25 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 6

A PERSISTÊNCIA III

As soluções na nossa vida não virão a nível conceitual, mas no plano operacional.

Vamos explicar? Para mudar os rumos da caminhada nós lemos livros de auto-ajuda, livros de interpretação do evangelho, estudamos, frequentamos reuniões, idealizamos. Essa constitui a linha conceitual. Em um estudo com este, por exemplo, nós estamos aqui trabalhando as linhas estruturais do nosso campo mental, que é onde está a origem, onde está gênese de toda a iniciativa de crescimento. Agora, vamos entender que a mudança é operacional, não é conceitual, embora a linha conceitual seja a forma que vai modelar a mudança operacional e final.

Está dando para acompanhar? Se eu não mantiver uma base conceitual clara e segura, bem definida, firme, racional, e não nutri-la de valores seguros, na primeira oportunidade eu desisto de aplicar e volto para a antiga sistemática de ação.

Para se ter ideia, eu posso sair de uma reunião espiritual ou de um culto em alguma igreja motivado a colocar em prática os ensinamentos e simplesmente não fazer nada. 

Podemos sair de um estudo com muitos esboços dentro de nós, esboços que definem uma mentalidade mais equilibrada, mais harmônica, e esse esboço ser desmanchado logo na saída, no portão, brigando com alguém ou entrando em desajuste. A gente sai harmonizado, motivado a mudar, determinado a perdoar, e na primeira esquina ou ao chegar dentro de casa, como se diz na linguagem comum, a gente quebra o pau, discute, briga com o amigo ou familiar, desentende.

Entendemos e não fizemos, aprovamos consciencialmente e não perdoamos, podemos aprender e não fazer.

Aí não adiantou, vamos ter que fazer uma releitura, reciclar, reforçar o conhecimento.

Então, vamos ter em conta que o plano mental define o plano informativo dos caracteres, estabelece o esboço, e esse esboço vai ser fundamentado e sedimentado de uma única maneira, mediante o plano prático realizador do dia a dia.

É a aplicação dos padrões assimilados que pode produzir nova forma. O conhecimento intelectivo não forma, apenas informa. É a vivência que solidifica e incorpora a teoria.

Vamos apropriar uma carga de conteúdo, mas lembrando que a sedimentação do conteúdo, a conquista efetiva dele, é com base na aplicação, com base no que se faz. A conquista efetiva não se dá pela assimilação didática do conteúdo, mas pela estrutura vivencial desse conteúdo. À medida que as circunstâncias vão surgindo nós vamos nos esforçando para aplicá-los dentro dessa moldura nova, e assim fazendo nós vamos encontrar sabe o quê? Maior estabilidade, felicidade, equilíbrio, harmonia.

Nossa evolução não está na reunião que nós participamos hoje, nem na que participaremos em qualquer outro dia, como também não está no livro que estamos lendo.

Porque a formação de uma personalidade nova é inerente a um processo repetitivo que vai marcando a direção do curso da vida. Nós costumamos dizer e vamos repetir aqui: o crescimento se dá efetivamente em termos de constante repetição. Não há mistério nenhum, a metodologia da evolução implica em repetição. O sistema de aprendizado, todo ele, é embasado sob o ângulo da experiência e da repetição. É pela repetição que chegamos lá. Qualquer soma de reflexos, qualquer instauração de reflexos, para ser mais preciso, será decorrente do processo de repetições. A sedimentação e a fixação dos valores conquistados decorrem da repetição, e por isso o evangelho ensina que "aquele que perseverar será salvo" (Mateus 24:13).

É preciso a repetição continuada para que se dê a fixação. A conquista é por uma soma, não por um ato isolado. Aliás, se a gente pensar bem um ato isolado em certas situações pode ser até aflitivo na consciência de quem o praticou.

A experiência única não tem a mínima condição de sobrepor-se ao condicionamento da criatura e isso tem que ser compreendido. A resultante é de cada minuto que se vive. Por isso nós temos que bater muito nessa questão. E viver ativamente e adequadamente o minuto que passa, apropriando os valores e os componentes que se irradiam no momento. Vamos pensar nessa questão para que possamos realmente atingir os objetivos a que propomos.

E quando a questão é estudo a metodologia é a mesma. O estudo não tem como dar uma pincelada, acabou, estudei, já sei, pronto. A repetição é a base fundamental também da legítima assimilação de conhecimento. Sempre precisamos repetir. É lenta e gradativamente que vamos abrindo o campo da verticalidade informativa. É por isso que tantas vezes nós ficamos aqui repetindo coisas, batendo em vários ângulos já conhecidos nossos, batendo nas mesmas teclas conhecidas. Isso funciona não é para um ou para outro, funciona é para todo mundo. A gente repete. Vai repetindo, vai trabalhando em cima do mesmo assunto. E cada vez que trabalha vai incorporando algo novo.

É comum a gente avocar uma tarefa e com decorrer do tempo a perseverança transmutar o sentido da tarefa. Você já notou isso? A gente começa debaixo daquele jugo de necessidade, por uma imposição de fora para dentro, que tem que fazer, e com o decorrer do tempo vai se acostumando e passa a sentir um bem estar danado em virtude daquilo que está fazendo. A gratificação nos apanha lá no futuro. Se você não viveu esse tipo de situação é bem provável que ainda vá viver. Aí, depois você começa a analisar e fala assim: "Puxa vida, se eu não tivesse começado isso lá atrás, há vinte anos, dez anos, se eu não tivesse investido e persistido eu não teria chegado nessa posição ou nessa situação."

Daí nós podemos dizer com muita convicção: persista! Se pensar em desistir, persista!

Fundamental é começar e continuar, sem ficar preocupado com o que poderá vir em termos de prêmio amanhã. Vamos dar o nosso recado e perseverar. Vamos dar o nosso melhor, sabendo que o nosso melhor sempre pode ser melhorado.

Façamos a nossa parte, o resto não é com a gente. E porque eu estou falando muito nessa coisa de persistir? Porque por enquanto os nossos objetivos são largados pelo caminho. Nós não chegamos neles. Entre vários motivos que surgem, valores diversos nos entretecem e nós acabamos nos desviando da meta.

E enquanto isso estiver acontecendo é sinal de que não estamos tendo a  autoridade suficiente para produzir com consciência e equilíbrio. Repare para você ver. A gente começa e para. Com isso, eu estou dizendo que toda a ideia que nós tivermos, toda a meta que nós traçarmos vamos ter que chegar até ao final dela? Não. De forma alguma. Eu não estou falando isso. A estrutura vivencial pode produzir alterações. Você pode perfeitamente alterar o percurso, alterar a rota, caminhar para outro ângulo. No encaminhamento do próprio contexto você pode alterar e retificar o curso. Agora, cá pra nós, você retificar o rumo é uma coisa, se esquecer da meta a que propôs ou desconsiderar a meta é outra bem diferente, e isso é que gera dificuldade. Resultado: é imperioso perseverar.

Porque tem chances que a gente perde na vida, e você sabe disso, que vai ser muito difícil encontrar outra oportunidade igual. Então, vamos ter em conta essa questão porque é muito importante. Apesar do mundo regenerado já estar entrando na pauta das nossas vidas nós ainda adotamos um sistema de infantilidade. 

Continuamos igual criança, que está brincando com um brinquedo aparece outro e ela logo larga o primeiro. Ou quebra o brinquedo e pega outro. Ou seja, vamos analisar como temos agido diante dos nossos propósitos e objetivos, porque em termos de fixação de objetivo e meta nos mantemos pouco felizes ainda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...