16 de ago de 2015

Cap 52 - A Justiça e o Amor - Parte 8

O CERCEAMENTO E A AFERIÇÃO

Você já se perguntou porque algumas pessoas na vida precisam reciclar experiências, fazer tudo de novo lá na frente, em um futuro mais próximo ou mais distante, ao passo que outras não precisam reciclar? Porque que algumas pessoas não conseguem avançar, parecem ficar presas a situações difíceis, enquanto outras avançam para a frente sem maiores impedimentos?

O que acontece é que dentro do contexto universal a proposta superior em Deus é a conquista do amor. Concorda? Nós estamos estudando o evangelho e na medida em que avançamos aprendemos que o evangelho nos propõe o quê? Que se pegarmos firmes nos ensinamentos que ele nos lança nós rumamos de maneira tranquila para novas bases. Essa é a grande realidade. Por outro lado, quer se acredite ou não, se não aceitarmos passamos a ficar debaixo de linhas repetitivas em outros estágios, às vezes demorados, no campo da experiência ou da reciclagem.

Daí a gente observa que é grande o número de criaturas que tem sofrido muito em razão de cerceamentos, de inibições e de cortes de certos valores que passam, inclusive, a serem as aspirações de uma vida inteira. Vamos notar com tranquilidade que estas situações representam um sinal evidente de débitos perante  lei.

Não dá para desconsiderar, tem certos impedimentos e cerceamentos que a vida nos impõe.

Em muitas situações o plano superior coloca pepinos e dificuldades como sendo elementos cerceadores das nossas manifestações. A espiritualidade maior faz uma série de cerceamentos para nos evitar dissabores.

Vamos dar exemplos para ilustrar? Uma mulher tem um desnível no campo das emoções, no campo da sensualidade, no campo da liberdade de vida. Em razão de ações desvirtuadas nesse terreno ela angariou para si determinadas complicações. É feito um levantamento no plano espiritual. Levantam-se questões, faz-se um diagnóstico e exame de onde estão os pontos difíceis. Resultado: ela reencarna com facilidade para operar em áreas novas, mas tem que ser cerceada em outras para que o automático dela, presente na sua estrutura mais profunda, não tome conta da sua vida e a lance em novas quedas, o que agravaria os débitos.

Percebeu? Então, o que acontece? Ela vem, por exemplo, numa família cujo pai é muito durão. Ela é adolescente e o pai já diz: "Não chega na janela". Se vai para uma festa duas ou três pessoas vão acompanhando. Se está namorando tem sempre dois ou três perto para segurar a vela. É assim a luta, até que ela se casa: "Ai, meu Deus, fiquei livre!" Mal sabe ela que aquele com quem se casou é mais durão do que o pai. Não tem caso assim? O pai é durão. A pessoa casa, às vezes até achando que vai ficar livre. Após o casamento o marido, que a princípio só parecia ser intempestivo, acaba virando um carrasco. Deu uma ideia?

Outro exemplo é do indivíduo que entrou para uma religião tradicional, seja lá por qual motivo for: "Não posso fumar, não posso falar palavrão, não posso fazer isso, não posso fazer aquilo." Está dando para entender? Muita gente está tendo que levar uma vida amarrada. Passa a vida amarrada. O religioso tradicional é uma criatura que está num processo educativo. O aprisionamento, sob qualquer forma, tem a finalidade de quê? De propor a harmonização do plano mental para a elaboração de uma nova postura para quando a liberdade for reconquistada.

Porque ninguém vai ficar preso para sempre em certa situação, ninguém vai ficar amarrado o tempo todo. 

Vai chegar um momento em que a criatura vai ter que ser solta ou se soltar, até para saber se aprendeu uma nova forma de agir. E para essas pessoas que estão amarradas está ótimo. Pelo menos estão diminuindo muitas complicações e não estão criando problemas.

Chega um companheiro para conversar com alguém: "Pois é, você não sabe, mas eu fui refreado desde cedo. Papai não me deixava fazer isso, não me deixava fazer aquilo." Chega traumatizado, cheio de marcas no psiquismo. E continua falando: "Agora descobri que tenho que ser independente. Quer saber? Chega. Vou dar um basta. Fiquei amarrado a minha vida inteira. Quarenta anos de amarra." E o ouvinte, de visão mais abrangente, pode pensar: "Se tivesse dado corda para ele lá atrás, provavelmente ele nem estaria aqui agora." Não pode acontecer? Se tivesse dado corda, puxa vida, nem dá para imaginar.

Tem muitos casos assim. Depois de crescido começa a soltar um pouquinho e já começa a fazer besteira. 

Solta. Daqui a pouco o casamento está acabando. A mulher não serve mais, os filhos estão dando muita confusão, emprego nenhum serve. A pessoa está noutra. Porquê? Porque desatarraxou. Percebeu? Não houve um processo de gradação na soltura. Então, o sistema de vida é algo que tem que ser pensado. Não dá para ser levado no vapt-vupt.

O caso da igreja que nós falamos a pouco, no sentido do indivíduo não poder fazer certas coisas, não poder falar palavrão, não poder beber, de ter que fazer isso, de ter que fazer aquilo, pra muita gente já ficou para trás. Representaram no passado orientações saneadoras do psiquismo para uma mudança. E os que ainda estão neste contexto, de forma gradativa irão sair dessa linha religiosa fechada para entrarem em um processo natural de libertação paciente no tempo.

O testemunho ao evangelho, por parte de muitos cristãos na época inicial do seu surgimento, se você pensar bem, não ocorreu propriamente no momento em que foram levados às feras nos circos romanos. Aquilo foi um ato extraordinário que as obras cinematográficas e a literatura revelam para nós, mas não vamos nos iludir com isso não. O que aqueles momentos vividos nas arenas fizeram foi definir posições. Os verdadeiros processos de aferição da conquista não vieram com esses valores. A capacidade operacional do amor vem à frente, quando as criaturas vivenciam o amor sem os lances da pressão exterior, quando elas começam a lidar de forma positiva e amável com aqueles que elas amam e que, às vezes, ainda são totalmente complicados ou estão cristalizados e indiferentes.

Se qualquer um de nós presente aqui, que está matriculado nessa escola de regeneração, quiser entrar no campo operacional do amor, vai lidar de verdade sabe com quem? Não se assuste. Com os indivíduos que, às vezes, nos maltrataram ou foram por nós maltratados ontem. Em muitas situações, os verdugos de ontem vão ser as pessoas que vamos atender hoje. O elemento que está veiculando o erro e o mal vai ser o componente operacional dos que estão se elegendo em novos conceitos e propostas. Nós vamos ampliando nosso campo de conhecimento e nos maravilhando com a grandeza e a beleza da misericórdia divina.

Nós, que éramos as feras no passado, que agredíamos e desbaratávamos valores, vamos trabalhar agora para desativar essa ferocidade e sedimentar virtudes mediante ações junto de muitos daqueles que foram as nossas vítimas de ontem.

E tem mais uma coisa. Uma criatura envolvida em um sistema de vida complicado, na hora em que ela resolve mudar o que acontece? Quase ninguém acredita nela. 

Resultado: vamos dar nosso testemunho hoje, mas muitos não vão acreditar na gente não. Mas é com esses que nós temos que lidar.

O indivíduo, às vezes, não tem nada que o faça mudar. Mas na hora que a vibração de alguém que tem muito amor vem ao encontro dele, e que traz algo que é diferente da pregação sistematizada que esse indivíduo conhece, penetra em sua intimidade e sensibiliza. Dá-se uma linha de interação entre eles. Pois existe um mecanismo de conexão vibracional vigorante que nós não entendemos ainda.

Então, preste atenção. Uma coisa é nós mudarmos a nossa vida porque a doença ou outra coisa nos machucou. Depois nós vamos ser testados não mais pela doença, e sim pela capacidade de amar, que já não tem nada sufocando ou cerceando a gente de fora para dentro, não tem nada pesando. Em outras palavras, nós efetivamos a conquista pela realização da nova proposta. Não somos aferidos por aquilo do qual saímos, mas principalmente em função daquilo que entramos. Essa é hora que representa a definição do ser. E costuma ser no momento dessa aferição que fraquejamos e somos levados a ter que reciclar experiências, deixando para um futuro mais distante a nossa legítima conquista.

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