5 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 3

RENOVAÇÃO

“AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“VÓS, PORÉM, NÃO ESTAIS NA CARNE, MAS NO ESPÍRITO, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS. MAS, SE ALGUÉM NÃO TEM O ESPÍRITO DE CRISTO, ESSE TAL NÃO É DELE.” ROMANOS 8:9

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

O evangelho, todo ele, trabalha dentro da gente. O território da Judéia, o território da Galiléia, da Peréia, hoje, está tudo dentro da gente. Não está em outro lugar, não, está dentro da gente.

A mensagem do evangelho tem sido levada a efeito na intimidade do ser, não mais nas pregações e nos sermões, embora isso ainda exista para muita gente. Para quem já alcançou uma visão do que seja a vida no seu sentido amplo, para quem já tem certa percepção do mecanismo da evolução, esse tipo de coisa não funciona mais. Vamos ter isso em conta.

Evangelho opera mesmo é no plano transformador do ser, na própria intimidade.

Seus ensinamentos são dinâmicos e crescem em sabedoria à medida que cresce a capacidade da inteligência para melhor penetrá-los. Quando eu penetro nas suas mensagens eu estou penetrando de alguma forma dentro do meu coração, para descobrir porque é que eu tenho que fazer caridade, porque é que eu tenho que perdoar, o que ocorre se eu não perdoar, e por aí adiante. Enquanto eu não adentrar em suas faixas e não levar o conteúdo para as profundezas da minha personalidade, indo para a genuinidade da minha intimidade, onde a simplicidade e a pureza permanecem, eu simplesmente não consigo fazer com que o plano que irradia de cima coincida com a inspiração minha que emana de baixo.

Tem muita gente que estuda o evangelho apenas com o intelecto. Não tem? Nós não conhecemos gente assim? Que quer estudar e entender o evangelho somente com a razão? Estuda, lê, mas não vibra. Não se encanta, não se entusiasma, não se envolve, permanece na mesma. Parece que estuda, mas não aprende.

Às vezes, acabam se desinteressando do estudo pelo fato de não descobrirem nada de atrativo, pelo fato de não se empolgarem. Por outro lado, outros se sentem arrebatados todas as vezes que tem a oportunidade de meditar sobre as belezas inefáveis que ele contém. Percorrem suas páginas e se transformam em novas criaturas. Modificam o jeito de pensar, retificam conceitos, alteram posturas.

Sabe porque se dá isso? Porque somente com o intelecto não adianta, não se consegue chegar na essencialidade do evangelho. Suas palavras são "espírito e vida".

Segundo Paulo, o homem material não é capaz de compreender as coisas espirituais. Ele mesmo diz: "Se alguém não tem o espírito de Cristo, esse tal não é dele". O desafio, então, é fazer o que é proposta periférica de redenção virar proposta íntima de revelação. E para isso é fundamental recebermos, de forma consciente e inteligente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir.

Razão e fé, intelecto e coração, devem marchar de mãos dadas na conquista da renovação. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica. Sem o auxílio dessa luz todas as maravilhas do livro passam desapercebidas, mesmo às inteligências mais cultas e desenvolvidas.

Entender não é tudo. Não basta saber. Para nos convencermos das verdades reveladas por Jesus não basta utilizarmos apenas a mente, é indispensável que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete. As verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração. É preciso sentir o que se aprende, sentir a verdade. A inteligência, desacompanhada do sentimento, não chega a penetrar a essência do evangelho. Na medida em que vamos desenvolvendo os seus conteúdos a gente nota que eles não apresentam apenas uma beleza na redação, mas também uma profunda mensagem na sua intimidade convocando-nos à grande luta de redenção interior. O evangelho vem trazendo para nós um componente informativo para que possamos ativar o processo de visualizar nova vida.

O grande desafio não é adquirir conhecimento e, sim, incentivar o coração a mudar!

O evangelho propõe elasticidade dos potenciais do sentimento. Porque sem uma adesão efetiva do sentimento no âmago da individualidade qualquer manifestação religiosa se reduz a mero culto externo, e nada mais. Percebeu?

Chegar a esse ponto de abrir o sentimento não é fácil e para se entender isso, sem querer diminuir as atividades religiosas de qualquer religião, pense para você ver. Quantas vezes a pessoa precisa acompanhar as procissões por ocasião das comemorações da semana santa, vestida de preto, por exemplo? Não tem isso? Aquelas imagens tristes da coroa de espinhos, dos panos roxos, de Jesus na cruz. Não acontece disso ainda? As procissões e romarias na semana santa? Está certo que já visualizamos um Jesus operante, um Jesus dinâmico fora dessa condição, mas essas imagens marcaram e ainda marcam muitos corações através dos séculos. "Coitado de Jesus!" Todas as manifestações externas que lembram o nome de Jesus e que se reportam, de algum modo, às suas lições, são recursos preciosos. Constituem sugestões edificantes para o caminho. Elas visam o quê? Sensibilizar os corações. Sensibilizar, com todo aquele ambiente e aquela imagem do sofrimento. Ver se abre o coração da individualidade para a compaixão.

Nós estamos tentando recolher informações que favoreçam a implementação do evangelho nos corações. Ele é o edifício de redenção das almas. E se é edifício tem que ser construído. Assim deve ser procurada a lição do mestre, não mais para exposições teóricas, e sim visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de edificações no terreno definitivo do espírito.

É isso que o evangelho é: luz e renovação nos campos do espírito. 

Vamos caminhar e operar com simplicidade. Enquanto não houver aquela simplicidade que vigorava nos primeiros tempos do evangelho, nós ficamos trabalhando meramente ao toque da linha racional.

Renovação é algo tão importante, que alguma vez você já parou para pensar que os doentes, os cegos, os leprosos, curados àquele tempo, segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a se enfermar e morrer?! Pois é. Mesmo naquela época Jesus não visava somente tirar a dor física dos enfermos buscando proporcionar-lhes o alívio momentâneo, mas conscientizava-os, também, a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as doenças.

Isso é fundamental. Porque se bobear a pessoa se cura, mal chega em casa e já está propensa a outra doença. Porquê? Porque se curou, mas não se reeducou? Não é assim que acontece? A pessoa que está acima do peso, se ela, por meio de uma dieta, perder sete quilos, mas não reeducar a sua forma de alimentar, corre o risco de recuperar esse peso em pouco tempo, ou até mais do que isso. O resultado do que nós estamos falando é que a cura dos nossos espíritos doentes e paralíticos é muito mais importante, pois se faz com vistas à eternidade. Então, meu amigo, minha amiga, paciência, que a gente chega lá!

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