5 de set de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 3

AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO II

“PORTANTO, TUDO O QUE VÓS QUEREIS QUE OS HOMENS VOS FAÇAM, FAZEI-LHO TAMBÉM VÓS, PORQUE ESTA É A LEI E OS PROFETAS.” MATEUS 7:12

O estudo do evangelho é fundamental, todavia não podemos nos prender apenas à renovação espiritual.

Temos que operar também, porque é na operação que nós fixamos efetivamente os recursos aprendidos. Não basta apenas ficarmos nos transformando por dentro, mudando por dentro. E o laboratório que vai formar os caracteres dessa mudança? Percebeu? Não basta ficarmos só na mudança de propósito, essa mudança tem que ser fundamentada na prática. Temos que nos reeducar.

Voltar-se para a caridade pode ser uma colocação filosófica para muitas pessoas, mas representa reverter o mecanismo de nossos desejos e interesses. Todos nós iremos aprender, mais dia ou menos dia, que a prática do bem constitui simples dever, quando saímos daquela massa dos atritos, dos movimentos naturais de vinculação à retaguarda, e entramos numa proposta de melhoria espiritual. E entendermos isto, a compreensão do funcionamento desse sistema de interação, nos leva a encontrar um estado de maior equilíbrio interior.

Quando chegamos em algum núcleo espiritual para participar dos estudos, das reuniões, o que acontece? De princípio nós vamos para resolver os problemas do nosso mundo interior. 

Não é isso? Tem muita gente que vai para buscar conforto para si própria, tentar encontrar solução para um problema qualquer, buscar socorro para um filho doente, e por aí vai. E começa a notar devagarzinho que o assunto é mais ampliado. Assim, muitas vezes a pessoa foi para buscar um auxílio e de repente se vê visitando um hospital, integrando alguma equipe de assistência daquele grupo, dando passe em doentes, auxiliando de alguma forma. Não acontece?

A grande verdade é que nós não podemos alterar a nossa estrutura intrínseca, resolver os nossos problemas interiores, sejam eles quais forem, apenas com a assimilação de conhecimento, apenas informativamente. Qualquer lance de natureza formativa na mudança de caracteres, na mudança de estrutura pessoal, implica necessariamente em uma linha de inter-relação com as pessoas.

Ficou claro? Não tem como evoluir sem interagir. Não tem como caminhar sozinho. Sozinho você caminha, mas não vai longe. É preciso esse entendimento. Quanto mais nós formos crescendo em termos de percepção, mais nós vamos ficando envolvidos por pessoas, por situações e coisas. Por isso, não vamos ter medo dos envolvimentos a que estamos sujeitos, no contexto da nossa oportunidade de trabalho nós vamos lidar com muitas pessoas.

No começo, a gente nota a presença de registros muito sutis de acentuado teor egoístico, o que é normal.

Mas enquanto essa posição se mantém por parte da grande massa de criaturas, um grupo menor já passa a expressar uma visão com maior discernimento e inteligência. Como assim? Passa a notar que está ali em função do investimento que o plano maior está exercendo sobre cada um delas.

Vale a pena ter isso em conta. A luta de redenção exige cooperação e o amor, essa faixa operacional que se estende para além da justiça, espera um pouco mais de cada um de nós. Enquanto não levantarmos a bandeira da mudança e fazermos alguma coisa nós ficamos como mendigos da evolução. Isso mesmo. Mendigos. Cheios de informação, cheios de conhecimento e reclamando disso, reclamando daquilo. Que o mundo está errado, que isso está errado, que aquilo não presta, e daí em diante. Nós temos batido muito nessa tecla, estamos estudando o evangelho e nos elegendo companheiros interessados a cooperar. E as pessoas à nossa volta são componentes que nós precisamos delas e elas precisam de nós. 

E na medida em que vamos definindo nossa posição pessoal, hoje ou amanhã, passamos a ser convocados a cooperar.

Se o evangelho é o código perfeito do amor, e o amor é apenas aquilo que exteriorizo, enquanto eu não coloco a interação como algo efetivo em minha vida o meu dar fica desativado, fica estiolado na base. Conseguiu acompanhar? Vamos repetir. O evangelho propõe o amor e amor é somente aquilo que sai, certo?

Então, eu tenho que doar. Mas doar para quem? Para quem eu vou oferecer? Para quem eu vou dar?

É nessa hora que eu observo que não posso me manter fechado, que não posso viver sozinho no meu mundo, eu tenho que interagir com as pessoas e os valores em minha volta. O laboratório que vai me dar acesso efetivo a um estado melhor vai depender dessa interação com os outros, com as coisas, com os fatos e situações, com o mundo em si.

É por esta razão que a humanidade inteira cresce hoje na área da comunicação e a internet se expande para todos os cantos e para todos os setores. Às vezes, em cinco minutos a pessoa atende quatro telefonemas, responde a sete chamadas virtuais e, se bobear, fazendo algo enquanto interage. O momento é este.

A gente acha que vai fazer campanha de arrecadar ou doar alimentos para resolver o caso dos necessitados do estômago, ou que vai visitar hospital por causa dos doentes, mas não é nada disso. A gente vai porque está precisando treinar. Treinar ser dócil, ser amável, ser solidário. E assim nós começamos a alterar.

Nós que estudamos o evangelho estamos tentando adotar uma postura de profundo amor ao semelhante.

A caridade que se desenvolve nos grupos espirituais, a nível sistematizado, tem esse papel fundamental. Muita gente acha que está fazendo um bem excelente para os outros, ele integra a equipe tal de algum grupo. Essa fase vamos entendê-la como sendo o início. Mas qual é o objetivo dele estar na equipe de visita a hospital? Qual é? Dar conforto ao interno do hospital, mas acima desse objetivo é a sua integração no campo da sensibilização, do atendimento e da compreensão.

A gente não cresce sozinho. Ninguém cresce sozinho. Isso tem que ser levado em conta.

Deus nos espera nos outros. Se de um lado há os que nos canalizam recursos de cima, de outro estão os que se encontram abaixo esperando nossa cooperação. E olha que a cada instante somos chamados a exercer o amor ao próximo.

Se eu dissociar o meu interesse das pessoas à minha volta eu fico trabalhando em um plano de egocentrismo e o egocentrismo leva à perda da vida no seu sentido essencial de reconforto íntimo. Ou seja, passamos a não viver bem, pois a felicidade não consegue se multiplicar quando o amor não sabe dividir. O mundo dá muitas voltas e uma infinidade de indivíduos se esquece hoje de que amanhã serão, talvez, os necessitados e os réus, carentes de perdão e de socorro.

E quando começamos a fazer iniciamos o cumprimento da parte que nos compete na grande luta.

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