24 de jul de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 3

OS DEZ MANDAMENTOS

É fundamental, na revelação mosaica, fazer a separação entre a parte humana (reformável e transitória) e a parte divina (imutável e eterna). Ok? A parte divina é a que realmente nos interessa e está presente no decálogo, nos dez mandamentos.

O que importa para nós é que no monte Sinai são direcionados os dez mandamentos pela mediunidade de Moisés. O número dez apresenta uma expressão de universalidade, de coletividade, e esses mandamentos são orientações imprescindíveis ao campo evolucional da Terra. Constituem a moral básica e invariável em todos os tempos e povos.

E repare que nos dez mandamentos sete são negativos. Como assim? É tudo não: não matar, não furtar, não cometer adultério... Dos dez mandamentos sete são de natureza cerceadora. É onde está embutido o trabalho em uma linha setenária, cerceadora das dificuldades. São controladores das manifestações irreverentes. É tudo bloqueando, tudo em cima do não. Os sete mandamentos, por terem características negativas, representam a luta de expressão interior.

Está conseguindo acompanhar? Setenta por cento dos mandamentos são controladores das nossas manifestações irreverentes. Agem sob a impulsividade do ser, trabalham a linha instintiva, são controladores. É um cerceador disciplinar da tendência interior. São sete períodos de refreamento da nossa intimidade instintiva. Imagine uma criança em uma festa. Ela vai mexer em uma planta e alguém lhe diz: Não mexa aí! Ela vai pegar algum objeto e novamente a voz imperiosa: Não faça isso! Conseguiu perceber? Esse "não" age cerceando as manifestações de fora para dentro. Trabalha objetivando cercear as nossas dificuldades íntimas, refreando a manifestação dos nossos padrões menos felizes.

A nível informativo, o aspecto cerceador traz orientações saneadoras do psiquismo para a mudança. 

E tudo começa por aí. Um dia vamos notar que por enquanto o nosso êxito está muito em cima do não, da nossa capacidade refreadora, do não fazer. É não pra cá, não pra lá, não pra todo o lado, no sentido de cercear a manifestação dos pontos menos felizes da nossa personalidade que precisam ser abafados e redimensionados. 

A gente começa pelo não fazer, bloqueando as nossas manifestações complicadas. E vamos culminar pelo fazer em uma outra dimensão, em outro nível.

E o bonito disso tudo é que essas propostas, esses sete mandamentos negativos, quando nós vencemos a nós mesmos e chegamos nesse sete com êxito, ele nos projeta para uma capacitação mais nítida. Ou seja, vencemos os sete negativos e chegamos nos três que são positivos. Os sete negativos bloqueiam e os três positivos projetam. Pela abertura da consciência, e consequente ampliação da capacidade administrativa do potencial interior, nós passamos, por meio dos três positivos, a nos lançar de forma mais nítida na irradiação da luz.

Para nos projetarmos começamos trabalhando a linha setenária, refreadora, cerceando as dificuldades. Mas ao mesmo tempo abrimos terreno para a linha trina, realizadora.

É assim que o processo se dá. Ao mesmo tempo em que vencemos em termos de contenção na linha dos sete negativos, dá-se a abertura de um novo campo para a operacionalização de uma linha de três positivos. Três mandamentos positivos (amar a Deus, honrar pai e mãe e guardar o sábado) projetam o ser para o infinito em uma evolução consciente por meio de uma linha de realização com o criador mediante a expansão da capacidade de amar. Esses três positivos representam, de forma simultânea aos outros sete, uma linha trina a projetar a individualidade em sua capacidade de amar, para projetá-la na evolução rumo ao infinito. Constituem o terreno que se abre à evolução consciente. São a alavanca natural da projeção do ser no trabalho do amor, na operação do amor.

São esses três que nos projetam para uma realização com o criador. São eles que objetivam nos projetar em direção ao infinito. Assim, os dez mandamentos contém, embutidos dentro de si, a linha trina da evolução em busca da unidade.

E existem três componentes presente no universo: a unidade, a dualidade e a trindade. Não é isso mesmo? De certa forma, não é assim que nós aprendemos?

O componente número um é Deus. 

É o plano vibracional presente e reinante em toda extensão universal em nome do amor. É o número básico fundamental do equilíbrio do universo em Deus. Está presente em todos os contingentes, em todas as linhas, em todos os ângulos do plano operacional do universo. Representa toda a soma estrutural da vida no seu sentido sublimado no universo, toda a síntese do amor na grandeza em Deus.

A unidade é o elemento básico fundamental do universo. É o pai, o criador. O um é a unidade que traz dentro do plano filosófico toda síntese da vida. É a condensação de todos os componentes ou caracteres positivos do universo. Daí, a gente nota o seguinte: o bem, o amor, a vida, o espírito, entre tantos outros componentes, todos esses valores estão posicionados no plano positivo da vida. E todos eles se convergem para quê? Vamos pensar. Tudo se converge para o um. 

Está dando para entender? Tudo se direciona para Deus. A evolução é o encaminhamento da individualidade em direção à unidade em Deus. Tudo se concentra no direcionamento à unidade. E não precisa ir longe para se concluir isto. Repare os dez mandamentos, o número dez culmina na multiplicidade do um.

O um está presente em todo o universo. É a soma clássica do amor em toda a sua grandeza.

Só que tem um detalhe: o um apresenta caráter estático. E se a unidade fosse o único componente presente o universo estaria coagulado, estático, estaria tudo parado. E nós não estaríamos aqui estudando o evangelho. Para ser sincero, nem haveria evangelho. Não haveria nada. Então, vamos reforçar: Deus é a unidade, a unidade que irradia conhecimento, que irradia luz, que irradia amor.

E no momento em que nós aprendemos a realidade do crescimento consciente, ele não é mais um Deus de lá. Ou melhor, é um Pai que está lá, mas ligado com o filho que está aqui. Não é isso? Afinal, só existe pai se existir filho. E pelo filho concebe-se que existe um pai. E a dissociação entre pai e filho gera alienação.

Então, o amor que reside em Deus, no Pai, só é dinamizado quando Deus, que é criador, sugere criatura, ou o Pai, que é o amplo pai do universo, sugere filho.

Está acompanhando? E essa linha que parte dele, em toda a extensão do universo,  vai encontrar um plano dinâmico na linha de dualidade. Pela sugestão de descendentes é que vamos ver o que era estático se transformar em dinâmico, e o dinâmico já sugere o número dois, o segundo elemento. Dois é o filho. São as criaturas. A unidade se transfere para uma expressão dualística, para uma dualidade.

O um é o Pai, dentro de uma linha acentuadamente teórica. O um representa a unidade e a unidade significa paz e harmonia. Mas não podemos trabalhar somente em função da unidade, porque ela tem caráter estático. E o encontro com essa unidade, com essa harmonia, de onde estamos para cima, vai depender de uma linha dinamizada. Percebeu? Repare no seguinte: A gente, no plano espiritual, antes de vir para cá, faz cursos e a maioria nem imagina isso. Estuda acerca da lei de cooperação, da lei de trabalho, da lei de amor, da lei de caridade, e tudo é de certa forma teórico. É tudo em Deus. Aí, o que acontece? A gente vem para o dois e realiza isso aqui embaixo no plano material. E na hora em que nos movimentamos com a instrumentalidade que possuímos, o que era teórico começa a se tornar prático, ou seja, vemos a transubstanciação desse elemento teórico se tornando prático pelo filho que opera. Pois o filho, para que a gente não esqueça, é o segundo componente. O filho é o número dois. E o dois é sempre dinâmico, é a capacidade prática. O filho é o componente operante, porque o número um não opera, o número um dispõe, o número um irradia.

O ponto básico que nos liga teoricamente com a divindade é o ponto um. O ponto dois é sempre o laboratório experimental em meio ao sufoco da realidade que vivemos.

Assim, para que haja uma dinâmica no universo essa unidade se transforma em dualidade.

Só que ao criar a dualidade tem-se o componente positivo e o negativo. O que abre perspectiva de dinamismo, de forma a projetar os seres para pisos novos e posições novas cada vez mais elevadas é exatamente o ângulo da lei dos contrários, definindo o movimento.

A nossa busca a novos lances faz com que a unidade se dinamize, transferindo-se para uma expressão dualística, onde passa a preponderar a dualidade entre o bem e o mal, o amor e o ódio, a luz e a treva, o positivo e o negativo, e por aí adiante. 

É só analisar. Se a incorporação dos padrões superiores se desse de forma gratuita, sem a dinâmica operacional em face dos contrários, com certeza nós não teríamos movimento no universo, e sim um universo estático. Então, o bem está aqui e o mal está aqui, o dia está aqui e a noite está aqui, a luz está aqui e a treva está aqui, a verdade está aqui e a mentira também está. É essa dualidade que é capaz de fazer com que nós achemos o equilíbrio. Padrões negativos são necessários ao desenvolvimento dos positivos. E enquanto o lado positivo é eterno, imortal e não desaparece, os demais componentes tem vida relativa, os padrões negativos são relativos.

O que precisamos é de cuidado e vigilância porque à medida em que avançamos na busca do um é como se o dois começasse a empavonar-se, em razão dualidade, propiciando quedas.

E outra coisa, o dois pode nos fazer reciclar experiências, se a experiência vivida não for satisfatória. Aí temos que repeti-la. Como também pode representar conquista, levando-nos ao três.

Vamos reprisar de forma breve. O número um define a unidade. Representa o ponto de referência evolucional, o conhecimento teórico em Deus. Nós obtemos o conhecimento no um. No um é como se entrássemos no plano de indicativa, na elaboração da proposta, no acesso ao conhecimento que a misericórdia superior oferece ao nosso plano de evolução consciente. À partir daí essa unidade se dinamiza, ela ganha movimento na dualidade. Quer dizer, a pessoa com o conhecimento no um passa a exercer e aplicar esse conhecimento no dois.

O dois ou o segundo lance representa a presença de componentes que abrem as condições operacionais, abrem valores e oportunidades múltiplas de trabalho. O dois não é só informação. É oportunidade de trabalho, a nossa forma de agir, a aplicação da teoria. 

E o três, como extensão natural, define a projeção do encaminhamento. Então, o um se dinamiza no dois e sublima no três. Através dos lances: um, dois e três. 

O três ou a terceira etapa compreende a nossa conquista efetiva. Constitui a solidificação positiva do que propomos.

O três representa a soma do 1 + 2, que nos leva, em tese, ao 1 mais avançado que o 1 anterior.

O três embute o um e o dois. Significa a apropriação do um e do dois, corresponde ao somatório. É o um de antes acrescido do dois recente.

E na medida em que isso se abre no campo da trindade, no plano da espiritualização consciente do ser, nós estamos caminhando no rumo da evolução, mas na busca da unidade em Deus. Deu para acompanhar? A pessoa, com o conhecimento no um o exerce no dois e sai no três, que é o um renovado.

Veja bem, a unidade está no um, certo? E o indivíduo entra no plano aplicativo no dois. Mas se ela volta para o um ela não progride. Ficou claro? O indivíduo sai do um com projetos e programas e no dois é que ele realiza, concretiza. O dois é o plano material.

Todavia, do dois não se volta para o um. Quem volta para o um não progrediu nada.

O certo é ir para o três. O dois é a aplicação da teoria, é a filosofia aplicada na vida prática, mas aplicada mantendo-se ligado na unidade irradiadora em Deus.

E o três é o um acrescido de valores, representa o processo de santificação. O três equivale ao mecanismo da ressurreição, indica a visão em novo aspecto, a visão em novos ângulos. O três já apresenta mudanças no campo concreto da individualidade, mudanças de concretude, solidez. A ressurreição nossa em novo momento se dá sempre na terceira etapa. E a Terra não é terceiro planeta do sistema à toa.

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