1 de set de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 2

AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO I

“36MESTRE, QUAL É O GRANDE MANDAMENTO NA LEI? 37E JESUS DISSE-LHE: AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, E DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU PENSAMENTO. 38ESTE É O PRIMEIRO E GRANDE MANDAMENTO. 39E O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO.” MATEUS 22:36-39

Porque existe uma proposta ou um sentimento egoísta muito grande dentro de nós? Isso é uma coisa para se pensar. É porque quando o primeiro mandamento sintetiza "amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo" nos foram concedidas experiências milenares para que a gente aprendesse a nos valorizar. Valorizar a nós mesmos, sabendo buscar aquilo que a gente realmente quer.

De fato, para poder amar ao próximo nós temos que ter aprendido nos amar muito.

Nós temos que ter uma identidade de amor a nós mesmos muito elevada. Nós temos que nutrir um amor muito grande por nós próprios. Afinal, se eu não me amo, como é que eu vou amar o próximo? Nós temos o direito de zelar por nós mesmos.

O próprio fato de estarmos estudando, tentando aprender, já demonstra isso. Podemos ter ótimos planos e ideias, querer resolver problemas e ajudar a muitas pessoas, mas lá no fundo nós temos que nos amar. Amar com muito carinho mesmo. Porque sabemos que se nos amarmos, dentro do que o evangelho propõe, nós seremos instrumentos mais dignos e mais úteis nas mãos da espiritualidade superior em favor dos que necessitam.

Eu sei que pode parecer estranho e até meio esdrúxulo de falar, mas o amor fraterno e universal que nós almejamos tanto, e que temos por meta alcançar na intimidade do coração, se embasa no grande egoísmo que nós já tivemos.

Então, no primeiro mandamento, "amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração e ao próximo como a ti mesmo", esse "como a ti mesmo" já define que somos acentuadamente amantes de nós mesmos. Não resta dúvida que muitos extrapolam esse amor para entrar no egocentrismo, no egoísmo. Sabemos que na aplicação desse sentimento, tanto no amor a Deus e ao próximo, temos que trabalhar com a nossa instrumentalidade, todavia costumamos entrar em terreno adentro do processo egoístico, passando a amar a nós mesmos bem mais do que ao próximo. De fato, a nossa linha egocêntrica ao favorecimento pessoal ainda é o grande grito da nossa personalidade. E o amor não tem nada a ver com egoísmo. Aliás, egoísmo ou egocentrismo é uma coisa muito triste. É uma exaltação complicada, uma vibração distorcida que instaura problemas e dilui a nossa paz.

E por nutrir esse sentimento egoísta por longo tempo nós aprendemos a querer o melhor para nós, o que é normal.

Vamos notar que até nos momentos de fazer alguma coisa que vise o bem alheio mantemos uma certa sombra de egoísmo. Quer dizer, em muitas situações costumamos querer fazer alguma coisa de bom porque estamos muito ligados a nós. 

Assim é quando assinamos lista de natal ou manifestamos cooperação de alguma forma. Não raras vezes alguém dá uma coisa a outro pensando no céu que vai lhe ser assegurado. E não tem jeito, nós temos que nos amar muito mesmo. Às vezes, até de maneira distorcida para podermos valorizar o que pode ser bom para o semelhante. E isto nós já aprendemos. Concorda? Nós temos uma capacidade muito grande de saber o que é bom, de querer o melhor para nós. Essa parte nós sabemos muito bem, estamos escolados, tiramos de letra.

O amor universal se embasa no amor egoísta que já tivemos e o amar a nós mesmos não significa a vulgarização de uma nova teoria de auto-adoração. De forma alguma, pois se pensarmos bem o egoísmo está com os seus dias contados.

E uma coisa é fato: quanto mais uma criatura ama a si própria mais expectativa surge em relação a ela por parte da espiritualidade, no sentido de que quando essa tônica mudar ninguém a segura. Percebeu? O amor ao próximo como a nós mesmos é uma extensão do primeiro mandamento. Significa que se nós trabalharmos no parâmetro do amor, do trabalho e da realização com base naquilo que a gente sabe que é bom para nós, que se resolvermos fazer ao próximo aquilo que nós sabemos que nos agrada, você já pensou? Ninguém vai segurar a gente. Vamos ser verdadeiros baluartes no amor, porque a dificuldade toda está nessa reversão. Estamos custando demais a escapar da velha concha do individualismo. Mas não precisamos nos entristecer ou apavorar porque a gente chega lá.

Nós todos vivemos em bloco. Não adianta se isolar disso, porque é da lei. Os seres vivem num contexto universalista. A lei de interdependência ou cooperação funciona na extensão de todo universo. É tônica no universo, ponto de maior realce e importância. Não estamos mais naquele processo de cada qual viver por si.

Simplesmente não podemos evoluir de modo personalístico. O personalismo, se a gente pensar bem, tem sido um componente que trava o processo evolucional.

Então, um recado que fica para nós hoje é de que sem dúvida não podemos evoluir de modo isolado. Nós vivemos em função dos outros porque a interdependência mora na base de todos os fenômenos da vida. Não há o que discutir, a vida é interação.

Todos nós dependemos uns dos outros na desoneração dos compromissos que nos competem. 

Queiramos acreditar, ou não, nos achamos magneticamente associados uns aos outros e é um erro lamentável despender as nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, vaidade ou limitação pessoal.

Receber da vida nós sempre recebemos e continuamos recebendo. O momento agora é de doar.

Estamos aqui estudando o evangelho, de certa forma juntos, a conta gotas, e o evangelho está sendo trabalhado para nos ensinar que acabou o período de cada qual viver para si. Definitivamente. E isso não é apenas uma teoria ou filosofia bonita. Quem quiser ser feliz daqui para a frente tem que fazer algo pelos outros, abrir-se no interesse dos outros. É preciso abrir se quiser ser feliz.

Quem quiser estar bem consigo próprio tem que fazer algo no campo universalista, tem que colocar as suas possibilidades, de alguma forma, ao dispor dos outros.

Não há mais como encontrar a felicidade plena envolto nas amarras do egocentrismo. Não tem como evoluir esquecido dos outros. Daqui para frente nossa felicidade depende muito em fazer os outros felizes. Não dá mais para encontrar a felicidade encasulando-se num processo egocêntrico. Não tem como encontrar a sustentação de felicidade naquela regra egoísta antiga. Hoje ninguém mais é feliz por si próprio. Não tem jeito, necessitamos uns dos outros.

Porque ninguém vive só. Alguém pode até viver só, mas não viver bem!

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