7 de abr de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 2

A FORÇA DO AUTOMATISMO I

“DE MANEIRA QUE AGORA JÁ NÃO SOU EU QUE FAÇO ISTO, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM.” ROMANOS 7:17

“ONDE O SEU BICHO NÃO MORRE, E O FOGO NUNCA SE APAGA.” MARCOS 9:48

Todos nós, quer se admita ou não, carreamos conosco o somatório dos reflexos que viemos arregimentando e formalizando no psiquismo ao longo dos milênios.

O que isso quer dizer? Que a alma registra todas as suas experiências no aprendizado das lutas da vida no próprio patrimônio íntimo. Todas as características morais que arregimentamos em cada existência física ficam incrustadas em nosso organismo perispiritual. Cada espírito é um registro vivo de si mesmo, trazendo nos caminhos da vida os arquivos de si próprio. Todas as trajetórias, desde as mais recuadas, nele se encontram gravadas, podendo ser penetradas quando as circunstâncias permitem e por quem esteja habilitado a fazê-lo.

E o interessante é que todo passado milenar apresenta para nós um sistema em bloco. A soma de nossas experiências passadas define o nosso eu, onde assentamos as bases da nossa vida. Uma infinidade de caracteres que estão embutidos na intimidade psíquica forma esse bloco envolvendo toda a experiência de trás.

Quando se entra no sistema reencarnatório, ou seja, quando o espírito reencarna no plano físico pelas portas do nascimento, ele traz consigo essa mochila.

Traz consigo miríades de caracteres que formam esse bloco, envolvendo toda a sua experiência de trás, e embutida dentro da sua individualidade. Está acompanhando? Quando um espírito reencarna ele carrega na estrada terrena esse mochila, esse bloco. E é impossível deixar essa bagagem para trás e pegar uma mala nova com novos caracteres, zero quilômetro de tendências e registros. Simplesmente não dá. Todos esses registros embutidos acompanham a criatura e são fatores didáticos de aprendizagem que a projetam para um crescimento a Deus. É por isso que a maioria dos seres humanos em lutas expiatórias podem ser vistos como alguém que luta para desfazer-se do seu próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender gradativamente para uma vida melhor.

Estamos hoje dando passos mais firmes visando uma nova etapa. Estamos tentando acertar o passo e alcançar uma nova proposta, mas carregando a nossa sacola, o nosso recipiente íntimo com todos os padrões até então trabalhados ao longo do nosso grande passado. E já sabemos, à luz do entendimento mais profundo, que cada um de nós tem uma soma de valores incrustados no íntimo.

Temos propostas lindas que estamos querendo acionar no campo prático da vida, todavia temos também ângulos negativos que nos deixam suscetíveis e nos prendem a situações menos felizes. Existem muitos reflexos incrustados na nossa personalidade, e por reflexos entendemos o quê? Marcas. Veja bem, há uma soma ampla de caracteres embutidos em nosso plano consciente, só que o plano consciente se assenta nos fundamentos do subconsciente. E pelo fato do subconsciente ser a base, toda a alteração no campo do consciente ainda recebe muita ressonância em termos de magnetismo das expressões vindas de baixo. Será que deu para entender, ou eu falei grego?

O apóstolo Paulo diz assim: "Agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim." (Romanos 7:17) É a grande verdade. Vivemos todos, sem exceção, em esteiras amplas de reflexos. Reflexos que são disparados pelos nossos sentidos tradicionais como ondas volumosas que adentram em nosso território pessoal. 

O reflexo gera a emoção, a emoção gera a ideia, a ideia gera a palavra e a palavra, por sua vez, gera a ação. Daí notamos que até o reflexo a manifestação é automática e esse automatismo todo está ligado em função dos desejos profundos da nossa personalidade, e que quer nos empurrar para eles.

O instinto, que em muito nos domina, é sempre uma soma daquilo que cada um de nós incorporou. Por exemplo, se chega uma notícia específica o indivíduo, sem pensar, já expõe determinada reação. Se ele recebe certa instrução no local de trabalho já pressente que vai haver chateação, e por aí vai. É automático. E o automatismo nosso passa por cima da vontade, passa por cima das nossas melhores vibrações, das melhores disposições de crescimento. É fator imponderável e vigorante. Vem e domina, vem e massacra. 

"Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga." (Marcos 9:48) Os ângulos inferiores da nossa personalidade, presentes no subconsciente, são componentes que permanecerão dentro de nós em regime maior ou menor de ativação.

Existe um mecanismo vitalista. Na verdade, fica tudo embutido. E na medida em que vão ficando para trás eles vão se cristalizando, podemos dizer que passam a ficar como que compactados. Passam a ficar sumidos em nossa individualidade e em nosso eu. Mas continuarão sempre conosco sendo um desafio para nós. Porque esses reflexos podem ser desativados mediante a implantação de outros padrões, mas nunca erradicados. Isso é algo muito bonito na didática da evolução. E muitas situações podem dar campo, positiva ou negativamente falando, à emersão de caracteres que estavam arquivados e vão ser jogados para fora. Em qualquer época e em qualquer ambiente planos circunstanciais da vida podem tocar um determinado valor que está ali arquivado.

Então, um acontecimento pode dar o toque. E o que acontece? Imediatamente vitaliza a parte que estava adormecida. Se voltarmos em outro acontecimento a tocar de novo a circunstância dá o sopro novamente e se apaga. A mostrar para nós que há um processo ainda incandescido em nós, uma espécie de brasa.

Nos faz lembrar uma espécie de fogueira, já que a expressão usada é fogo mesmo. "Fogo que nunca se apaga". A fogueira passa e no dia seguinte fica tudo pretinho. Não é assim? Ela acaba e fica tudo em brasa. Mas o que a gente sabe é que se soprar pode acender tudo de novo, não pode? Se soprar naquela brasa, que aparentemente está apagada, pode fazer surgir toda aquela fogueira novamente. Daí, nós precisamos ter em conta que tudo que trazemos arquivado em nosso íntimo é estrutura em estado de repouso. Permanece em estado latente. 

E no que reporta aos padrões menos felizes, o que é necessário é criar de princípio uma base para amenizar as suas manifestações.

Um percentual enorme de caracteres de vida está incorporado em nós. Representa o piso automático de nossa personalidade e praticamente refletimos aquilo. A expressão adequada é essa mesma, automatismo de nossa estrutura pessoal.

Repare para você ver, tem coisa que a gente faz e nem pensa, faz automaticamente. Não pensa. Simplesmente vai e faz. Grande parte de nossos padrões de vida são automáticos. Eles refletem naturalmente o que temos incorporado. Uma pessoa que se sente bem com determinada ótica, com aquilo que está recebendo e aplicando, não pensa. A caridade que a gente exercita hoje, por exemplo, se pensarmos bem, é uma vitória, não é? A gente fica numa euforia muito grande quando a exercita. Não quer dizer que amanhã a gente não a terá como fator gerador de euforia íntima, mas no grande futuro o que vai acontecer é que nós a faremos como sendo algo normal, como ação natural de vida. Deu uma ideia?

Nossa mochila está carregada. Nós temos reflexos que vem determinando muito na nossa vida. De fato, o instinto sempre é uma soma daquilo que se incorporou.

E quando um componente forma o peso desse reflexo, normalmente é sinal de que ele foi trabalhado em um ponto repetitivo. Não se instaurou mediante uma única ação ou por meio de um pequeno número de ações. Mas a grande notícia é que nós podemos mudar esses padrões. Não só podemos como devemos. Constantemente estamos alterando o circuito desses instintos, porque muita coisa que a gente faz instintivamente, com o decorrer do tempo nós temos que redirecionar, alterar, reciclar. Na medida em que vamos entrando em um terreno novo, e selecionando padrões renovadores, vamos compactando essa mochila que está carregada de elementos acentuadamente abertos, vamos comprimindo esses elementos e transformando o peso da mochila em uma condição mais fácil de administrar, menos onerosa para carregar, e vamos dando campo a novos valores, a novos reflexos. No momento em que o reflexo se implanta ele passa ser automático, mas nós podemos trabalhar no ponto básico do reflexo e alterar a sua base, caso realmente queiramos melhorar. É o nosso desafio.

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