4 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 1

INTRODUÇÃO

“16E ORDENOU O SENHOR DEUS AO HOMEM, DIZENDO: DE TODA A ÀRVORE DO JARDIM COMERÁS LIVREMENTE, 17MAS DA ÀRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL, DELA NÃO COMERÁS; PORQUE NO DIA EM QUE DELA COMERES, CERTAMENTE MORRERÁS.” GÊNESES 1:16-17

“12TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÉM. TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS EU NÃO ME DEIXAREI DOMINAR POR NENHUMA.” I COR 6:12

“23TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÊM; TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS EDIFICAM.” I COR 10:23

“15EM LUGAR DO QUE DEVÍEIS DIZER: SE O SENHOR QUISER, E SE VIVERMOS, FAREMOS ISTO OU AQUILO.” TIAGO 4:15

A palavra arbítrio significa a resolução que depende unicamente da vontade. E vamos entender por livre-arbítrio a liberdade de manifestação das ações humanas.

Ou seja, diz respeito ao poder que cada individualidade tem de decidir e agir por si mesma, de ser independente. Trata-se de uma concessão ímpar, de um mecanismo que funciona a nosso próprio benefício. Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que devemos seguir, bem como a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós. E porque contrárias? Porque sem elas nós ficaríamos privados do nosso direito de escolha. Então, veja bem, sem a liberdade de escolha o que aconteceria? Nós seríamos autômatos no universo, não teríamos sequer a alegria de vencer as lutas.

Quando falamos em livre-arbítrio, costumamos dizer que ele é uma expressão sublimada de alta ressonância, especialmente quando o acionamos na linha natural da engrenagem evolucional. Em suma, o livre-arbítrio que é vai determinar efetivamente, é ele que vai fundamentar a ação. Pois alcançando a razão, por atestado de madureza própria, o espírito é chamado ao livre-arbítrio como um filho que atingiu a maioridade na criação divina. E chegado a essa fase ilumina-se pela chama interior do discernimento para a aquisição das experiências que lhe cabe realizar, de modo a erguer seus próprios méritos, podendo escolher o caminho reto ou sinuoso, claro ou escuro em que mais se apraza seguir.

O livre-arbítrio é fator de escolha do caminho a seguir. Com ele tanto colocamos barreiras no nosso destino, como também tiramos impedimentos do nosso destino. 

É por isso que ele é uma das coisas mais extraordinárias que nós temos que trabalhar. 

E cada qual vai trabalhar em função do que fez com o seu uso, do que operou de positivo ou negativo. E o detalhe é que não se trata apenas do livre-arbítrio no campo das decisões puramente interesseiras do dia a dia, é também nas nossas opções de vida, nos nossos planos de sensibilização.

Quando trabalhamos este assunto algumas pessoas costumam dizer que o livre-arbítrio não funciona tanto quanto parece, porque nem sempre nós vamos usufruir da faculdade de decidir como gostaríamos. De fato, nós nos situamos por meio dele dentro de uma condição de liberdade relativa. É a verdade. Tem situações em que vamos querer e não vamos poder. Tem ocasiões em que nós somos torpedeados em nossos ideais porque a espiritualidade entende que nós vamos nos complicar, que nós vamos criar desajuste em torno dos nossos pés, e ela nos cerca como um pai limita a ação de seus filhos, de modo a impedir que determinados fatos negativos venham a nos acontecer.

A gente caminha elaborando sonhos e projetos. Todavia, acreditemos ou não, aceitemos a verdade ou a recusemos, errando para aprender ou acertando para nos elevar, nós não vamos até onde definirmos como projeto, mas a nossa tarefa chegará simplesmente até o ponto em que o Senhor permitir. Não é isso? Nenhum passo além. 

E quando chega esse ponto, aí não tem jeito. Não adianta chorar, fechar a cara, esbravejar, contrapor ou desistir. Todas as personalidades do planeta, em todos os tempos, conheceram e sempre conhecerão o momento em que a vida lhes adverte: "não mais além!" A própria oração do pai nosso que aprendemos na fase da infância já ensina: "seja feita a tua vontade."

Se cada criatura humana dispõe de livre-arbítrio para criar o próprio destino, também é fato que nesse ou naquele plano da existência cada qual atua em uma faixa determinada de tempo. A vida é dinâmica e nada é para sempre. Todos os espíritos, sem exceção, sejam tiranos ou santos, malfeitores ou heróis, atingem um limite da estrada em que o mundo maior lhes impõe uma pausa para exame. Precisamos de critério na formação dos planos de ação. Afinal, quanto mais as nossas atitudes se distendem em favor de um interesse globalizado mais aumenta o nosso livre-arbítrio. Podemos ter o livre-arbítrio ampliado até onde fala o pensamento harmônico superior. Por outro lado, quanto mais nos fechamos sobre nós próprios, num encasulamento pessoal, mais restrito ele fica.

E, pela escolha das realizações, cada individualidade investe os recursos e o livre-arbítrio que tem da forma como quer. Se todo ser humano tem o direito de opção e de escolha pode utilizar essa liberdade da forma que melhor lhe aprouver, até mesmo para se comprometer. O livre-arbítrio é uma faculdade que expressa o estado evolutivo do ser. Apenas não podemos esquecer que ele é uma concessão divina de caráter relativo, não absoluto. Ficou claro essa questão?

Ele não pode ser facultado sem responsabilidade por aquele que o utiliza. Na esteira do destino todos escolhem, todos plantam e todos colhem. E das respectivas ações resultam os frutos amargos ou apetecíveis do que foi lançado.

Isso é livre-arbítrio. Ele tem caráter relativo, pois cada qual, conforme as suas ações, terá o ensejo oportuno de reparar, de recomeçar e de libertar-se. Logo, vamos saber escolher bem o nosso caminho. Porque se não for com bom senso, com simplicidade e com calma, em uma construção sólida de baixo para cima, não adianta que nós vamos ter problemas depois, vamos ter percalços na caminhada.

O bonito disso tudo é que o livre-arbítrio é prerrogativa relativa. Porque entre outras coisas, acima dele, vigora o determinismo. Existe uma determinação superior de que tem que progredir. Então, não tem jeito da gente fugir da evolução. Não dá. O decreto básico e fundamental do universo é a evolução e a reencarnação é uma lei dentro da evolução. Ficou claro? Nós temos que evoluir.

A lei divina preceitua, sem exceção, que todos nós estamos determinados a evoluir.

O determinismo se fundamenta, portanto, no componente absoluto do amor. Só que esse determinismo também não é absoluto, também não é fechado. Porquê? Porque pela utilização dos recursos da liberdade de escolha, que estão sempre alterando o destino e os rumos da vida, podemos facilitar muito coisa pra nós.

Tudo pode ser feito. Como diz Paulo: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (I Coríntios 6:12)

Ficou alguma dúvida? Tudo é lícito indica que tudo pode ser feito, que não existe restrição no plano educacional do ser. E tanto pode tudo que nós temos no mundo criminosos e gente desregrada de tudo quanto é jeito. Assim, a regra é simples: tudo é lícito! Somos livres na escolha do caminho que queremos seguir.

O uso dessa faculdade decorre das aspirações elevadas ou egoístas que norteiam a individualidade.

A multidão esmagadora de seres humanos aprende que não há limite no uso do livre-arbítrio e, então, o que ela faz? Vai! Como não há violência no império do amor, como não há violência de cima para baixo, todo homem tem o direito de utilizar dessa liberdade de escolha da forma que lhe convier. E é aí que está a chave da questão. Tudo é lícito e a restrição aparece de forma velada na parte seguinte, no "mas". Percebeu? O problema não é a licitude, porque tudo se pode. O problema não é o que podemos ou não podemos, porque tudo podemos. O problema está na conveniência. Por acharmos que o que é conveniente para nós tem que ser para os outros, tantas vezes criamos briga com os familiares, com os vizinhos, com os colegas. Vira uma bagunça. Precisamos avaliar e decidir: muitas coisas que são convenientes para nós não são para os outros, muitas coisas que são convenientes para os outros, para nós não são.

Cada qual tem o seu livre-arbítrio e nós já estamos começando a entender que individualidade nenhuma pode interferir negativamente no processo evolucional de qualquer criatura. Vamos repetir isso, de tão importante que é? Não se pode interferir negativamente na dinâmica evolucional de quem quer que seja.

A liberdade de alguém termina sempre onde começa outra. Às vezes, nós queremos interferir de maneira radical na linha evolucional de outros e é preciso não complicar o interesse do semelhante. Não podemos, de forma alguma, brincar com a vida dos outros, com o caminho que os outros estão seguindo.

Cada um responderá por si, um dia, diante da verdade divina. Então, sabe até onde vamos? Até onde não estivermos complicando. Porque na hora em que começar a complicar, para além das fronteiras que interessam a nós e aos que nos circunvolvem, o nosso barato é cortado. Perfeito? Porque aí já deixou de ter aquele sentido extraordinário de livre-arbítrio. E tem muita gente que quer confundir livre-arbítrio com arbitrariedade.

Preste atenção, arbitrário é o que independe de lei ou regra e resulta do arbítrio ou do capricho pessoal. O livre-arbítrio é livre até o momento em que passa para a arbitrariedade.

Em um planeta de provas e expiações, que é o que estamos vivendo, onde não existem vítimas, a arbitrariedade somente é aceita enquanto os seres ultrajados encontrarem-se sob o jugo da lei. Enquanto, de certa forma, estiverem recebendo ações negativas e pagando aqueles que têm dívidas com o destino. Será que deu para entender?

Quando as nossas atitudes são inconsequentes, a grandeza de Deus com as suas leis não permitem.

O equilíbrio no contexto universal não pode ceder à arbitrariedade dos elementos.

Imagine seguinte: um indivíduo chega aqui no nosso ambiente e apronta. Isso não pode acontecer? Ele elege uma vida criminosa e sai aprontando. Vamos analisar, quem está sendo vítima desse elemento? São os que tem débitos passados. Percebeu? O livre-arbítrio é respeitado, mas a arbitrariedade pode ser cerceada.

Aliás, não é permitida a arbitrariedade dentro de uma área em que não compete às vítimas ou pacientes receberem a arbitrariedade. Deu para entender? No universo existem leis que funcionam dentro de uma linha absolutamente correta. 

Na hora em que o agente começar a ameaçar inocentes, será que o criador vai concordar e aceitar os seus desmandos? Impossível. Não se pode afligir quem não deve. 

Você se lembra de Saulo e as primeiras perseguições aos cristãos? Pois, então. Ele afligiu alguns, mas quando foi atrás de Ananias a história mudou. Afinal, foi mexer com quem não devia. Cada individualidade responde pelos seus atos e o detentor de certa autoridade, que exige mais do que lhe compete, transforma-se em déspota que o Senhor corrigirá através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno.

Essa certeza deve funcionar como fator de tranquilidade para que o servo do evangelho, em hipótese alguma, quebre o ritmo da harmonia, a fim de manter a sua consciência em paz.

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