10 de mai de 2015

Cap 50 - Use Bem Seu Livre-Arbítrio - Parte 9

MELHORANDO A AÇÃO

Nós vamos começar este tópico analisando algo da maior importância. A nossa ação sempre pode ser pensada. Concorda comigo? Cada um de nós sempre pode avaliar a sua ação. 

Aliás, ela não só pode como deve ser pensada e analisada. É importante a gente entender essa questão no plano prático da vida.

Por isso, vamos frisar com calma. A aprendizagem podemos dizer que nos leva a ação e a ação é componente que nos possibilita a fixação, é um componente fixador. Será que andei falando grego aqui? O aprendizado chega e nós temos que aplicar conscientemente o aprendizado. E vamos aplicá-lo pela ação. Logo, a ação projeta, valendo repetir que a nossa ação é consciente. É pela ação que nós vamos conseguindo criar mecanismos para fixar os elementos aprendidos. Em outras palavras, a ação nos possibilita a fixação da proposta de novos valores.

E se eu falei em componente fixador é porque existem dois tipos: tem o componente fixador e o componente aferidor. E ambos são distintos. Como o nome já diz, o primeiro visa fixar o aprendizado (por meio da ação, que é consciente) e o segundo aferir (pela reação, que é automática). Será que deu pra entender?

Pelo livre-arbítrio elegemos componentes fixadores, aprendemos. De certa forma, conquistamos. E os acontecimentos e circunstâncias são os componentes aferidores, que visam testar o grau do nosso conhecimento. Em suma, os primeiros nos possibilitam conquistar e os segundos chegam para nos aferir. Pela ação você projeta, realiza, opera, e pela reação você afere, mede, avalia, faz balanço.

E não tenha dúvida, nos acontecimentos do dia a dia é que nós somos aferidos. Como? Pelas nossas reações. Isso mesmo, a reação não é componente fixador, ela não é veículo de aprendizagem, a reação é componente aferidor. A reação íntima é o veículo de aferição da nossa conquista. Nós somos aferidos pela forma como reagimos diante das variadas circunstâncias. A reação afere e nós somos aferidos nos impactos da vida pelas nossas reações. Agora, um detalhe é que a reação é automática.

O tempo passa e nós temos vivido por muito tempo em cima de emoções arraigadas.

Já pensou nisso? Se as nossas ações são pensadas as nossas reações, por outro lado, são irrefletidas. E pelas nossas reações, pelo impacto das emoções, definimos o que efetivamente tem representado a soma dos caracteres constituídos no nosso bloco íntimo. Então, repare no seguinte. Às vezes, em certos momentos uma criatura exterioriza determinadas atitudes de improviso, sem pensar, como numa situação de trânsito, por exemplo, em que diante de uma situação inesperada ela se irrita com um outro condutor e lhe exterioriza aquela palavra cabeluda, aquele palavrão de todo tamanho, em que deseja ao outro motorista "toda a felicidade do mundo". Percebeu? Isso acontece com muitos em certa frequência. E em uma situação desta ela está demonstrando o quê? Que de fato possui esses padrões pulsantes na sua própria intimidade. Ficou claro? Conclusão: tem muitos momentos em que nós estamos sendo aferidos.

E o que exteriorizamos nessas situações constitui o reflexo natural da soma de caracteres vivenciados que nós temos dentro de nós.

Pela reação também podemos refletir e avaliar. Quando agimos premeditadamente podemos acertar, aparentando conhecimento, porém, quando reagimos, nem sempre dentro dos princípios adotados na ação, constatamos o espaço que medeia as nossas conquistas efetivas das aparentes, evidenciando que apenas parecemos ter, quando de fato não possuímos.

Então, o que nós estamos soltando em meio às nossas reações revela o que nós temos.

E, se na sua forma de reagir diante de um fato, de uma situação, de uma pessoa, você coloca caridade, pode ter certeza que você vai sentir uma alegria muito grande. E mais, vai constatar que foi feliz e que deu mais um passinho à frente.

Não é fácil avançar. Vai ter muitos momentos em que vamos sucumbir pela soma irreverente dos reflexos milenares que constituem parcelas significativas da nossa personalidade. Mas está bem. Isso faz parte do contexto. Temos que trabalhar o nosso íntimo educando a nossa forma de reagir, certo? Ninguém vai duvidar disto, especialmente quando sabemos que grande parte das nossas atitudes não representam necessariamente ação, mas reação. Só que tem um detalhe fundamental: trabalhando unicamente a reação vai ser muito difícil a gente conquistar. Temos que trabalhar com muito carinho cada movimento, cada ação. Pois é pela elaboração de novas faixas de ação que poderemos desativar a intensidade dos reflexos menos felizes que ainda insistimos em repetir.

O mecanismo é gradativo, passo a passo. E este é o drama que nós discutimos agora.

Porque para essa mudança a gente tem que estar, de algum modo, paciente e equilibrado.

Sabe aquela passagem do evangelho em que João Batista, por meio de seus emissários, pergunta a Jesus se ele é aquele que haveria de vir ou se deveriam esperar outro? E você se lembra da resposta de Jesus, o que ele mandou falar? Disse aos mensageiros que anunciassem a João o que viram e ouviram, ou seja, que os cegos viam, os surdos ouviam, os coxos andavam e os leprosos eram limpos. 

Pois então. Este é um anúncio que fazemos hoje à nossa razão. Afinal de contas, quem são os leprosos, os surdos e os cegos que o evangelho referencia? Alguém tem dúvida de que somos nós? O que tem acontecido com o conhecimento que tem nos visitado o entendimento? Estamos enxergando melhor a realidade da vida, e vamos continuar melhorando a nossa visão; estamos ouvindo melhor, identificando os chamados mais sutis; estamos nos movimentando melhor, e vamos continuar com naturalidade o processo. E daí a gente nota que a cada dia, a cada semana, a cada mês nós vamos fazendo menos daquilo que não queremos fazer. Vamos reduzindo as nossas ações menos felizes.

É por ações instituídas e direcionadas que nós adquirimos o direito de mudar, mediante um sistema repetitivo, a nossa forma de sentir, agir e operar. E para esperarmos melhores resultados nós precisamos operar com discernimento e inteligência, e muitas vezes aprender na ação para podermos amenizar a reação.

Entendeu esta parte? Se quisermos melhorar as nossas reações temos que melhorar nossas ações.

Para se adquirir padrões comportamentais de segurança é preciso investir na ação, selecionar padrões e partir para a ação. Isto é imprescindível. Porque a ação ajuda na conquista de novos valores. Já mencionamos isto, certo? A ação estrutura e projeta, ao passo que a reação apenas afere. Logo, é imperioso investirmos muito no plano da ação para que possamos ganhar na hora da reação.

Investir na ação em linhas de atitude mais equilibrada para sermos felizes na reação.

É a ação direcionada que vai nos proporcionar condições de uma reação feliz nos momentos mais complexos. Sem contar com um detalhe que não podemos nos esquecer. Também temos que melhorar as nossas ações no campo dos relacionamentos, óbvio, mas melhorar a postura não somente com aquele indivíduo chato, aborrecido, intolerante, difícil de lidar. Melhorar não só com o indivíduo que incomoda e desagrada, mas melhorar com os outros também. Porque como diria o Capitão, o chefe da turma dos pinguins de Madagascar, se ele estivesse abordando a questão: Se isto não é importante, então eu não sei o que é!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...