27 de mai de 2015

Cap 51- Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 1

RELIGIÃO

É comum nos círculos religiosos pessoas indagarem, vez por outra, acerca da forma correta de se estudar o evangelho. Eu, particularmente, costumo dizer que em se tratando de padrões de natureza moral e espiritual dificilmente se encontra alguém que apresenta autoridade suficiente para dizer que vai ensinar algo. E se esse questionamento é feito à minha pessoa, logo digo que não sou louco o bastante para dizer a forma correta de estudar as escrituras. Afinal de contas, quem sou eu? Seria uma pretensão desarrazoada da minha parte. Especialmente eu, que nada sei, e que tenho me esforçado muito para compreender alguma coisa dos ensinamentos de nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo.

Por outro lado, acho que juntos poderemos examinar pontos interessantes neste capítulo e apreender algumas frações de valores capazes de nos auxiliar na nossa caminhada.

Objetivando preservar seus filhos dos perigos da jornada evolutiva, Deus direcionou a luz do conhecimento de modo a acordar as almas para a glorificação imortal.

E na inquietação que lhes caracteriza a existência na terra os homens se dividiram em numerosas religiões. Em todos os cantos do mundo cada individualidade enquadra a sua vida mental a determinado tipo de interpretação religiosa, a fim de reverenciar o supremo criador por meio do modo que supõe ser o mais digno.

Assim, nas subdivisões do eterno santuário comparecem os tutelados do Cristo em diferentes graus de compreensão.

Quando o assunto é religião, é necessário respeito absoluto às concepções. E em se tratando de eventuais discussões acerca da pretensa superioridade de uma religião sobre as outras, o que é imprescindível ter-se em conta não deve ser outra coisa senão os valores desenvolvidos no coração de cada um pela sua capacidade maior ou menor de viver o amor que aprendeu.

Mas preste atenção em um ponto muito interessante. O caminho da luz artificial, aquela criada pelo homem, a gente sabe bem como foi. Inicialmente, nós tivemos o candeeiro, onde a luz se originava pela queima do óleo produzido pela oliveira. 

A seguir, surgiu o lampião com querosene e depois à base de gás, para finalmente chegarmos na luz elétrica. A primeira lâmpada elétrica desenvolvida com sucesso por Thomas Edison, vale lembrar, foi em 1879. Era a incandescente. Teve os seus melhoramentos. Constituía-se de um filamento dentro de um bulbo de vidro que se aquecia, colocado no vácuo e em meio gasoso apropriado. O filamento se desgastava e se rompia com o tempo. Em seguida nós tivemos as lâmpadas fluorescentes. Aquelas com um invólucro translúcido de vidro transparente e eletrodos nas extremidades. Hoje já estamos com uma tecnologia nova em plena expansão, as lâmpadas de LED (diodo emissor de luz). De tamanho reduzido, desenvolvimento tecnológico e consumo bem menor de energia ela visa substituir as lâmpadas incandescentes e fluorescentes. Trata-se de semicondutores que convertem corrente elétrica em luz.

E estamos contando isto porquê? Porque nós temos que estar com as nossas mentes abertas para mudanças. Temos que estar com nossas mentes abertas para rever os nossos conceitos.

Se deixamos o azeite pelo petróleo, o petróleo pelo gás e o gás pela eletricidade, em se tratando de luz externa, porque não fazer o mesmo com os velhos e ultrapassados dogmas que herdamos e cultivamos ao longo do tempo, sem questionar?

Pense comigo, se nos desapegamos dos candeeiros sem sentirmos saudade deles, porque não nos desprendermos também das superstições religiosas, dos credos falsos e da falsa fé?

Se em matéria de luz artificial verifica-se um progresso contínuo, com sistemas e métodos mais avançados surgindo de tempos em tempos, você não acha que o mesmo deve ocorrer quando assunto é a luz espiritual? Se o problema da iluminação exterior mereceu, e ainda merece do homem, tanto esforço de inteligência e raciocínio, como desconsiderar o problema da iluminação interior, deixando-o à margem de nossas necessidades?

Tudo caminha para a melhoria contínua. O homem lá atrás procurava a unidade básica da matéria, não procurava? Achou o átomo e ficou feliz de tê-lo achado, no entanto, mal sabe ele que não conhece até hoje a energia que mantém a linha de relação dos elétrons com os núcleos. Não sou especialista no assunto. Até pelo contrário, não sei nada a respeito, todavia já sabemos que para além do elétron e do núcleo existem os nêutrons e prótons e já se descobriu, também, os quarks.

E o que estamos fazendo aqui, reunidos de uma certa forma, senão buscando conhecimentos novos para clarear o nosso campo mental, objetivando apreender orientações seguras para a nossa caminhada rumo a um futuro melhor?

É imperioso descaracterizarmos essa ideia antiga de tradição religiosa. Isso é coisa que já não deve se acomodar nos nossos cérebros. É fácil constatar que certas manifestações religiosas não passam de vícios populares nos hábitos exteriores.

Aqui e ali, lá e acolá, encontramos seguidores nos ritos mais diversificados. Claro que sabemos que atitudes religiosas de superfície apresentam relativo valor a determinadas pessoas em certos estágios da evolução, porém, vamos ser sinceros, uma enormidade de manifestações religiosas não são atestados de religiosidade entre nós. 

E você sabe que eu não estou exagerando. Multidões de pessoas acreditam ser religiosas, mas não passam de simples ritualistas. E nem sempre ser bom ritualista é sinônimo de ser boa pessoa.

Para muitos companheiros os cultos religiosos nos templos de pedra se resumem a convencionalismo sem sentido, porém, de muito agrado social, em razão dos encontros pessoais e das múltiplas conveniências que deles resultam.

Pense nisso com carinho. Muitas pessoas se mantém envolvidas nos planos das religiões, mas permanecem dia após dia sem qualquer indicativo de conquista iluminativa. Frequentam, mas não se melhoram interiormente. E em matéria religiosa, satisfazer-se alguém com o rótulo, sem qualquer esforço de sublimação interior, é tão perigoso para a alma quanto deter alguma designação honorífica com menosprezo à responsabilidade que ela impõe. É tempo da gente sacudir esses andrajos do passado e buscar conhecer, servir e amar o Deus verdadeiro.

E se mudar de crença religiosa pode ser uma modificação de caminho, pode também, por outro lado, representar apenas a continuidade da perturbação. Eu não quero chocar você ao abordar este assunto, mas posso ser sincero? Nós não precisamos tanto de religião. É a verdade. Precisamos, sim, de religiosidade. É o que nos falta. 

Para cada faixa da evolução remanescem crenças e cultos próprios para suas necessidades e precisamos sair do misticismo contumaz que vem nos batendo através dos séculos para entrarmos em um plano natural de bom senso e de lógica. Além do que, os nossos rituais religiosos vão se transformando à medida quem evoluímos e passamos a precisar de manifestação cada vez menos ostensiva.

O evangelho nos ensina que a religião pura diante de Deus é coisa bem diferente da que temos conhecido.

Por traduzir o religamento com o criador, é primordial nós no voltarmos para Deus.

Sendo a face soberana da verdade, a religião diz respeito à importância de se colocar a espiritualização, o crescimento e a redenção do ser na fisionomia da libertação, mediante um direito insubstituível que nutrimos de ser feliz e buscar a felicidade. Deve ser compreendida como o sentimento divino que clarifica o caminho das almas, ao qual cada espírito aprenderá na pauta do seu nível evolutivo.

O cristianismo, como suprema religião da verdade e do amor, convoca todos os corações para a vida mais alta. A religião legítima, que se desenvolve e nos projeta para Deus, no sentido de nos religarmos a Ele, é no terreno interior da renovação, cujas exteriorizações são sempre amor nas expressões mais sublimes.

Portanto, perante a divina providência, repousa, acima de tudo, no serviço ao próximo e no caráter puro, ou seja, na caridade incessante e na tranquilidade da consciência.

Na acepção profunda da palavra, religião é o cotidiano de cada qual. É a forma como se vive, a maneira como lidamos com as pessoas e os fatos, a prática da vida inclusive nas coisas mais simples, a circunstância de vida a todo o momento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...