29 de jul de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 4

JESUS E O AMOR

“JERUSALÉM, JERUSALÉM, QUE MATA OS PROFETAS, E APEDREJAS OS QUE TE SÃO ENVIADOS! QUANTAS VEZES QUIS EU AJUNTAR OS TEUS FILHOS, COMO A GALHINHA AJUNTA OS SEUS PINTOS DEBAIXO DAS ASAS, E TU NÃO QUISESTE!” MATEUS 23:37

“AINDA TENHO OUTRAS OVELHAS QUE NÃO SÃO DESTE APRISCO; TAMBÉM ME CONVÉM AGREGAR ESTAS, E ELAS OUVIRÃO A MINHA VOZ, E HAVERÁ UM REBANHO E UM PASTOR.” JOÃO 10:16

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS.” MATEUS 19:17

“VÓS ME CHAMAIS MESTRE E SENHOR, E DIZEIS BEM, PORQUE EU O SOU.” JOÃO 13:13

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

Jesus é a mais viva expressão de realização e atividade no bem e a origem de seu poder está em seu estado evolutivo. Não podemos estudar-lhe o psicológico estabelecendo dados comparativos entre ele e o homem. Não foi filósofo e sequer pode ser classificado entre os valores propriamente humanos.

Jesus está para a Terra mais ou menos como Deus está para o universo. Diligencia em todas as frentes, atende e opera visando todos os ângulos da evolução dentro de uma posição de absoluta coerência e harmonia. A bem da verdade, era ele quem dirigia os povos de todos os tempos, e tanto era que ele mesmo disse que muitas vezes quis ajuntar os seus filhos. Todos os grandes missionários ligados aos povos antigos e às diversas raças sempre estiveram, e estão, a seu serviço.

Todos os profetas que a bíblia faz menção foram médiuns predestinados a servirem ao seu pensamento. Os que o precederam eram mensageiros da sua bondade e sabedoria, vindos à carne com o intuito de preparar-lhe a luminosa passagem pelo mundo das sombras.

Não é nossa pretensão aqui querer avaliar Jesus, primeiro porque sequer temos capacidade de saber até onde chega a sua estrutura. Só para se ter ideia, o seu subconsciente está para muito além do nosso superconsciente. Deus o apresenta como sendo o mais perfeito modelo, o espírito mais puro de todos que já apareceu neste planeta. Ele veio até nós com uma vivenciação acima de todas as nossas condições operacionais.

Muitos dos grandes expoentes da história, no que diz respeito aos aspecto da realização em termos de amor, viveram e trabalharam com facetas crísticas. Isso é um fato de grande relevância. Muitos elementos lá na retaguarda, nas civilizações passadas, apresentaram aspectos crísticos, foram expressões crísticas no contexto da evolução do planeta, todavia, enquanto uns foram parcelas o Cristo foi o máximo em perfeição. Quem envergou a totalidade crística aqui, até onde nós podemos alcançar e perceber, foi um só: Jesus Cristo.

Qualquer coisa que surja no planeta Jesus tem autoridade. 

Os seres desta esfera jamais poderão nos conduzir para outras mais elevadas e luminosas. Não passariam de cegos conduzindo cegos. Jesus é o condutor da humanidade, é o exemplo supremo e o seu modelo é definitivo e único para a realização da luz e da verdade em cada ser humano. É o caminho porque já fez o percurso que ainda não fizemos. É a verdade porque não fala de si mesmo, tampouco fantasia como os homens que buscam os próprios interesses e as próprias glórias. E é vida, porque ressurgindo dominou a matéria e não é como os homens cuja existência instável depende totalmente das circunstâncias externas.

Sua doutrina é a maior prova de que ele existiu e viveu entre nós. É só pensar. Moralmente superior ao mundo judaico, ela não poderia ter sido criada pelos israelitas, também não poderia ter sido criada pelos apóstolos. Aliás, estes até tiveram dificuldade para entendê-la e aceitá-la.

Jesus se apresenta no cenário terreno como mestre. Aliás, isso ele mesmo definiu.

Não abriu mão disso. Foi o único título com que se adornou, e nenhum outro: "Vós me chamais mestre e senhor, e dizeis bem, porque eu o sou." (João 13:13) Certa vez, quando o chamaram bom, retrucou: "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus." (Mateus 19:17) Quando o definiram rei repeliu de forma imediata, declarando que o seu reino não é deste mundo.

Percebeu? Apenas quis ser mestre e disso fez toda a questão. E advertiu os seus discípulos que só a ele o considerassem como tal, que a ninguém mais fosse concedida essa prerrogativa. Ele se definiu como mestre, por isso teve discípulos. Arrogou a si a denominação de mestre, considerando aqueles que o acompanhavam com discípulos, os quais ocupou-se em ensiná-los, pela palavra e pelo exemplo. Para não deixar qualquer dúvida, sua didática foi a do exemplo.

Suas mensagens não se basearam em ponto de vista, mas num trabalho sedimentado em nosso solo na cartilha prática.

O mestre veio ao mundo investido de uma missão. A nós compete saber que ele é a perfeição moral que a humanidade pode aspirar. A doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor. E quando o assunto é iluminação espiritual, inexiste fonte alguma além do seu evangelho. Palavra alguma poderá superar a sua exemplificação, que o seguidor sincero deve sempre tomar como roteiro supremo de vida. 

Em seus atos não existem milagres, mas o conhecimento pleno de leis que ainda desconhecemos. Ele é um governante profundamente tocado pelo sentimento de nossas fraquezas, um soberano que foi testado sob todos os pontos de vista e que permaneceu sem pecado.

Desde que ele próprio sofreu, sendo testado e provado, é amplamente capaz de nos compreender e guiar às alegrias maiores. E ninguém realiza os eternos destinos se não o acompanhá-lo, seguindo-lhe os passos. E ele, de forma alguma, nos abandonou. O Cristo não está fora do mundo. Não é possível imaginá-lo habitando região isolada do sofrimento humano. Não dá. Ele não ia querer deixar-nos entregues à nossa própria indigência. Pelo contrário, continua a sua missão suprema de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus.

Conhecedor das deficiências do homem, e descendo da culminância espiritual, sem medir esforços e sacrifícios, Jesus visita o mundo de sombras. Construtor e diretor do planeta, aporta em nosso campo de aprendizado para que saibamos a extensão da grandeza e da misericórdia do criador. É só você pensar comigo, antes de Jesus chegar à Terra Deus era visto como força. Após a sua passagem, o discípulo João dizia: Deus é amor.

Como fundamento de toda luz e sabedoria, Jesus nos revela a lei de amor. O evangelho é a revelação suprema e o código perfeito do amor. E com o amor a lei manifestou-se aqui em sem esplendor máximo. Se Moisés instalou o princípio de justiça, coordenando a vida e influenciando-a de fora para dentro, Jesus inaugurou na Terra o princípio do amor a exteriorizar-se do coração. De dentro para fora, traçando-lhe a rota de ascensão. Percebeu? Apenas o amor traça a linha reta da vida e representa a única força que anula as exigências da lei de talião. As criaturas humanas se redimirão por ele e se elevarão a Deus por ele, anulando com o bem as forças que ainda encarceram corações nos sofrimentos do mundo.


MOISÉS


JOÃO BATISTA

JESUS

Justiça


Inconformação

Amor

Coletivo
Código coercitivo de natureza globalizada


A consciência apontando os pontos de deserto

Individual
Código de vida operado no anonimato


Não



Interrogação

Sim

Cerceador
A simples aplicação da justiça bloqueia.



Identificação de valores que já não atendem aos anseios do ser.

Expansor
Instauração de uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor dos que sofrem.


Coerção e pressão
de fora para dentro



Pregação e Batismo
Semeadura

Realização
de dentro para fora


24 de jul de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 3

OS DEZ MANDAMENTOS

É fundamental, na revelação mosaica, fazer a separação entre a parte humana (reformável e transitória) e a parte divina (imutável e eterna). Ok? A parte divina é a que realmente nos interessa e está presente no decálogo, nos dez mandamentos.

O que importa para nós é que no monte Sinai são direcionados os dez mandamentos pela mediunidade de Moisés. O número dez apresenta uma expressão de universalidade, de coletividade, e esses mandamentos são orientações imprescindíveis ao campo evolucional da Terra. Constituem a moral básica e invariável em todos os tempos e povos.

E repare que nos dez mandamentos sete são negativos. Como assim? É tudo não: não matar, não furtar, não cometer adultério... Dos dez mandamentos sete são de natureza cerceadora. É onde está embutido o trabalho em uma linha setenária, cerceadora das dificuldades. São controladores das manifestações irreverentes. É tudo bloqueando, tudo em cima do não. Os sete mandamentos, por terem características negativas, representam a luta de expressão interior.

Está conseguindo acompanhar? Setenta por cento dos mandamentos são controladores das nossas manifestações irreverentes. Agem sob a impulsividade do ser, trabalham a linha instintiva, são controladores. É um cerceador disciplinar da tendência interior. São sete períodos de refreamento da nossa intimidade instintiva. Imagine uma criança em uma festa. Ela vai mexer em uma planta e alguém lhe diz: Não mexa aí! Ela vai pegar algum objeto e novamente a voz imperiosa: Não faça isso! Conseguiu perceber? Esse "não" age cerceando as manifestações de fora para dentro. Trabalha objetivando cercear as nossas dificuldades íntimas, refreando a manifestação dos nossos padrões menos felizes.

A nível informativo, o aspecto cerceador traz orientações saneadoras do psiquismo para a mudança. 

E tudo começa por aí. Um dia vamos notar que por enquanto o nosso êxito está muito em cima do não, da nossa capacidade refreadora, do não fazer. É não pra cá, não pra lá, não pra todo o lado, no sentido de cercear a manifestação dos pontos menos felizes da nossa personalidade que precisam ser abafados e redimensionados. 

A gente começa pelo não fazer, bloqueando as nossas manifestações complicadas. E vamos culminar pelo fazer em uma outra dimensão, em outro nível.

E o bonito disso tudo é que essas propostas, esses sete mandamentos negativos, quando nós vencemos a nós mesmos e chegamos nesse sete com êxito, ele nos projeta para uma capacitação mais nítida. Ou seja, vencemos os sete negativos e chegamos nos três que são positivos. Os sete negativos bloqueiam e os três positivos projetam. Pela abertura da consciência, e consequente ampliação da capacidade administrativa do potencial interior, nós passamos, por meio dos três positivos, a nos lançar de forma mais nítida na irradiação da luz.

Para nos projetarmos começamos trabalhando a linha setenária, refreadora, cerceando as dificuldades. Mas ao mesmo tempo abrimos terreno para a linha trina, realizadora.

É assim que o processo se dá. Ao mesmo tempo em que vencemos em termos de contenção na linha dos sete negativos, dá-se a abertura de um novo campo para a operacionalização de uma linha de três positivos. Três mandamentos positivos (amar a Deus, honrar pai e mãe e guardar o sábado) projetam o ser para o infinito em uma evolução consciente por meio de uma linha de realização com o criador mediante a expansão da capacidade de amar. Esses três positivos representam, de forma simultânea aos outros sete, uma linha trina a projetar a individualidade em sua capacidade de amar, para projetá-la na evolução rumo ao infinito. Constituem o terreno que se abre à evolução consciente. São a alavanca natural da projeção do ser no trabalho do amor, na operação do amor.

São esses três que nos projetam para uma realização com o criador. São eles que objetivam nos projetar em direção ao infinito. Assim, os dez mandamentos contém, embutidos dentro de si, a linha trina da evolução em busca da unidade.

E existem três componentes presente no universo: a unidade, a dualidade e a trindade. Não é isso mesmo? De certa forma, não é assim que nós aprendemos?

O componente número um é Deus. 

É o plano vibracional presente e reinante em toda extensão universal em nome do amor. É o número básico fundamental do equilíbrio do universo em Deus. Está presente em todos os contingentes, em todas as linhas, em todos os ângulos do plano operacional do universo. Representa toda a soma estrutural da vida no seu sentido sublimado no universo, toda a síntese do amor na grandeza em Deus.

A unidade é o elemento básico fundamental do universo. É o pai, o criador. O um é a unidade que traz dentro do plano filosófico toda síntese da vida. É a condensação de todos os componentes ou caracteres positivos do universo. Daí, a gente nota o seguinte: o bem, o amor, a vida, o espírito, entre tantos outros componentes, todos esses valores estão posicionados no plano positivo da vida. E todos eles se convergem para quê? Vamos pensar. Tudo se converge para o um. 

Está dando para entender? Tudo se direciona para Deus. A evolução é o encaminhamento da individualidade em direção à unidade em Deus. Tudo se concentra no direcionamento à unidade. E não precisa ir longe para se concluir isto. Repare os dez mandamentos, o número dez culmina na multiplicidade do um.

O um está presente em todo o universo. É a soma clássica do amor em toda a sua grandeza.

Só que tem um detalhe: o um apresenta caráter estático. E se a unidade fosse o único componente presente o universo estaria coagulado, estático, estaria tudo parado. E nós não estaríamos aqui estudando o evangelho. Para ser sincero, nem haveria evangelho. Não haveria nada. Então, vamos reforçar: Deus é a unidade, a unidade que irradia conhecimento, que irradia luz, que irradia amor.

E no momento em que nós aprendemos a realidade do crescimento consciente, ele não é mais um Deus de lá. Ou melhor, é um Pai que está lá, mas ligado com o filho que está aqui. Não é isso? Afinal, só existe pai se existir filho. E pelo filho concebe-se que existe um pai. E a dissociação entre pai e filho gera alienação.

Então, o amor que reside em Deus, no Pai, só é dinamizado quando Deus, que é criador, sugere criatura, ou o Pai, que é o amplo pai do universo, sugere filho.

Está acompanhando? E essa linha que parte dele, em toda a extensão do universo,  vai encontrar um plano dinâmico na linha de dualidade. Pela sugestão de descendentes é que vamos ver o que era estático se transformar em dinâmico, e o dinâmico já sugere o número dois, o segundo elemento. Dois é o filho. São as criaturas. A unidade se transfere para uma expressão dualística, para uma dualidade.

O um é o Pai, dentro de uma linha acentuadamente teórica. O um representa a unidade e a unidade significa paz e harmonia. Mas não podemos trabalhar somente em função da unidade, porque ela tem caráter estático. E o encontro com essa unidade, com essa harmonia, de onde estamos para cima, vai depender de uma linha dinamizada. Percebeu? Repare no seguinte: A gente, no plano espiritual, antes de vir para cá, faz cursos e a maioria nem imagina isso. Estuda acerca da lei de cooperação, da lei de trabalho, da lei de amor, da lei de caridade, e tudo é de certa forma teórico. É tudo em Deus. Aí, o que acontece? A gente vem para o dois e realiza isso aqui embaixo no plano material. E na hora em que nos movimentamos com a instrumentalidade que possuímos, o que era teórico começa a se tornar prático, ou seja, vemos a transubstanciação desse elemento teórico se tornando prático pelo filho que opera. Pois o filho, para que a gente não esqueça, é o segundo componente. O filho é o número dois. E o dois é sempre dinâmico, é a capacidade prática. O filho é o componente operante, porque o número um não opera, o número um dispõe, o número um irradia.

O ponto básico que nos liga teoricamente com a divindade é o ponto um. O ponto dois é sempre o laboratório experimental em meio ao sufoco da realidade que vivemos.

Assim, para que haja uma dinâmica no universo essa unidade se transforma em dualidade.

Só que ao criar a dualidade tem-se o componente positivo e o negativo. O que abre perspectiva de dinamismo, de forma a projetar os seres para pisos novos e posições novas cada vez mais elevadas é exatamente o ângulo da lei dos contrários, definindo o movimento.

A nossa busca a novos lances faz com que a unidade se dinamize, transferindo-se para uma expressão dualística, onde passa a preponderar a dualidade entre o bem e o mal, o amor e o ódio, a luz e a treva, o positivo e o negativo, e por aí adiante. 

É só analisar. Se a incorporação dos padrões superiores se desse de forma gratuita, sem a dinâmica operacional em face dos contrários, com certeza nós não teríamos movimento no universo, e sim um universo estático. Então, o bem está aqui e o mal está aqui, o dia está aqui e a noite está aqui, a luz está aqui e a treva está aqui, a verdade está aqui e a mentira também está. É essa dualidade que é capaz de fazer com que nós achemos o equilíbrio. Padrões negativos são necessários ao desenvolvimento dos positivos. E enquanto o lado positivo é eterno, imortal e não desaparece, os demais componentes tem vida relativa, os padrões negativos são relativos.

O que precisamos é de cuidado e vigilância porque à medida em que avançamos na busca do um é como se o dois começasse a empavonar-se, em razão dualidade, propiciando quedas.

E outra coisa, o dois pode nos fazer reciclar experiências, se a experiência vivida não for satisfatória. Aí temos que repeti-la. Como também pode representar conquista, levando-nos ao três.

Vamos reprisar de forma breve. O número um define a unidade. Representa o ponto de referência evolucional, o conhecimento teórico em Deus. Nós obtemos o conhecimento no um. No um é como se entrássemos no plano de indicativa, na elaboração da proposta, no acesso ao conhecimento que a misericórdia superior oferece ao nosso plano de evolução consciente. À partir daí essa unidade se dinamiza, ela ganha movimento na dualidade. Quer dizer, a pessoa com o conhecimento no um passa a exercer e aplicar esse conhecimento no dois.

O dois ou o segundo lance representa a presença de componentes que abrem as condições operacionais, abrem valores e oportunidades múltiplas de trabalho. O dois não é só informação. É oportunidade de trabalho, a nossa forma de agir, a aplicação da teoria. 

E o três, como extensão natural, define a projeção do encaminhamento. Então, o um se dinamiza no dois e sublima no três. Através dos lances: um, dois e três. 

O três ou a terceira etapa compreende a nossa conquista efetiva. Constitui a solidificação positiva do que propomos.

O três representa a soma do 1 + 2, que nos leva, em tese, ao 1 mais avançado que o 1 anterior.

O três embute o um e o dois. Significa a apropriação do um e do dois, corresponde ao somatório. É o um de antes acrescido do dois recente.

E na medida em que isso se abre no campo da trindade, no plano da espiritualização consciente do ser, nós estamos caminhando no rumo da evolução, mas na busca da unidade em Deus. Deu para acompanhar? A pessoa, com o conhecimento no um o exerce no dois e sai no três, que é o um renovado.

Veja bem, a unidade está no um, certo? E o indivíduo entra no plano aplicativo no dois. Mas se ela volta para o um ela não progride. Ficou claro? O indivíduo sai do um com projetos e programas e no dois é que ele realiza, concretiza. O dois é o plano material.

Todavia, do dois não se volta para o um. Quem volta para o um não progrediu nada.

O certo é ir para o três. O dois é a aplicação da teoria, é a filosofia aplicada na vida prática, mas aplicada mantendo-se ligado na unidade irradiadora em Deus.

E o três é o um acrescido de valores, representa o processo de santificação. O três equivale ao mecanismo da ressurreição, indica a visão em novo aspecto, a visão em novos ângulos. O três já apresenta mudanças no campo concreto da individualidade, mudanças de concretude, solidez. A ressurreição nossa em novo momento se dá sempre na terceira etapa. E a Terra não é terceiro planeta do sistema à toa.

19 de jul de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 2

MOISÉS E A JUSTIÇA

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16

O que faz com que os homens entrem em contato com a realidade universal? Que faz com que eles consigam aprender acerca das verdades que vigoram e regulam a estrutura de todo o universo? A resposta é simples: a inteligência. É a inteligência o instrumento que possibilita esse acesso.

Agora, a inteligência, por si só, a utilização dos conhecimentos assimilados, tem um alcance relativo e possibilita acesso limitado, de forma que o entendimento que os homens não conseguem alcançar apenas pelos seus próprios conhecimentos lhes é proporcionado por meio da revelação divina. Percebeu? E por meio de quê? De médiuns missionários, que são aqueles intermediários pelos quais os bons espíritos transmitem às criaturas as leis de Deus. Sendo assim, verdades novas, além daquilo que é conhecido, pressupõe revelações vindas de fora.

E é importante frisar que essas revelações são proporcionadas conforme o estado evolutivo dos povos a que se destinam, a fim de que possam ser aceitas e assimiladas. Quer dizer, os homens recebem as revelações divinas segundo a posição evolutiva.

O homem não foi criado para viver sozinho. Não dá para imaginá-lo isolado dos seus semelhantes.

E para socializar os agrupamentos humanos torna-se indispensável coordenar a ação individual  delimitando-lhe as expansões, de modo a evitar atritos e conflitos. 

É necessário criar uma força íntima que se oponha às vontades pessoais, sempre que estas colidam com os legítimos interesses de terceiros. E essa força interior que nasce, cresce e vigora na consciência humana, orientando e dirigindo a nossa conduta, o que é? É o direito. E a aplicação do direito se chama justiça. Dessa forma, as noções de direito surgem para que não se imponha aos semelhantes ofensas e prejuízos que não se deseja receber. E a ideia de justiça, sem dúvida alguma, palpita no íntimo de todo o ser consciente.

A primeira revelação divina surgiu com Moisés, o grande legislador, treze séculos antes de Jesus, e foi direcionada ao povo hebreu. A humanidade já apresentava uma evolução mental capaz de encarar o universo de maneira global e nutria a ideia do monoteísmo, ou seja, da existência do Deus único, providencial e criador dos mundos.

Moisés, como legislador humano, possuía as mais elevadas faculdades mediúnicas. Como condutor de um povo, e objetivando coibir uma série de abusos e desregramentos, determinou testemunhos rígidos com o objetivo de se estabelecer a disciplina, dentro da ordem divina e do entendimento do único Deus.

Estabeleceu leis morais, religiosas, políticas, civis e até preceitos de higiene. Entre as leis civis que instituiu encontra-se a pena de talião, aquela em que a pena é igual ao crime cometido, o "olho por olho, dente por dente". Sua legislação foi inspirada no princípio de justiça, porque regulando as faculdades de vingar delimitou o ímpeto dos indivíduos, contendo-o na proporção exata do dano ou da ofensa recebida.

Muitos de nós já ouvimos falar que a revelação de Moisés tem sentido de justiça e isso é um fato. O profeta hebraico apresentava a revelação com a face divina da justiça.

A missão da justiça, então, foi trazida com Moisés. Porque toda a sua base é de ordem coletiva, cujos princípios norteiam a caminhada evolucional dos indivíduos. Apresenta sentido coercitivo, constrangedor. Ele instalou o princípio da justiça, coordenando a vida e influenciando-a pelo constrangimento de fora para dentro.

E não é difícil concluir isto. Muito pelo contrário, é fácil. Basta analisar que dos dez mandamentos sete são de natureza bloqueadora, sete são de ordem negativa. 

E cerca de mil e trezentos anos depois o povo hebreu evoluíra sob a lei mosaica e precisava de uma nova revelação. Outra revelação mais ampliada se tornou necessária. 

E o homem receberia com Jesus o código perfeito do amor a exteriorizar-se do coração, traçando-lhe rota para Deus. Quer dizer, Jesus veio para estender a mensagem a todos sem distinção, não apenas aos hebreus. O que era para poucos passaria a ser para a coletividade humana inteira.

Se com Moisés a expressão era de Justiça, com o Cristo foi trazida a feição do amor.

Agora, uma coisa é interessante. A lei de talião prevalece atual para todos aqueles que ainda não edificaram o santuário do amor na intimidade dos corações e que representam, sem exagero, o grande percentual das criaturas humanas. Vamos pensar nisso. Mas cá para nós, tem muita gente relutando em dar um passo além na sedimentação da revelação do amor e permanece adotando Moisés nos dias de hoje, ao invés de deixá-lo para quem realmente precisa dele. 

15 de jul de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 1

AS ESCRITURAS E O INFINITO

“E DISSE-ME UM DOS ANCIÃOS: NÃO CHORES; EIS AQUI O LEÃO DA TRIBO DE JUDÁ, A RAIZ DE DAVI, QUE VENCEU, PARA ABRIR O LIVRO E DESATAR OS SEUS SETE SELOS.” APOCALIPSE 5:5

É grande o número de pessoas que comentam que não entendem a bíblia. Que não a conseguem entender por mais que leiam. Que não a compreendem e mais, que os textos não são claros, tanto em termos de velho quanto de novo testamento. Que falta objetividade a eles.

É isso aí, tem muita gente que gostaria que os textos fossem claros. E até parece que num mundo igual ao nosso nós realmente gostamos das claridades. Mas não há como discordar desses questionamentos. Eles são legítimos. No entanto, uma coisa é fato: a linguagem não pode apresentar aquela objetividade que gostaríamos.

Porquê? Muito simples. Ao estudarmos as sagradas escrituras não podemos nos esquecer que estamos estudando em cima de registros figurados, não de registros objetivos. Deu uma ideia? A gente quer clareza, mas a coisa não funciona assim. Está certo que as revelações tem chegado de um modo abrangente no mundo atualizado, mas vem tudo dentro de um sistema esotérico.

E para quem acha que o evangelho é complicado, que ele não é claro e objetivo, que deveria ser do tipo "numa situação assim faça desse jeito, em outra faça daquela forma, chega perto de fulano, faz assim, e tal..." nós podemos dizer o seguinte: toda a mensagem bíblica não é uma revelação linear como muita gente acha. 

As escrituras, como livro da vida, trazem a expressão globalizada da história do planeta, como também a história individualizada de cada um de nós. A linguagem, tanto do velho como do novo testamento, trabalha de maneira extensiva e no seu campo de registro vai se adequando ao desenvolvimento da própria humanidade.

A humanidade não segue se desenvolvendo em todas as áreas? Na áreas tecnológica, filosófica, científica, religiosa, médica, espiritual, em todo tipo? Então, na medida em que nós vamos evoluindo e que o conhecimento vai nos atingindo o texto vai abrindo novas nuances dentro de uma mesma terminologia.

Está dando para acompanhar? A coisa não funciona de forma final, assim: vamos caminhando, caminhando, entendi, fechou, chegamos no céu que procurávamos. Não! Não tem nada disso. Não fecha. A coisa funciona mais ou menos como as nossas metas e objetivos. Chegamos lá, abrem-se outros. O entendimento é desse jeito. Constantemente vai passando por um processo de reciclagem.

Ele vai, retorna, vai mais à frente. Não para. Vai reciclando elementos e caminhando para processos mais definidos, mais detalhistas, ampliados e mais sutilizados à medida que prosseguimos. Pecado, por exemplo, se a gente entrar a fundo na questão, é um conceito novo para nós. Então, vão surgindo conceitos novos. Assimilamos, investimos e o entendimento vão precipitando novas indagações.

O entendimento vai abrindo novos parâmetros. De forma que o conhecimento não finda.

E vamos entender o seguinte: para começar, todo conteúdo bíblico é conteúdo que vai permanecer.

Vamos repetir, porque isso é importante. O conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer inalterado. Ele não tem que ser renovado ou mesmo mudado de maneira objetiva como muitas pessoas pretendem. De forma alguma os textos precisam ser alterados. Nós é que nos renovamos e passamos a penetrá-los e percebê-los de forma mais aprofundada. Se não entendemos algo o erro é puramente nosso de interpretação. Sendo assim, o componente chamado figura ou letra vai permanecer de forma natural, exigindo de nós, cada vez mais, uma melhor reflexão.

E vamos partir do seguinte: as mensagens de natureza espiritual, todas elas, são caracterizadas por acentuada fundamentação simbólica. Ok? Isso sempre vai existir.

Não tem jeito de ser diferente, é por figuras que os valores essenciais conseguem abrir-se dentro de nós, o que vai nos exigir continuadamente um certo cuidado interpretativo. Alguns livros da bíblia, como é o caso do apocalipse, é todo direcionado em linguagem figurada. Vamos manter esse ponto bem entendido e como referência para o nosso encaminhamento daqui para a frente.

Imagine se nós tivéssemos valores extraordinários, da maior amplitude e significância, mas entregues ao acesso de todos, sem critério algum. Haveria muita coisa complicada e esdrúxula por falta de uma capacidade perceptiva de entendimento. Então, vamos nos ater ao fato de que entre o componente revelado, de cima para baixo, e a identidade com as bases dessa revelação vigora um terreno enorme a palmilhar. Será que deu uma ideia? E já que mencionamos o livro apocalipse, vale lembrar que ele fala em selos. Não apenas ele, mas ele fala em sete selos, o que define para nós algo da maior importância.

O evangelho é mensagem que se estende ao infinito. E apresenta coisas que nós estamos começando a entender. 

Evolução é assim mesmo, para uma infinidade de ensinamentos ainda nos faltam "ouvidos de ouvir e olhos de ver". Você já deve ter notado isso, hoje compreendemos o que ontem não entendíamos e amanhã entenderemos o que agora se mostra incompreensível. Às vezes, temos que ficar anos arquivando uma informação, arquivando uma proposta, brigando dentro da gente com ela. Eu mesmo sou um exemplo claro disso. Uma vez, e isso faz alguns anos, ouvi em uma reunião de estudo uma frase bonita, sintética, profunda. Achei a frase interessante e a arquivei em meu computador. Confesso que levei aproximadamente quatro anos para entendê-la.

O que é selo? O que significa? Selo serve para selar, certo? Então, se está selado está intocável, está embutido, está preservado. Daí, temos algo da maior transcendência.

Nada existe em oculto que não será conhecido ou revelado algum dia e em algum lugar.

Os selos nós podemos dizer que representam aqueles elementos que bloqueiam e impedem determinado acesso dos seres ao nível de um aprofundamento maior no que diz respeito ao conhecimento. Ficou claro? E esses selos estão e continuarão sendo abertos, lenta e gradativamente. O selo é algo que vai ser revelado, logo, vamos nos tranquilizar, tudo vai ser aberto. Tudo vai ser tirado o selo, vai ser retirado o véu, mas se nós tirarmos o selo ou alguém tirar o selo para nós antes da hora aí fica difícil o entendimento e não valorizamos a oportunidade.

Guarde o seguinte: busquemos o conteúdo que nós vamos achar. Só que ele não se abre, em absoluto, para quem não está preparado ou não se predispôs a conhecer.

Diante disso, o que a espiritualidade, sob a tutela do Cristo, faz? Ela abre o selo e dentro desse recipiente sai um punhado de envelopes também selados. Selados e fechados a espera de novos alcances.

A linguagem bíblica também não é tão objetiva por causa de outro ponto essencial: ela não pode interferir no momento de decisão do espírito, que é sempre sagrado.

Esse registro figurado, que normalmente vige por parte daqueles que nos trouxeram as revelações, inserem uma soma ampla de informações que nós vamos conseguindo abranger conforme o nosso crescimento. Tudo tem que ser trabalhado de acordo com o patamar individual. As profecias apresentam aquele conteúdo abrangente a ser trabalhado conforme o piso ascensional de cada individualidade. 

Pelo fato das revelações e das profecias apresentarem um conteúdo abrangente, elas precisam ser trabalhadas segundo o patamar íntimo de cada um. Isso precisa ser entendido com bastante clareza, afinal de contas cada criatura apresenta um grau de percepção e de entendimento diferenciado.

7 de jul de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 10 (Final)

LETRA E ESSÊNCIA

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

O evangelho é manancial e recurso inesgotável de ensinamentos. Não acaba. É eterno, abundante e contínuo.

A gente lê e muita dificuldade encontrada na leitura decorre dos próprios terrenos que temos que trabalhar, porque a linguagem do velho testamento e do novo testamento trabalha de uma forma simbólica. Geralmente, vigora uma tentativa de repassar a informação através de um elemento básico que é o símbolo. E o símbolo, sem dúvida, é uma forma de passar informação. Tem pontos que estão embutidos nessa linguagem figurada que o texto apresenta a cada um de nós.

O maior percentual de pessoas é cristã. Ótimo. Porém, infelizmente não estuda o evangelho, estuda a letra do evangelho. E a bíblia não pode ser trabalhada em cima da letra como muita gente propõe. A letra, sem dúvida alguma, é um instrumento que pode criar dificuldades para os nossos passos. Sabe porquê? Porque ela é material didático.

A letra não é a essência do conhecimento. A letra bíblica é material didático sem o qual não há aprendizado, mas ela não é a essência do conhecimento. Precisamos entender que toda transcrição, tanto do velho como do novo testamento, é instrumento didático. A letra é recurso didático por meio do qual a sapiência pedagógica de Jesus nos ensina a aprofundar no conteúdo. E equívocos na interpretação muitas vezes ocorrem ao tomar-se ao pé da letra expressões que são figuradas.

Por esta razão, todas as vezes que a gente leva o assunto para o plano literal nós costumamos ter problemas. Veja o que acontece em nosso mundo escolar. Nos primeiros movimentos do ensino fundamental, o que era tido antes como curso primário, no que reporta a instrução infantil, faz-se necessário a colaboração de figuras, não faz? Para que a criança inicie o despertar dos primeiros conhecimentos. E dentro de um lance de analogia, aquele que quiser estudar a bíblia em cima da periferia da letra vai ficar trabalhando contra a própria natureza, porque a gente sabe: a didática é uma coisa e o conteúdo é outra.

As  frutas, ou melhor, a parte essencial delas, é quase sempre envolvida por uma camada que é a casca. Certo? E esse envoltório externo serve para quê? Para conservar doce e saborosa a polpa dos frutos, preservando-as das contingências exteriores a que se acham expostas. Ou seja, se a natureza não tivesse protegido dessa forma os frutos o homem jamais chegaria a utilizar-se deles.

E com os ensinamentos do evangelho, que contém as verdades essenciais, o processo é o mesmo dos frutos. Porque para início de conversa, não há como transmitir as grandes verdades fora dos elementos de natureza metafórica ou simbólica. 

Se a sabedoria do maior instrutor e guia da humanidade não tivesse envolvido os seus sublimes preceitos no manto dos símbolos e das parábolas, com certeza eles não teriam chegado até nós. É só analisar com atenção, pois tudo o que é revelado para além do nosso contingente de capacidade perceptiva direta tem que ser direcionado em forma figurativa. É assim e sempre vai ser assim, o que explica porque estamos envolvidos com a necessidade interpretativa da mensagem bíblica. 

Sempre teremos que passar por isso!

Nos dias de hoje, ante os acontecimentos que nos chegam, ainda costumamos receber muita coisa em bloco, de forma compactada, sintetizada. E com nossa inaptidão e insensatez comumente não mantemos a paciência necessária para descompactar e metabolizar o conteúdo. Muitos, assim, desprezam o espírito que vivifica e ficam restritos à letra que mata. Em outras palavras, comem qualquer fruta com a casca. E o que é pior, procuram convencer os outros de que é assim que devem comê-la. 

Essa é a grande verdade, a grande massa de pessoas ingere o material didático como se fosse o conteúdo, a essência, e nem o mastiga. E por insistirem em comer qualquer fruta com a casca, não experimentam o legítimo paladar dos ensinamentos, cheios de doçura e aroma.

Sempre que fechava seus discursos com a frase "quem tem ouvidos de ouvir, ouça", Jesus sugeria que quem fosse capaz penetrasse o sentido essencial de suas palavras, porque o ensino dele não está na letra que mata, mas no espírito que vivifica.

Em todas as traduções dos ensinamentos divino é imprescindível saber separar da letra o espírito, buscando a essência para além da letra que a transporta.

Tem gente que alega que o uso de simbologia e de parábolas gera confusões e dificulta a aprendizagem da verdade. A estes nós podemos dizer o seguinte, praticamente não existe fruto sem casca. Todavia, não se vê alguém reclamar de ter que descascar a fruta. Concorda? Ninguém reclama disso, afinal de contas o trabalho de descascar é compensado pelo proveito que tiramos do alimento, portador de nutrientes essenciais à vida do corpo. Todo mundo concorda com a necessidade de um pequeno esforço. E, se para saborearmos os frutos temos que nos despojar dos seus respectivos envoltórios, para acessarmos as verdades maiores temos que despojá-los da letra que os envolve.

Tem gente que vai fazer uma palestra ou uma pregação sobre o evangelho e faz um poema para começar. Utiliza de desenhos, leva gravuras belíssimas. A cada período de tempo, uma música bonita envolve as pessoas. Se o assunto é a pesca maravilhosa começa falando da paisagem. Fala dos peixes, descreve os barcos, se emociona ao falar de Simão. Fica lindo. Muita gente emocionada bate palma no final: "Mas que beleza. Como fala!" Tudo muito bonito. Mas ficou apenas na periferia do assunto. De conteúdo e aprendizado que é bom, não teve nenhum. O orador fala bonito, mas se for questionado, se apertar um pouquinho, e nem precisa ser muito, não sai nada.

Jesus não transmitiu nenhuma lição ao acaso. No evangelho tudo tem uma razão de ser.

Todas as expressões contidas nele apresentam uma história viva entre nós. Todo ato do divino mestre e todo símbolo tem significação. Nada é superficial. O mestre serviu-se da forma, empregando-a para designar pensamentos transcendentes, dos quais a forma, em si mesma, não pode dar uma ideia precisa e clara. Isso é para ficar bem guardado. O que estamos falando aqui é muito mais importante do que parece. Nós temos que procurar dentro do material didático a mensagem que ele trouxe, porque atrás de cada simbologia que o texto apresenta sempre encontramos as mensagens de que precisamos. Outro detalhe: não sabemos o que podemos tirar ou colocar no evangelho, o que importa é que se está contido nele nós temos que encontrar alguma coisa positiva.

O que estamos falando é muito bonito. Estamos buscando analisar as partes básicas que o evangelho abre para nós. Porque o evangelho está repleto de símbolos e temos que compreender o símbolo e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida.

A linguagem de Jesus é toda espiritual. Aliás, evangelho é mensagem direcionada ao espírito em sua essencialidade. É roteiro das almas e com a visão espiritual deve ser lido. Isso é critério básico de estudo e interpretação do evangelho de Jesus. Saber retirar o espírito da letra e saber situar-se na mensagem, no tempo e no espaço. Tirando, inclusive, de cada cura de Jesus, a essência renovadora dentro de cada feito dele. Ficou claro? A parte de fora do evangelho é letra e o que nós estamos tentando é ver o que tem dentro da letra.

Quem tem estudado tem notado que dentro da letra está embutida a essencialidade. Então, continuamente temos que nos lembrar de buscar o conteúdo espiritual, que é o que dá vida, universalidade e eternidade. O estudo visa retirar das reentrâncias da letra a essência. É por isto que interpretar é pegar sempre a letra e ver o que tem lá dentro. Não tem outra, nós temos que ir além da forma, utilizar a letra, que é a vestimenta da linguagem, e buscar o espírito. Somente este é capaz de nos fazer penetrar a mente e coração do mestre.

A dica que deixamos é esta: quem quiser entender o evangelho de Jesus deve buscar sempre o sentido dos ensinamentos sob o prisma puramente espiritual.

O evangelho, todo ele, é simples na sua essência, logo, vai depender da nossa simplicidade e do nosso carinho para compreendermos a essência lá no fundo da letra. 

É preciso buscar na intimidade da letra o que Jesus quis apresentar, o que ele quis ensinar. Saber analisar os seus feitos ao nível, inclusive, dos padrões interiores. Sabe porquê? Postura toda postura física tem uma ligação íntima, é muito mais mental e psíquica do que a gente possa imaginar. E vale deixar mais um lembrete: não vamos deixar que o conhecimento novo que temos alcançando, e que às vezes falta por aí afora, venha a criar em nós algum tipo de presunção. Jamais!

Sejamos sempre simples, fraternos, solícitos, integrativos, alegres e humildes. E a vida continuará nos abençoando cada vez mais com entendimentos mais elevados.

2 de jul de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 9

COMEÇANDO A INTERPRETAR

“SABENDO PRIMEIRAMENTE ISTO: QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE PARTICULAR INTERPRETAÇÃO.” II PEDRO 1:20 

O evangelho é uma chamada para muita gente. Em razão disso, é que nós mantemos conosco a presunção de querer interpretá-lo. Mas, como diz Pedro, em hipótese alguma podemos buscar uma interpretação fechada, de maneira definitiva.

Pedro é muito claro ao dizer que "nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação". Isso é algo importantíssimo e fundamental de se entender.

Em primeiro lugar, porque a revelação não pode constituir objeto de propriedade particular, como também não se circunscreve a esse ou aquele grupo de indivíduos, a essa ou aquela escola. De forma alguma é possível encontrar interpretações absolutas. Em qualquer parte do evangelho não existe nada de modo absoluto. 

Veja bem, todos os textos, sejam eles do velho ou do novo testamento, apresentam um sentido amplo de revelação e a revelação é soberana, é livre, vem de cima. 

As mensagens não podem apresentar uma diretriz de percepções restritas, necessitam ser trabalhadas sob o aspecto globalizado. Em hipótese alguma nós podemos fechar as interpretações. Nunca vamos encontrar no conhecimento do evangelho, por exemplo, um ponto particularista e fechado. Percebeu? Não podemos simplesmente fechar a interpretação e dizer que está resolvido, que ela vai atender a todo mundo. Isso é ilusório. Ela pode é atender determinados elementos de acordo com a necessidade deles, em algum estágio específico da evolução.

Quando o assunto é interpretação, normalmente as religiões tradicionais costumam levar os seus adeptos ou simpatizantes lá para trás, até a época em que Jesus viveu.

Preste atenção, eu não estou aqui fazendo nenhuma crítica. Tenho um grande respeito por todas as religiões, no entanto não é assim que elas fazem? Costumam levar as criaturas hoje até aqueles dias de Jesus. No entanto, há um detalhe: falar do texto lá atrás já não nos interessa mais. Não é nosso interesse ficar analisando os textos exclusivamente dentro da sua fisionomia histórica, literal. 

Nós não estamos aqui para estudar a história do evangelho. De forma alguma. Não estamos aqui estudando com a cabeça voltada para dois mil anos atrás. Sem contar que vai ser muito difícil pegar a contingência do nosso contexto social de hoje, que é totalmente diferente, e tentar jogar naqueles dias de Jesus.

Uma coisa precisa ser guardada: o evangelho tem sentido de eternidade e de continuidade.

Ele é algo do presente e nós sempre batemos nisso. Não vamos nos esquecer disso nunca. Embora apresente milênios, é indiscutível o seu caráter de contemporaneidade.

Todos os fatos e ensinamentos nele contidos, embora estejam revestidos de características históricas inerentes ao tempo em que ocorreram, se refletem com muita tranquilidade nos dias atuais. Aliás, isso não se aplica somente ao evangelho, mas abrange a todos os textos bíblicos. Todos os ensinamentos neles contidos são atemporais. A importância das mensagens do velho e do novo testamento é entender que elas são universais e que tem uma atualidade em qualquer momento, uma vez que as dificuldades e os anseios dos homens passam por alguma faceta que tange aquilo que foi mencionado em cada uma delas.

O que é preciso ser feito é uma coisa muito interessante: ir até lá e trazer o acontecimento para o agora.

Percebeu? Enquanto as igrejas tradicionais nos levam até Jesus a doutrina nos trás Jesus para a atualidade. A questão é por aí, saber interpretar toda a mensagem de redenção que nos foi trazida. Não partindo do hoje para o ontem, mas trazendo a boa nova para os dias e problemas atuais. Ou seja, nós estamos indo lá e trazendo para cá. A doutrina, vale repetir, busca ir lá e trazer o evangelho para hoje.

Analise comigo, o Jesus da Galiléia, da Judéia, da Peréia está lá atrás na história.

Concorda? Nós estamos falando agora é no Jesus íntimo. Nós estamos fazendo um trabalho de natureza espiritual, porque a mensagem do evangelho é direcionada ao espírito,  e com isso estamos estudando aqui a intimidade do ser, com um percentual maior ou menor de informação. Ficou claro? Nós estamos estudando nos dias de hoje assuntos de nossa estrutura pessoal. O que nos interessa agora é falarmos de nós mesmos, de nossa vida. O que nos interessa é trazer o ensino concreto e fazer, sim, uma conjugação, de modo a trabalhar a nossa intimidade. Estamos buscando sair do fato para trabalhar o íntimo. Isso é o que importa. E trabalhando o íntimo nós adentramos em um caminho novo.

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