25 de ago de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 10 (Final)

AMOR DIVINO

“UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU: QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS; COMO EU VOS AMEI A VÓS, QUE TAMBÉM VÓS UNS AOS OUTROS VOS AMEIS.” JOÃO 13:34

O amor que Jesus trouxe é diferente dos amores conhecidos no planeta em todos os tempos.

Por isso, Ele o chamou de novo lá atrás: "Um novo mandamento vos dou". Quer dizer, era novo lá atrás e continua sendo novo ainda hoje. Porquê? Simples. Porque nós o ignoramos. Isso mesmo, aprendemos e não praticamos. E como saber e não fazer é não saber, nós temos que aprendê-lo. É tempo de aprendê-lo. É tempo de cultivar o amor, até adquirirmos o hábito de amar. A novidade neste ensinamento não está na necessidade de amar, mas na forma de amar. Você percebeu? Que o nosso amor não seja a exteriorização das nossas concepções, um amor humano, que escolhe, que discrimina, que espera retorno, mas um amor divino. Que a gente saiba amar como ele nos amou e ama.

O amor humano que a gente conhece nem de longe é a expressão do verdadeiro amor.

Você já pensou nisso alguma vez? Nosso amor permanece vinculado à capacidade de ser amado. Nosso amor espera resposta. E isso acontece porque ele se exterioriza sobre a influência da razão, obedece a motivos determinados. E cá pra nós, sempre que esse sentimento se manifesta sob o império da razão você por ter certeza de que ele é forçado e não é natural. É um amor artificial.

Preste atenção, dois mil anos já se passaram e nós ainda tentamos compreender porque Jesus veio aqui e se deixou sacrificar em favor de nosso crescimento.

E uma coisa a gente sabe: o amor divino se mantém infinitamente acima da razão. Ele desconhece os motivos e os raciocínios de qualquer espécie. Logo, meu amigo, minha amiga, podemos deixar um lembrete singelo? Se você busca a razão, a lógica ou raciocínio do amor, saiba que você anda perdendo o seu tempo.

A questão é de amplitude, mas simples. Pense comigo: Qual o argumento da razão nos aconselha a amar o inimigo? A orar pelos que nos maldizem e perseguem? Onde está a lógica do preceito que nos recomenda oferecer a face esquerda a quem nos bate a direita? Onde está o raciocínio de cedermos também a túnica a quem nos tira a capa? Percebeu? Nós estamos falando agora é do amor legítimo, amor na sua verdadeira essência, e o amor verdadeiro não tem lógica, não tem razão, não tem raciocínio. Ele simplesmente sobrepuja a todo entendimento. O amor legítimo não tem cheiro e nem sentido de justiça. Na sua ação opera à revelia de nossa razão.

Vamos ter em conta que amor é só o que sai. Já não falamos isto? O que entra é justiça, o que sai é amor. E ao sair o amor é como a luz, que se propaga em linha reta e em todas as direções. É como o sol, fonte máxima da luz que conhecemos. 

O sol não ilumina algumas regiões e se esquiva de iluminar outras. Não tem disso com ele. O sol não diz: "Opa, aqui eu tenho que fazer uma curva. Não posso tocar aquele ambiente porque ali tem indivíduos complicados." Não. O sol não se preocupa onde ou em quem vai chegar. O amor também é assim. Amor puro não se reduz às restrições da lógica e argumentos do raciocínio. Quem ama, ama, faz o bem sem olhar a quem, por amor ao bem.

Jesus, para vir até nós, aniquilou a si próprio ingressando no mundo como um filho sem berço.

Não foi assim? A tarefa tange amor, não sacrifício. E tanger amor é operar sem avaliação do sacrifício. Se a gente pensar bem, a gente nota que por amor nós não começamos a medir muito sacrifício. Quando se faz algo em nome do amor não existe contabilidade. Todo sacrifício feito em cima de um circuito de amor, no momento da sua implementação as lágrimas podem até vir aos olhos em decorrência da dor, mas lá na intimidade vigora uma ressonância de júbilo dentro do coração.

Temos observado nas obras literárias de natureza espiritual que nos chegam o carinho com que os espíritos envolvem e se lançam atrás de um ser. É comum atrás de um coração que está caído haver um punhado de espíritos em volta. Será que fazem assim só para atender o anseio pessoal no campo das almas que se amam entre si? Será apenas o mérito de uma amizade? A resposta é não. Tem algo mais.

Muitas pessoas podem encontrar dificuldade para entender, mas por trás de cada um desses atendimentos vigoram verdadeiras expressões de amor, verdadeiros testemunhos de um coração atrás de outro. Quando o amor está presente nós vamos em frente. O amor não se rompe com vinculação ou desvinculação e sai de uma linha acanhada e se universaliza. E quanto mais o ser universaliza seu amor mais ele ama, e mais usufrui do amor com os que estão com ele.

Na manifestação de amor é muito comum um espírito querer vir no plano reencarnatório para envolver-se num processo de forma a auxiliar. Vamos imaginar que um casal venha para receber quatro filhos. E esse agrupamento de espíritos, em razão do passado, vai passar por momentos aflitivos na jornada. Ou seja, desses quatro filhos três vão passar por expiação. E pode acontecer que um deles não tem praticamente nada que ver com o débito do grupo. Este é o que chega como o quarto filho ou o primeiro, não importa, importa que ele escolheu passar por aquela prova, mas sua vinda não tem natureza expiatória. Ele reencarna no grupo por amor. Deu para entender? Ele passa a ser aquele componente que vem para auxiliar o agrupamento ou mitigar as dificuldades nos momentos difíceis da vida. E isso acontece demais.

Então, repare para você ver, geralmente essas individualidades passam despercebidas e, às vezes, nem são notadas. Porque por mais complexo que seja o lar, geralmente se dá ênfase ou se dimensiona o elemento complicado da casa: "Aquele é a peça complicada." Percebeu? Mas no ambiente doméstico podem ter um ou dois que são verdadeiros pontos de segurança e que nem sempre são vistos. Pode ser um filho, a mãe, um tio que mora lá. E lá na frente é que se costuma dizer: "Nossa, se não fosse fulano eu não teria aguentado. Como ele me ajudou!"

Enquanto a maioria das pessoas segue a sua jornada sendo um peso para a ação dos outros, um outro grupo, embora ainda em número reduzido, e espero estarmos incluídos nele, já assume possibilidades de auxílio. Tem muita gente sofrendo interiormente por causa das dificuldades de terceiros. E na hora em que notarmos que o nosso grau de sofrimento, de apreensão, de tristeza, de dificuldade, de perda de tranquilidade é decorrente de outra pessoa que nós amamos e queremos ajudar, é bom sinal. Na hora em que percebermos que as nossas cargas de sofrimento estão sendo decorrentes de outros está se abrindo um caminho novo.

Isso é um ponto básico que está nos projetando para a nova era no campo da regeneração. Tem muita gente estudando conosco que está preocupada, que tem passado momentos difíceis em razão do outro. É do marido, da esposa, de um parente, de um colega que ela gosta. Inúmeras pessoas estão sofrendo em função do outro, e isso já é um bom sinal. Toda vez que trabalhamos em função de alguém da qual nós temos uma alta dose de estrutura íntima para operar é sinal positivo.

E debaixo de uma mesma situação existe uma grande diferença entre justiça e amor.

Nós não estamos aqui para medir a resistência (sofrimento) ou o grau de afetividade (amor) de ninguém, estamos estudando para aprender. Mas não é fácil avaliar até onde o amor de alguém por outrem é um amor legítimo ou se tem o sentido de respaldo deste que ama para com o seu passado.

Para se ter ideia, podemos encontrar duas pessoas vivendo um mesmo tipo de problema, sendo que uma delas pode estar vivenciando ao nível do amor, enquanto a outra pode se manter ainda no plano de justiça. Não dá para saber onde está a divisória, onde termina o que nós devíamos e começa o nosso crédito.

Por exemplo, uma pessoa pode ter sob a sua responsabilidade hoje alguém próximo que está enfermo e que, por sua vez, ela machucou na reencarnação passada. Não pode? Isso não é comum de acontecer? O próprio Jesus nos disse que "os inimigos dos homens serão os seus familiares". Daí, ela pode desabafar de forma melancólica e reclamar com o vizinho, com o amigo, com a irmã, com a tia: "É, vamos ver até onde eu vou aguentar. A barra está pesada. Está muito difícil de levar. Não sei se eu vou ter forças. Mas fazer o quê? Eu tenho que aguentar. Eu sou o pai, eu tenho que aguentar." Não tem gente assim? Está pagando debaixo da justiça, da coação. Está pagando por um processo de justiça.

Vai levando de uma forma arrastada: "Ah, meu Deus, o que foi que eu fiz no passado para passar por isso? Eu não estou aguentando, mas vou pagar." A gente nota que existe uma reação por parte dela, apesar de ser mãe, apesar de ser pai.

Agora, quando o amor fala mais alto, esse amor faz um trabalho de grande intimidade, de grande interiorização, por isso não gera dor. Nós podemos ter um caso semelhante, sob o mesmo quadro, em que a criatura fala: "Está difícil para meu lado, não está fácil, mas a gente vai levando. Deus é bom." E sorri. É bonito e gostoso encontrar gente assim, que demonstra evolução e sabedoria.

Nós olhamos uma mãe vivendo um sacrifício tremendo sem dormir direito durante várias noites por causa de um problema de saúde com o filho: "A senhora está passando um momento muito difícil, não está? Deve estar muito cansada." A gente fala desta forma para uma mãe que está a uma semana sem dormir com o filho. "Ah, mas eu vou indo. Deus não me falta com as forças. Este é um filho querido. Enquanto precisar sacrificar eu estou aí. Ele é meu filho. Eu estou pedindo a Deus a cada momento. Até que cansa um pouco, mas não estou preocupada, não." Viu a resposta que ela deu: "É meu filho." Quer dizer, não é fácil, mas ela não reclama, está alimentada no objetivo de superar o problema. Por ser filho não está sentindo. Vai até aonde for preciso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...