29 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 8

O EVANGELHO É ATUAL

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

O evangelho é um só. Representa a unicidade não apenas dentro da nossa esfera terrestre, como a unicidade em todas as esferas do plano invisível vinculadas ao nosso orbe.

O que significa isso? Que o mesmo versículo que estudamos aqui também é estudado pela espiritualidade maior nos planos superiores. A diferença é que lá ele é abordado com maior aprofundamento e sob ângulos ainda inimagináveis para nós.

Evangelho quer dizer "boa nova". Era denominação dada aos seus livros, por tratarem de notícias inovadoras acerca da chegada do messias e de uma nova era que se abria para a humanidade. Não é preciso ser estudioso para perceber que o evangelho é uma fonte de recursos que não se esgotam. Vamos estudando e cada vez mais ele se expressa e verticaliza. Sua essência nos aponta para a infinita dimensão temporal e ele tem coisas que vamos aos poucos começando a entender.

Dádiva suprema do céu, com vistas à marcha intérmina para o amor e a sabedoria universais, constitui a palavra sublime que encerra a suprema e eterna verdade. Pense bem, não tem outra. Seus ensinamentos objetivam a redenção.

Em se tratando de iluminação espiritual, inexiste fonte alguma além do evangelho. Para a elevação da alma só existe no mundo o evangelho sagrado de Jesus, que nenhum compêndio doutrinário poderá ultrapassar. "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (João 14:6) Sabe o que quer dizer? Que Deus é a meta através de Jesus. Embora inúmeras veredas que ainda insistimos em adentrar ao longo das existências, o caminho legítimo é um só. Iniciando na simplicidade da manjedoura e finalizando no sacrifício do calvário, é por meio daquele que veio nos trazer vida em abundância.

Os ensinos do mestre se dirigem a todos os espíritos do planeta sem distinção alguma, sejam encarnados e desencarnados, estejam eles nesse ou naquele campo de evolução.

Roteiro de ascensão para todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta, rumo aos planos superiores do ilimitado, é de sua aplicação que decorre a luz do espírito. Somente a evangelização pode conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão. E o conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa.

A missão do evangelho é muito mais bela e mais extensa do que possamos imaginar.

Expandir conhecimento é tarefa de Jesus. Mas é o Jesus histórico ou o Jesus interior? Isto é o que nós não podemos perder de vista. É lógico que é o Jesus interior. Não estamos órfãos e o mestre continua a trabalhar incessantemente. Continua derramando bênçãos todos os dias. O evangelho é algo do presente e o seu conteúdo é a nossa história. Jesus continua a sua missão de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus. E não se assuste com o que eu vou dizer: os prodígios ocultos operados no silêncio do seu amor hoje são ainda maiores que os verificados ontem. O Jesus da Galiléia, da Samaria, da Peréia ficou lá atrás na história. Falamos agora é no Jesus íntimo. Em um Jesus dinâmico que se incorpora dentro da nossa intimidade, que está dentro da gente.

Basta a gente começar a ler e estudar, com aprofundamento da letra, para constatar que todo o território do evangelho está dentro da gente. Os ambientes dos textos encontram-se todos presentes, sem exceção, na extensão territorial de nossa alma, praticamente definindo estados de espírito ou regiões psíquicas.

Entendeu? Está tudo em nosso mundo íntimo. Então, onde está a Galiléia, a Peréia, a Samaria, a cidade de Jericó, Cafarnaum, a recebedoria, o monte das Oliveiras, a manjedoura com sua simplicidade? Está tudo da gente. Definem nossas moradas ou estados de espírito.

E com os personagens não é diferente. Certos personagens mencionados dentro dos textos sagrados ainda se encontram dentro de nós. Isso mesmo, em todos os textos eles chegam até nós, dando-nos condições de identificá-los ou não em ângulos diversificados da nossa personalidade. O bonito disso é que podemos dar campo e até mesmo fazer com que certos personagens possam ressurgir para operarem novamente à partir da gente mesmo. Percebeu o que eu estou dizendo? Muitos deles ainda representam insinuações dentro da gente. Nos identificamos com vários quando os estudamos, como é o caso de Zaqueu ou do cego de Jericó, mostrando diversidade de posições interiores e de posturas. 

Evangelho não é oficina de vantagens na experiência material, mas templo de trabalho redentor para que venhamos consertar a nós mesmos diante da vida eterna.

Por isso o estamos aprendendo. Para quê? Para ver se melhoramos a nossa caminhada.

E o que pesa muito na parte interpretativa dele não é a questão do fato analisado parecer estranho ou difícil, mas a nossa capacidade maior ou menor de compreender.

Para início de conversa, é preciso que ele seja trabalhado num contexto. Porque ele apresenta linhas bem nítidas de coerência. Em razão disso, tem que ser trabalhado numa área coerente. O que é que eu estou querendo dizer? Que se você pegar um versículo específico do evangelho, de forma isolada, você pode não achar o que procura. Analisando um versículo só, por exemplo, você é capaz de provar que existe reencarnação, e em outro você pode concluir que não tem.

Percebeu agora? Então, o que eu quero dizer é que analisando o evangelho e encontrando essa linha de coerência em todos os momentos, fica fácil perceber que ele fecha ou se interliga com todas as outras partes do evangelho e também do velho testamento. Ele começa a se expressar dentro de uma linha natural de suavidade e de alta expressão em termos de esperança, consolação segurança, na medida em que se vai encontrando as linhas de relação entre elas.

23 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 7

EVANGELHO PRÁTICO

“EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO”. JOÃO 15:14

Eu não quero que você fique desapontado com o que vou dizer, mas a lição de Jesus ainda não foi compreendida.

É a mais pura verdade. Nós estamos cheios de conhecimentos, imensamente teorizados, porém acentuadamente atrasados na capacidade de operar. Para exemplificar o que estou dizendo, se a entrada no reino dos céus fosse condicionada unicamente ao aspecto teórico, a uma prova de múltipla escolha, praticamente todos nós aqui seríamos aprovados com louvor. Dá até para imaginar as questões: O evangelho ensina que a gente deve amar ou agredir? Você está caminhando pela rua e ao se deparar com uma pessoa caída ao chão deve lhe estender a mão ou chutar? Ao receber uma ofensa você deve revidar com energia ou entender e perdoar o agressor? E daí por diante. Notou? Dei exemplos muitos simples, mas você pode imaginar outros bem mais complexos.

Estamos estudando o evangelho, participando de cultos e reuniões, aqui e ali, mas continuamos místicos.

Na atualidade, vigora a necessidade de uma evangelização não mais sob a pregação sistemática milenar de um evangelho periférico, trabalhado só na base da letra, mas de uma sensibilização de prática do conhecimento dele na vida comum nossa de cada instante na sua linha de praticidade. Concorda? Nesse mundo de conturbação a que estamos ajustados o simples aprofundamento da filosofia não tem atendido as nossas necessidades mais íntimas.

Somos hoje, sem dúvida alguma, convocados a não contentar com o evangelho descritivo ou histórico, fixado no tempo e no espaço. Precisamos do evangelho ajudando a nortear os nossos passos e não podemos mais ficar no Jesus pregador.

Pense comigo: Jesus se entregou à cruz para quê? À toa é que não foi. Ele o fez para acender um dia o pavio dentro de cada um de nós. É isso aí. O evangelho vem definir um chamamento para fazermos aquilo que já sabemos e não fazemos ainda. Trazido milênios atrás, ele nada exige. Sua finalidade não é outra, senão sanear a dureza do nosso coração. O Cristo concedeu-nos a luz dos seus ensinos para que a nossa análise não permanecesse fria e obscura.

Sua mensagem objetiva clarear o nosso entendimento, como se todas as anteriores fizessem aquele papel de preparação do terreno. O nosso grande desafio, que está lançado, é fazer com que deixemos a posição passiva no contexto da evolução e adotemos uma postura nova de participação efetiva no plano da ajuda e da cooperação junto àqueles que estão caminhando no mesmo ambiente de aprendizagem que nós. É ajudar outros crescerem para que a gente cresça também.

Evangelho não é papo furado de beleza literária, muito menos teoria circunscrita ao campo da esperança.

Antes de tudo, é princípio científico. Isso mesmo. Jesus Cristo não nos ensinou procedimentos religiosos, e sim métodos científicos para o nosso próprio bem viver.

Apresentou muitas expressões simbólicas, todavia na prática nenhuma delas trata de cerimônia ou ritual, mas de realidade positiva, de potência espiritual incoercível, que transformará o mundo no dia em que os homens a compreenderem e entrarem em relação com ela. Nós aprendemos com o evangelho que nada é por acaso. Nada é sem razão de ser. Todos os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida. 

No imenso acervo de sua lição cada conceito adapta-se a determinada situação do espírito nas estradas da vida, sem cuja aplicação na esfera comum não se liberta a alma, descentralizada pela viciação contínua nas zonas baixas da natureza.

Desde a instauração do cristianismo no planeta, todas as frentes religiosas vem trabalhando a importância aplicativa da mensagem do Cristo. E nós aqui temos dado uma ênfase toda especial a isto. O que nos interessa intimamente é o evangelho prático, aquele que nos auxilie no nosso dia a dia. Estou certo? Afinal, no imenso conjunto de valores apresentados cada conceito ou situação adapta-se a determinada circunstância do espírito nas estradas da vida. No fundo, o que nós queremos saber é como utilizar o evangelho para diminuir o sofrimento que tem nos afligido, como utilizá-lo para melhorar as nossas relações pessoais dentro de casa, como usar o aprendizado para realizar objetivos que são importantes para nós. Vamos sempre bater nesse ponto.

O evangelho é vida. E não tem como bloquear a vida. Vida não é cercear, é expandir.

Sendo assim, é preciso aderir ao evangelho na piedade, no entendimento e na caridade.

É preciso que a gente trabalhe, senão vamos ficar em uma cima de uma filosofia acentuadamente cansativa, que desgasta e não propicia reconforto algum. O código do amor pressupõe a instauração de uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor dos que sofrem. A lição do mestre não constitui apenas impositivo para os misteres da adoração. De forma alguma! Não devemos nos deter em uma falsa contemplação de Deus mantendo-nos à margem do caminho.

O cristão não é flor de ornamento para igrejas isoladas. Para que os seus ensinamentos não sejam relíquias mortas nos altares de pedra, o evangelho tem que circular em um plano aplicativo de interação com as pessoas. Ele é código de boas maneiras no intercâmbio fraternal e não se reduz a breviário para o genuflexório.

Resultado? Repare para você ver, o Cristo não estabelece linhas de divisão entre o templo e a oficina.

20 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 6

O CONSOLADOR

“18NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS; VOLTAREI PARA VÓS. 19AINDA UM POUCO, E O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS, MAS VÓS ME VEREIS; PORQUE EU VIVO, E VÓS VIVEREIS.” JOÃO 14:18-19

“MAS AQUELE CONSOLADOR, O ESPÍRITO SANTO, QUE O PAI ENVIARÁ EM MEU NOME, ESSE VOS ENSINARÁ TODAS AS COISAS, E VOS FARÁ LEMBRAR DE TUDO QUANTO VOS TENHO DITO.” JOÃO 14:26

“12AINDA TENHO MUITO QUE VOS DIZER, MAS VÓS NÃO O PODEIS SUPORTAR AGORA. 13MAS, QUANDO VIER AQUELE ESPÍRITO DE VERDADE, ELE VOS GUIARÁ EM TODA A VERDADE; PORQUE NÃO FALARÁ DE SI MESMO, MAS DIRÁ TUDO O QUE TIVER OUVIDO, E VOS ANUNCIARÁ O QUE HÁ DE VIR.” JOÃO 16:12-13

O mestre disse que não nos deixaria órfãos e que voltaria até nós. Ora, a gente sabe que o que caracteriza a orfandade é a falta de assistência, certo? Quer dizer, é deixar a criança em pleno abandono não demonstrando-lhe interesse. A orfandade não está definida propriamente pela perda dos pais, afinal de contas todos nós já conhecemos órfãos cujos pais se encontram vivos, ao passo que existem crianças que jamais sentiram o golpe duro da orfandade, apesar de nunca terem conhecido os seus pais. De onde podemos concluir que o que determina a orfandade não é necessariamente a ausência dos pais biológicos, mas sim a ausência do amor. E mais, somente o amor a pode extinguir. E a orfandade está para o amor na mesma proporção que a treva está para luz.

Jesus vivia em um tempo determinado e afirmava que não podia ensinar tudo o que desejava aos seus discípulos. Muitas coisas ele não podia dizer aquela época de forma clara e nítida. E justificava: "Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora." (João 16-12) Em razão disso, muitas vezes recorreu ao emprego de parábolas, visando melhor compreensão dos seus ensinos, mesmo que essa compreensão não fosse com a profundidade e a clareza desejada.

As parábolas deixariam muitas entrelinhas que seriam preenchidas em época futura.

Sendo assim, o que ele fez? Reservou para o futuro novas lições do evangelho. Ele sabia que caminharíamos para a maturidade espiritual e que alcançaríamos o momento das indagações. Que questionaríamos coisas do tipo: Porquê amar ao inimigo? Porquê perdoar se não temos às vezes interesse algum em perdoar? Porquê fazer caridade? Porquê investir no crescimento espiritual quando o mundo nos oferece uma série de facilidades? Para os esclarecimentos devidos ele prometeu um consolador: "Aquele consolador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26)

Sendo assim, o que é consolador? Um defensor, aquele chamado para assistir, assessorar, instruir, acompanhar, defender. Ele anunciou uma sequência na assistência espiritual e uma revelação mais pormenorizada para a humanidade em época futura.

Para quando? Seria preciso aguardar maior amadurecimento do espírito humano e que o planeta progredisse na área do conhecimento científico. Seria necessário que a ciência se desenvolvesse para que nós conseguíssemos entender. Enfim, muita coisa precisaria aguardar o consolador para que a sua voz se fizesse ouvir entre os homens sequiosos de esclarecimento e conhecimento. As escrituras mostram que muitos pontos precisariam aguardar o encaminhamento da maturidade dos seres.

O consolador ou a doutrina disparou para nós um sistema filosófico da maior importância.

Por ele temos dois componentes: ensinar e fazer lembrar. E o mais interessante é que na medida em que caminhamos terreno adentro de suas bases, no que reporta ao seu aspecto científico e filosófico, vamos observando que para ele propiciar tranquilidade e segurança, no sentido renovador e de projeção para a felicidade, ele não pode prescindir do aspecto religioso. Isso é fundamental. E mais, o aspecto religioso está, todo ele, vinculado à mensagem do evangelho.

Então, a doutrina é o consolador prometido por Jesus. Sua finalidade maior é restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo.

Sua obra definitiva é a edificação da consciência profunda no evangelho. É um pouso de consolação para todos os infortunados, bem como iluminação para todos os espíritos do planeta. Prometido dependendo da maturidade do planeta, pela voz dos seres redimidos espalha luzes por toda a Terra, restabelecendo a verdade e levantando o véu que cobre os ensinamentos na feição de cristianismo redivivo, para que os homens se despertem para a era grandiosa da compreensão espiritual com o Cristo. Constitui a revelação divina para a renovação fundamental dos homens. Tem como prioridade iluminar as consciências daquele que lhe aderem aos princípios, antes que cuidar de salvar os outros.

A doutrina está abrindo, e muito, no campo do conhecimento. Sua missão é consolar e instruir em Jesus, para que todos movimentem as suas possibilidades divinas no caminho da vida, para que o evangelho seja realmente incorporado às relações humanas. Aliás, em todo seu trabalho a base é o Cristo e o evangelho. Simboliza Jesus que retorna ao mundo, convidando todos ao aperfeiçoamento individual por intermédio do trabalho construtivo e incessante.

Não dá para desconsiderar: pela doutrina e pela mediunidade nós temos reencontrado o pensamento mais puro do Cristo, auxiliando-nos gradativamente a compreensão e dando-nos amplo entendimento da realidade da vida.

Muitas pessoas fazem a seguinte pergunta: O espírito de verdade é Jesus ou não?

Bem, o espírito de verdade não fala em um missionário específico, ele fala em um grupo de criaturas. Jesus, ao invés de uma designação no plural, empregou quatro designações no singular, a nos mostrar que entre os espíritos do Senhor reina perfeita comunhão de sentimentos e ideias, definindo que o conjunto deles forma a unidade. Assim se aclara outra asserção do excelso mestre? "Pai, quero que eles sejam um em mim, como eu sou um contigo." Infelizmente, tem gente que não abre mão de que o espírito de verdade é Jesus. E no fundo não é.

Vamos explicar melhor a questão. Eu também não abro mão de que é Jesus, todavia se Deus é o Pai e cria, ele, Jesus, opera, mas operando ele direciona administrativamente outros que operam também. Em outras palavras, Jesus opera através dos espíritos.

Veja o apocalipse, por exemplo. Não é Jesus que efetivamente vai ter que se manifestar através de João. "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo." (Apocalipse 1:1) Deu uma ideia? Então, manifesta esse espírito ou aquele ou outro, mas no fundo quem é que está falando? Ele pode dizer: "Isso não é meu. Isso é de Jesus. Eu estou aqui apenas como refletor do pensamento dele. Que mandou em nome do criador transmitir isso." Está dando para acompanhar? O mensageiro traz a mensagem, mas a linha irradiadora de profundidade, quem é que irradia? É Jesus, o Cristo.

Não adiantava Jesus vir esporadicamente ao nosso mundo ou de maneira eventual, talvez nós não pudéssemos entendê-lo. O espírito de verdade é composto por uma linha abrangente, por todos quantos já se dispuseram a vivenciar alguma coisa no terreno renovador pessoal. Mas com Jesus representando a culminância.

Ficou claro? Então, o espírito de verdade não é Jesus, mas lá no fundo a fundamentação é.

O espírito de verdade é Jesus como ponto irradiador, porque os intermediários manifestam seu pensamento. Eles dizem, na essência, todos eles, a mesma mensagem, a síntese do Cristo.

Se Jesus se reportasse a uma determinada individualidade, prometendo enviá-la após a sua partida do cenário humano, referir-se-ia naturalmente a essa entidade utilizando uma única designação. Mas não, não foi isso que ele fez. Pelo contrário, usou várias expressões, dando a entender tratar-se de uma coletividade, e não de uma individualidade. Podemos ficar certos disso, o consolador não é Jesus. Ele mesmo nos assegura ser outro. Nem é uma pessoa ou algum espírito, mas "espírito de verdade", "espírito santo", um elemento espiritual. E justamente por isso poderá ficar continuamente com os seus discípulos.

Afinal, se for Jesus que vier incorporar o espírito de verdade, nós estamos estudando o evangelho para quê? Estamos fazendo o quê aqui? É uma questão racional.

No meio de uma aparente confusão vigora grande sabedoria. Usando de várias expressões o mestre anunciou uma coletividade de emissários, cujo ponto irradiador é o próprio Jesus.

O espírito de verdade, o que é? São espíritos vários vivenciando o pensamento dele.

Em seu ponto irradiador, e vale a pena reprisar, o espírito de verdade é Jesus, todavia ele é composto, em uma linha abrangente, por todos aquele que já se dispuseram a vivenciar alguma coisa no terreno renovador pessoal. São as entidades espirituais amigas refletindo o pensamento e a expressão de Jesus em todos os instantes. É Jesus refletido na experiência vivida de inúmeros cooperadores dele. Representa uma soma imensa de caracteres que formam um pensamento. É o conjunto de criaturas que já foram batizadas no conhecimento, que já se lançaram a um trabalho aplicativo e que vem ao nosso encontro. É como se fosse o elemento esclarecido vivenciando o aprendizado.

Deu uma ideia? O pensamento é de Jesus, mas quem revela é o espírito de verdade. Aquele que já entrou na posse do relacionamento com Jesus na sua segunda vida, não na primeira. Isso tem que ficar claro, pois na primeira vinda nós nos relacionamos com ele por sintonia e na segunda por afinidade.

Nós estamos iniciando a integração ao espírito de verdade. Aliás, já estamos vivendo em plena era do espírito de verdade. Acho que ficou claro que o consolador não é Jesus, certo? Ou melhor, se você quiser é Jesus, só que operando com aqueles que estão se recompondo na evolução. Em outras palavras, esse título é reservado a quem já aprendeu teoricamente e vem aplicando de forma natural no seu dia a dia. Por isso é que o consolador vem como espírito de verdade.

Quer dizer, é aquela verdade que nós já podemos incorporar. Em vez de ter que vir o anjo aqui para poder mostrar e operar, o que está operando é o que deve. Porque assim ele está se limpando, se higienizando, está reparando e evoluindo. Isso é o consolador prometido. Porque ele está se recompondo no seu ponto cármico, auxiliando em nome do Cristo e purificando-se na esteira da evolução.

14 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 5

TRÍPLICE ASPECTO

O mecanismo ascensional, no que reporta ao conjunto doutrinário, é uma espécie de triângulo de forças espirituais que aponta a linha dimensional do crescimento objetivando a redenção dos seres. Apresenta três valores: filosofia, ciência e religião.

Nos dois ângulos de baixo, nos vértices inferiores desse triângulo, nós temos a filosofia e a ciência e no ângulo superior a religião. Ou seja, a filosofia corresponde ao que é captado ao nível da revelação. Valor esse que, selecionado e filtrado, deverá ser aplicado com lisura e estar em perfeita conjugação com a parte horizontal aplicativa da ciência no dia a dia. E essa aplicação nos projeta para o sentido religioso libertador. Quer dizer, aprendemos, aplicamos o aprendizado e retornamos para ter acesso às origens de onde foram encaminhadas as propostas de crescimento. Deu uma ideia? Vamos clarear a questão.

Por filosofia ou doutrina vamos entender o padrão que nos chega do criador a nível informativo.

Ok? É o conhecimento das atividades evolutivas da vida que a nossa mente consegue assimilar e depreender. A filosofia é que projeta o ser, ela abre para o ser as propostas de crescimento. Se não existisse a filosofia os mananciais da vida estariam plenamente fechados. Pela capacidade nossa de percepção e dedução nós aprendemos o valor que vem de lá. Os valores emanados do plano superior, ajustados à nossa vontade de aprender, estão caindo dentro do recipiente da nossa casa mental. Quer um exemplo? O que estamos fazendo aqui, motivados pela nossa aspiração de crescimento, é tentar receber padrões oriundos do plano espiritual e buscar uma assimilação desses componentes filosóficos.

E o bonito disso é que só é possível sublimar a filosofia vivenciando aquilo que aprendeu.

Veja bem, o amar o semelhante é uma filosofia, não é? E essa filosofia de amar o semelhante pode permanecer teoricamente dentro de nós praticamente como está presente no universo inteiro, mas ela tem que ser operacionalizada. Aí ela passa a ser ciência.

Percebeu? O plano científico ao qual nos referimos é a ciência prática nossa. É a aplicação do que assimilamos que cria uma corporificação nova, que propicia alteração em nossa personalidade em outra dimensão. Vigora um processo de interação dos nossos conceitos e concepções com os novos valores aprendidos, e ao aplicarmos as novas linhas assimiladas entramos no plano aplicativo da ciência.

De forma que toda a soma filosófica arregimentada passa a ganhar dinâmica pela aplicação científica.

O que estamos querendo dizer com isso? Que a filosofia abre a porta, mas apenas transpomos essa porta na medida em que esses conceitos filosóficos ou doutrinários forem aplicados em termos de ciência. Ficou claro? É a ciência que projeta.

A gente aplica e no aplicar a teoria a nossa mente se predispõe a novos enfoques.

Nessa trilogia a ciência define a necessidade de se aplicar os valores assimilados em uma nova dimensão. Por ciência nós vamos entender a operacionalização das parcelas dos componentes recebidos no dia a dia, é o investimento do conhecimento mediante um plano de aplicabilidade. Pense para você ver, a maior filosofia que o mundo possui até hoje é a filosofia do Cristo. Todavia, se ela permanecer apenas como um componente indicativo, é como se nós estivéssemos em uma cidade grande e muito bem sinalizada, com placas e sinais para todo o lado, devidamente correta e estruturada na área teorizada, mas sem veículo circulando pelas suas ruas e avenidas. É o conhecimento sem dinâmica.

E outro ponto da maior importância é que a doutrina espiritual tem que caminhar passo a passo juntamente com a evolução científica presente no mundo.

Podemos até dizer mais: doutrina e ciência se completam reciprocamente. Longe de perderem algo, muito pelo contrário, as ideias religiosas se engrandecem caminhando lado a lado com a ciência. Aliás, esse é o único meio de não apresentarem lado vulnerável ao ceticismo. Percebeu? As doutrinas espirituais não podem trabalhar desvencilhadas dos conhecimentos e patamares científicos.

Sabe porquê? Porque senão mistificam. Isso mesmo, sem a ciência lhes faltariam apoio e comprovação.

Por outro lado, sem o conhecimento espiritual a ciência fica impossibilitada de explicar certos fenômenos, se utilizar para isso somente as leis da matéria. Deu para entender como tem que haver uma conjugação? A ciência, também, tem que extrapolar essa linha fechada do pegar e apalpar no campo dos sentidos tradicionais de que somos dotados. Tem que manter uma linha de relação com as expressões que tangem as faixas da intuição. Não há como trabalhar no terreno do avanço científico sem as concepções intuitivas. As conquistas científicas estão em linha direta com as conquistas básicas e necessidades dos seres, e essa mesma ciência, que revela a expressão visível ou perceptível das realidades da sabedoria divina, não pode progredir ignorando os valores intuitivos.

E as filosofias não podem trabalhar sem as concepções e conclusões científicas, porque senão entram no plano místico.

Outra questão, que existe para dar segurança ao campo de aprendizagem, é que se algum ponto ou conceito doutrinário estiver em desacordo com a ciência, e for considerado por esta como sendo falso ou equivocado, aí não tem outra, esse ponto tem que ser devidamente retificado. A filosofia tem que voltar atrás nesse ponto, reconhecer o erro e à partir daí retomar o caminho do esclarecimento.

Nessa linha de conjugação, vamos reconhecer que a doutrina espiritual não cessa onde finda a ciência. 

Concorda? A doutrina vai além. Ela segue onde a ciência estacionou e vai se expressando. Vai, inclusive, lançando muitas vezes algo para além da ciência. Repare para você ver, quantos fatos nós temos aí presentes, e vigorando em plena atualidade do mundo, que a doutrina revelou antes e a ciência revelou depois?!

Na representação desse triângulo de forças espirituais nós vamos observar que se a doutrina (ou filosofia) e a ciência se vinculam à terra, como componentes que interessam às expressões humanas, se a gente não colocar a espiritualização, o crescimento e a redenção do ser como sendo o objetivo, em termos de fisionomia da libertação, aí não adianta nada. Ficou claro? Se não houver uma proposta de elevação espiritual passa a vigorar apenas uma doutrina relacionada a mais um código filosófico sem efetividade. Deu uma ideia?

Então, o que sublima a doutrina e a ciência é esse ângulo de cima que está para além da ética humana. Inclusive, as propostas recebidas, e capazes de elevar, não vem de baixo, vem do plano superior. Essa terceira faceta do triângulo é a religião. É ela que possibilita um ponto de acesso. É o ângulo divino que liga ao céu.

Esse ângulo vai além da expressão humana porque propõe uma ética e fundamentação re-educacional que não envolve o sistema puramente humano, mas envolve o sistema divino, que é diferente. É no aspecto religioso que repousa a grandeza divina da doutrina, por representar a restauração do evangelho de Jesus, estabelecendo a renovação definitiva do homem para a grandeza do seu futuro espiritual. Veja bem, a doutrina sem evangelho pode alcançar as melhores expressões de nobreza, todavia não passará de atividade destinada a modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do mundo.

Agora, preste atenção, o ângulo religioso não é o ângulo da santidade no seu sentido periférico, não. Não tem nada a ver. É o ângulo em que a criatura se sensibiliza e passa, mediante a dinamização dos padrões da doutrina e da ciência, a estabelecer relação com o criador mediante o plano de cooperação e de ajuda.

Nós estamos nos referindo à religião na sua acepção legítima, aquela que se desenvolve e nos projeta para Deus, religando-nos a ele no terreno interior da renovação.

Enquanto a ciência e a doutrina operam o trabalho da experimentação e do raciocínio, a religião edifica e ilumina os sentimentos. Porque se essa praticidade não apresentar uma linha voltada para o futuro do crescimento ela se torna um processo puramente mecânico, sem razão de ser, apenas de movimento, e deixa de ser um trabalho positivo. Em outras palavras, passa a ser um trabalho que não edifica.

10 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 4

JESUS COMO MESTRE

“18NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS; VOLTAREI PARA VÓS. 19AINDA UM POUCO, E O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS, MAS VÓS ME VEREIS; PORQUE EU VIVO, E VÓS VIVEREIS.” JOÃO 14:18-19

É comum alguém entrar em uma igreja e ao primeiro lance de vista destacar a imagem de Jesus crucificado: fronte abatida, queixo caído sobre o peito, olhos fechados.

Nos altares, sem dúvida, ainda vigora a figura do Cristo morto. E em muitos lares também não é diferente. Mantém-se o mesmo hábito. É para a cruz que as pessoas apelam.

Diante das emergências da vida o Cristo morto está sempre presente. Muitos levam consigo, inclusive, a imagem do crucifixo, em correntes penduradas no pescoço. Entra ano, sai ano, várias religiões se mantém apegadas à mesma ideia. Algumas não mantém imagens, somente a ideia do Cristo na cruz e da redenção originada do seu sangue. Em suma, aqui e ali enfatiza-se Jesus pendente na cruz, como se a morte representasse todo o valor da obra do carpinteiro divino e a sua missão tivesse início na manjedoura e fim no topo do calvário.

Essas memórias são trazidas do passado longínquo como se ainda estivéssemos na fase da infância espiritual. Ficamos presos a isto. Muitas igrejas não apenas rememoram o sacrifício, como fazem dele o objeto do culto, esquecendo o ideal divino.

Parece que o sacrifício e a morte superam o ideal. A gente chega a pensar o que foi feito do Cristo ressuscitado. 

Se não ficamos órfãos do seu amor, e Ele mesmo disse, porque veneramos tanto o Cristo morto, ao invés do Cristo vivo que prometeu manifestar-se e fazer moradia em nossos corações? Porquê buscá-lo na cruz, impotente e morto, se podemos tê-lo redivivo e forte atuante em nossas almas, ajudando-nos na conquista da vida eterna? O que os religiosos de fato pretendem com o instrumento da sua morte? Qual foi o maior: a sua morte ou o ideal que mereceu tal sacrifício? Jesus ao vir aqui teve por objetivo o martírio na cruz ou a salvação da humanidade? Porque a gente sabe que a crucificação foi um crime originado da cegueira e maldade dos homens. Um crime, aliás, previsto pelo próprio Jesus.

O bom é que depois do "coitado de Jesus " muitos já o estão descendo da cruz e alcançando uma verdade nova. Uma verdade abrangente que traz um conhecimento mais profundo, o entendimento acerca das revelações, dos aspectos científicos do evangelho, do mecanismo das reencarnações, e daí por diante.

Em matéria de realidade espiritual nos mantemos atrasados. Para ser sincero, sem qualquer exagero, estamos dando os primeiros passos. Milhões de pessoas já descobriram Jesus, todavia o observam em expressões ou óticas diferenciadas. Para um ele é um revolucionário, para outro é o salvador, para esse é um filósofo, para aquele é o mestre por excelência, e assim sucessivamente.

Cada qual avalia segundo o seu próprio contexto evolucional, mas o fato é que até hoje o Cristo é considerado mais médico do que mestre. Infelizmente, na maioria dos casos não é diferente, consideramos Jesus como sendo aquela criatura colocada à nossa frente para sanar a nossa dificuldade e o nosso desconforto.

Precisamos deixar a velha concepção que nutrimos de encarar os núcleos espirituais (sejam eles as igrejas, os templos, os grupos diversos) como sendo hospitais, para passar a enxergá-los sob nova ótica, sob novo prisma, como escolas da alma.

Precisamos encontrar no excelso amigo não apenas o benfeitor que nos garanta a segurança, mas também o mestre ativo que nos oferece a lição preciosa em troca do conhecimento e a luta redentora como preço da paz.

Jesus é aquele que responde ao nosso apelo por ajuda e orientação com respeito ao melhor caminho para o destino que o nosso coração busca, enquanto nos mantemos presos a certos ambientes. Pense para você ver, da mesma forma que conhecemos certos caminhos pelos quais já passamos muitas vezes, também ele conhece bem a estrada para as cidades das nossas esperanças desapontadas e das ambições frustradas. Clareando o nosso campo de ação, ele toca todos os corações aguardando a ressonância de cada qual. O evangelho nada exige. Sua finalidade é sanear a dureza do nosso coração. Objetiva clarear o entendimento, como se as mensagens anteriores fizessem o papel de despertamento.

Jesus não deixou ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos.

Foi preciso que outros escrevessem. Recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua mensagem. A palavra do evangelho é clara demais ao proclamar a necessidade do Cristo em nossa vida, sentimento, ideia, ação e conduta.

O fato ter sido sacrificado não representou necessidade, mas uma pedra que o egoísmo dos homens lançou para atar-lhe os passos. E o mestre a removeu. A humanidade não deve a sua salvação à cruz, deve-a ao seu amor. Nada justifica a adoração ou veneração à cruz. Não é na sua morte que está a nossa salvação, é na sua vida, nos seus ensinos, nos seus exemplos. Aliás, hoje nos abomina fazer uma lembrança do missionário da Galiléia na cruz e o evangelho vem sendo trabalhado de forma mais profunda no sentido de descaracterizar essa imagem triste.

O carpinteiro de Deus continua em ação. Sua missão está em plena atividade. Já podemos ver hoje um Jesus trabalhando, um Jesus dinâmico para fora daquela condição.

Sublime, forte e poderoso ele tem vivido, vive e viverá no coração dos que tem fome e sede de justiça. 

Nossa necessidade é a redenção e para muitos chegou a hora de retirar o mestre do sofrimento cruel e trabalhá-lo no sentido dinâmico de uma verdade operante.

5 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 3

RENOVAÇÃO

“AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“VÓS, PORÉM, NÃO ESTAIS NA CARNE, MAS NO ESPÍRITO, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS. MAS, SE ALGUÉM NÃO TEM O ESPÍRITO DE CRISTO, ESSE TAL NÃO É DELE.” ROMANOS 8:9

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

O evangelho, todo ele, trabalha dentro da gente. O território da Judéia, o território da Galiléia, da Peréia, hoje, está tudo dentro da gente. Não está em outro lugar, não, está dentro da gente.

A mensagem do evangelho tem sido levada a efeito na intimidade do ser, não mais nas pregações e nos sermões, embora isso ainda exista para muita gente. Para quem já alcançou uma visão do que seja a vida no seu sentido amplo, para quem já tem certa percepção do mecanismo da evolução, esse tipo de coisa não funciona mais. Vamos ter isso em conta.

Evangelho opera mesmo é no plano transformador do ser, na própria intimidade.

Seus ensinamentos são dinâmicos e crescem em sabedoria à medida que cresce a capacidade da inteligência para melhor penetrá-los. Quando eu penetro nas suas mensagens eu estou penetrando de alguma forma dentro do meu coração, para descobrir porque é que eu tenho que fazer caridade, porque é que eu tenho que perdoar, o que ocorre se eu não perdoar, e por aí adiante. Enquanto eu não adentrar em suas faixas e não levar o conteúdo para as profundezas da minha personalidade, indo para a genuinidade da minha intimidade, onde a simplicidade e a pureza permanecem, eu simplesmente não consigo fazer com que o plano que irradia de cima coincida com a inspiração minha que emana de baixo.

Tem muita gente que estuda o evangelho apenas com o intelecto. Não tem? Nós não conhecemos gente assim? Que quer estudar e entender o evangelho somente com a razão? Estuda, lê, mas não vibra. Não se encanta, não se entusiasma, não se envolve, permanece na mesma. Parece que estuda, mas não aprende.

Às vezes, acabam se desinteressando do estudo pelo fato de não descobrirem nada de atrativo, pelo fato de não se empolgarem. Por outro lado, outros se sentem arrebatados todas as vezes que tem a oportunidade de meditar sobre as belezas inefáveis que ele contém. Percorrem suas páginas e se transformam em novas criaturas. Modificam o jeito de pensar, retificam conceitos, alteram posturas.

Sabe porque se dá isso? Porque somente com o intelecto não adianta, não se consegue chegar na essencialidade do evangelho. Suas palavras são "espírito e vida".

Segundo Paulo, o homem material não é capaz de compreender as coisas espirituais. Ele mesmo diz: "Se alguém não tem o espírito de Cristo, esse tal não é dele". O desafio, então, é fazer o que é proposta periférica de redenção virar proposta íntima de revelação. E para isso é fundamental recebermos, de forma consciente e inteligente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir.

Razão e fé, intelecto e coração, devem marchar de mãos dadas na conquista da renovação. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica. Sem o auxílio dessa luz todas as maravilhas do livro passam desapercebidas, mesmo às inteligências mais cultas e desenvolvidas.

Entender não é tudo. Não basta saber. Para nos convencermos das verdades reveladas por Jesus não basta utilizarmos apenas a mente, é indispensável que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete. As verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração. É preciso sentir o que se aprende, sentir a verdade. A inteligência, desacompanhada do sentimento, não chega a penetrar a essência do evangelho. Na medida em que vamos desenvolvendo os seus conteúdos a gente nota que eles não apresentam apenas uma beleza na redação, mas também uma profunda mensagem na sua intimidade convocando-nos à grande luta de redenção interior. O evangelho vem trazendo para nós um componente informativo para que possamos ativar o processo de visualizar nova vida.

O grande desafio não é adquirir conhecimento e, sim, incentivar o coração a mudar!

O evangelho propõe elasticidade dos potenciais do sentimento. Porque sem uma adesão efetiva do sentimento no âmago da individualidade qualquer manifestação religiosa se reduz a mero culto externo, e nada mais. Percebeu?

Chegar a esse ponto de abrir o sentimento não é fácil e para se entender isso, sem querer diminuir as atividades religiosas de qualquer religião, pense para você ver. Quantas vezes a pessoa precisa acompanhar as procissões por ocasião das comemorações da semana santa, vestida de preto, por exemplo? Não tem isso? Aquelas imagens tristes da coroa de espinhos, dos panos roxos, de Jesus na cruz. Não acontece disso ainda? As procissões e romarias na semana santa? Está certo que já visualizamos um Jesus operante, um Jesus dinâmico fora dessa condição, mas essas imagens marcaram e ainda marcam muitos corações através dos séculos. "Coitado de Jesus!" Todas as manifestações externas que lembram o nome de Jesus e que se reportam, de algum modo, às suas lições, são recursos preciosos. Constituem sugestões edificantes para o caminho. Elas visam o quê? Sensibilizar os corações. Sensibilizar, com todo aquele ambiente e aquela imagem do sofrimento. Ver se abre o coração da individualidade para a compaixão.

Nós estamos tentando recolher informações que favoreçam a implementação do evangelho nos corações. Ele é o edifício de redenção das almas. E se é edifício tem que ser construído. Assim deve ser procurada a lição do mestre, não mais para exposições teóricas, e sim visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de edificações no terreno definitivo do espírito.

É isso que o evangelho é: luz e renovação nos campos do espírito. 

Vamos caminhar e operar com simplicidade. Enquanto não houver aquela simplicidade que vigorava nos primeiros tempos do evangelho, nós ficamos trabalhando meramente ao toque da linha racional.

Renovação é algo tão importante, que alguma vez você já parou para pensar que os doentes, os cegos, os leprosos, curados àquele tempo, segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a se enfermar e morrer?! Pois é. Mesmo naquela época Jesus não visava somente tirar a dor física dos enfermos buscando proporcionar-lhes o alívio momentâneo, mas conscientizava-os, também, a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as doenças.

Isso é fundamental. Porque se bobear a pessoa se cura, mal chega em casa e já está propensa a outra doença. Porquê? Porque se curou, mas não se reeducou? Não é assim que acontece? A pessoa que está acima do peso, se ela, por meio de uma dieta, perder sete quilos, mas não reeducar a sua forma de alimentar, corre o risco de recuperar esse peso em pouco tempo, ou até mais do que isso. O resultado do que nós estamos falando é que a cura dos nossos espíritos doentes e paralíticos é muito mais importante, pois se faz com vistas à eternidade. Então, meu amigo, minha amiga, paciência, que a gente chega lá!

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