4 de ago de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 5

A JUSTIÇA E O AMOR

“E JESUS, RESPONDENDO, DISSE-LHES: DAI POIS A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, E A DEUS O QUE É DE DEUS. E MARAVILHARAM-SE DELE.” MARCOS 12:17

“40E, AO QUE QUISER PLEITEAR CONTIGO, E TIRAR-TE A TÚNICA, LARGA-LHE TAMBÉM A CAPA; 41E, SE QUALQUER TE OBRIGAR A CAMINHAR UMA MILHA, VAI COM ELE DUAS.” MATEUS 5:40-41

Nós temos leis que funcionam na linha da coletividade, que alcança a todos, indistintamente. Mas essas leis de forma alguma são estáticas. Quer dizer, nós vamos evoluindo e com a nossa evolução vai se alterando o sentido da lei. Assim, os dez mandamentos continuam a nos desafiar em uma dinâmica que se abre com o nosso crescimento.

Por exemplo, nós aprendemos lá atrás, na colocação mosaica, o não matar. Certo? O não matar é imperativo geral, funciona para todo mundo. Agora, a aplicação do não matar varia ao infinito. Quer dizer, a cada lance de crescimento que damos, no decorrer das reencarnações, vão se abrindo valores novos para nós e passamos a ver esse não matar em posições diversificadas.

Está conseguindo acompanhar? Esse não matar não é estático. Ele é dinâmico e vai se distendendo da linha literal para outras conotações, começamos a notá-lo em situações cada vez mais sublimadas. A pessoa pode já ter alcançado o escrúpulo de não matar qualquer ser, já não tira a vida física do semelhante, mas mata o tempo do outro, mata a esperança de alguém, mata a alegria, mata a euforia, elimina o júbilo. Tira o sorriso de alguém. É tudo não matar.

Você já imaginou se Deus tivesse organizado as suas leis de tal modo que somente a misericórdia se exercesse? O resultado não seria outro, senão a perpetuação e contínua manutenção do pecado. E com isso o homem não conseguiria se elevar acima dos vícios e das paixões humanas, mantendo-se como escravo destas, sem poder elevar-se nos caminhos do progresso. Permaneceria preso e cristalizado na animalidade. E se esse fosse o destino do homem, isso não seria de certa forma uma negação da própria misericórdia? Percebeu?

Então, vamos ter em conta que a misericórdia não anula a justiça ou o amor não anula a lei. Pelo contrário, representa o seu complemento. A lei ou justiça prepara o homem para viver na terra, a misericórdia ou amor ensina-lhe a alcançar o céu. A justiça desperta o raciocínio, o amor faz vibrar as cordas mais íntimas do sentimento. A lei fala a razão, o amor ao coração. A justiça mata o pecado, o amor gera a virtude. A justiça promete, mas é o amor quem dá. A lei chama para a saída da treva, mas o amor é quem leva para a luz. A lei convida para a vida transitória, o amor é quem garante a permanência na vida eterna.

O velho testamento é o alicerce de toda a revelação divina. O velho testamento é a fonte maior da revelação. Sem Moisés nós não teríamos Jesus.

Vamos explicar isso com calma, porque não é tão fácil. Jesus, com a revelação do amor, representa o edifício da redenção das almas. Afinal de contas, não é este o propósito de cada um de nós? Nosso objetivo não é edificar a nossa própria redenção? E isso é algo que cada qual tem que fazer de forma intransferível, ou será que alguém pode edificá-lo por nós mesmos? Não. Cada qual tem que erguer o seu próprio edifício. Ficou claro? Nós é que erguemos o nosso próprio edifício íntimo. Agora, você não eleva um edifício sem a fundamentação. Logo, a primeira revelação, na fisionomia da justiça, constitui o alicerce desse edifício. Ou seja, a lei constitui toda a base do edifício. É a justiça quem segura o edifício do amor, é ela que tem que formar a base do amor.

A justiça é a fonte geratriz do amor.

Para se poder penetrar com sabedoria nos territórios do amor é preciso passar pelo piso da justiça. Não tem outra, o amor decorre da aplicação da justiça ou da lei. Ele vem embutido na letra da justiça. O amor traz consigo, de forma implícita, a justiça, embora a justiça não abranja o amor. Deu pra perceber a relação?

Nós podemos estar na justiça e fora do amor, mas não tem como estarmos no amor e fora da justiça. Jesus é a fixação clara dos conceitos mosaicos, é a aplicação de Moisés. O evangelho é Moisés aplicado. Justiça é o que emerge. Justiça é a manifestação de fora para dentro, é o que é imposto de fora para dentro. De forma que nunca um componente de fora penetra com amor, mas como justiça. Enquanto a justiça opera de fora para dentro o amor é o que se exterioriza de dentro para fora. Ok? Amor é apenas o que sai. Agora, não há como sair algo de dentro para fora se primeiro não tiver entrado algo de fora para dentro.

Vamos ter na consciência que sem uma perfeita coerência com a justiça nós não vamos passar de meros atiradores no contexto do amor. Temos que ter uma noção nítida acerca da justiça, conhecer com segurança o regulamento, saber como funcionam as leis. Dessa forma, quanto mais nós nos projetamos no amor mais a justiça passará a vigorar em nosso coração de maneira mais clara e objetiva.

Isso mostra que a grandiosidade e a solidez do edifício de nossas almas que buscamos erguer vai depender de uma justiça nossa cada vez mais reta. Não precisamos ir longe, basta nos lembrarmos de Jesus. O Cristo trouxe uma justiça reta. Ele jamais derrogou as leis divinas. Tanto que ele chegou ao mundo para a sua missão debaixo da tutela de um decreto de César. Saiu da parte de César Augusto um decreto mandando que cada um procurasse a sua cidade. Não foi isso? Então, todo o trabalho dele foi em cima da lei. Era devido o tributo a César? Que fosse dado a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Jesus veio até nós e ensinou que o direito nasce do dever. 

Assim como Moisés antecedeu Jesus, a justiça antecede o amor. Assim também devemos, primeiramente, cumprir o dever para depois esperarmos o direito. Objetivar o direito sem o cumprimento do dever é o mesmo que esperar a germinação do grão que não foi semeado.

Dentro do amor tem que falar a justiça. Concorda? E passar da justiça para o amor tem sido um desafio para todos nós. O amor o que é, senão o que excede para além da justiça? Ele aparece quando o dever e a obrigação cessam.

O amor surge para além do que é exigido. Preste atenção, Jesus disse que não veio derrogar a lei, mas levá-la à perfeição. O que significa isso? Que o amor é o alargamento da justiça. Percebeu? Ele se inicia onde a lei ou a justiça se encerra. Ele é sempre a dose a mais que a gente oferece. Após Moisés outros valores surgem no encaminhamento da luz. E para podermos chegar até a grande descoberta que nos projeta a passos rápidos para a evolução nós vamos ter que aprender adotar o que está no evangelho de Mateus, capítulo 5:41 em diante, no sentido de amar ao inimigo, bendizer os que nos maldizem, fazer bem sem olhar a quem, e aí por diante. O amor, agindo diretamente no coração, chega para completar a obra de salvação iniciada pela lei. São posturas que a gente tem que vivenciar de modo a favorecer a chegada de providências eficazes. Se a justiça se baseia no humano, o amor surge onde começa o divino.

A estratégia de Jesus é diferente da estratégia da justiça. Como assim? A estratégia da justiça é assim: Se alguém te obrigar a andar uma milha você vai com ele. Se alguém entrar em litígio com você e te pedir o vestido, você dá o vestido.

E Jesus vai além: Se alguém te pede a capa você cede também a túnica. Se alguém te pede para andar mil passos, você vai mais uma milha, anda dois mil com ele. Está entendendo a profundidade do ensinamento? O que é que nós temos aprendido ao longo dos estudos? Que todos nós, em decorrência das nossas ações negativas levadas a efeito estabelecemos débitos com o destino. Certo? É assim que funciona. Afinal, quem não tem débitos pode lançar a pedra.

E circunstâncias menos felizes surgem no caminho de modo a fazer com que aquele que está devendo pague. Ou seja, o que deve, paga. A justiça não libera o infrator da lei sem a conveniente regularização do delito. No entanto, a proposta finalística da lei não é apenas fazer o devedor pagar, mas guindá-lo ao amor.

Então, aquele que fica restrito à milha ou ao vestido está dentro da lei e o que anda a outra milha e solta a capa penetrou nos territórios do amor. Acompanhou? Veja bem, vamos dar um exemplo para fim de esclarecimento. Um exemplo entre milhares que podem envolver a situação de dívida e crédito. Hoje eu obriguei alguém a andar uma milha comigo. Como o pagamento da dívida se dá ceitil por ceitil, amanhã alguém surge e me obriga a andar uma. O que eu faço? Se eu ando uma eu respaldo o débito, e se eu ando mais uma eu penetro pelo território do amor. Porque a segunda milha é que é o amor. Ficou claro? A capa, também, é que é o amor. Pense comigo, se você foi obrigado a andar uma milha e vai mais uma milha, você está angariando o quê? Créditos. E se você começa a ganhar créditos você começa a ficar absolutamente tranquilo. Para além daquilo que a lei sugere é que você começa a despertar-se de um mecanismo automático e entra em um processo de libertação plena.

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