2 de jul de 2015

Cap 51 - Entendendo o Evangelho (2ª edição) - Parte 9

COMEÇANDO A INTERPRETAR

“SABENDO PRIMEIRAMENTE ISTO: QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE PARTICULAR INTERPRETAÇÃO.” II PEDRO 1:20 

O evangelho é uma chamada para muita gente. Em razão disso, é que nós mantemos conosco a presunção de querer interpretá-lo. Mas, como diz Pedro, em hipótese alguma podemos buscar uma interpretação fechada, de maneira definitiva.

Pedro é muito claro ao dizer que "nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação". Isso é algo importantíssimo e fundamental de se entender.

Em primeiro lugar, porque a revelação não pode constituir objeto de propriedade particular, como também não se circunscreve a esse ou aquele grupo de indivíduos, a essa ou aquela escola. De forma alguma é possível encontrar interpretações absolutas. Em qualquer parte do evangelho não existe nada de modo absoluto. 

Veja bem, todos os textos, sejam eles do velho ou do novo testamento, apresentam um sentido amplo de revelação e a revelação é soberana, é livre, vem de cima. 

As mensagens não podem apresentar uma diretriz de percepções restritas, necessitam ser trabalhadas sob o aspecto globalizado. Em hipótese alguma nós podemos fechar as interpretações. Nunca vamos encontrar no conhecimento do evangelho, por exemplo, um ponto particularista e fechado. Percebeu? Não podemos simplesmente fechar a interpretação e dizer que está resolvido, que ela vai atender a todo mundo. Isso é ilusório. Ela pode é atender determinados elementos de acordo com a necessidade deles, em algum estágio específico da evolução.

Quando o assunto é interpretação, normalmente as religiões tradicionais costumam levar os seus adeptos ou simpatizantes lá para trás, até a época em que Jesus viveu.

Preste atenção, eu não estou aqui fazendo nenhuma crítica. Tenho um grande respeito por todas as religiões, no entanto não é assim que elas fazem? Costumam levar as criaturas hoje até aqueles dias de Jesus. No entanto, há um detalhe: falar do texto lá atrás já não nos interessa mais. Não é nosso interesse ficar analisando os textos exclusivamente dentro da sua fisionomia histórica, literal. 

Nós não estamos aqui para estudar a história do evangelho. De forma alguma. Não estamos aqui estudando com a cabeça voltada para dois mil anos atrás. Sem contar que vai ser muito difícil pegar a contingência do nosso contexto social de hoje, que é totalmente diferente, e tentar jogar naqueles dias de Jesus.

Uma coisa precisa ser guardada: o evangelho tem sentido de eternidade e de continuidade.

Ele é algo do presente e nós sempre batemos nisso. Não vamos nos esquecer disso nunca. Embora apresente milênios, é indiscutível o seu caráter de contemporaneidade.

Todos os fatos e ensinamentos nele contidos, embora estejam revestidos de características históricas inerentes ao tempo em que ocorreram, se refletem com muita tranquilidade nos dias atuais. Aliás, isso não se aplica somente ao evangelho, mas abrange a todos os textos bíblicos. Todos os ensinamentos neles contidos são atemporais. A importância das mensagens do velho e do novo testamento é entender que elas são universais e que tem uma atualidade em qualquer momento, uma vez que as dificuldades e os anseios dos homens passam por alguma faceta que tange aquilo que foi mencionado em cada uma delas.

O que é preciso ser feito é uma coisa muito interessante: ir até lá e trazer o acontecimento para o agora.

Percebeu? Enquanto as igrejas tradicionais nos levam até Jesus a doutrina nos trás Jesus para a atualidade. A questão é por aí, saber interpretar toda a mensagem de redenção que nos foi trazida. Não partindo do hoje para o ontem, mas trazendo a boa nova para os dias e problemas atuais. Ou seja, nós estamos indo lá e trazendo para cá. A doutrina, vale repetir, busca ir lá e trazer o evangelho para hoje.

Analise comigo, o Jesus da Galiléia, da Judéia, da Peréia está lá atrás na história.

Concorda? Nós estamos falando agora é no Jesus íntimo. Nós estamos fazendo um trabalho de natureza espiritual, porque a mensagem do evangelho é direcionada ao espírito,  e com isso estamos estudando aqui a intimidade do ser, com um percentual maior ou menor de informação. Ficou claro? Nós estamos estudando nos dias de hoje assuntos de nossa estrutura pessoal. O que nos interessa agora é falarmos de nós mesmos, de nossa vida. O que nos interessa é trazer o ensino concreto e fazer, sim, uma conjugação, de modo a trabalhar a nossa intimidade. Estamos buscando sair do fato para trabalhar o íntimo. Isso é o que importa. E trabalhando o íntimo nós adentramos em um caminho novo.

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