20 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 6

O CONSOLADOR

“18NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS; VOLTAREI PARA VÓS. 19AINDA UM POUCO, E O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS, MAS VÓS ME VEREIS; PORQUE EU VIVO, E VÓS VIVEREIS.” JOÃO 14:18-19

“MAS AQUELE CONSOLADOR, O ESPÍRITO SANTO, QUE O PAI ENVIARÁ EM MEU NOME, ESSE VOS ENSINARÁ TODAS AS COISAS, E VOS FARÁ LEMBRAR DE TUDO QUANTO VOS TENHO DITO.” JOÃO 14:26

“12AINDA TENHO MUITO QUE VOS DIZER, MAS VÓS NÃO O PODEIS SUPORTAR AGORA. 13MAS, QUANDO VIER AQUELE ESPÍRITO DE VERDADE, ELE VOS GUIARÁ EM TODA A VERDADE; PORQUE NÃO FALARÁ DE SI MESMO, MAS DIRÁ TUDO O QUE TIVER OUVIDO, E VOS ANUNCIARÁ O QUE HÁ DE VIR.” JOÃO 16:12-13

O mestre disse que não nos deixaria órfãos e que voltaria até nós. Ora, a gente sabe que o que caracteriza a orfandade é a falta de assistência, certo? Quer dizer, é deixar a criança em pleno abandono não demonstrando-lhe interesse. A orfandade não está definida propriamente pela perda dos pais, afinal de contas todos nós já conhecemos órfãos cujos pais se encontram vivos, ao passo que existem crianças que jamais sentiram o golpe duro da orfandade, apesar de nunca terem conhecido os seus pais. De onde podemos concluir que o que determina a orfandade não é necessariamente a ausência dos pais biológicos, mas sim a ausência do amor. E mais, somente o amor a pode extinguir. E a orfandade está para o amor na mesma proporção que a treva está para luz.

Jesus vivia em um tempo determinado e afirmava que não podia ensinar tudo o que desejava aos seus discípulos. Muitas coisas ele não podia dizer aquela época de forma clara e nítida. E justificava: "Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora." (João 16-12) Em razão disso, muitas vezes recorreu ao emprego de parábolas, visando melhor compreensão dos seus ensinos, mesmo que essa compreensão não fosse com a profundidade e a clareza desejada.

As parábolas deixariam muitas entrelinhas que seriam preenchidas em época futura.

Sendo assim, o que ele fez? Reservou para o futuro novas lições do evangelho. Ele sabia que caminharíamos para a maturidade espiritual e que alcançaríamos o momento das indagações. Que questionaríamos coisas do tipo: Porquê amar ao inimigo? Porquê perdoar se não temos às vezes interesse algum em perdoar? Porquê fazer caridade? Porquê investir no crescimento espiritual quando o mundo nos oferece uma série de facilidades? Para os esclarecimentos devidos ele prometeu um consolador: "Aquele consolador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26)

Sendo assim, o que é consolador? Um defensor, aquele chamado para assistir, assessorar, instruir, acompanhar, defender. Ele anunciou uma sequência na assistência espiritual e uma revelação mais pormenorizada para a humanidade em época futura.

Para quando? Seria preciso aguardar maior amadurecimento do espírito humano e que o planeta progredisse na área do conhecimento científico. Seria necessário que a ciência se desenvolvesse para que nós conseguíssemos entender. Enfim, muita coisa precisaria aguardar o consolador para que a sua voz se fizesse ouvir entre os homens sequiosos de esclarecimento e conhecimento. As escrituras mostram que muitos pontos precisariam aguardar o encaminhamento da maturidade dos seres.

O consolador ou a doutrina disparou para nós um sistema filosófico da maior importância.

Por ele temos dois componentes: ensinar e fazer lembrar. E o mais interessante é que na medida em que caminhamos terreno adentro de suas bases, no que reporta ao seu aspecto científico e filosófico, vamos observando que para ele propiciar tranquilidade e segurança, no sentido renovador e de projeção para a felicidade, ele não pode prescindir do aspecto religioso. Isso é fundamental. E mais, o aspecto religioso está, todo ele, vinculado à mensagem do evangelho.

Então, a doutrina é o consolador prometido por Jesus. Sua finalidade maior é restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo.

Sua obra definitiva é a edificação da consciência profunda no evangelho. É um pouso de consolação para todos os infortunados, bem como iluminação para todos os espíritos do planeta. Prometido dependendo da maturidade do planeta, pela voz dos seres redimidos espalha luzes por toda a Terra, restabelecendo a verdade e levantando o véu que cobre os ensinamentos na feição de cristianismo redivivo, para que os homens se despertem para a era grandiosa da compreensão espiritual com o Cristo. Constitui a revelação divina para a renovação fundamental dos homens. Tem como prioridade iluminar as consciências daquele que lhe aderem aos princípios, antes que cuidar de salvar os outros.

A doutrina está abrindo, e muito, no campo do conhecimento. Sua missão é consolar e instruir em Jesus, para que todos movimentem as suas possibilidades divinas no caminho da vida, para que o evangelho seja realmente incorporado às relações humanas. Aliás, em todo seu trabalho a base é o Cristo e o evangelho. Simboliza Jesus que retorna ao mundo, convidando todos ao aperfeiçoamento individual por intermédio do trabalho construtivo e incessante.

Não dá para desconsiderar: pela doutrina e pela mediunidade nós temos reencontrado o pensamento mais puro do Cristo, auxiliando-nos gradativamente a compreensão e dando-nos amplo entendimento da realidade da vida.

Muitas pessoas fazem a seguinte pergunta: O espírito de verdade é Jesus ou não?

Bem, o espírito de verdade não fala em um missionário específico, ele fala em um grupo de criaturas. Jesus, ao invés de uma designação no plural, empregou quatro designações no singular, a nos mostrar que entre os espíritos do Senhor reina perfeita comunhão de sentimentos e ideias, definindo que o conjunto deles forma a unidade. Assim se aclara outra asserção do excelso mestre? "Pai, quero que eles sejam um em mim, como eu sou um contigo." Infelizmente, tem gente que não abre mão de que o espírito de verdade é Jesus. E no fundo não é.

Vamos explicar melhor a questão. Eu também não abro mão de que é Jesus, todavia se Deus é o Pai e cria, ele, Jesus, opera, mas operando ele direciona administrativamente outros que operam também. Em outras palavras, Jesus opera através dos espíritos.

Veja o apocalipse, por exemplo. Não é Jesus que efetivamente vai ter que se manifestar através de João. "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo." (Apocalipse 1:1) Deu uma ideia? Então, manifesta esse espírito ou aquele ou outro, mas no fundo quem é que está falando? Ele pode dizer: "Isso não é meu. Isso é de Jesus. Eu estou aqui apenas como refletor do pensamento dele. Que mandou em nome do criador transmitir isso." Está dando para acompanhar? O mensageiro traz a mensagem, mas a linha irradiadora de profundidade, quem é que irradia? É Jesus, o Cristo.

Não adiantava Jesus vir esporadicamente ao nosso mundo ou de maneira eventual, talvez nós não pudéssemos entendê-lo. O espírito de verdade é composto por uma linha abrangente, por todos quantos já se dispuseram a vivenciar alguma coisa no terreno renovador pessoal. Mas com Jesus representando a culminância.

Ficou claro? Então, o espírito de verdade não é Jesus, mas lá no fundo a fundamentação é.

O espírito de verdade é Jesus como ponto irradiador, porque os intermediários manifestam seu pensamento. Eles dizem, na essência, todos eles, a mesma mensagem, a síntese do Cristo.

Se Jesus se reportasse a uma determinada individualidade, prometendo enviá-la após a sua partida do cenário humano, referir-se-ia naturalmente a essa entidade utilizando uma única designação. Mas não, não foi isso que ele fez. Pelo contrário, usou várias expressões, dando a entender tratar-se de uma coletividade, e não de uma individualidade. Podemos ficar certos disso, o consolador não é Jesus. Ele mesmo nos assegura ser outro. Nem é uma pessoa ou algum espírito, mas "espírito de verdade", "espírito santo", um elemento espiritual. E justamente por isso poderá ficar continuamente com os seus discípulos.

Afinal, se for Jesus que vier incorporar o espírito de verdade, nós estamos estudando o evangelho para quê? Estamos fazendo o quê aqui? É uma questão racional.

No meio de uma aparente confusão vigora grande sabedoria. Usando de várias expressões o mestre anunciou uma coletividade de emissários, cujo ponto irradiador é o próprio Jesus.

O espírito de verdade, o que é? São espíritos vários vivenciando o pensamento dele.

Em seu ponto irradiador, e vale a pena reprisar, o espírito de verdade é Jesus, todavia ele é composto, em uma linha abrangente, por todos aquele que já se dispuseram a vivenciar alguma coisa no terreno renovador pessoal. São as entidades espirituais amigas refletindo o pensamento e a expressão de Jesus em todos os instantes. É Jesus refletido na experiência vivida de inúmeros cooperadores dele. Representa uma soma imensa de caracteres que formam um pensamento. É o conjunto de criaturas que já foram batizadas no conhecimento, que já se lançaram a um trabalho aplicativo e que vem ao nosso encontro. É como se fosse o elemento esclarecido vivenciando o aprendizado.

Deu uma ideia? O pensamento é de Jesus, mas quem revela é o espírito de verdade. Aquele que já entrou na posse do relacionamento com Jesus na sua segunda vida, não na primeira. Isso tem que ficar claro, pois na primeira vinda nós nos relacionamos com ele por sintonia e na segunda por afinidade.

Nós estamos iniciando a integração ao espírito de verdade. Aliás, já estamos vivendo em plena era do espírito de verdade. Acho que ficou claro que o consolador não é Jesus, certo? Ou melhor, se você quiser é Jesus, só que operando com aqueles que estão se recompondo na evolução. Em outras palavras, esse título é reservado a quem já aprendeu teoricamente e vem aplicando de forma natural no seu dia a dia. Por isso é que o consolador vem como espírito de verdade.

Quer dizer, é aquela verdade que nós já podemos incorporar. Em vez de ter que vir o anjo aqui para poder mostrar e operar, o que está operando é o que deve. Porque assim ele está se limpando, se higienizando, está reparando e evoluindo. Isso é o consolador prometido. Porque ele está se recompondo no seu ponto cármico, auxiliando em nome do Cristo e purificando-se na esteira da evolução.

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