29 de ago de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 1

CONCEITOS INICIAIS

O que é o amor? É difícil dar uma definição dentro da nossa ótica perceptiva acanhada, mas de uma coisa sabemos: o amor é uma soma, é uma tônica no universo. É como se fosse o sustentáculo. Podemos dizer, sem medo de errar, que ele é a essencialidade que mantém e sustenta o equilíbrio de todo o universo.

É a energia, a vibração que a tudo circunda e envolve. Constitui a lei máxima no campo filosófico e abrangente universal. Dele derivam todas as virtudes, que nada mais são que modalidades e aspectos da sua abrangência. O amor é o sentimento por excelência e o criador não age represando e cerceando o amor. Não é isso? O criador não armazena o amor dele. O manto protetor do amor não é como a galinha, que mantém o seu envolvimento restrito aos pintinhos debaixo de suas asas. O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante. E o mais interessante, o amor foi feito para ser dinamizado.

E quando nós falamos no plano operacional do amor nós falamos sabe em quê? 

Em caridade. Ou seja, caridade é a manifestação do amor, a aplicação do amor. Representa a dinamização dessa energia sublime. Diz-se que caridade é a expressão tangível do amor. É o amor aplicado. O elemento operacional, a aplicação do amor, a materialização da teoria, a expressão crística. É a dinâmica do amor. E tanto é a dinâmica do amor que é muito comum as pessoas misturarem os termos. Ou seja, uma pessoa fala caridade, outra fala amor e ambas dizem a mesma coisa.

Mas um detalhe tem que ficar bem claro: caridade não é o amor total. Ok? De forma alguma ela é o amor como um todo. Ela é uma faceta do amor, parcela do amor aplicado. É como se fosse o campo ou terreno onde o amor está operando.

Daí alguém pode perguntar: "Espera aí, Marco Antônio. Você está me dizendo que amor e caridade são a mesma coisa?" Bem, para ser mais preciso existe uma distinção.

Se fizermos uma comparação, se analisarmos de forma mais aprofundada, nós vamos observar com tranquilidade que o amor é muito mais do que a caridade. Claro, afinal de contas nós acabamos de dizer que o amor é a essencialidade que mantém o equilíbrio do universo. Logo, ele é muito maior. E a caridade é o amor em sua faixa de aplicação e dinâmica. Até frisamos que a caridade não é o amor total.

Resultado: toda a caridade legítima traz o amor dentro de si (óbvio, pois a caridade é o plano aplicativo do amor), mas nem todo amor é caridade. Deu para entender? Vamos exemplificar. Imagine alguém dizendo: "Nossa, você não tem ideia de como eu amo essa pessoa. Faz quarenta anos que eu a acompanho, desde o seu nascimento." Tudo bem, nesse caso em questão ela pode realmente amar a criatura a quem se refere, mas ela pode nunca ter feito nada em favor dela.

O amor é que mantém o equilíbrio no universo. E o amor, em sua essência, em sua contingência total e abrangente universal, não é com a gente, é com o Pai. 

Não tem jeito, isto é fato. Amor não é conosco, pois perfeição, bondade, misericórdia são inerentes a Deus. Tanto é que Jesus não aceitou o título de bom.

Então, misericórdia é algo de Deus, mas nem por isso vamos ficar desanimados. Porque o plano dinâmico da divindade compete a nós, e não a Deus.

O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante e não podemos lhe interromper a fluência das vibrações. Em outras palavras, Deus é o pleno emissor, criativo, e nós as áreas operacionais.

E sabe qual é a nossa função nesse contexto todo? É nos ajustar ao terreno refletor desse amor. Se conosco não é amor, conosco é amar. Porque somos amor em potencial. E o desafio é expandir o amor, transformarmos o amor em amar, pelo exercício da bondade e da caridade. Se a dinâmica é a lei maior que impera em tudo, não há como dinamizar o amor sem passarmos pelo exercício de amar. O amor que já conseguimos visualizar e entender só é sublimado se for praticado. De forma que nós temos que operar o amor. Temos que ser misericordiosos para entendermos a misericórdia de Deus. Não há como apropriar do amor sem vivenciá-lo. Apenas amando aprendemos o que é o amor.

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