31 de mai de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 2

IGREJA

“TEMOS UM ALTAR, DE QUE NÃO TEM DIREITO DE COMER OS QUE SERVEM AO TABERNÁCULO.” HEBREUS 13:10  

“O ESPÍRITO É QUE VIVIFICA, A CARNE PARA NADA APROVEITA; AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“E NOS FEZ REIS E SACERDOTES PARA DEUS E SEU PAI; A ELE GLÓRIA E PODER PARA TODO O SEMPRE. AMÉM.” APOCALIPSE 1:6

Em sentido literal, igreja é uma assembléia de fiéis, conjunto de fiéis ligados por uma mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais. Na acepção mais profunda, representa o agrupamento de pessoas vinculadas a uma visão nova que o cristianismo sugere, e não necessariamente um templo físico. Define aquelas criaturas que se unem em um grupo mais próximo de tendências, conquistas e padrões assimilados e a respectiva filosofia que cada membro passa a nutrir no coração.

Em suma, igreja é núcleo. É um centro, unidade que aponta um agrupamento de corações e que vai lidar, de certa forma, com apontamentos relacionados às responsabilidades assumidas, mas sem esquecer que sempre vai haver alguém à frente desse núcleo. 

Vamos observar, por exemplo, que as sete igrejas do apocalipse, que são o foco onde se congregou o ideal cristão daquela época, e que representam ainda hoje os vários níveis em que os espíritos, tanto na vida física do planeta como no plano espiritual, podem ir se ajustando, se ajuntando e se afinando, que cada uma dessas igrejas é administrada por um anjo, que por sinal nunca está só. Porque se ele estiver sozinho, se administrar sozinho, o trabalho se faz no relativo e passa a desejar muito. E as mensagens contidas nas sete cartas iniciais do apocalipse não são mensagens vagas, desconexas, pelo contrário, são direcionadas, ainda hoje, à intimidade, cada uma direcionada à respectiva igreja.

O que se nota hoje, infelizmente, é que muitas igrejas tomaram do cristianismo somente o título.

Originadas na ambição e no egoísmo do homem, que tudo procura moldar aos seus levianos interesses, nutrem rivalidade, ignorância, orgulho e preconceito. Estou errado? O cristianismo, que deveria ser a mais ampla e simples das escolas de fé, há muito tempo que se endureceu no superficialismo dos templos.

E enquanto as variadas igrejas se digladiarem entre si continuarão demonstrando, literalmente, que não conseguiram atingir o ideal sublime proposto pelo filho de José e Maria. E mais, que estão muito longe da religião do amor.

Não dá para negar, em todos os cantos as igrejas erguidas para adoração ao Senhor andam cheias de gente. Dia após dia pessoas nelas adentram. Mas, na verdade, os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos. Inúmeros devotos entendem encontrar na divina providência uma força subornável, cheia de privilégios e preferências. Querem o Cristo, e sabe para quê? Para que o Cristo os sirvam. Cultivam a oração, pretendendo subornar a justiça divina. Compartilham demonstrações e expressões de fé na busca de vantagens pessoais no imediatismo das gratificações terrestres. Enquanto muitos tentam subornar o poder celeste pela grandeza material das suas oferendas, outros tantos se socorrem do plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.

Os templos de fé religiosa no mundo, desde que consagrados à divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus onde Jesus ministra os seus bens aos corações da Terra, independente da escola de crença a que se filiam. Qualquer que seja o templo em que se expresse, é santuário de educação da alma no seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade. Isso precisa ficar claro.

As igrejas normalmente representam aquele veículo decodificador do pensamento divino a nível informativo, através das quais os valores chegam ao plano perceptivo das criaturas. Definem uma capacidade reveladora capaz de atingir a todos os elementos embutidos nesses departamentos de percepção dos valores superiores em Deus. São núcleos que irradiam a luz para a iluminação das trevas.

A finalidade dos templos de pedra é despertar a nossa consciência. Eles visam, acima de tudo, expressar nossa proposta íntima. 

Agora, o evangelho, como componente de libertação, tem que ser trabalhado no terreno íntimo. Por isso, nós temos que encontrar o Cristo no santuário interior.

O que estamos trazendo é só uma questão de raciocínio. Deus é espírito e só em espírito deve ser adorado. Logo, é preciso adorá-lo em espírito e verdade. E para essa adoração nós não dependemos do majestoso edifício do templo e nem dos seus cerimoniais, dos seus rituais, das suas prescrições ou mesmo da autoridade de seus sacerdotes.

O templo pode perfeitamente ser transferido da sua linha exterior para dentro de cada um de nós.

Cada criatura tem um santuário no seu próprio espírito, onde a sabedoria e o amor do Pai se manifestam sempre através da voz da própria consciência. Se todos os templos na terra são de pedra, o que Jesus fez? Veio abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Percebeu? Veio abrir o templo dos corações sinceros para que todo o culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador.

É na própria intimidade onde o evangelho funciona realmente. Igreja efetiva é dentro de nós. Fora da gente é um auxílio na caminhada. Vamos adorar a Deus na igreja que consolidamos interiormente. Afinal de contas, espiritualizar a vida não é dar-lhe novas feições exteriores, mas reformá-la para o bem no âmbito particular.

Quando se pensa em evangelho, as pessoas quase que automaticamente o associam à ideia de igreja e religião. 

Mas o evangelho já transpôs os muros de pedras das igrejas para atingir os terrenos amplos da intimidade do ser. Já saiu da sua expressão em que foi trabalhado e estruturado para se ajustar à nossa intimidade, que é onde realmente opera no plano transformador. Já deixou de ser assunto de religião para se tornar um assunto de vida. Vale a pena repetir: é na nossa intimidade onde ele efetivamente funciona. Ele opera no anonimato, revolvendo o coração de cada um de forma nítida e substanciosa.

Bonito de entender é que as suas mensagens são orientações faladas ao nosso coração.

São mensagens universais, de caráter espiritual. E por serem universais tem atualidade em qualquer lugar e momento. As dificuldades e os desafios dos homens invariavelmente passam por alguma faceta ou linha que tange aquilo que foi mencionado nele.

Os altares de pedra foram substituídos faz tempo pelos nossos corações. O movimento vital das ideias e realizações baseia-se na igreja vida do espírito, no coração dos homens.

Em razão disso, não precisamos mais nos submeter de alguma forma à casta sacerdotal tradicional. Porquê? Simples. Porque somos todos sacerdotes. Se já nos situamos para além daquela postura pessoal de querer ser agraciado pela dádiva divina, podemos nos considerar chefes da igreja. E isso não sou eu quem estou inventando. É o evangelho que diz: “E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.” (Apocalipse 1:6)

Ficou claro? Religião é a nossa própria existência, as nossas próprias realizações a nos conduzir para Deus, certo? Daí vamos depreender que sacerdócio é uma linha de âmbito interior, define o canal de valores redentores do ser ao nível pessoal reeducacional. É toda nossa experiência de cunho espiritual. E a expressão reis, por sua vez, faz uma referência a quê? Ao poder temporal.

Rei não sintetiza isto? Não define acima de tudo um aspecto de autoridade? Resultado: o texto sugere relação entre ambos porque no fundo nós temos que ter autoridade dentro do exercício do sacerdócio. 

O cristão que já acordou para as suas necessidades e responsabilidades tem que caminhar sendo sacerdote de si mesmo. Tem que apresentar uma autoridade dentro das próprias revelações doutrinárias. Não tem outra, nós temos que manter uma postura resoluta, admitir certa auto-suficiência naquilo que propomos fazer e trabalhar com todo afinco para ganhar autoridade. Mas uma autoridade legítima, uma autoridade com humildade, moldada na fundamentação que o amor propõe.

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