19 de jul de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 2

MOISÉS E A JUSTIÇA

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16

O que faz com que os homens entrem em contato com a realidade universal? Que faz com que eles consigam aprender acerca das verdades que vigoram e regulam a estrutura de todo o universo? A resposta é simples: a inteligência. É a inteligência o instrumento que possibilita esse acesso.

Agora, a inteligência, por si só, a utilização dos conhecimentos assimilados, tem um alcance relativo e possibilita acesso limitado, de forma que o entendimento que os homens não conseguem alcançar apenas pelos seus próprios conhecimentos lhes é proporcionado por meio da revelação divina. Percebeu? E por meio de quê? De médiuns missionários, que são aqueles intermediários pelos quais os bons espíritos transmitem às criaturas as leis de Deus. Sendo assim, verdades novas, além daquilo que é conhecido, pressupõe revelações vindas de fora.

E é importante frisar que essas revelações são proporcionadas conforme o estado evolutivo dos povos a que se destinam, a fim de que possam ser aceitas e assimiladas. Quer dizer, os homens recebem as revelações divinas segundo a posição evolutiva.

O homem não foi criado para viver sozinho. Não dá para imaginá-lo isolado dos seus semelhantes.

E para socializar os agrupamentos humanos torna-se indispensável coordenar a ação individual  delimitando-lhe as expansões, de modo a evitar atritos e conflitos. 

É necessário criar uma força íntima que se oponha às vontades pessoais, sempre que estas colidam com os legítimos interesses de terceiros. E essa força interior que nasce, cresce e vigora na consciência humana, orientando e dirigindo a nossa conduta, o que é? É o direito. E a aplicação do direito se chama justiça. Dessa forma, as noções de direito surgem para que não se imponha aos semelhantes ofensas e prejuízos que não se deseja receber. E a ideia de justiça, sem dúvida alguma, palpita no íntimo de todo o ser consciente.

A primeira revelação divina surgiu com Moisés, o grande legislador, treze séculos antes de Jesus, e foi direcionada ao povo hebreu. A humanidade já apresentava uma evolução mental capaz de encarar o universo de maneira global e nutria a ideia do monoteísmo, ou seja, da existência do Deus único, providencial e criador dos mundos.

Moisés, como legislador humano, possuía as mais elevadas faculdades mediúnicas. Como condutor de um povo, e objetivando coibir uma série de abusos e desregramentos, determinou testemunhos rígidos com o objetivo de se estabelecer a disciplina, dentro da ordem divina e do entendimento do único Deus.

Estabeleceu leis morais, religiosas, políticas, civis e até preceitos de higiene. Entre as leis civis que instituiu encontra-se a pena de talião, aquela em que a pena é igual ao crime cometido, o "olho por olho, dente por dente". Sua legislação foi inspirada no princípio de justiça, porque regulando as faculdades de vingar delimitou o ímpeto dos indivíduos, contendo-o na proporção exata do dano ou da ofensa recebida.

Muitos de nós já ouvimos falar que a revelação de Moisés tem sentido de justiça e isso é um fato. O profeta hebraico apresentava a revelação com a face divina da justiça.

A missão da justiça, então, foi trazida com Moisés. Porque toda a sua base é de ordem coletiva, cujos princípios norteiam a caminhada evolucional dos indivíduos. Apresenta sentido coercitivo, constrangedor. Ele instalou o princípio da justiça, coordenando a vida e influenciando-a pelo constrangimento de fora para dentro.

E não é difícil concluir isto. Muito pelo contrário, é fácil. Basta analisar que dos dez mandamentos sete são de natureza bloqueadora, sete são de ordem negativa. 

E cerca de mil e trezentos anos depois o povo hebreu evoluíra sob a lei mosaica e precisava de uma nova revelação. Outra revelação mais ampliada se tornou necessária. 

E o homem receberia com Jesus o código perfeito do amor a exteriorizar-se do coração, traçando-lhe rota para Deus. Quer dizer, Jesus veio para estender a mensagem a todos sem distinção, não apenas aos hebreus. O que era para poucos passaria a ser para a coletividade humana inteira.

Se com Moisés a expressão era de Justiça, com o Cristo foi trazida a feição do amor.

Agora, uma coisa é interessante. A lei de talião prevalece atual para todos aqueles que ainda não edificaram o santuário do amor na intimidade dos corações e que representam, sem exagero, o grande percentual das criaturas humanas. Vamos pensar nisso. Mas cá para nós, tem muita gente relutando em dar um passo além na sedimentação da revelação do amor e permanece adotando Moisés nos dias de hoje, ao invés de deixá-lo para quem realmente precisa dele. 

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