23 de jun de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 7

EVANGELHO PRÁTICO

“EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO”. JOÃO 15:14

Eu não quero que você fique desapontado com o que vou dizer, mas a lição de Jesus ainda não foi compreendida.

É a mais pura verdade. Nós estamos cheios de conhecimentos, imensamente teorizados, porém acentuadamente atrasados na capacidade de operar. Para exemplificar o que estou dizendo, se a entrada no reino dos céus fosse condicionada unicamente ao aspecto teórico, a uma prova de múltipla escolha, praticamente todos nós aqui seríamos aprovados com louvor. Dá até para imaginar as questões: O evangelho ensina que a gente deve amar ou agredir? Você está caminhando pela rua e ao se deparar com uma pessoa caída ao chão deve lhe estender a mão ou chutar? Ao receber uma ofensa você deve revidar com energia ou entender e perdoar o agressor? E daí por diante. Notou? Dei exemplos muitos simples, mas você pode imaginar outros bem mais complexos.

Estamos estudando o evangelho, participando de cultos e reuniões, aqui e ali, mas continuamos místicos.

Na atualidade, vigora a necessidade de uma evangelização não mais sob a pregação sistemática milenar de um evangelho periférico, trabalhado só na base da letra, mas de uma sensibilização de prática do conhecimento dele na vida comum nossa de cada instante na sua linha de praticidade. Concorda? Nesse mundo de conturbação a que estamos ajustados o simples aprofundamento da filosofia não tem atendido as nossas necessidades mais íntimas.

Somos hoje, sem dúvida alguma, convocados a não contentar com o evangelho descritivo ou histórico, fixado no tempo e no espaço. Precisamos do evangelho ajudando a nortear os nossos passos e não podemos mais ficar no Jesus pregador.

Pense comigo: Jesus se entregou à cruz para quê? À toa é que não foi. Ele o fez para acender um dia o pavio dentro de cada um de nós. É isso aí. O evangelho vem definir um chamamento para fazermos aquilo que já sabemos e não fazemos ainda. Trazido milênios atrás, ele nada exige. Sua finalidade não é outra, senão sanear a dureza do nosso coração. O Cristo concedeu-nos a luz dos seus ensinos para que a nossa análise não permanecesse fria e obscura.

Sua mensagem objetiva clarear o nosso entendimento, como se todas as anteriores fizessem aquele papel de preparação do terreno. O nosso grande desafio, que está lançado, é fazer com que deixemos a posição passiva no contexto da evolução e adotemos uma postura nova de participação efetiva no plano da ajuda e da cooperação junto àqueles que estão caminhando no mesmo ambiente de aprendizagem que nós. É ajudar outros crescerem para que a gente cresça também.

Evangelho não é papo furado de beleza literária, muito menos teoria circunscrita ao campo da esperança.

Antes de tudo, é princípio científico. Isso mesmo. Jesus Cristo não nos ensinou procedimentos religiosos, e sim métodos científicos para o nosso próprio bem viver.

Apresentou muitas expressões simbólicas, todavia na prática nenhuma delas trata de cerimônia ou ritual, mas de realidade positiva, de potência espiritual incoercível, que transformará o mundo no dia em que os homens a compreenderem e entrarem em relação com ela. Nós aprendemos com o evangelho que nada é por acaso. Nada é sem razão de ser. Todos os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida. 

No imenso acervo de sua lição cada conceito adapta-se a determinada situação do espírito nas estradas da vida, sem cuja aplicação na esfera comum não se liberta a alma, descentralizada pela viciação contínua nas zonas baixas da natureza.

Desde a instauração do cristianismo no planeta, todas as frentes religiosas vem trabalhando a importância aplicativa da mensagem do Cristo. E nós aqui temos dado uma ênfase toda especial a isto. O que nos interessa intimamente é o evangelho prático, aquele que nos auxilie no nosso dia a dia. Estou certo? Afinal, no imenso conjunto de valores apresentados cada conceito ou situação adapta-se a determinada circunstância do espírito nas estradas da vida. No fundo, o que nós queremos saber é como utilizar o evangelho para diminuir o sofrimento que tem nos afligido, como utilizá-lo para melhorar as nossas relações pessoais dentro de casa, como usar o aprendizado para realizar objetivos que são importantes para nós. Vamos sempre bater nesse ponto.

O evangelho é vida. E não tem como bloquear a vida. Vida não é cercear, é expandir.

Sendo assim, é preciso aderir ao evangelho na piedade, no entendimento e na caridade.

É preciso que a gente trabalhe, senão vamos ficar em uma cima de uma filosofia acentuadamente cansativa, que desgasta e não propicia reconforto algum. O código do amor pressupõe a instauração de uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor dos que sofrem. A lição do mestre não constitui apenas impositivo para os misteres da adoração. De forma alguma! Não devemos nos deter em uma falsa contemplação de Deus mantendo-nos à margem do caminho.

O cristão não é flor de ornamento para igrejas isoladas. Para que os seus ensinamentos não sejam relíquias mortas nos altares de pedra, o evangelho tem que circular em um plano aplicativo de interação com as pessoas. Ele é código de boas maneiras no intercâmbio fraternal e não se reduz a breviário para o genuflexório.

Resultado? Repare para você ver, o Cristo não estabelece linhas de divisão entre o templo e a oficina.

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