17 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 4

A PERSISTÊNCIA I

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

“NÃO NOS DESANIMEMOS DE FAZER O BEM, POIS, A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO DESFALECERMOS.” GÁLATAS 6:9

Um dos grandes problemas que tem feito a humanidade sofrer hoje num mundo em convulsão é a tentativa de se querer erguer a felicidade da noite para o dia.

Pense nisso. A maioria esmagadora das criaturas humanas não tem paciência. Quer o homem velho aperfeiçoado de um dia para o outro. Quer rigorosamente a redenção feita a golpe instantâneo da vontade, de forma imediata, apressada, sem planejamento, sem programação, sem uma realização metódica. As pessoas não estão tendo a paciência de construírem a si próprias. São impacientes. Querem o aperfeiçoamento definitivo e finalístico alcançado de um dia para outro.

Não estou inventando coisa. É muito comum os indivíduos arregimentarem valores informativos e desejarem que esses valores, por si só, sufoquem e matem o homem velho de imediato. Esse é o caráter imediatista, mas no fundo não é assim.

Essa concepção define um erro muito triste.

Está certo que a grande massa de pessoas do planeta tem evoluído no decorrer da paciência do tempo, só que dentro dos lances de crescimento não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço muito curto de tempo. Isso é algo para se ter em conta. O crescimento pressupõe um processo de continuidade, razão pela qual em se tratando de estrutura educacional, psíquica e espiritual, é preciso desativar a pressa. Veja para você ver. Não se edifica uma árvore de grande porte sem a solidez da raiz. Você pode planejar uma casa de um dia para outro, num planejamento, num projeto, mas ela com certeza vai ter que ser erguida com determinado plano de bom senso. Você poderá contar com técnicas capazes de acelerar o processo de construção, todavia, de qualquer maneira, ela vai começar de baixo para se erguer, tijolo a tijolo.

E por falar em pressa, tem muitos companheiros nossos que buscam impor si mesmos.

Violentam-se mediante uma terapia de choque. Recebem algo de fora e nem analisam. Pegam e pumba! É como se dá com o fanático. Aliás, fanatismo é um processo cristalizado, fechado, em que a criatura se investe de maneira definitiva e violenta. E o que é pior, sem medir consequências. Olha, meu amigo, minha amiga, estamos aqui juntos fazendo um esforço danado para trabalhar e entender o evangelho com carinho e profundidade e não podemos ignorar que a luz direta e intempestiva direcionada aos olhos de alguém pode cegar.

Inclusive, essa é a questão. Todo fanático é cego. Concorda? Estamos dizendo isso sem querer ofender ou menosprezar ninguém, mas é a verdade. É cego. O fanático recebe algo no sermão da igreja e acha que tem que ser daquele jeito, e pronto. É aquele indivíduo que ingere o conteúdo e nem mastiga, não questiona.

Parte para aplicabilidade tantas vezes sem discernimento, sem o equilíbrio e a segurança que se fazem necessários. E quer mesmo saber? Fanatismo é um processo de fora para dentro em que a pessoa pode simplesmente assimilar padrões e não aplicar. É espécie de terapia em que a individualidade não está tendo a paciência de construir a si própria. Por isso, a gente deve cultivar o processo dentro de uma linha de segurança, sem o cultivo de idolatria ou fanatismo. Com tranquilidade, pois se ficarmos aflitos e apressados nessa busca podemos nos fanatizar em decorrência de uma utilização inadequada dos padrões.

E alguém pode dizer que mudar é muito difícil e complexo, mas o fato é que a nossa mente precisa de explicação. O equilíbrio é imprescindível para que a gente não entre na alienação. Tem uma gama imensa de pessoas buscando um tratamento de choque para uma coisa que ter que ser respaldada pela experiência.

Está acompanhando? Não dá para a gente simplesmente sair de uma reunião ou de um culto religioso e achar que somos outra pessoa. Não dá para sair e simplesmente dizer: "eu agora sou um outro homem" ou "sou uma nova mulher". Quê isso? Vamos ser realistas, não é outro ou outra coisa nenhuma. Isso é conversa mole, é papo pra boi dormir. Você pode ser outra pessoa com novas ideias, novos propósitos e conceitos, mas seu espírito ainda é o mesmo, cheio de marcas.

Não dá para aquele que está participando de um evento achar que vai sair batendo asa de anjo após o término da reunião. Isso vai ser impossível. Porque nos situamos todos debaixo de uma soma imensa de caracteres milenares e não podemos mudar de forma instantânea, num abrir e fechar de olhos. No campo da nossa evolução não existem milagres. Existe, sim, trabalho constante e consciente, e nós temos que fazer uma marcha gradativa. Pense comigo: não se sai de uma área para outra área sem passar por aquilo que nós chamamos transição.

Ok? E no plano da transição, quando nós passamos de um ambiente para outro, nós entramos no novo ambiente levando uma soma de reflexos que ainda são sonantes em nós. Percebeu? Levamos ainda muitas marcas fortes da nossa personalidade. 

Quando entramos numa faixa nova nós trazemos ressonâncias de nossa forma de agir de vidas passadas. 

Então, não existe isso de sai daqui, passa pra lá, é outro, tudo novo, começa do zero de novo. Não. Isso não existe. Se assim fosse a evolução se perderia. Estaríamos sempre recomeçando sem a sustentação das experiências e conquistas pretéritas. E não podemos perder esses padrões conquistados ao longo do tempo,  pois vamos precisar deles no trato com as situações e as pessoas que vierem ao nosso encontro.

Como não existe milagre, nós não somos capazes de passar uma esponja em tudo o que fizemos lá atrás e mudarmos de repente, de um instante para o outro.

Alguém pode pensar assim: "Poxa, Marco Antônio, você diz para a gente desativar a pressa, mas porque eu vou desativar a pressa se, no fundo, eu tenho pressa?"

A resposta é simples. Ocorre que esses caracteres embutidos em nossa personalidade são vigorosos, ou seja, eles exercem uma influência na nossa vida muito maior do que podemos imaginar, e não são extirpados através de atitudes milagreiras de momento. Está percebendo? Essas cristalizações de longo período no inconsciente não podem ser arrancadas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. Não existe a possibilidade de desativarmos esses reflexos por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia. O vício não cede o lugar sem luta, é preciso destronar um elemento para que outro impere.

Ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é importante demais e não se discute. Mas também é extremamente valioso para o nosso progresso o exercício aplicativo da perseverança naquele componente inarredável que se chama paciência, que nada mais é que a capacidade de persistir.

Para início de conversa, o bloco que todos trazemos dentro de nós é milenar e tem o poder de chegar e tomar o espaço novamente. E toda a formação de caracteres novos na intimidade, para ficar condicionado e se tornar automático no nosso dia a dia, que é a chamada atividade refletiva, exige um certo tempo de condicionamento, uma certa capacidade de perseverar naquele ângulo. Isso é conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. Por isso, vale a pena repetir a importância de se manter a paciência e persistência em toda conquista legítima.

Uma coisa que temos aprendido, e que podemos afirmar com toda certeza, é que o processo de evolução tem que ser fixado, todo ele, na perseverança. O crescimento é pela sua utilização, e em qualquer pessoa não tem como ser diferente.

A sistemática de ação tem que ser fixada na perseverança. Podemos até ir além, sem exagero: perseverança é o instrumento fundamental da conquista, é a base da vitória, o componente básico da realização. Sem ela não há caminho para a felicidade. 

Constitui o caminho seguro para toda ocasião em que a individualidade se desperta e quer conquistar, principalmente quando quer acesso a algo novo que não conhece. 

Perseverança diz respeito à permanência.

É conservar-se firme e constante, persistir, continuar, manter a força ou a ação, ter firmeza, permanecer sem mudar ou variar de intento. Representa a busca que a criatura elege. Em suma, nós não temos como operar a linha de alterações no contexto evolucional do amor sem perseverar. Sem chance disso acontecer.

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