14 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 5

TRÍPLICE ASPECTO

O mecanismo ascensional, no que reporta ao conjunto doutrinário, é uma espécie de triângulo de forças espirituais que aponta a linha dimensional do crescimento objetivando a redenção dos seres. Apresenta três valores: filosofia, ciência e religião.

Nos dois ângulos de baixo, nos vértices inferiores desse triângulo, nós temos a filosofia e a ciência e no ângulo superior a religião. Ou seja, a filosofia corresponde ao que é captado ao nível da revelação. Valor esse que, selecionado e filtrado, deverá ser aplicado com lisura e estar em perfeita conjugação com a parte horizontal aplicativa da ciência no dia a dia. E essa aplicação nos projeta para o sentido religioso libertador. Quer dizer, aprendemos, aplicamos o aprendizado e retornamos para ter acesso às origens de onde foram encaminhadas as propostas de crescimento. Deu uma ideia? Vamos clarear a questão.

Por filosofia ou doutrina vamos entender o padrão que nos chega do criador a nível informativo.

Ok? É o conhecimento das atividades evolutivas da vida que a nossa mente consegue assimilar e depreender. A filosofia é que projeta o ser, ela abre para o ser as propostas de crescimento. Se não existisse a filosofia os mananciais da vida estariam plenamente fechados. Pela capacidade nossa de percepção e dedução nós aprendemos o valor que vem de lá. Os valores emanados do plano superior, ajustados à nossa vontade de aprender, estão caindo dentro do recipiente da nossa casa mental. Quer um exemplo? O que estamos fazendo aqui, motivados pela nossa aspiração de crescimento, é tentar receber padrões oriundos do plano espiritual e buscar uma assimilação desses componentes filosóficos.

E o bonito disso é que só é possível sublimar a filosofia vivenciando aquilo que aprendeu.

Veja bem, o amar o semelhante é uma filosofia, não é? E essa filosofia de amar o semelhante pode permanecer teoricamente dentro de nós praticamente como está presente no universo inteiro, mas ela tem que ser operacionalizada. Aí ela passa a ser ciência.

Percebeu? O plano científico ao qual nos referimos é a ciência prática nossa. É a aplicação do que assimilamos que cria uma corporificação nova, que propicia alteração em nossa personalidade em outra dimensão. Vigora um processo de interação dos nossos conceitos e concepções com os novos valores aprendidos, e ao aplicarmos as novas linhas assimiladas entramos no plano aplicativo da ciência.

De forma que toda a soma filosófica arregimentada passa a ganhar dinâmica pela aplicação científica.

O que estamos querendo dizer com isso? Que a filosofia abre a porta, mas apenas transpomos essa porta na medida em que esses conceitos filosóficos ou doutrinários forem aplicados em termos de ciência. Ficou claro? É a ciência que projeta.

A gente aplica e no aplicar a teoria a nossa mente se predispõe a novos enfoques.

Nessa trilogia a ciência define a necessidade de se aplicar os valores assimilados em uma nova dimensão. Por ciência nós vamos entender a operacionalização das parcelas dos componentes recebidos no dia a dia, é o investimento do conhecimento mediante um plano de aplicabilidade. Pense para você ver, a maior filosofia que o mundo possui até hoje é a filosofia do Cristo. Todavia, se ela permanecer apenas como um componente indicativo, é como se nós estivéssemos em uma cidade grande e muito bem sinalizada, com placas e sinais para todo o lado, devidamente correta e estruturada na área teorizada, mas sem veículo circulando pelas suas ruas e avenidas. É o conhecimento sem dinâmica.

E outro ponto da maior importância é que a doutrina espiritual tem que caminhar passo a passo juntamente com a evolução científica presente no mundo.

Podemos até dizer mais: doutrina e ciência se completam reciprocamente. Longe de perderem algo, muito pelo contrário, as ideias religiosas se engrandecem caminhando lado a lado com a ciência. Aliás, esse é o único meio de não apresentarem lado vulnerável ao ceticismo. Percebeu? As doutrinas espirituais não podem trabalhar desvencilhadas dos conhecimentos e patamares científicos.

Sabe porquê? Porque senão mistificam. Isso mesmo, sem a ciência lhes faltariam apoio e comprovação.

Por outro lado, sem o conhecimento espiritual a ciência fica impossibilitada de explicar certos fenômenos, se utilizar para isso somente as leis da matéria. Deu para entender como tem que haver uma conjugação? A ciência, também, tem que extrapolar essa linha fechada do pegar e apalpar no campo dos sentidos tradicionais de que somos dotados. Tem que manter uma linha de relação com as expressões que tangem as faixas da intuição. Não há como trabalhar no terreno do avanço científico sem as concepções intuitivas. As conquistas científicas estão em linha direta com as conquistas básicas e necessidades dos seres, e essa mesma ciência, que revela a expressão visível ou perceptível das realidades da sabedoria divina, não pode progredir ignorando os valores intuitivos.

E as filosofias não podem trabalhar sem as concepções e conclusões científicas, porque senão entram no plano místico.

Outra questão, que existe para dar segurança ao campo de aprendizagem, é que se algum ponto ou conceito doutrinário estiver em desacordo com a ciência, e for considerado por esta como sendo falso ou equivocado, aí não tem outra, esse ponto tem que ser devidamente retificado. A filosofia tem que voltar atrás nesse ponto, reconhecer o erro e à partir daí retomar o caminho do esclarecimento.

Nessa linha de conjugação, vamos reconhecer que a doutrina espiritual não cessa onde finda a ciência. 

Concorda? A doutrina vai além. Ela segue onde a ciência estacionou e vai se expressando. Vai, inclusive, lançando muitas vezes algo para além da ciência. Repare para você ver, quantos fatos nós temos aí presentes, e vigorando em plena atualidade do mundo, que a doutrina revelou antes e a ciência revelou depois?!

Na representação desse triângulo de forças espirituais nós vamos observar que se a doutrina (ou filosofia) e a ciência se vinculam à terra, como componentes que interessam às expressões humanas, se a gente não colocar a espiritualização, o crescimento e a redenção do ser como sendo o objetivo, em termos de fisionomia da libertação, aí não adianta nada. Ficou claro? Se não houver uma proposta de elevação espiritual passa a vigorar apenas uma doutrina relacionada a mais um código filosófico sem efetividade. Deu uma ideia?

Então, o que sublima a doutrina e a ciência é esse ângulo de cima que está para além da ética humana. Inclusive, as propostas recebidas, e capazes de elevar, não vem de baixo, vem do plano superior. Essa terceira faceta do triângulo é a religião. É ela que possibilita um ponto de acesso. É o ângulo divino que liga ao céu.

Esse ângulo vai além da expressão humana porque propõe uma ética e fundamentação re-educacional que não envolve o sistema puramente humano, mas envolve o sistema divino, que é diferente. É no aspecto religioso que repousa a grandeza divina da doutrina, por representar a restauração do evangelho de Jesus, estabelecendo a renovação definitiva do homem para a grandeza do seu futuro espiritual. Veja bem, a doutrina sem evangelho pode alcançar as melhores expressões de nobreza, todavia não passará de atividade destinada a modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do mundo.

Agora, preste atenção, o ângulo religioso não é o ângulo da santidade no seu sentido periférico, não. Não tem nada a ver. É o ângulo em que a criatura se sensibiliza e passa, mediante a dinamização dos padrões da doutrina e da ciência, a estabelecer relação com o criador mediante o plano de cooperação e de ajuda.

Nós estamos nos referindo à religião na sua acepção legítima, aquela que se desenvolve e nos projeta para Deus, religando-nos a ele no terreno interior da renovação.

Enquanto a ciência e a doutrina operam o trabalho da experimentação e do raciocínio, a religião edifica e ilumina os sentimentos. Porque se essa praticidade não apresentar uma linha voltada para o futuro do crescimento ela se torna um processo puramente mecânico, sem razão de ser, apenas de movimento, e deixa de ser um trabalho positivo. Em outras palavras, passa a ser um trabalho que não edifica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...