderar esse aspecto. O saneamento é quando adotamos o ensejo de abrir componentes recíprocos e contrários, é quando começamos a investir na proposta. À partir daí começamos a dar força para desamarrar o que nos prende.

Isso já define técnica operacional. É muito importante que nossos objetivos sejam fixados e definidos e iniciemos um processo de atendimento a esses objetivos.

Está bem definido pela clareza do entendimento que não se elege uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro sem a disposição de investir naquilo que elegemos, de investir no ponto capaz de criar o registro interior dentro de nós ao nível de reflexo. Ao nutrirmos certo desejo passamos a colocar no meio de uma quantidade imensa de desejos existentes, que são os nossos desejos automáticos, padrões novos como estando potencialmente preparados para se desenvolver. Daí, vamos precisar trabalhar a mente com carinho. Nós estamos tentando dar um colorido novo ao nosso trabalho, às nossas relações e à nossa vida, e na medida em que as circunstâncias vão se apresentando à frente vamos conseguindo ativar isso. Deu uma ideia? Pela aplicação continuada vamos incorporando valores informativos de maneira gradativa.

O processo ascensional tem que ser feito passo a passo. E como ele exige paciência, nós vamos ter que usar a intensificação e a continuidade na caminhada.

Melhoram-se as dificuldades, permanecem as lutas. A gente vence uma etapa. Acha que venceu. O que acontece? Vem outras pela frente. E isso não é para desanimar não, é para nos mostrar a grandeza da vida. A pessoa diz: cheguei! Chegou nada. A chegada finalística não existe. Chegou na hora de começar outra etapa.

A gente tem que investir naquilo que nos é gratificante, porque se não investir estiola, se não investir desaparece. Aquilo que não é cultivado vai se estiolando, vira crisálida novamente, volta ao estado de fecundação. O grande desafio é saber manter a perseverança na continuidade para a fixação dos padrões novos que nós estamos ingerindo. 

É fundamental investir e sustentar o investimento, perseverar no serviço de forma firme. 

Porque dentro de um processo de constância de honrar a proposta a nível prático é que nós vamos ganhando autenticidade e espontaneidade no campo evolutivo. Pense bem, para obtermos a melhor parte da vida é preciso servir e marchar incessantemente para que não nos modifiquemos em sentido oposto à expectativa superior.

Exemplos nos ajudam no esclarecimento, não é mesmo? A semente tem que vencer o obstáculo apertado da cova escura para poder germinar; não se lavra o solo sem retificá-lo ou feri-lo; e somente a terra tratada produzirá erva proveitosa, alimentando e atendendo a esperança do horticultor. Vamos imaginar, também, que nós temos uma caixa d'água íntima com determinado índice de sujeira, de poluição. A princípio, achamos que temos que esvaziar essa caixa, fechar a torneira e enchê-la novamente. Só que aí a evolução para. Então, o que temos que fazer? Primeiro, avaliar o grau de poluição existente, avaliar o conteúdo, o que equivale a identificar nossos recursos e valores. Em seguida, ir colocando água limpa dentro e deixar que aquele cano que fica na extremidade superior, comumente chamado de ladrão, vá jogando água para fora. Com o decorrer do tempo vai acontecer o quê? Vai haver clarificação gradativa dessa água. Além do que, se a gente simplesmente colocar uma água absolutamente pura esta não vai dessedentar a gente em razão da nossa própria estrutura de poluição íntima que é compatível com o nosso grau evolucional.

17 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 4

A PERSISTÊNCIA I

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

“NÃO NOS DESANIMEMOS DE FAZER O BEM, POIS, A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO DESFALECERMOS.” GÁLATAS 6:9

Um dos grandes problemas que tem feito a humanidade sofrer hoje num mundo em convulsão é a tentativa de se querer erguer a felicidade da noite para o dia.

Pense nisso. A maioria esmagadora das criaturas humanas não tem paciência. Quer o homem velho aperfeiçoado de um dia para o outro. Quer rigorosamente a redenção feita a golpe instantâneo da vontade, de forma imediata, apressada, sem planejamento, sem programação, sem uma realização metódica. As pessoas não estão tendo a paciência de construírem a si próprias. São impacientes. Querem o aperfeiçoamento definitivo e finalístico alcançado de um dia para outro.

Não estou inventando coisa. É muito comum os indivíduos arregimentarem valores informativos e desejarem que esses valores, por si só, sufoquem e matem o homem velho de imediato. Esse é o caráter imediatista, mas no fundo não é assim.

Essa concepção define um erro muito triste.

Está certo que a grande massa de pessoas do planeta tem evoluído no decorrer da paciência do tempo, só que dentro dos lances de crescimento não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço muito curto de tempo. Isso é algo para se ter em conta. O crescimento pressupõe um processo de continuidade, razão pela qual em se tratando de estrutura educacional, psíquica e espiritual, é preciso desativar a pressa. Veja para você ver. Não se edifica uma árvore de grande porte sem a solidez da raiz. Você pode planejar uma casa de um dia para outro, num planejamento, num projeto, mas ela com certeza vai ter que ser erguida com determinado plano de bom senso. Você poderá contar com técnicas capazes de acelerar o processo de construção, todavia, de qualquer maneira, ela vai começar de baixo para se erguer, tijolo a tijolo.

E por falar em pressa, tem muitos companheiros nossos que buscam impor si mesmos.

Violentam-se mediante uma terapia de choque. Recebem algo de fora e nem analisam. Pegam e pumba! É como se dá com o fanático. Aliás, fanatismo é um processo cristalizado, fechado, em que a criatura se investe de maneira definitiva e violenta. E o que é pior, sem medir consequências. Olha, meu amigo, minha amiga, estamos aqui juntos fazendo um esforço danado para trabalhar e entender o evangelho com carinho e profundidade e não podemos ignorar que a luz direta e intempestiva direcionada aos olhos de alguém pode cegar.

Inclusive, essa é a questão. Todo fanático é cego. Concorda? Estamos dizendo isso sem querer ofender ou menosprezar ninguém, mas é a verdade. É cego. O fanático recebe algo no sermão da igreja e acha que tem que ser daquele jeito, e pronto. É aquele indivíduo que ingere o conteúdo e nem mastiga, não questiona.

Parte para aplicabilidade tantas vezes sem discernimento, sem o equilíbrio e a segurança que se fazem necessários. E quer mesmo saber? Fanatismo é um processo de fora para dentro em que a pessoa pode simplesmente assimilar padrões e não aplicar. É espécie de terapia em que a individualidade não está tendo a paciência de construir a si própria. Por isso, a gente deve cultivar o processo dentro de uma linha de segurança, sem o cultivo de idolatria ou fanatismo. Com tranquilidade, pois se ficarmos aflitos e apressados nessa busca podemos nos fanatizar em decorrência de uma utilização inadequada dos padrões.

E alguém pode dizer que mudar é muito difícil e complexo, mas o fato é que a nossa mente precisa de explicação. O equilíbrio é imprescindível para que a gente não entre na alienação. Tem uma gama imensa de pessoas buscando um tratamento de choque para uma coisa que ter que ser respaldada pela experiência.

Está acompanhando? Não dá para a gente simplesmente sair de uma reunião ou de um culto religioso e achar que somos outra pessoa. Não dá para sair e simplesmente dizer: "eu agora sou um outro homem" ou "sou uma nova mulher". Quê isso? Vamos ser realistas, não é outro ou outra coisa nenhuma. Isso é conversa mole, é papo pra boi dormir. Você pode ser outra pessoa com novas ideias, novos propósitos e conceitos, mas seu espírito ainda é o mesmo, cheio de marcas.

Não dá para aquele que está participando de um evento achar que vai sair batendo asa de anjo após o término da reunião. Isso vai ser impossível. Porque nos situamos todos debaixo de uma soma imensa de caracteres milenares e não podemos mudar de forma instantânea, num abrir e fechar de olhos. No campo da nossa evolução não existem milagres. Existe, sim, trabalho constante e consciente, e nós temos que fazer uma marcha gradativa. Pense comigo: não se sai de uma área para outra área sem passar por aquilo que nós chamamos transição.

Ok? E no plano da transição, quando nós passamos de um ambiente para outro, nós entramos no novo ambiente levando uma soma de reflexos que ainda são sonantes em nós. Percebeu? Levamos ainda muitas marcas fortes da nossa personalidade. 

Quando entramos numa faixa nova nós trazemos ressonâncias de nossa forma de agir de vidas passadas. 

Então, não existe isso de sai daqui, passa pra lá, é outro, tudo novo, começa do zero de novo. Não. Isso não existe. Se assim fosse a evolução se perderia. Estaríamos sempre recomeçando sem a sustentação das experiências e conquistas pretéritas. E não podemos perder esses padrões conquistados ao longo do tempo,  pois vamos precisar deles no trato com as situações e as pessoas que vierem ao nosso encontro.

Como não existe milagre, nós não somos capazes de passar uma esponja em tudo o que fizemos lá atrás e mudarmos de repente, de um instante para o outro.

Alguém pode pensar assim: "Poxa, Marco Antônio, você diz para a gente desativar a pressa, mas porque eu vou desativar a pressa se, no fundo, eu tenho pressa?"

A resposta é simples. Ocorre que esses caracteres embutidos em nossa personalidade são vigorosos, ou seja, eles exercem uma influência na nossa vida muito maior do que podemos imaginar, e não são extirpados através de atitudes milagreiras de momento. Está percebendo? Essas cristalizações de longo período no inconsciente não podem ser arrancadas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. Não existe a possibilidade de desativarmos esses reflexos por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia. O vício não cede o lugar sem luta, é preciso destronar um elemento para que outro impere.

Ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é importante demais e não se discute. Mas também é extremamente valioso para o nosso progresso o exercício aplicativo da perseverança naquele componente inarredável que se chama paciência, que nada mais é que a capacidade de persistir.

Para início de conversa, o bloco que todos trazemos dentro de nós é milenar e tem o poder de chegar e tomar o espaço novamente. E toda a formação de caracteres novos na intimidade, para ficar condicionado e se tornar automático no nosso dia a dia, que é a chamada atividade refletiva, exige um certo tempo de condicionamento, uma certa capacidade de perseverar naquele ângulo. Isso é conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. Por isso, vale a pena repetir a importância de se manter a paciência e persistência em toda conquista legítima.

Uma coisa que temos aprendido, e que podemos afirmar com toda certeza, é que o processo de evolução tem que ser fixado, todo ele, na perseverança. O crescimento é pela sua utilização, e em qualquer pessoa não tem como ser diferente.

A sistemática de ação tem que ser fixada na perseverança. Podemos até ir além, sem exagero: perseverança é o instrumento fundamental da conquista, é a base da vitória, o componente básico da realização. Sem ela não há caminho para a felicidade. 

Constitui o caminho seguro para toda ocasião em que a individualidade se desperta e quer conquistar, principalmente quando quer acesso a algo novo que não conhece. 

Perseverança diz respeito à permanência.

É conservar-se firme e constante, persistir, continuar, manter a força ou a ação, ter firmeza, permanecer sem mudar ou variar de intento. Representa a busca que a criatura elege. Em suma, nós não temos como operar a linha de alterações no contexto evolucional do amor sem perseverar. Sem chance disso acontecer.

11 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 3

A FORÇA DO AUTOMATISMO II

Existem parcelas em nossa intimidade que formam um bloco de condução de nossa vida, que apresenta forma atuante e preponderante. Não sei se ficou claro, mas nós temos aspectos em nossa vida que lideram nossas atitudes e que a gente até custa a dar conta disso.

E na maioria dos casos esses reflexos se instauraram sabe como? Pela repetição de maneira simplória. Às vezes, uma mesma tônica durante muito tempo. 

Por exemplo, não pode acontecer de alguém passar uma encarnação inteira pensando em um certo acontecimento, dando grande ênfase a uma situação? Cada hora que ele pensa naquele fato ele cria um sulco leve na sua casa mental. Uma vez, duas vezes, quatro, uma enormidade de vezes naquele assunto. Perfeito? Com o passar do tempo esse componente adota o modo automático. E ele pode, inclusive, começar a ver tudo à sua frente em função dessa ótica ou prisma.

Às vezes, é uma faceta dessa soma de desejos e de padrões que domina, razão pela qual nós temos que descobrir onde está o fator ou os fatores indutores das nossas ações. 

Porque quando a gente pega essa liderança nós podemos trabalhar com ela e até mesmo tirar um líder e colocar outro. Deu para entender o sentido, o que eu estou querendo dizer? É quando nós identificamos o fator preponderante e colocamos um outro como sendo o novo condutor do carro da nossa evolução. Então, viver bem pressupõe reconhecer nossas imperfeições e estar em constante luta para superar os nossos problemas, usando de paciência nas terapias das marcas que nós trazemos, das cicatrizes ou das chagas que podemos ter ainda abertas.

Vale observar que adotando essa postura a gente vive melhor, a gente supera as dificuldades com mais segurança e erra menos. E errando menos passamos a ter mais direitos no campo do usufruto do bem e da alegria, saindo, inclusive, das posições em que nos mantemos para o acesso efetivo a posições melhores. 

E, se por acaso, em decorrência desses reflexos nós atuamos de maneira automática, vamos ter que usar a capacidade dedutiva e trabalhar com equilíbrio e discernimento para que esse automatismo milenar não roube nossas melhores propostas nascidas com o conhecimento assimilado a nível informativo.

É imperioso avaliar com atenção, porque é nessas minúcias que costumamos nos conhecer.

Para que essas propostas novas que definimos com segurança e fé, e que são capazes de propiciar mudança, para que elas possam se tornar automáticas, elas precisam ser aplicadas de forma gradativa e constante no que diz respeito à chamada atividade mantenedora consciente. Em outras palavras, é o somatório do mínimo a cada instante que consolida o condicionamento dentro de nós.

O campo íntimo é um ponto acolhedor, é um vaso receptivo, e a cada momento nós implementamos em nossa intimidade novos valores. E o mais interessante é que essas novas expressões recebidas, se alimentadas e realimentadas, vão acabar se incluindo em um processo natural reflexivo de cada momento.

Dessa forma, os reflexos que estavam presentes em nós começam a perder autoridade, embora não sejam extirpados, e o componente novo que chegou, inicialmente pela informação, passa a incorporar o terreno, passa a ser o nosso valor, o nosso reflexo. Deu uma ideia processo? Aí, o padrão antigo fica desativado, inoperante. O que define que mudança dessa ordem depende da gente. 

E, inclusive, nós é que vamos dar campo ou não para que os componentes que até então vigoravam venham novamente à tona.

Por isso, vale um lembrete para cada um de nós da maior importância: quem quiser desativar reflexos incomodatícios, menos felizes, que se esforce para instaurar outros mais seguros e positivos, capazes de preponderar no plano das manifestações do dia a dia acima daquela imagem anterior, daquela sombra que vem nos acompanhando durante longos caminhos. Nós captamos a verdade de cima e essa verdade se transforma em vida quando continuadamente aplicamos esses valores novos em nossa personalidade. Logo, temos que investir no ponto capaz de criar o registro interior dentro da intimidade ao nível de reflexo, temos que testemunhar de maneira mais nítida e mais decisiva se quisermos conquistar.

É por essa metodologia que saímos debaixo da tutela dos reflexos dominantes para nos situar debaixo da tutela de um dispositivo bem diferente no campo do comando, no campo da indicativa de nossas ações. O começo a gente sabe bem, não é fácil. Até pelo contrário, quando resolvemos adotar um sistema novo de vida é muito comum a gente viver um certo tipo de desconforto e de angústia. E, se dermos campo a essa angústia, ela pode tomar conta do nosso eu e até mesmo se transformar em uma inconformação profunda. Agora, se alimentarmos e realimentarmos a proposta nova mediante a linha operacional diária, aí damos novo rumo à nossa trajetória e a angústia se transforma em harmonia e paz. Como na parábola do joio e do trigo: a questão é continuar a semeadura.

E repare que na medida em que nós vamos investindo na realização da proposta, que nós vamos adentrando no plano aplicativo da ideia, a ação adotada passa a se manifestar de forma normal e contínua. Não é necessário mais ficar alimentando o processo pelo consciente, o mecanismo passa a ser alimentado e realimentado pelo próprio impulso interior. Agora, preste atenção, não quer dizer que a ação vai se tornar inconsciente. Não, não é isso. Apenas ocorre que a sistemática se torna automática, passamos a trabalhar de maneira continuada.

Vamos a dois exemplos para clarear. Sabe quando desligamos o carro, saímos dele, fechamos a porta e acionamos o alarme, sem pensar? Essa é uma situação. De tanto fazermos conscientemente a ação de acionar o alarme, isso passa a ser automático pela repetição. Não precisamos mais pensar "tenho que ligar o alarme". 

Outra situação é nossa ação no campo do bem. Por enquanto, muito da nossa caridade é laborada mentalmente. A gente pensa, analisa e pondera: "Vou lá, vou fazer assim, vou ajudar, vou fazer daquele jeito, e tal..." E enquanto pensamos se fazemos ou não fazemos, sabe o que pode acontecer? Um outro já pulou na nossa frente e fez. Percebeu? E ele foi movido por quê? Por uma questão acentuadamente automática do psiquismo dele. Ele já não precisa pensar tanto, já é coisa natural pra ele. Ele já sente aquilo, não labora intelectivamente.

7 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 2

A FORÇA DO AUTOMATISMO I

“DE MANEIRA QUE AGORA JÁ NÃO SOU EU QUE FAÇO ISTO, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM.” ROMANOS 7:17

“ONDE O SEU BICHO NÃO MORRE, E O FOGO NUNCA SE APAGA.” MARCOS 9:48

Todos nós, quer se admita ou não, carreamos conosco o somatório dos reflexos que viemos arregimentando e formalizando no psiquismo ao longo dos milênios.

O que isso quer dizer? Que a alma registra todas as suas experiências no aprendizado das lutas da vida no próprio patrimônio íntimo. Todas as características morais que arregimentamos em cada existência física ficam incrustadas em nosso organismo perispiritual. Cada espírito é um registro vivo de si mesmo, trazendo nos caminhos da vida os arquivos de si próprio. Todas as trajetórias, desde as mais recuadas, nele se encontram gravadas, podendo ser penetradas quando as circunstâncias permitem e por quem esteja habilitado a fazê-lo.

E o interessante é que todo passado milenar apresenta para nós um sistema em bloco. A soma de nossas experiências passadas define o nosso eu, onde assentamos as bases da nossa vida. Uma infinidade de caracteres que estão embutidos na intimidade psíquica forma esse bloco envolvendo toda a experiência de trás.

Quando se entra no sistema reencarnatório, ou seja, quando o espírito reencarna no plano físico pelas portas do nascimento, ele traz consigo essa mochila.

Traz consigo miríades de caracteres que formam esse bloco, envolvendo toda a sua experiência de trás, e embutida dentro da sua individualidade. Está acompanhando? Quando um espírito reencarna ele carrega na estrada terrena esse mochila, esse bloco. E é impossível deixar essa bagagem para trás e pegar uma mala nova com novos caracteres, zero quilômetro de tendências e registros. Simplesmente não dá. Todos esses registros embutidos acompanham a criatura e são fatores didáticos de aprendizagem que a projetam para um crescimento a Deus. É por isso que a maioria dos seres humanos em lutas expiatórias podem ser vistos como alguém que luta para desfazer-se do seu próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender gradativamente para uma vida melhor.

Estamos hoje dando passos mais firmes visando uma nova etapa. Estamos tentando acertar o passo e alcançar uma nova proposta, mas carregando a nossa sacola, o nosso recipiente íntimo com todos os padrões até então trabalhados ao longo do nosso grande passado. E já sabemos, à luz do entendimento mais profundo, que cada um de nós tem uma soma de valores incrustados no íntimo.

Temos propostas lindas que estamos querendo acionar no campo prático da vida, todavia temos também ângulos negativos que nos deixam suscetíveis e nos prendem a situações menos felizes. Existem muitos reflexos incrustados na nossa personalidade, e por reflexos entendemos o quê? Marcas. Veja bem, há uma soma ampla de caracteres embutidos em nosso plano consciente, só que o plano consciente se assenta nos fundamentos do subconsciente. E pelo fato do subconsciente ser a base, toda a alteração no campo do consciente ainda recebe muita ressonância em termos de magnetismo das expressões vindas de baixo. Será que deu para entender, ou eu falei grego?

O apóstolo Paulo diz assim: "Agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim." (Romanos 7:17) É a grande verdade. Vivemos todos, sem exceção, em esteiras amplas de reflexos. Reflexos que são disparados pelos nossos sentidos tradicionais como ondas volumosas que adentram em nosso território pessoal. 

O reflexo gera a emoção, a emoção gera a ideia, a ideia gera a palavra e a palavra, por sua vez, gera a ação. Daí notamos que até o reflexo a manifestação é automática e esse automatismo todo está ligado em função dos desejos profundos da nossa personalidade, e que quer nos empurrar para eles.

O instinto, que em muito nos domina, é sempre uma soma daquilo que cada um de nós incorporou. Por exemplo, se chega uma notícia específica o indivíduo, sem pensar, já expõe determinada reação. Se ele recebe certa instrução no local de trabalho já pressente que vai haver chateação, e por aí vai. É automático. E o automatismo nosso passa por cima da vontade, passa por cima das nossas melhores vibrações, das melhores disposições de crescimento. É fator imponderável e vigorante. Vem e domina, vem e massacra. 

"Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga." (Marcos 9:48) Os ângulos inferiores da nossa personalidade, presentes no subconsciente, são componentes que permanecerão dentro de nós em regime maior ou menor de ativação.

Existe um mecanismo vitalista. Na verdade, fica tudo embutido. E na medida em que vão ficando para trás eles vão se cristalizando, podemos dizer que passam a ficar como que compactados. Passam a ficar sumidos em nossa individualidade e em nosso eu. Mas continuarão sempre conosco sendo um desafio para nós. Porque esses reflexos podem ser desativados mediante a implantação de outros padrões, mas nunca erradicados. Isso é algo muito bonito na didática da evolução. E muitas situações podem dar campo, positiva ou negativamente falando, à emersão de caracteres que estavam arquivados e vão ser jogados para fora. Em qualquer época e em qualquer ambiente planos circunstanciais da vida podem tocar um determinado valor que está ali arquivado.

Então, um acontecimento pode dar o toque. E o que acontece? Imediatamente vitaliza a parte que estava adormecida. Se voltarmos em outro acontecimento a tocar de novo a circunstância dá o sopro novamente e se apaga. A mostrar para nós que há um processo ainda incandescido em nós, uma espécie de brasa.

Nos faz lembrar uma espécie de fogueira, já que a expressão usada é fogo mesmo. "Fogo que nunca se apaga". A fogueira passa e no dia seguinte fica tudo pretinho. Não é assim? Ela acaba e fica tudo em brasa. Mas o que a gente sabe é que se soprar pode acender tudo de novo, não pode? Se soprar naquela brasa, que aparentemente está apagada, pode fazer surgir toda aquela fogueira novamente. Daí, nós precisamos ter em conta que tudo que trazemos arquivado em nosso íntimo é estrutura em estado de repouso. Permanece em estado latente. 

E no que reporta aos padrões menos felizes, o que é necessário é criar de princípio uma base para amenizar as suas manifestações.

Um percentual enorme de caracteres de vida está incorporado em nós. Representa o piso automático de nossa personalidade e praticamente refletimos aquilo. A expressão adequada é essa mesma, automatismo de nossa estrutura pessoal.

Repare para você ver, tem coisa que a gente faz e nem pensa, faz automaticamente. Não pensa. Simplesmente vai e faz. Grande parte de nossos padrões de vida são automáticos. Eles refletem naturalmente o que temos incorporado. Uma pessoa que se sente bem com determinada ótica, com aquilo que está recebendo e aplicando, não pensa. A caridade que a gente exercita hoje, por exemplo, se pensarmos bem, é uma vitória, não é? A gente fica numa euforia muito grande quando a exercita. Não quer dizer que amanhã a gente não a terá como fator gerador de euforia íntima, mas no grande futuro o que vai acontecer é que nós a faremos como sendo algo normal, como ação natural de vida. Deu uma ideia?

Nossa mochila está carregada. Nós temos reflexos que vem determinando muito na nossa vida. De fato, o instinto sempre é uma soma daquilo que se incorporou.

E quando um componente forma o peso desse reflexo, normalmente é sinal de que ele foi trabalhado em um ponto repetitivo. Não se instaurou mediante uma única ação ou por meio de um pequeno número de ações. Mas a grande notícia é que nós podemos mudar esses padrões. Não só podemos como devemos. Constantemente estamos alterando o circuito desses instintos, porque muita coisa que a gente faz instintivamente, com o decorrer do tempo nós temos que redirecionar, alterar, reciclar. Na medida em que vamos entrando em um terreno novo, e selecionando padrões renovadores, vamos compactando essa mochila que está carregada de elementos acentuadamente abertos, vamos comprimindo esses elementos e transformando o peso da mochila em uma condição mais fácil de administrar, menos onerosa para carregar, e vamos dando campo a novos valores, a novos reflexos. No momento em que o reflexo se implanta ele passa ser automático, mas nós podemos trabalhar no ponto básico do reflexo e alterar a sua base, caso realmente queiramos melhorar. É o nosso desafio.

4 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 1

INTRODUÇÃO

“16E ORDENOU O SENHOR DEUS AO HOMEM, DIZENDO: DE TODA A ÀRVORE DO JARDIM COMERÁS LIVREMENTE, 17MAS DA ÀRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL, DELA NÃO COMERÁS; PORQUE NO DIA EM QUE DELA COMERES, CERTAMENTE MORRERÁS.” GÊNESES 1:16-17

“12TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÉM. TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS EU NÃO ME DEIXAREI DOMINAR POR NENHUMA.” I COR 6:12

“23TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÊM; TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS EDIFICAM.” I COR 10:23

“15EM LUGAR DO QUE DEVÍEIS DIZER: SE O SENHOR QUISER, E SE VIVERMOS, FAREMOS ISTO OU AQUILO.” TIAGO 4:15

A palavra arbítrio significa a resolução que depende unicamente da vontade. E vamos entender por livre-arbítrio a liberdade de manifestação das ações humanas.

Ou seja, diz respeito ao poder que cada individualidade tem de decidir e agir por si mesma, de ser independente. Trata-se de uma concessão ímpar, de um mecanismo que funciona a nosso próprio benefício. Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que devemos seguir, bem como a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós. E porque contrárias? Porque sem elas nós ficaríamos privados do nosso direito de escolha. Então, veja bem, sem a liberdade de escolha o que aconteceria? Nós seríamos autômatos no universo, não teríamos sequer a alegria de vencer as lutas.

Quando falamos em livre-arbítrio, costumamos dizer que ele é uma expressão sublimada de alta ressonância, especialmente quando o acionamos na linha natural da engrenagem evolucional. Em suma, o livre-arbítrio que é vai determinar efetivamente, é ele que vai fundamentar a ação. Pois alcançando a razão, por atestado de madureza própria, o espírito é chamado ao livre-arbítrio como um filho que atingiu a maioridade na criação divina. E chegado a essa fase ilumina-se pela chama interior do discernimento para a aquisição das experiências que lhe cabe realizar, de modo a erguer seus próprios méritos, podendo escolher o caminho reto ou sinuoso, claro ou escuro em que mais se apraza seguir.

O livre-arbítrio é fator de escolha do caminho a seguir. Com ele tanto colocamos barreiras no nosso destino, como também tiramos impedimentos do nosso destino. 

É por isso que ele é uma das coisas mais extraordinárias que nós temos que trabalhar. 

E cada qual vai trabalhar em função do que fez com o seu uso, do que operou de positivo ou negativo. E o detalhe é que não se trata apenas do livre-arbítrio no campo das decisões puramente interesseiras do dia a dia, é também nas nossas opções de vida, nos nossos planos de sensibilização.

Quando trabalhamos este assunto algumas pessoas costumam dizer que o livre-arbítrio não funciona tanto quanto parece, porque nem sempre nós vamos usufruir da faculdade de decidir como gostaríamos. De fato, nós nos situamos por meio dele dentro de uma condição de liberdade relativa. É a verdade. Tem situações em que vamos querer e não vamos poder. Tem ocasiões em que nós somos torpedeados em nossos ideais porque a espiritualidade entende que nós vamos nos complicar, que nós vamos criar desajuste em torno dos nossos pés, e ela nos cerca como um pai limita a ação de seus filhos, de modo a impedir que determinados fatos negativos venham a nos acontecer.

A gente caminha elaborando sonhos e projetos. Todavia, acreditemos ou não, aceitemos a verdade ou a recusemos, errando para aprender ou acertando para nos elevar, nós não vamos até onde definirmos como projeto, mas a nossa tarefa chegará simplesmente até o ponto em que o Senhor permitir. Não é isso? Nenhum passo além. 

E quando chega esse ponto, aí não tem jeito. Não adianta chorar, fechar a cara, esbravejar, contrapor ou desistir. Todas as personalidades do planeta, em todos os tempos, conheceram e sempre conhecerão o momento em que a vida lhes adverte: "não mais além!" A própria oração do pai nosso que aprendemos na fase da infância já ensina: "seja feita a tua vontade."

Se cada criatura humana dispõe de livre-arbítrio para criar o próprio destino, também é fato que nesse ou naquele plano da existência cada qual atua em uma faixa determinada de tempo. A vida é dinâmica e nada é para sempre. Todos os espíritos, sem exceção, sejam tiranos ou santos, malfeitores ou heróis, atingem um limite da estrada em que o mundo maior lhes impõe uma pausa para exame. Precisamos de critério na formação dos planos de ação. Afinal, quanto mais as nossas atitudes se distendem em favor de um interesse globalizado mais aumenta o nosso livre-arbítrio. Podemos ter o livre-arbítrio ampliado até onde fala o pensamento harmônico superior. Por outro lado, quanto mais nos fechamos sobre nós próprios, num encasulamento pessoal, mais restrito ele fica.

E, pela escolha das realizações, cada individualidade investe os recursos e o livre-arbítrio que tem da forma como quer. Se todo ser humano tem o direito de opção e de escolha pode utilizar essa liberdade da forma que melhor lhe aprouver, até mesmo para se comprometer. O livre-arbítrio é uma faculdade que expressa o estado evolutivo do ser. Apenas não podemos esquecer que ele é uma concessão divina de caráter relativo, não absoluto. Ficou claro essa questão?

Ele não pode ser facultado sem responsabilidade por aquele que o utiliza. Na esteira do destino todos escolhem, todos plantam e todos colhem. E das respectivas ações resultam os frutos amargos ou apetecíveis do que foi lançado.

Isso é livre-arbítrio. Ele tem caráter relativo, pois cada qual, conforme as suas ações, terá o ensejo oportuno de reparar, de recomeçar e de libertar-se. Logo, vamos saber escolher bem o nosso caminho. Porque se não for com bom senso, com simplicidade e com calma, em uma construção sólida de baixo para cima, não adianta que nós vamos ter problemas depois, vamos ter percalços na caminhada.

O bonito disso tudo é que o livre-arbítrio é prerrogativa relativa. Porque entre outras coisas, acima dele, vigora o determinismo. Existe uma determinação superior de que tem que progredir. Então, não tem jeito da gente fugir da evolução. Não dá. O decreto básico e fundamental do universo é a evolução e a reencarnação é uma lei dentro da evolução. Ficou claro? Nós temos que evoluir.

A lei divina preceitua, sem exceção, que todos nós estamos determinados a evoluir.

O determinismo se fundamenta, portanto, no componente absoluto do amor. Só que esse determinismo também não é absoluto, também não é fechado. Porquê? Porque pela utilização dos recursos da liberdade de escolha, que estão sempre alterando o destino e os rumos da vida, podemos facilitar muito coisa pra nós.

Tudo pode ser feito. Como diz Paulo: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (I Coríntios 6:12)

Ficou alguma dúvida? Tudo é lícito indica que tudo pode ser feito, que não existe restrição no plano educacional do ser. E tanto pode tudo que nós temos no mundo criminosos e gente desregrada de tudo quanto é jeito. Assim, a regra é simples: tudo é lícito! Somos livres na escolha do caminho que queremos seguir.

O uso dessa faculdade decorre das aspirações elevadas ou egoístas que norteiam a individualidade.

A multidão esmagadora de seres humanos aprende que não há limite no uso do livre-arbítrio e, então, o que ela faz? Vai! Como não há violência no império do amor, como não há violência de cima para baixo, todo homem tem o direito de utilizar dessa liberdade de escolha da forma que lhe convier. E é aí que está a chave da questão. Tudo é lícito e a restrição aparece de forma velada na parte seguinte, no "mas". Percebeu? O problema não é a licitude, porque tudo se pode. O problema não é o que podemos ou não podemos, porque tudo podemos. O problema está na conveniência. Por acharmos que o que é conveniente para nós tem que ser para os outros, tantas vezes criamos briga com os familiares, com os vizinhos, com os colegas. Vira uma bagunça. Precisamos avaliar e decidir: muitas coisas que são convenientes para nós não são para os outros, muitas coisas que são convenientes para os outros, para nós não são.

Cada qual tem o seu livre-arbítrio e nós já estamos começando a entender que individualidade nenhuma pode interferir negativamente no processo evolucional de qualquer criatura. Vamos repetir isso, de tão importante que é? Não se pode interferir negativamente na dinâmica evolucional de quem quer que seja.

A liberdade de alguém termina sempre onde começa outra. Às vezes, nós queremos interferir de maneira radical na linha evolucional de outros e é preciso não complicar o interesse do semelhante. Não podemos, de forma alguma, brincar com a vida dos outros, com o caminho que os outros estão seguindo.

Cada um responderá por si, um dia, diante da verdade divina. Então, sabe até onde vamos? Até onde não estivermos complicando. Porque na hora em que começar a complicar, para além das fronteiras que interessam a nós e aos que nos circunvolvem, o nosso barato é cortado. Perfeito? Porque aí já deixou de ter aquele sentido extraordinário de livre-arbítrio. E tem muita gente que quer confundir livre-arbítrio com arbitrariedade.

Preste atenção, arbitrário é o que independe de lei ou regra e resulta do arbítrio ou do capricho pessoal. O livre-arbítrio é livre até o momento em que passa para a arbitrariedade.

Em um planeta de provas e expiações, que é o que estamos vivendo, onde não existem vítimas, a arbitrariedade somente é aceita enquanto os seres ultrajados encontrarem-se sob o jugo da lei. Enquanto, de certa forma, estiverem recebendo ações negativas e pagando aqueles que têm dívidas com o destino. Será que deu para entender?

Quando as nossas atitudes são inconsequentes, a grandeza de Deus com as suas leis não permitem.

O equilíbrio no contexto universal não pode ceder à arbitrariedade dos elementos.

Imagine seguinte: um indivíduo chega aqui no nosso ambiente e apronta. Isso não pode acontecer? Ele elege uma vida criminosa e sai aprontando. Vamos analisar, quem está sendo vítima desse elemento? São os que tem débitos passados. Percebeu? O livre-arbítrio é respeitado, mas a arbitrariedade pode ser cerceada.

Aliás, não é permitida a arbitrariedade dentro de uma área em que não compete às vítimas ou pacientes receberem a arbitrariedade. Deu para entender? No universo existem leis que funcionam dentro de uma linha absolutamente correta. 

Na hora em que o agente começar a ameaçar inocentes, será que o criador vai concordar e aceitar os seus desmandos? Impossível. Não se pode afligir quem não deve. 

Você se lembra de Saulo e as primeiras perseguições aos cristãos? Pois, então. Ele afligiu alguns, mas quando foi atrás de Ananias a história mudou. Afinal, foi mexer com quem não devia. Cada individualidade responde pelos seus atos e o detentor de certa autoridade, que exige mais do que lhe compete, transforma-se em déspota que o Senhor corrigirá através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno.

Essa certeza deve funcionar como fator de tranquilidade para que o servo do evangelho, em hipótese alguma, quebre o ritmo da harmonia, a fim de manter a sua consciência em paz.

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