10 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 4

JESUS COMO MESTRE

“18NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS; VOLTAREI PARA VÓS. 19AINDA UM POUCO, E O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS, MAS VÓS ME VEREIS; PORQUE EU VIVO, E VÓS VIVEREIS.” JOÃO 14:18-19

É comum alguém entrar em uma igreja e ao primeiro lance de vista destacar a imagem de Jesus crucificado: fronte abatida, queixo caído sobre o peito, olhos fechados.

Nos altares, sem dúvida, ainda vigora a figura do Cristo morto. E em muitos lares também não é diferente. Mantém-se o mesmo hábito. É para a cruz que as pessoas apelam.

Diante das emergências da vida o Cristo morto está sempre presente. Muitos levam consigo, inclusive, a imagem do crucifixo, em correntes penduradas no pescoço. Entra ano, sai ano, várias religiões se mantém apegadas à mesma ideia. Algumas não mantém imagens, somente a ideia do Cristo na cruz e da redenção originada do seu sangue. Em suma, aqui e ali enfatiza-se Jesus pendente na cruz, como se a morte representasse todo o valor da obra do carpinteiro divino e a sua missão tivesse início na manjedoura e fim no topo do calvário.

Essas memórias são trazidas do passado longínquo como se ainda estivéssemos na fase da infância espiritual. Ficamos presos a isto. Muitas igrejas não apenas rememoram o sacrifício, como fazem dele o objeto do culto, esquecendo o ideal divino.

Parece que o sacrifício e a morte superam o ideal. A gente chega a pensar o que foi feito do Cristo ressuscitado. 

Se não ficamos órfãos do seu amor, e Ele mesmo disse, porque veneramos tanto o Cristo morto, ao invés do Cristo vivo que prometeu manifestar-se e fazer moradia em nossos corações? Porquê buscá-lo na cruz, impotente e morto, se podemos tê-lo redivivo e forte atuante em nossas almas, ajudando-nos na conquista da vida eterna? O que os religiosos de fato pretendem com o instrumento da sua morte? Qual foi o maior: a sua morte ou o ideal que mereceu tal sacrifício? Jesus ao vir aqui teve por objetivo o martírio na cruz ou a salvação da humanidade? Porque a gente sabe que a crucificação foi um crime originado da cegueira e maldade dos homens. Um crime, aliás, previsto pelo próprio Jesus.

O bom é que depois do "coitado de Jesus " muitos já o estão descendo da cruz e alcançando uma verdade nova. Uma verdade abrangente que traz um conhecimento mais profundo, o entendimento acerca das revelações, dos aspectos científicos do evangelho, do mecanismo das reencarnações, e daí por diante.

Em matéria de realidade espiritual nos mantemos atrasados. Para ser sincero, sem qualquer exagero, estamos dando os primeiros passos. Milhões de pessoas já descobriram Jesus, todavia o observam em expressões ou óticas diferenciadas. Para um ele é um revolucionário, para outro é o salvador, para esse é um filósofo, para aquele é o mestre por excelência, e assim sucessivamente.

Cada qual avalia segundo o seu próprio contexto evolucional, mas o fato é que até hoje o Cristo é considerado mais médico do que mestre. Infelizmente, na maioria dos casos não é diferente, consideramos Jesus como sendo aquela criatura colocada à nossa frente para sanar a nossa dificuldade e o nosso desconforto.

Precisamos deixar a velha concepção que nutrimos de encarar os núcleos espirituais (sejam eles as igrejas, os templos, os grupos diversos) como sendo hospitais, para passar a enxergá-los sob nova ótica, sob novo prisma, como escolas da alma.

Precisamos encontrar no excelso amigo não apenas o benfeitor que nos garanta a segurança, mas também o mestre ativo que nos oferece a lição preciosa em troca do conhecimento e a luta redentora como preço da paz.

Jesus é aquele que responde ao nosso apelo por ajuda e orientação com respeito ao melhor caminho para o destino que o nosso coração busca, enquanto nos mantemos presos a certos ambientes. Pense para você ver, da mesma forma que conhecemos certos caminhos pelos quais já passamos muitas vezes, também ele conhece bem a estrada para as cidades das nossas esperanças desapontadas e das ambições frustradas. Clareando o nosso campo de ação, ele toca todos os corações aguardando a ressonância de cada qual. O evangelho nada exige. Sua finalidade é sanear a dureza do nosso coração. Objetiva clarear o entendimento, como se as mensagens anteriores fizessem o papel de despertamento.

Jesus não deixou ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos.

Foi preciso que outros escrevessem. Recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua mensagem. A palavra do evangelho é clara demais ao proclamar a necessidade do Cristo em nossa vida, sentimento, ideia, ação e conduta.

O fato ter sido sacrificado não representou necessidade, mas uma pedra que o egoísmo dos homens lançou para atar-lhe os passos. E o mestre a removeu. A humanidade não deve a sua salvação à cruz, deve-a ao seu amor. Nada justifica a adoração ou veneração à cruz. Não é na sua morte que está a nossa salvação, é na sua vida, nos seus ensinos, nos seus exemplos. Aliás, hoje nos abomina fazer uma lembrança do missionário da Galiléia na cruz e o evangelho vem sendo trabalhado de forma mais profunda no sentido de descaracterizar essa imagem triste.

O carpinteiro de Deus continua em ação. Sua missão está em plena atividade. Já podemos ver hoje um Jesus trabalhando, um Jesus dinâmico para fora daquela condição.

Sublime, forte e poderoso ele tem vivido, vive e viverá no coração dos que tem fome e sede de justiça. 

Nossa necessidade é a redenção e para muitos chegou a hora de retirar o mestre do sofrimento cruel e trabalhá-lo no sentido dinâmico de uma verdade operante.

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